domingo, 23 de janeiro de 2011

4to DOMINGO DO TEMPO COMUM-A-(30-01-11)


1ª leitura Sf 2,3; 3,12-13

achareis talvez um refúgio no dia da cólera do Senhor”. O profeta faz umas considerações a partir do dia da cólera do Senhor, no qual manifestará sua forte desconformidade para com o seu povo, por não ter respeitado a aliança, por ter desviado dela.
A cólera é expressão da perturbação do animo de quem não entende, ou não aceita, de algo que não podia ou não devia ter acontecido. Usando este antropomorfismo da cólera, Ele se revela profundamente mexido e perturbado pela infidelidade do povo.
É como quem não entende como o povo, depois das repetidas provas de amor, depois de ter experimentado sua repetida ação libertadora, ainda persiste em desviar do caminho, ainda não tem confiança nas indicações e se deixa levar por outra proposta, por outros caminhos, que, entre outras coisas, experimentou ser prejudiciais para ele mesmo.
A cólera, então, não é castigo, nem desejo de vingança nem prática da justiça de “aqui se faz aqui se paga”. É expressão da dor para com o povo muito amado, pela decepção. É manifestação de quem se pergunta: Como pode ser que o povo se comporte desta forma? O que fiz de errado para merecer uma resposta tão decepcionante?
No rigor deste dia, quem se poderá salvar? A resposta: os pobres que praticam os preceitos do Senhor, a justiça, e procuram a humildade “Buscai o Senhor, humildes da terra, que pondes em pratica seus preceitos; praticai a justiça, procurai a humildade”. Assim justiça e humildade caminham juntas. Faz parte da justiça reconhecer e aceitar a verdade sobre si mesmo como ser limitado, fraco, vulnerável, como pessoas que lida “com o pó, com a terra”com o que é baixo e inconsistente, se comparado com a grandeza e imensidade de Deus. Portanto, é um binômio perfeitamente compreensível e aceitável que posiciona corretamente o pobre no relacionamento com Deus.
Os humildes conscientes desta realidade e ao mesmo tempo confiantes em Deus, serão poucos “um punhado de homens humildes e pobre”, numericamente, um “resto de Israel”. Este resto “no nome do Senhor porá sua esperança”. Eis então configurado o verdadeiro pobre, aquele que socialmente dispõe dos meios necessários para viver (não o lascado, este no povo de Deus não deveria existir, se o mesmo povo praticasse a justiça e o direito da Aliança), não acumula para si mesmo e coloca sua confiança amorosa no Senhor. É o pobre que teme o Senhor.
Este estilo de vida é fonte de paz e de serenidade. Eles, os integrantes do resto de Israel, “não cometerão iniqüidades nem falarão mentiras; não se encontrará neles em sua boca uma língua enganadora”. No meio de um povo iníquo, mentiroso e enganador, terão uma conduta eticamente correta, serão testemunha da presença e ad a ação de Deus.
O que eles ganharão com isso? Merece investir neste estilo de vida, sendo que a sociedade e o prestigio social propõe convida assumir bem outros estilos?”. “Serão apascentado e repousarão, e ninguém os molestará”. No meio das turbulência e contradições da vida, no meio das provações e dificuldades, conseguirão uma segurança uma harmonia interior que lhes permitirá serem eles mesmos, seja qual for o que acontecer, mesmo no meio das pedras do dia-a-dia. Exatamente pela intimidade , familiaridade com o Senhor.
Daí as condições para o desenvolvimento da sabedoria divina, indicada pela segunda leitura.

