segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
3ro DOMINDO DO TEMPO COMUM(23-01-11)
1ª leitura Is, 8 23b-9,3
“No tempo passado (...) mas recentemente”. Trata-se da reflexão sobre o que acaba de acontecer em termos de transformação das condições de vida do povo, a passagem da humilhação à glória. Com efeito, aos habitantes dos territórios ocupados pela Assíria é anunciada a iminente libertação.
A humilhação que sofreu é atribuída ao pecado do rei e das autoridades. Por terem abandonado o caminho da Aliança e da confiança em Deus, precipitaram “na escuridão (...) nas sombras da morte”. A intervenção significou a libertação do “jugo que oprimia o povo, a carga sobre os ombros, o orgulho dos fiscais”.
Com a ocupação do território é evocada a triste situação no exílio. Nele, as pessoas não têm futuro, a não ser o da escravidão e do sofrimento. Não há esperança de que algo possa mudar em melhor, não há alegria, pois recitará o salmo: “como cantar cantos de Sion em terra estrangeira?”.
É a situação de muitas pessoas e de povos na atualidade, pela qual se tornaram exiladas e estrangeiras na própria terra, devido à prepotência dos poderosos, à pratica da injustiça das autoridades, à corrupção generalizada que isola as pessoas pela desconfiança de um para com outro, e torna impossível o satisfatório relacionamento humano.
Em muitos há resignação, acompanhado por um sentimento de impotência e de falta de esperança, assim como prevalece a indiferença e o pessimismo por toda proposta e esforço de procurar remédio. Há refugio no individualismo e no circulo reduzido, muito pequeno, de pessoas confiáveis.
“O povo que andava na escuridão viu uma grande luz (...) uma luz resplandeceu”. É a luz da libertação operada pela intervenção de Deus. Foi um evento de grande luta e violência como o dia em que Gedeão venceu os Madianitas (Jz 7) “Pois o jugo que oprimia o povo –a carga sobre os ombros o orgulho dos fiscais- tu os abateste como na jornada de Madiã”. Foi libertação a preço de sangue... Prefiguração de outro sangue que séculos depois será derramado pela libertação de todo pecado e escravidão conseguinte.
Os efeitos é a alegria surpreendente “Fizeste crescer a alegria, aumentaste a felicidade; todos se regozijam em tua presença como alegres ceifeiros na colheita, ou como exaltados guerreiros ao dividirem os despojos”. É o jubilo dos redimidos, pois se instaura o reino de liberdade e de paz.
O povo reencontrou sua terra, resgatou sua identidade, reavivou as exigências da Aliança. Retornou esperar um futuro conforme à promessa. É preciso manter um estilo de vida em sintonia com o estilo de vida proposto pela Aliança.
A segunda leitura indica alguns tópicos dela.
2da leitura 1Cor 1, 10-13.17
A comunidade de Coríntios está sofrendo tensões e divisões entre seus componentes. Criaram-se como panelinhas pelas quais “Eu sou de Apolo; ou eu sou de Cefas; ou seu sou de Cristo”. É o que acontece nos grupos humanos quando seus integrantes perdem a referencia principal, se deixam levar pela oratória e personalidade de alguns de seus expoentes mais significativos, muito capacitados pela argumentação convincentes.
São Paulo apresenta o princípio fundamental para resolver toda controvérsia “Será que Cristo está dividido?”. A diferença de entendimento não deve ser motivo de “contendas entre vós”. A união no respeito dos diferentes entendimentos, acontece quando fica esclarecido que tudo converge para a glória de Deus, manifestada na ação e na pessoa de Jesus Cristo.
Infelizmente a vaidade domina os integrantes da comunidade. Usa- se o nome do Senhor para se promover, para o elogio de si mesmo ou da própria atividade, para aparecer. Tudo isso é motivo de contendas e se desfaz aquela união e comunhão que é sinal da presença do Senhor. Os desafios e as pedras de então são também ao desafios e as pedras de hoje. Exatamente por estas atitudes erradas, quantas pessoas se afastam da comunidade, depois de aproximados a la com a esperança de encontrar o que a pregação e o convite de participar diz ser patrimônio e vivencia da mesma...
Paulo acrescenta “Acaso Paulo (ele mesmo) é que foi crucificado por amor de vós?”. Com isso, aponta que merece ser considerado digno de atenção quem doa a própria vida, pois, não há maior amor daquele que, inocente, sofreu a morte pelos culpáveis. Evidentemente, nisso Jesus Cristo é insuperável, é o ponto de referencia central e insubstituível.
“Ou é no nome de Paulo que fostes batizados?”. O nome de Paulo, ou seja, a realidade mais profunda do ser e do agir de Paulo não tem em si mesma a condição de passar os feitos da morte e ressurreição, que só o nome de Cristo pode transmitir.
