segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
BATISMO DO SENHOR-A-(09-01-11)
1ª leitura Is 42,1-4.6-7
Com o batismo no Jordão, Jesus começa sua missão, sua atividade pública. Todo inicio é de grande importância, pois, é preciso partir com o pé direito, como se acostuma dizer, para não comprometer a missão toda.
“ Eis o meu servo...o meu eleito...pus meu espírito sobre ele”. A pessoa é chamada de meu servo, disposta no cumprimento da vontade do próprio Senhor. O relacionamento do servo para com Ele, diferentemente do que era costume então, é caracterizado pela familiaridade, pelo carinho e pela ação educativa “te tomei pela mão, eu te formei”.
Enquanto servo e eleito lhe é confiada uma missão “ele promoverá o julgamento das nações... promoverá o julgamento para obter a verdade...Eu, o Senhor, te chamei para a justiça”. Deverá mostrar e ensinar aos povos em que consiste praticar a justiça de Deus entre ele. Dai os povos serão julgados pela adesão à verdade de Deus. Verdade e justiça serão os trilhos da missão do servo. Toda palavra e atitude serão expressão e manifestação desse binômio incindível. Uma chama a outra, são inseparáveis.
O servo encontrará dificuldades no desenvolvimento da missão. O texto aponta que “Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra”, indicando que os obstáculos, as provações, as dificuldades não serão motivo para desviar, desistir ou se afastar da missão. O motivo será a forte e consistente identificação e familiaridade com o Senhor e, também, a consciência da urgente espera dos povos de indicações e caminhos de justiça e de verdade “os países distantes esperam seus ensinamentos”.
Assumir a missão atinge profundamente o servo no seu relacionamento com o Senhor, porque abrange o exercício da responsabilidade com respeito à humanidade toda da qual se percebe como parte integrante. O servo representa Deus perante a humanidade toda, e, vice versa, a humanidade toda é representada por ele perante de Deus. Não desenvolve a missão simplesmente a titulo pessoal, mas na consciência da solidariedade, da fraternidade em virtude da consciência de representante que une ele à humanidade e vice-versa perante do Senhor.
A missão faz do servo “como o centro da aliança do povo, luz das nações”. Com outras palavras, referencia da correta vivencia da aliança com Deus e o ponto de luz altamente significativo, para desenvolver e implantar as exigência da aliança:“abrir os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”.
Com efeito, a Aliança se estabelece em virtude do resgate operado pelo servo, e como vinculo de amor entre Deus e o povo, para manterem e crescerem na vivencia da nova realidade libertada dão mal e do pecado, que projeta a pessoa e o povo rumo à participação da glória de Deus, na qual deus mesmo cresce com o seu povo pela dinâmica do amor, ou seja da justiça e da verdade. Nesse sentido se torna luz das nações.
Singular a significativa a maneira do servo desenvolver a missão: “Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega”. Parece-me algo como ao pé do ouvido, um relacionamento personalizado e muito atento a valorizar a menor chance ao limite do impossível.
Nesse servo nos devemos espelhar e conferir a nossa realidade e identidade cristã. Cada cristão é servo, é eleito. O espírito está sobre ele; é tomado pela mão e formado pela Palavra etc.
O modelo, evidentemente, é Jesus no qual se cumpriu plenamente a realidade do servo, como descrito nos famosos 4 cânticos do Servo de Yavé do profeta Isaias.
2da leitura At 10, 34-38
Pedro está na casa de Cornélio, o centurião romano. Este teve uma revelação singular e chamou Pedro para desvendar o significado. Nessa circunstância Pedro testemunha “como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder”. São palavras alusivas à condição do servo que Jesus assumiu no batismo no Jordão. A continuação faz um excelente resumo da vida, da obra e da missão de Jesus (que retoma o mesmo conteudo da missão do servo da 1ª leitura) “andou por toda parte, fazendo o bem e curando todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele” .
Jesus “anunciou a Boa-nova da paz” e a tornou realidade, após os eventos da morte e ressurreição dele, em todo aquele que pela fé aceitam a Ele como Salvador. Com efeito, ele libera de todo mal e de todo o que afasta da comunhão com Deus (o demônio). Com isso, destrói todo pecado que tem sua raiz na desconfiança, na indiferença, na desvalorização, no desinteresse do que Ele fez a nosso favor .
Pelo acontecido a Cornélio, Pedro se da conta que a missão do servo ultrapassa o entendimento que ele tinha. Pensava que fosse circunscrita ao povo judeu, como herdeiro da promessa de Deus. Para ele foi uma revelação descobrir “ que Deus não faz distinção entre pessoas. Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer seja a nação a que pertença”. Isso significa que aquele evento atinge a humanidade toda, por ser o servo representante de todos perante o Pai. Conseqüentemente, é abolida toda diferença, pois, pela fé todos se tornam filhos de Deus e irmãos. É implantada a raiz da fraternidade universal.