2da leitura 1Cor 1,26-31

Paulo indica aos membros da comunidade refletir a partir da própria realidade sócio-cultural “Considerai vós mesmos, irmãos, como fostes chamados por Deus”. Assim, considerando a instrução, o poder político e social de seus integrantes a conclusão evidente é que “Deus escolheu o que o mundo considera como estúpido”. Com efeito, os humildes da terra da primeira leitura não constituem um modelo, uma proposta de vida, ambicionados por quem pretende alcançar um destaque social.
Contudo, ai estão o plano e a sabedoria de Deus: “Deus escolheu o (...) fraco, (...) o que é sem importância e desprezado, o que não tem nenhuma serventia, para assim mostrar a inutilidade do que é considerado importante”. Passar de importante à inútil é uma mudança radical. Reverter a condição de “sábio e forte” à “estúpido e fraco”, não é coisa de pouca conta. Da para imaginar o desconcerto, a desilusão de quem fica envolvido nesta experiência. Portanto, o que está em jogo é algo que merece muita atenção e reflexão.
Deus demonstrou seu poder e sua sabedoria salvando os que crêem por meio de um instrumento tão fraco, que nenhum poderoso ou sábio deste mundo teria pensado fosse adequado para a salvação: a cruz. Ninguém teria pensado, nem de longe, uma pessoa executada na cruz poderia ser indicada como Salvador.
Cabe especificar que não é a cruz pela cruz que salva. Mas o que ela revela em termos de amor por parte do Crucificado. A santidade da pessoa de Jesus, a causa pela qual veio no mundo, a dedicação a ela- a causa- até enfrentar a morte na cruz, revelam a profundidade, a grandeza do amor dele,e do amor que sustenta vida da Trindade. É este amor que propriamente salva.
O amor não é questão de “sabedoria humana” nem de “poder” político e, menos ainda, de pertencer a uma classe social “nobre”. É questão de sintonizar com a verdade da existência, com o que faz dela uma realidade digna de ser assumida e praticada. É o que Jesus quis oferecer à humanidade e a mesma rejeitou violentamente, mas à qual ele quis permanecer fiel em nome da verdade mesma e do amor.
Essa verdade e amor -ele mesmo- é dom de Deus e patrimônio de todo cristão consciente, que se determina em responder ao dom devolvendo o mesmo com a mesma prática de vida a favor dos afastados de Deus. Só nessa ótica é possível “que ninguém possa gloriar-se diante dele”, diante de Deus, pois simplesmente está agindo em sintonia com o dom e devolvendo-o.
Pois, é pelo dom de Deus, oferecido na pessoa de Cristo, que estamos em Cristo “o qual se tornou para nós” representante perante do Pai, e representante do Pai perante a humanidade. Esta singular condição permite tenhamos acesso à “sabedoria, justiça, santificação e libertação”,ou seja, à condição divina. Por isso que Paulo dirá “quem se gloria, glorie-se no Senhor”.
Só vivenciando tudo isso é possível perceber a singularidade do estilo de vida dos bem-aventurados que o evangelho apresenta.

Evangelho Mt 5, 1-12a

É o famoso texto das bem-aventuranças. Como soaria o texto substituído o termo “bem-aventurado” por “parabéns”?Pois, disso mesmo se trata. Jesus ensina aos discípulos o que merece ser parabenizado: “ Jesus começou a ensiná-los” Mas, parabéns de que? Por serem pobres, aflitos, mansos, por promover a paz num mundo hostil... Por serem perseguidos, caluniados etc.? Quem se atreveria em falar isso a uma pessoa nessa situação? Parabenizamos todo o contrário... Como entender isso?
Estamos no pleno paradoxo do Evangelho: a verdade se manifesta no seu contrário... Jesus fala para aqueles que assumiram para valer a causa dele, a missão dele: “... por causa de mim”. Eles assumiram a causa como resposta de amor ao grande amor do qual falamos e por estarem em Cristo, como comentava na 2da leitura. Trata-se de pessoas profundamente tocadas e transformadas por este amor. Em virtude disso, o viver delas é Cristo, é se tornar, com humildade, testemunhas da continuação da presença de Cristo na história e nas circunstâncias concretas do dia-a-dia.
Nesse sentido Jesus está passando para eles o que é, e será, a experiência Dele no desenvolvimento da missão. Assim o discípulo experimentará todo o que Ele experimentou como homem, como pessoa, como Filho do Pai. Então, o discípulo entenderá o que é ser homem, o que é ser pessoa e o que é ser filho de Deus- filho no Filho-. Dai os parabéns.
Assim, o texto pode ser entendido como a peneira que discerne até que ponto o é realmente discípulo de Jesus. É evidenciado, assim, o grau de percepção e da vivencia do grande presente de amor que o Pai deu em termos de “sabedoria, justiça, santificação e libertação” (2da leitura), assim como a consistência, ou menos, da realidade de filho de Deus.
O texto deve ser assumido como um todo. Não dá para pensar uma bem- aventurança desligada da outra... Não dá, por exemplo, ter fome e sede de justiça...e ter um coração com segundos fins,com segundas intenções, um coração impuro...
Assim, o entusiasmo por uma bem- aventurança e a frieza pela outra; a prática significativa de uma e a prática insignificante da outra, determinam concretamente o espaço da conversão no processo de recepção do grande presente de amor e de identificação em Cristo.
Tudo isso nos diz o inesgotável do processo. Ele nos acompanha a vida toda e constitui a experiência da profunda alegria nessa vida, mesmo passando pelas dificuldades e provações que o texto aponta: “Alegrai-vos e exultai” se refere aqui e agora porque, misteriosamente, esse tipo de sofrimento tem e si mesmo essa verdade. É se alegrar interiormente pelo sentido de plenitude e satisfação de quem experimenta o acontecido como oportunidade de crescimento, de integração, de identificação com o que é ser pessoa bem sucedida e,na transparência, enxergar a presença que faz dela e de Cristo uma realidade só.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