Colocados perante estas verdades objetivas e fundamentais, os membros da comunidade deveriam perceber a impostação errada da própria adesão a Cristo e rever suas atitudes de contenda, polemica e divisão entre eles. Deveriam resgatar o fundamento pelo qual ser “bem unidos e concordes no pensar e no falar”.
Paulo coloca o sentido último de sua missão na pregação “Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar a boa nova da salvação”. Trata-se do anuncio da importância e dos efeitos da morte e ressurreição. A boa nova- o evangelho- é exatamente isso, nem mais nem menos. Pois é do anuncio que procede a fé. Ela, a fé, entra pelos ouvidos, modela e conforma o coração à aceitação do dom de Deus, que Jesus nos ganhou na cruz.
É exatamente o mistério desta morte na cruz, e mais precisamente o imenso Amor que levou Jesus a sofrer injustamente ela, a força de Deus presente na pregação. Ela, supera toda expectativa e imaginação da pessoa.
Portanto, a força de Deus não está na oratória, motivo das divisões na comunidade e da qual Paulo se afasta conscientemente, mas nesse Amor que a cruz manifesta de maneira surpreendente “ sem me valer dos recursos da oratória, para não privar a cruz de Cristo de sua força própria”.
Amor que caracterizou a vida toda de Jesus desde o começo que o evangelho aponta.
Evangelho Mt 4,12-23
“Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galiléia”. Não se sabe o motivo. Com certeza, o precursor encarcerado não é motivo de tranqüilidade para ele. É sinal de uma crise que pode ser lida de diferentes maneiras. Mas, já é sinal que a missão dele será, pelo menos, questionadora... De fato, Jesus achou oportuno se afastar do território e ir ao norte do país.
O evangelista interpreta isso como oportunidade para que se cumprisse a profecia “o que foi dito pelo profeta Isaias: Terra de Zebulon, terra de Nefatli (...) Galiléia dos pagãos” . O texto escreve que Jesus se dirige ao “povo que vivia nas trevas (...) na região escura da morte” aludindo ao estado espiritual dos judeus naquela região dos pagãos. Pois ele se dirigiu realmente as ovelhas perdidas de Israel.
Para perceber a “grande luz” a disposição deles é preciso como primeira atitude a conversão e, seguidamente, seguir Jesus. O motivo da conversão é a proximidade do Reino dos Céus “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. É o mesmo anuncio de João Batista, mas terá um conteúdo bem diferente. Para o segundo é uma conversão de ordem ético, de resgate, e de respeito à lei, pois, a vinda do Messias será um juízo que separará os cumpridores dos descumpridores dela, salvação para os primeiros e condenação para os segundos.
Para Jesus será uma conversão teológica, ou seja, da idéia errada de Deus. O Reino será implantado não a maneira do esperado por João Batista, mas como oportunidade de integrar de resgatar os que já estavam perdidos na concepção do mesmo João. Contudo, a pregação de João tinha um profundo sentido. Seria o primeiro passo para chegar à compreensão do agir surpreendente de Deus em Jesus.
A lei era expressão do respeito e cumprimento da libertação da escravidão do Egito, que regulava a justiça e o direito no povo. Na incapacidade, por parte do povo e das autoridades, de interpretá-la e observá-la devidamente, Jesus deverá operar de maneira tal que a compreensão do agir dele exigirá uma revolução da idéia de Deus, que é o próprio da segunda conversão.
Essa compreensão exige o seguimento dele. Daí Jesus associa uns homens e os chama para estar com ele na missão “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”. O que realmente eles entenderam com este convite, não é dado saber. Com certeza, pelo ensino e a atividade de Jesus deverão se converter muitas vezes. É evidente que entenderam muito pouco, manos ainda no momento da morte de Jesus na cruz. Só com o envio do Espírito em Pentecostes terão clareza do conteúdo real e do alcance da conversão.
Contudo, impressiona a imediata determinação de segui-lo, deixando o serviço e a família “Eles imediatamente deixaram as redes (...) a barca e o pai, e o seguiram”. Com certeza, enxergaram na pessoa de Jesus, na sua maneira de ser e de falar, nas suas atitudes e proposta, algo muito mais do que as palavras pretendiam manifestar. Por outro lado é sabido que nunca as palavras dão conta da totalidade da mensagem que se pretende comunicar.
“Jesus andava (...) ensinado (...) pregando (...) e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo” Uma nova vida vai surgindo, prelúdio daquela plenitude que se manifestará com os eventos da Páscoa.
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Gigi, neste domingo (dia 23) eu estarei fazendo a reflexão na celebração da Comunidade São Paulo (Eurico Salles). Obrigado pela ajuda. Um abraço.
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