Com isso é estabelecido, também, o critério para vivenciar a salvação oferecida por Jesus e fazer dela uma realidade visível, significativa e confiável: “Pelo contrário, (revertendo os critérios costumeiros) ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer seja a nação a que pertença”. Trata-se do temor reverencial pelo qual, uma vez aceitado o dom gratuito da salvação, se estabelece o cuidado de responder a este dom com gratidão devolvendo-o a Deus até o ponto de doar a própria vida como Jesus a doou. Desta forma, o dom crescendo introduz na participação da glória de Deus, realizando a justiça de Deus pelo amor, fraternidade e solidariedade universal, conforme o projeto do Pai.
Portanto, é frisado não o pertencer a uma religião específica, mas a dinâmica de vida que, reconhecendo nela o estilo de vida de Jesus de Nazaré, representa como o DNA de toda existência bem sucedida, suscita na pessoa a convicção de que merece investir a própria existência naquela mesma dinâmica “qualquer que seja a nação a que pertença”.
O texto não pede mudança de religião, mas entrar na dinâmica pela qual a existência do dia-a-dia se torna a presença de Cristo e assim construir a fraternidade universal.
É uma indicação de grande importância num mundo de pluralidade religiosa que, por um lado não pretende desmanchar ou desprezar nenhuma delas, e pelo outro, intenciona encontrar a unidade e a comunhão no respeito da diversidade e oferece o critério para discernir ,em cada religião, o que reter e o que deixar.
Evangelho Mt 3, 13-17
O texto relata o momento marcante do início da atividade pastoral missionária de Jesus, que desembocará nos eventos da semana Santa. É sabido que naquela época era muito forte no sentimento popular a espera do Messias, fazia parte da expectativa geral.
É Jesus quem toma a iniciativa de ir ao encontro de João “Jesus veio da Galiléia para o rio Jordão, a fim de se encontrar com João e ser batizado por ele”. As palavras mostram uma determinação própria de quem tomou consciência de quando e de como proceder. Como Jesus a adquiriu não é dito.
Foi para “ser batizado por ele”. O batismo de João era próprio de quem se reconhece pecador com vontade de se afastar do pecado, de começar uma nova vida e assim participar da iminente entrada no reino que o Messias ia implantar. Mas, Jesus não é pecador, o pecado não tem nada a ver com ele! E, então?
O motivo do batismo é determinação de assumir e carregar a força e o peso do pecado, que a pessoa escravizada pelo pecado sente e experimenta. Surge a pergunta: O que pretendia com isso? E por quê?
Pretendia se solidarizar com o pecador, mesmo não tendo pecado, como ponto de partida para travar a luta estrema, a batalha final e decisiva contra a poderosa força e poder do pecado “Ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores (...) ele foi ferido (...) esmagado (...) punido (...) maltratado (...)” (Is 53, 4-10) Ele, por solidariedade, carregará sobre si mesmo todo o peso do pecado, ou seja, da desconfiança, da indiferença, da desvalorização e, mais ainda, da rejeição mais violenta o e cruel dos homem de sua pessoa e de sua missão, entendida como uma presunção descabida e inaceitável, merecedora só de morte na cruz : “nós (os pecadores) pensávamos fosse um chagado, golpeado por Deus e humilhado!”(Is 53, 4).
Por quê? “Oferecendo sua vida em expiação, ele terá descendência duradoura, e fará cumprir com êxito a vontade do Senhor” (Is 53,11). Eis, então o sentido da resposta de Jesus a João “...nós devemos cumprir toda a justiça”. Não a justiça punitiva, mas aquela que procede do amor “até o fim” (Jo 13,1).
É o amor que leva Jesus a se entregar na resistência ativa – afastando-se do pecado-, e da resistência passiva- sofrendo a rejeição-, e assim sofrer a reação violenta até a morte. É este amor que cura e salva, pois nesta luta e morte Jesus representa todos os que confiam nele... o que está acontecendo nele é como se estivesse acontecendo no representado, aquele que aceita e confia no dom.
Jesus no batismo recebe com a aprovação do Pai e a unção do Espírito Santo o aval da missão. É isso mesmo que deverá desenvolver “ o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus, descendo como pomba e vindo pousar sobre ele”
“E do céu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado” As palavras do Pai são tirada do profeta Isaias- o primeiro versículo da 1ª leitura- que apresenta a figura de um servo, que entregará sua vida para o resgate do povo e da humanidade. Eram textos muito conhecidos pelo povo. Com certeza, Jesus ouvindo estas palavras entendeu que a missão dele era a de atualizar o que o profeta tinha indicado. Portanto, já sabe que na sua pessoa acontecerá o destino desse servo.
Como desenvolver a missão será esclarecido no evangelho das tentações. Outro ponto de grandíssima importância, que constitui como a chave que abre a porta ao entendimento das palavras e ações específicas de Jesus.
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