3ro DOMINDO DO TEMPO COMUM(23-01-11)


1ª leitura Is, 8 23b-9,3

No tempo passado (...) mas recentemente”. Trata-se da reflexão sobre o que acaba de acontecer em termos de transformação das condições de vida do povo, a passagem da humilhação à glória. Com efeito, aos habitantes dos territórios ocupados pela Assíria é anunciada a iminente libertação.
A humilhação que sofreu é atribuída ao pecado do rei e das autoridades. Por terem abandonado o caminho da Aliança e da confiança em Deus, precipitaram “na escuridão (...) nas sombras da morte”. A intervenção significou a libertação do “jugo que oprimia o povo, a carga sobre os ombros, o orgulho dos fiscais”.
Com a ocupação do território é evocada a triste situação no exílio. Nele, as pessoas não têm futuro, a não ser o da escravidão e do sofrimento. Não há esperança de que algo possa mudar em melhor, não há alegria, pois recitará o salmo: “como cantar cantos de Sion em terra estrangeira?”.
É a situação de muitas pessoas e de povos na atualidade, pela qual se tornaram exiladas e estrangeiras na própria terra, devido à prepotência dos poderosos, à pratica da injustiça das autoridades, à corrupção generalizada que isola as pessoas pela desconfiança de um para com outro, e torna impossível o satisfatório relacionamento humano.
Em muitos há resignação, acompanhado por um sentimento de impotência e de falta de esperança, assim como prevalece a indiferença e o pessimismo por toda proposta e esforço de procurar remédio. Há refugio no individualismo e no circulo reduzido, muito pequeno, de pessoas confiáveis.
O povo que andava na escuridão viu uma grande luz (...) uma luz resplandeceu”. É a luz da libertação operada pela intervenção de Deus. Foi um evento de grande luta e violência como o dia em que Gedeão venceu os Madianitas (Jz 7) “Pois o jugo que oprimia o povo –a carga sobre os ombros o orgulho dos fiscais- tu os abateste como na jornada de Madiã”. Foi libertação a preço de sangue... Prefiguração de outro sangue que séculos depois será derramado pela libertação de todo pecado e escravidão conseguinte.
Os efeitos é a alegria surpreendente “Fizeste crescer a alegria, aumentaste a felicidade; todos se regozijam em tua presença como alegres ceifeiros na colheita, ou como exaltados guerreiros ao dividirem os despojos”. É o jubilo dos redimidos, pois se instaura o reino de liberdade e de paz.
O povo reencontrou sua terra, resgatou sua identidade, reavivou as exigências da Aliança. Retornou esperar um futuro conforme à promessa. É preciso manter um estilo de vida em sintonia com o estilo de vida proposto pela Aliança.
A segunda leitura indica alguns tópicos dela.

2da leitura 1Cor 1, 10-13.17

A comunidade de Coríntios está sofrendo tensões e divisões entre seus componentes. Criaram-se como panelinhas pelas quais “Eu sou de Apolo; ou eu sou de Cefas; ou seu sou de Cristo”. É o que acontece nos grupos humanos quando seus integrantes perdem a referencia principal, se deixam levar pela oratória e personalidade de alguns de seus expoentes mais significativos, muito capacitados pela argumentação convincentes.
São Paulo apresenta o princípio fundamental para resolver toda controvérsia “Será que Cristo está dividido?”. A diferença de entendimento não deve ser motivo de “contendas entre vós”. A união no respeito dos diferentes entendimentos, acontece quando fica esclarecido que tudo converge para a glória de Deus, manifestada na ação e na pessoa de Jesus Cristo.
Infelizmente a vaidade domina os integrantes da comunidade. Usa- se o nome do Senhor para se promover, para o elogio de si mesmo ou da própria atividade, para aparecer. Tudo isso é motivo de contendas e se desfaz aquela união e comunhão que é sinal da presença do Senhor. Os desafios e as pedras de então são também ao desafios e as pedras de hoje. Exatamente por estas atitudes erradas, quantas pessoas se afastam da comunidade, depois de aproximados a la com a esperança de encontrar o que a pregação e o convite de participar diz ser patrimônio e vivencia da mesma...
Paulo acrescenta “Acaso Paulo (ele mesmo) é que foi crucificado por amor de vós?”. Com isso, aponta que merece ser considerado digno de atenção quem doa a própria vida, pois, não há maior amor daquele que, inocente, sofreu a morte pelos culpáveis. Evidentemente, nisso Jesus Cristo é insuperável, é o ponto de referencia central e insubstituível.
Ou é no nome de Paulo que fostes batizados?”. O nome de Paulo, ou seja, a realidade mais profunda do ser e do agir de Paulo não tem em si mesma a condição de passar os feitos da morte e ressurreição, que só o nome de Cristo pode transmitir.
Colocados perante estas verdades objetivas e fundamentais, os membros da comunidade deveriam perceber a impostação errada da própria adesão a Cristo e rever suas atitudes de contenda, polemica e divisão entre eles. Deveriam resgatar o fundamento pelo qual ser “bem unidos e concordes no pensar e no falar”.
Paulo coloca o sentido último de sua missão na pregação “Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar a boa nova da salvação”. Trata-se do anuncio da importância e dos efeitos da morte e ressurreição. A boa nova- o evangelho- é exatamente isso, nem mais nem menos. Pois é do anuncio que procede a fé. Ela, a fé, entra pelos ouvidos, modela e conforma o coração à aceitação do dom de Deus, que Jesus nos ganhou na cruz.
É exatamente o mistério desta morte na cruz, e mais precisamente o imenso Amor que levou Jesus a sofrer injustamente ela, a força de Deus presente na pregação. Ela, supera toda expectativa e imaginação da pessoa.
Portanto, a força de Deus não está na oratória, motivo das divisões na comunidade e da qual Paulo se afasta conscientemente, mas nesse Amor que a cruz manifesta de maneira surpreendente “ sem me valer dos recursos da oratória, para não privar a cruz de Cristo de sua força própria”.
Amor que caracterizou a vida toda de Jesus desde o começo que o evangelho aponta.

