sábado, 2 de abril de 2011

4to DOMINGO DA QUARESMA-A-(03-04-11)


1ª leitura 1Sm 16,1b.6-7. 10-13ª

O texto apresenta um momento muito importante da história do povo de Israel: a consagração de Davi como rei de Israel. O relato coloca em evidencia o critério da escolha. Samuel, o profeta do Senhor, é chamado para esta missão. Vendo o primogênito de Jessé, Eliab, considera a importância da primogenitura e do aspecto físico e conclui “Certamente é este o ungido do Senhor!”. Eis, então, a resposta do Senhor “Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu i rejeitei”. O motivo da não aceitação é colocado a continuação “Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”. É o coração o centro motor de toda a pessoa, o que determina os critérios e a motivação das escolhas e do agir. Nele estão posto os olhos do Senhor. O homem não tem condição nem capacidade e, as vezes, nem vontade de chegar até lá. Ele fica deslumbrado e conformado com as aparências. Muitas vezes ele mesmo age em nível das aparências, para ganhar o consenso e a admiração dos outros. Entre os filhos, o que tinha menos consideração pelo pai “Estão aqui todos os teus filhos?. Jessé respondeu : resta ainda o mais novo que está apascentando as ovelhas’’ é escolhido pelo Senhor “Levanta-te , unge-o: é este! (...) e a partir daquele dia o espírito do Senhor se apoderou de Davi”. A diferença entre os critérios dos homens e o critério e Deus alerta com respeito às referencias que conformam a autenticidade ou menos dos valores a serem tomados em consideração na avaliação do melhor para a existência humana. Assim como é fácil se deixar enganar quando conduzidos pela exterioridade e superficialidade das aparências. Mas, como chegar ao coração humano? Como discernir a autenticidade e a verdade dos sentimentos, das palavras, dos atos? Não nos conhecemos completamente a nós mesmos; como conhecer aos outros na verdade do ser e dos sentimentos deles? É um caminho não fácil e demorado, cheio de armadilhas e de enganos. È preciso caminhar nele na autenticidade do próprio ser e dos próprios sentimentos, com atenção aos sentimentos e atitudes e escolhas dos que nos acompanham, conscientes da ambigüidade de toda pessoa. A desconfiança é rainha da circunstância e também elemento que suscita a prudência no falar e no agir. Contudo, ele deve se vencida pelo amor à verdade e ao bem. A transparência será a condição para perceber a autenticidade da pessoa. É como a marca de água da bondade e autenticidade do produto. Portanto, é a base fundamental da verdadeira amizade e comunhão entra as pessoas. Nela se manifesta a verdade da pessoa e Aquele a que esta nela e ultrapassa a ela mesma... A transparência é luz que vence as trevas do engano e do mal, como incida a segunda leitura.

2da leitura Ef 5,8-14

Paulo define a condição dos cristãos, a passagem da treva à luz pela adesão aos efeitos da morte e ressurreição de Jesus Cristo “Outrora éreis trevas, mais agora sois luz no Senhor”. Trata-se da transformação radical que afeta todo o ser da pessoa em todos os níveis. Ela é uma nova criatura. Portanto, a conseqüência é evidente: “Vivei como filhos da luz”. Evidentemente, a maneira de viver deve-se ater à maneira de ser. Um cachorro não pode se comportar como cavalo, por exemplo, pois, é cachorro e não cavalo. Portanto, o cristão é luz e deve-se comportar nele como luz, que ilumina todo homem que vem no mundo. “E o fruto da luz chama-se: bondade, justiça, verdade”. Com efeito, os três termos abrangem a totalidade da ação salvadora a favor da pessoa. O que é bom em ordem à identificação com Cristo, ao estilo de vida a missão dele e, sobretudo, ao dom de si mesmo para que a boa noticia do evangelho se torne boa realidade é cumprir toda justiça, é fazer a verdade. Positivamente, o apostolo exorta “Discerni o que agrada ao Senhor”, e negativamente “Não vos associes às obras das trevas, que não levam a nada; antes, desmascarai-as”. Assim, viver como filhos da luz e produzir bons frutos são uma atividade da inteligência, do coração aberto e, ao mesmo tempo, uma luta contra as forças adversas. O que agrada ao Senhor é a salvação, ou seja, que a pessoa seja autentica no dom de si mesma, para sustentar e animar a comunhão na diversidade. O discernimento entre o certo e o errado vai muito além das normas e leis que pretendem estabelecê-lo. Todo sabe da diferença entre e lei e o espírito da mesma. E como esta diferença abre um amplo espaço de considerações e com elas margens de criatividade nas respostas, que podem ir até muito longe da letra da lei. Por outro lado, é preciso manter distancias das “obras das trevas”. Isto supõe ter clareza dos mecanismos, da lógica intrínsecas delas, que conseguem trazer em enganos a apresentar como correto e bom o que não é. As trevas “brincam” muito com a astúcia, o melhor, com a meia verdade, escondendo aquela parte que se manifestará como engano só depois ter aderido à proposta. Muitas vezes, infelizmente, não há possibilidade e condição de retorno. O discernimento é um ver e perceber a realidade de maneira certa e com a maior amplitude possível. Nesse sentido é preciso o dialogo e a contribuição de outros, assim como a humildade de considerar o próprio ponto de vista como a vista e um ponto. Portanto, toda analise, bem que necessária terá um caráter provisional. Contudo, é necessário proceder ao julgamento e discernir o certo do errado à luz do critério acima indicado. A bondade do discernimento aplicado na vida da pessoa e na realidade social, será comprovado pelos frutos, evidentemente, orientados à meta e ao sentido último da existência. É esta capacidade e condição de ver que o evangelho frisa.