Evangelho Mt 4,12-23

Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galiléia”. Não se sabe o motivo. Com certeza, o precursor encarcerado não é motivo de tranqüilidade para ele. É sinal de uma crise que pode ser lida de diferentes maneiras. Mas, já é sinal que a missão dele será, pelo menos, questionadora... De fato, Jesus achou oportuno se afastar do território e ir ao norte do país.
O evangelista interpreta isso como oportunidade para que se cumprisse a profecia “o que foi dito pelo profeta Isaias: Terra de Zebulon, terra de Nefatli (...) Galiléia dos pagãos” . O texto escreve que Jesus se dirige ao “povo que vivia nas trevas (...) na região escura da morte” aludindo ao estado espiritual dos judeus naquela região dos pagãos. Pois ele se dirigiu realmente as ovelhas perdidas de Israel.
Para perceber a “grande luz” a disposição deles é preciso como primeira atitude a conversão e, seguidamente, seguir Jesus. O motivo da conversão é a proximidade do Reino dos Céus “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. É o mesmo anuncio de João Batista, mas terá um conteúdo bem diferente. Para o segundo é uma conversão de ordem ético, de resgate, e de respeito à lei, pois, a vinda do Messias será um juízo que separará os cumpridores dos descumpridores dela, salvação para os primeiros e condenação para os segundos.
Para Jesus será uma conversão teológica, ou seja, da idéia errada de Deus. O Reino será implantado não a maneira do esperado por João Batista, mas como oportunidade de integrar de resgatar os que já estavam perdidos na concepção do mesmo João. Contudo, a pregação de João tinha um profundo sentido. Seria o primeiro passo para chegar à compreensão do agir surpreendente de Deus em Jesus.
A lei era expressão do respeito e cumprimento da libertação da escravidão do Egito, que regulava a justiça e o direito no povo. Na incapacidade, por parte do povo e das autoridades, de interpretá-la e observá-la devidamente, Jesus deverá operar de maneira tal que a compreensão do agir dele exigirá uma revolução da idéia de Deus, que é o próprio da segunda conversão.
Essa compreensão exige o seguimento dele. Daí Jesus associa uns homens e os chama para estar com ele na missão “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”. O que realmente eles entenderam com este convite, não é dado saber. Com certeza, pelo ensino e a atividade de Jesus deverão se converter muitas vezes. É evidente que entenderam muito pouco, manos ainda no momento da morte de Jesus na cruz. Só com o envio do Espírito em Pentecostes terão clareza do conteúdo real e do alcance da conversão.
Contudo, impressiona a imediata determinação de segui-lo, deixando o serviço e a família “Eles imediatamente deixaram as redes (...) a barca e o pai, e o seguiram”. Com certeza, enxergaram na pessoa de Jesus, na sua maneira de ser e de falar, nas suas atitudes e proposta, algo muito mais do que as palavras pretendiam manifestar. Por outro lado é sabido que nunca as palavras dão conta da totalidade da mensagem que se pretende comunicar.
Jesus andava (...) ensinado (...) pregando (...) e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo” Uma nova vida vai surgindo, prelúdio daquela plenitude que se manifestará com os eventos da Páscoa.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

2do DOMINGO DO TEMPO COMUM -A- (16-01-11)

1ª leitura Is 49,3.5-6

O texto apresenta a singular figura do Servo de Yavé como um sujeito singular. Mas, também, se refere a ele como Israel, ou seja, o povo que pertence a Deus. É ao mesmo tempo uma pessoa, representante do povo todo e, também, povo de Deus. Desta forma é estabelecida uma ligação muito forte entre a pessoa e o povo. As duas realidades, mesmo que distintas, não se podem separar, pois, pertencem à mesma realidade.
Tu és meu Servo, Israel, em que serei glorificado”. Pela ação do servo se manifestará a glória do Senhor. Portanto, a atitude e missão de servo não è mera submissão, que normalmente comporta limitações da liberdade, coação da vontade, diminuição da personalidade, humilhação, constrangimento, escravidão dolorosa e humilhante.
Pelo contrário, sendo a glória, a presença dinâmica e amorosa de Deus que resgata do mal e do pecado, preenche de vida o presente e de esperança o futuro. Ela constitui o evento pelo qual conjuntamente o Servo e o povo participam da realização da própria existência.
O Servo percebe como sua existência e eleição procedem da misteriosa vontade de Deus, pois, “O Senhor... ele me preparou desde o nascimento para ser seu Servo”. Isso lhe confere a necessária condição para agir em nome o Senhor, de contar com a presença e o acompanhamento dele, de cumprir a missão em sintonia com a vontade dele. Com outras palavras, tem consciência do próprio status no desenvolvimento da missão que lhe é confiada.
Esta missão consiste em “que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele”. Por causa do desrespeito da Aliança, por ter se afastado da condição de povo libertado da escravidão do mal, por desconfiar da promessa de Deus - com uma palavra, o pecado- o povo está sofrendo o exílio, o afastamento da terra prometida e da comunhão com Deus. Pois, o Senhor se propõe resgatá-lo e de oferecer outra oportunidade, de começar de novo e restabelecer a comunhão.
Aos olhos do Senhor esta é a minha glória”. Afirmação importante porque a glorificação do Servo, sua realização como pessoa, a plenitude de sentido de sua própria existência, consiste em se dedicar ao bem do povo, à missão voltada para o resgate de uma situação na qual, o povo por culpa própria se meteu.
O Servo não será um juiz, nem um novo chefe que imporá uma nova ordem restauradora. Não, imporá, pela sua autoridade, um estilo de vida que garanta um futuro diferente pela execução de suas leis e normas. Trata- se de “recuperar”, de resgatar e de voltar ao que já estava estabelecido e acontecendo e que foi desatendido e transcurado. Pois, esta recuperação tem como efeito voltar a “unir-se” na comunhão com o próprio Senhor.
A correta ação do Servo terá abrangência universal “Não basta seres meu Servo para restaurar (...) e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até os confins da terra”. Com isso é destacada a enorme importância da ação do Servo e de sua responsabilidade no correto desenvolvimento da missão. Isso lhe confere maior dignidade, maior esmero e dedicação. Sentir- se investido da tamanha responsabilidade pode gerar medo e vontade de se afastar, como, também, estreitar com maior determinação a comunhão e a amizade com o Senhor no horizonte da confiança amorosa. Neste segundo caso, se manifestará, também, a extensão da gloria de do Senhor e do Servo conjuntamente.
Esta ação de Servo destaca particularmente em são Paulo, como faz entrever a segunda leitura.

2da leitura 1Cor 1,1-3

Paulo saúda os cristãos de Corinto como apóstolo, eleito a testemunha, por vontade de Deus, dos efeitos da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Ele experimentou no profundo da própria existência o que é ser tocado por tais efeitos. Em virtude disso se tornou Servo de Jesus Cristo no processo de evangelização dirigido à humanidade toda.
Ele se dirige aos membros da comunidade- a igreja do Corinto- que pelo batismo são colocados em Cristo Jesus e, portanto, separados do que não é ele e não lhe pertence. Portanto, “foram santificados em Cristo Jesus” não em sentido ético e de perfeição moral, mas de separados do mundo e do que afasta da comunhão com Cristo, porque constituídos no profundo do ser “outro Cristo”.
Esta nova condição deve ser ulteriormente trabalhada e desenvolvida no dia- a- dia de maneira tal que o agir corresponda a este novo ser que, por sua vez, em virtude de tal ação vai se fortificando e se consolidando. É porque são santos que são “chamados a ser santos”.
Esta santidade não é só patrimônio dos membros da comunidade de Corinto, porque desenvolvida “junto com todos os que, em qualquer lugar, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso”. Sendo que moram e vivem em qualquer lugar, e, portanto, não são dos “nossos”, não participam da comunidade, como o invocam se o desconhece? Por que caminho, de que forma tomam ciência do nome dele ao ponto de se identificar e invocar o nome dele, ou seja, a realidade mais verdadeira e profunda de Jesus Cristo?
Paulo não explica isso. Ele o da como fato, como realidade já existente. Há de supor uma ação do Espírito Santo que vai muito além do que é percebido pela experiência e o sentido dos cristãos. Ela se pode identificar na conduta moral e na capacidade do dom de si mesmo em sintonia com a entrega de Cristo para o bem da humanidade, na qual, como Cristo enxerga a realidade de uma “vida indestrutível”(Hb 7,16).
Se assim for, ficaria confirmado que a dinâmica da morte e ressurreição ultrapassa a experiência pessoal de Cristo. Ou melhor, Cristo com a sua entrega manifestou o DNA da existência humana, o que torna verdadeiro homem todo ser humano, seja qual for a religião à qual pertence.
Desta forma o serviço ao evangelho é diretamente serviço à comunidade e ao mesmo tempo serviço à humanidade toda, pois, permite aos que não pertencem à comunidade de participar do grande mistério da redenção oferecido por Cristo para todos. Nesse sentido o servo se torna “luz das nações, para que minha salvação chegue até aos confins da terra”, como frisava o final da primeira leitura.
Desta forma chega- se à centralidade de Jesus diretamente ou indiretamente. Centralidade que é reconhecida por João Batista no Evangelho.