Evangelho Jo 9,1-41

Ponto de partida: “Os discípulos pergunta a Jesus: Mestre, quem pecou para que nascesse cego”. A resposta “Nem ele nem seus pais pecaram” quebra uma tradição, um entendimento teológico consolidado. Jesus acrescenta o que será o pano de fundo para entender o que a continuação vai acontecer “mas isso serve para que as obras de Deus se manifestem nele. É necessário que nós (inclui os discípulos) realizemos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia (enquanto ele está presente). Vem a noite ( com a morte dele na cruz), em que ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo,eu sou a luz do mundo”. Esta luz devolve a visão ao cego, por meio da confiança dele na indicação e na palavra de Jesus. De imediato surgem divergências entre o povo: quem diz que é ele, quem não é outro, apesar de afirmar ser ele mesmo agraciado pela ação de Jesus. Então, o povo se dirige aos fariseus - os religiosos “doc” da época, os quais sentenciam com base na própria pratica e sustentados da teologia dos escribas: “Esse homem não vem de Deus, pois não guarda o sábado (...). Como pode um pecador fazer tais sinais?”. A alternativa é negar que seja pecador ou negar o sinal. Escolhem a segunda e se empenham com todos os meios e a argumentação necessária para mostrar a bondade da própria atitude. Perante a surpreendente argumentação e ironia do agraciado “Se ele é pecador, não sei (...). Por acaso quereis tornar-vos discípulos dele?” e, a continuação, o polêmico dialogo com diferentes argumentações de um lado e do outro, os fariseus se fecham, não querem ver “Tu nasceste no pecado e estás nos ensinando?”. E sentenciam a expulsão do homem da comunidade. O verdadeiro cego são eles, não querem ver as obras de Deus, a teologia deles o impede. Entre parêntesis, algo parecido está acontecendo também na Igreja. Ela está se enforcando com a doutrina dela, com respeito à exclusão da comunhão eucarística dos divorciados que convivem com o segundo relacionamento. Para estes aceder à comunhão deveriam matar o cônjuge ou não fazer sexo. A Igreja escolheu a segunda, se refugiando na comunhão espiritual e desvalorizando a Eucaristia que ordena comer e beber. E tudo para salvar a doutrina! Espera-se que pronto a Igreja elabore uma saída mais adequada. Jesus sai ao encontro com o expulsado e lhe pergunta “Acreditas no filho do Homem? (...) . Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo”, à qual responde com a profissão de fé “Eu creio, Senhor! E prostrou-se diante de Jesus”. Assim, a teologia dos fariseus é como uma aparência, para retomar o sentido da primeira leitura. Não manifesta o sentir e o coração de Deus. Fica como na exterioridade e possibilita entender ou enxergar as coisas só de maneira superficial. Apesar de eles terem entendido o significado da ação e das palavras de Jesus ao ponto que disseram “Porventura, também nós somos cegos?”, não conseguem dar um passo para frente. Daí a dramática conclusão de Jesus “Se fosseis cegos, não teríeis culpa; mas como dizeis: Nós vemos, o vosso pecado permanece”. Então, Jesus liga com a afirmação inicial do texto que originou tudo o que seguiu “Mestre, quem pecou para que nascesse cego, ele o seus pais?”. Cuidado em discernir corretamente o que é realmente o pecado e onde ele está presente com toda sua força e poder, até o ponto não permitir enxergar a obra de Deus, que além de devolver a visão e a vida oferece uma nova compreensão, uma nova teologia que aproxima e gera a verdadeira comunhão com Ele.

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