Evangelho Jo 1,29-34

O João aqui apresentado é muito diferente daquele dos sinóticos, dos três evangelhos anteriores. Parece-me uma elaboração teológica visando a ligação entre o precursor e o Messias . Com efeito, o evangelho de João é fundamentalmente uma reflexão nesse sentido, mais que o relato de eventos históricos.
Perguntou-me: que relação quis destacar o autor entre João e Jesus, enquanto o primeiro precursor do segundo, à luz do evento da morte e ressurreição e da Pentecostes? Em que consiste, então, a missão e o ensinamento do precursor a partir disso?
Em primeiro lugar o apresenta como “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Refere-se ao Servo de Yavé descrito no quarto cântico de Isaias (Is 53, 7.12.- A primeira leitura se refere ao segundo cântico do mesmo Servo) e ao cordeiro pascal do livro do Êxodo, símbolo da libertação da escravidão do Egito. Apresenta Jesus como redentor que resgata a humanidade do pecado.
Evidentemente, esta apresentação não podia ser feita por João Batista, pois a teologia dele e a morte prematura excluem toda possibilidade. É a autor do evangelho - João Evangelista- ,que viu e estava presente no evento da morte e ressurreição, quem testemunha o significado, a importância e a abrangência do mesmo. Portanto, João evangelista tem clareza da realidade verdadeira de Jesus “Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus” “O Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”.
Assim, ele atribui a João batista esta percepção enquanto parte constitutiva da missão do novo precursor, quem prepara o caminho ao acolhimento do evento da morte e ressurreição, em virtude da missão que Jesus desenvolveu na Páscoa.
O evangelista João projeta, por assim dizer, João batista como se desenvolvesse sua missão de precursor após a morte e ressurreição de Jesus. Então, se tornam aceitáveis as afirmações atribuídas e ele.
“... porque existia antes de mim” e uma evidente referencia ao prólogo do evangelista. Por duas vezes João batista afirma “eu não o conhecia” e relata o evento do batismo no Jordão de Jesus como o acontecer revelador. Com efeito, aquela circunstância foi manifestação da Trindade, que marcou o início da missão de Jesus e ficou na memória de todos os evangelistas. O batismo no Espírito será possível após os eventos da morte e ressurreição. À luz disso o evangelista resgata o significado do batismo no Jordão, e faz de João batista uma testemunha privilegiada “Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu e permanecer sobre ele (...). Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer”.
O Espírito permaneceu e acompanhou Jesus até a morte “tudo está consumado. E inclinando a cabeça, entregou e espírito” (Jo 19,30), ou seja, toda a vida dele e sua missão, enquanto encharcada da presença do Espírito.
O mesmo Espírito, que ressuscitará Jesus dentre os mortos, será quem por meio do batismo tornará participes dos efeitos da morte e ressurreição do mesmo. Eis então a afirmação “este (Jesus Cristo) é quem batizará com o Espírito Santo”.
Esta pagina do evangelho, de não fácil compreensão, pretende testemunhar a missão de todo precursor, tendo como modelo João batista, partir do cumprimento da missão do Servo de Yavé realizado pela morte e ressurreição de Jesus.
Assim todo precursor, todo anunciador, do mistério de Deus realizado na pessoa de Jesus, todo novo João batista na atualidade, deve ter em si mesmo a clareza e a experiência dos tópicos indicados. É uma indicação importante por todo discípulo consciente.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

BATISMO DO SENHOR-A-(09-01-11)


1ª leitura Is 42,1-4.6-7

Com o batismo no Jordão, Jesus começa sua missão, sua atividade pública. Todo inicio é de grande importância, pois, é preciso partir com o pé direito, como se acostuma dizer, para não comprometer a missão toda.
Eis o meu servo...o meu eleito...pus meu espírito sobre ele”. A pessoa é chamada de meu servo, disposta no cumprimento da vontade do próprio Senhor. O relacionamento do servo para com Ele, diferentemente do que era costume então, é caracterizado pela familiaridade, pelo carinho e pela ação educativa “te tomei pela mão, eu te formei”.
Enquanto servo e eleito lhe é confiada uma missão “ele promoverá o julgamento das nações... promoverá o julgamento para obter a verdade...Eu, o Senhor, te chamei para a justiça”. Deverá mostrar e ensinar aos povos em que consiste praticar a justiça de Deus entre ele. Dai os povos serão julgados pela adesão à verdade de Deus. Verdade e justiça serão os trilhos da missão do servo. Toda palavra e atitude serão expressão e manifestação desse binômio incindível. Uma chama a outra, são inseparáveis.
O servo encontrará dificuldades no desenvolvimento da missão. O texto aponta que “Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra”, indicando que os obstáculos, as provações, as dificuldades não serão motivo para desviar, desistir ou se afastar da missão. O motivo será a forte e consistente identificação e familiaridade com o Senhor e, também, a consciência da urgente espera dos povos de indicações e caminhos de justiça e de verdade “os países distantes esperam seus ensinamentos”.
Assumir a missão atinge profundamente o servo no seu relacionamento com o Senhor, porque abrange o exercício da responsabilidade com respeito à humanidade toda da qual se percebe como parte integrante. O servo representa Deus perante a humanidade toda, e, vice versa, a humanidade toda é representada por ele perante de Deus. Não desenvolve a missão simplesmente a titulo pessoal, mas na consciência da solidariedade, da fraternidade em virtude da consciência de representante que une ele à humanidade e vice-versa perante do Senhor.
A missão faz do servo “como o centro da aliança do povo, luz das nações”. Com outras palavras, referencia da correta vivencia da aliança com Deus e o ponto de luz altamente significativo, para desenvolver e implantar as exigência da aliança:“abrir os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”.
Com efeito, a Aliança se estabelece em virtude do resgate operado pelo servo, e como vinculo de amor entre Deus e o povo, para manterem e crescerem na vivencia da nova realidade libertada dão mal e do pecado, que projeta a pessoa e o povo rumo à participação da glória de Deus, na qual deus mesmo cresce com o seu povo pela dinâmica do amor, ou seja da justiça e da verdade. Nesse sentido se torna luz das nações.
Singular a significativa a maneira do servo desenvolver a missão: “Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega”. Parece-me algo como ao pé do ouvido, um relacionamento personalizado e muito atento a valorizar a menor chance ao limite do impossível.
Nesse servo nos devemos espelhar e conferir a nossa realidade e identidade cristã. Cada cristão é servo, é eleito. O espírito está sobre ele; é tomado pela mão e formado pela Palavra etc.
O modelo, evidentemente, é Jesus no qual se cumpriu plenamente a realidade do servo, como descrito nos famosos 4 cânticos do Servo de Yavé do profeta Isaias.

2da leitura At 10, 34-38

Pedro está na casa de Cornélio, o centurião romano. Este teve uma revelação singular e chamou Pedro para desvendar o significado. Nessa circunstância Pedro testemunha “como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder”. São palavras alusivas à condição do servo que Jesus assumiu no batismo no Jordão. A continuação faz um excelente resumo da vida, da obra e da missão de Jesus (que retoma o mesmo conteudo da missão do servo da 1ª leitura) “andou por toda parte, fazendo o bem e curando todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele” .
Jesus “anunciou a Boa-nova da paz” e a tornou realidade, após os eventos da morte e ressurreição dele, em todo aquele que pela fé aceitam a Ele como Salvador. Com efeito, ele libera de todo mal e de todo o que afasta da comunhão com Deus (o demônio). Com isso, destrói todo pecado que tem sua raiz na desconfiança, na indiferença, na desvalorização, no desinteresse do que Ele fez a nosso favor .
Pelo acontecido a Cornélio, Pedro se da conta que a missão do servo ultrapassa o entendimento que ele tinha. Pensava que fosse circunscrita ao povo judeu, como herdeiro da promessa de Deus. Para ele foi uma revelação descobrir “ que Deus não faz distinção entre pessoas. Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer seja a nação a que pertença”. Isso significa que aquele evento atinge a humanidade toda, por ser o servo representante de todos perante o Pai. Conseqüentemente, é abolida toda diferença, pois, pela fé todos se tornam filhos de Deus e irmãos. É implantada a raiz da fraternidade universal.
Com isso é estabelecido, também, o critério para vivenciar a salvação oferecida por Jesus e fazer dela uma realidade visível, significativa e confiável: “Pelo contrário, (revertendo os critérios costumeiros) ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer seja a nação a que pertença”. Trata-se do temor reverencial pelo qual, uma vez aceitado o dom gratuito da salvação, se estabelece o cuidado de responder a este dom com gratidão devolvendo-o a Deus até o ponto de doar a própria vida como Jesus a doou. Desta forma, o dom crescendo introduz na participação da glória de Deus, realizando a justiça de Deus pelo amor, fraternidade e solidariedade universal, conforme o projeto do Pai.
Portanto, é frisado não o pertencer a uma religião específica, mas a dinâmica de vida que, reconhecendo nela o estilo de vida de Jesus de Nazaré, representa como o DNA de toda existência bem sucedida, suscita na pessoa a convicção de que merece investir a própria existência naquela mesma dinâmica “qualquer que seja a nação a que pertença”.
O texto não pede mudança de religião, mas entrar na dinâmica pela qual a existência do dia-a-dia se torna a presença de Cristo e assim construir a fraternidade universal.
É uma indicação de grande importância num mundo de pluralidade religiosa que, por um lado não pretende desmanchar ou desprezar nenhuma delas, e pelo outro, intenciona encontrar a unidade e a comunhão no respeito da diversidade e oferece o critério para discernir ,em cada religião, o que reter e o que deixar.

Evangelho Mt 3, 13-17

O texto relata o momento marcante do início da atividade pastoral missionária de Jesus, que desembocará nos eventos da semana Santa. É sabido que naquela época era muito forte no sentimento popular a espera do Messias, fazia parte da expectativa geral.
É Jesus quem toma a iniciativa de ir ao encontro de João “Jesus veio da Galiléia para o rio Jordão, a fim de se encontrar com João e ser batizado por ele”. As palavras mostram uma determinação própria de quem tomou consciência de quando e de como proceder. Como Jesus a adquiriu não é dito.
Foi para “ser batizado por ele”. O batismo de João era próprio de quem se reconhece pecador com vontade de se afastar do pecado, de começar uma nova vida e assim participar da iminente entrada no reino que o Messias ia implantar. Mas, Jesus não é pecador, o pecado não tem nada a ver com ele! E, então?
O motivo do batismo é determinação de assumir e carregar a força e o peso do pecado, que a pessoa escravizada pelo pecado sente e experimenta. Surge a pergunta: O que pretendia com isso? E por quê?
Pretendia se solidarizar com o pecador, mesmo não tendo pecado, como ponto de partida para travar a luta estrema, a batalha final e decisiva contra a poderosa força e poder do pecado “Ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores (...) ele foi ferido (...) esmagado (...) punido (...) maltratado (...)” (Is 53, 4-10) Ele, por solidariedade, carregará sobre si mesmo todo o peso do pecado, ou seja, da desconfiança, da indiferença, da desvalorização e, mais ainda, da rejeição mais violenta o e cruel dos homem de sua pessoa e de sua missão, entendida como uma presunção descabida e inaceitável, merecedora só de morte na cruz : “nós (os pecadores) pensávamos fosse um chagado, golpeado por Deus e humilhado!”(Is 53, 4).
Por quê? “Oferecendo sua vida em expiação, ele terá descendência duradoura, e fará cumprir com êxito a vontade do Senhor” (Is 53,11). Eis, então o sentido da resposta de Jesus a João “...nós devemos cumprir toda a justiça”. Não a justiça punitiva, mas aquela que procede do amor “até o fim” (Jo 13,1).
É o amor que leva Jesus a se entregar na resistência ativa – afastando-se do pecado-, e da resistência passiva- sofrendo a rejeição-, e assim sofrer a reação violenta até a morte. É este amor que cura e salva, pois nesta luta e morte Jesus representa todos os que confiam nele... o que está acontecendo nele é como se estivesse acontecendo no representado, aquele que aceita e confia no dom.
Jesus no batismo recebe com a aprovação do Pai e a unção do Espírito Santo o aval da missão. É isso mesmo que deverá desenvolver “ o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus, descendo como pomba e vindo pousar sobre ele”
E do céu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado” As palavras do Pai são tirada do profeta Isaias- o primeiro versículo da 1ª leitura- que apresenta a figura de um servo, que entregará sua vida para o resgate do povo e da humanidade. Eram textos muito conhecidos pelo povo. Com certeza, Jesus ouvindo estas palavras entendeu que a missão dele era a de atualizar o que o profeta tinha indicado. Portanto, já sabe que na sua pessoa acontecerá o destino desse servo.
Como desenvolver a missão será esclarecido no evangelho das tentações. Outro ponto de grandíssima importância, que constitui como a chave que abre a porta ao entendimento das palavras e ações específicas de Jesus.