segunda-feira, 23 de maio de 2011

6to DOMINGO DA PÁSCOA -A- (29-05-11)

1ª leitura At 8,5-8.14-17

Na época de Jesus era profunda a divisão entre judeus e samaritanos. Se um judeu queria insultar uma pessoa do próprio povo, só chamá-la de samaritana e era briga feia. Neste contexto é particularmente significativa e importante a iniciativa de Filipe de evangelizar uma cidade de Samaria. Ela é expressão de audácia, de coragem, de determinação sustentada pela fé na pessoa de Jesus e na ação do Espírito Santo.
O conteúdo do anuncio é preciso: Jesus é o Cristo. A iniciativa deu certo “As multidões seguiam com atenção (...) unanimes o escutavam (...). Numerosos paralíticos e aleijados também foram curados. Era grande a alegria naquela cidade” . Assim, a missão conseguiu derrubar barreiras na aparência insuperáveis.
Vencer as barreiras teológicas e de ódio que foram crescendo e consolidando no tempo parecia uma coisa impossível. A apresentação da pessoa e da missão de Jesus conseguiu derrubar as barreiras. Não sabemos mais detalhes de como, com que argumentação, com quais palavras Filipe expôs o mistério de Jesus.
O texto frisa que conseguiu captar a atenção “As multidões seguiam com atenção as coisas que Filipe dizia”. Já conhecia o ambiente e a realidade do povo? Teve apoio de conhecido? São todas perguntas importantes para entender o método de evangelização. ( Entre parêntesis, o evangelho relata Jesus que enviou de dois em dois os discípulos aos povoados onde ele devia passar, para preparar a chegada dele) .Mas não há resposta.
Por outro lado a eficácia das palavras dele era comprovada pelos sinais, pelos milagres, evidentes manifestações da presencia do Reino. Tudo isso lembra a pregação e o estilo de vida de Jesus.
O fato não podia passar despercebido à igreja mãe em Jerusalém. Assim, “Os apóstolos, que estavam em Jerusalém, souberam que a Samaria acolhera a palavra de Deus, e enviaram lá Pedro e João”. A visita tem como objetivo estabelecer um laço entre os novos convertidos e a comunidade de Jerusalém. Ela manifesta a consciência e a vontade dos apóstolos de se encontrarem, por direito e dever, no governo de toda a cristandade.
A ordem de Jesus de anunciar o evangelho a todos os povos encontra neles a devida atenção para conferir que os efeitos dela produzam os frutos de entendimento e de comunhão necessários para segurar as características fundamentais do novo povo de Deus que vai se formando.
Esta missão é especialmente desenvolvida sob a ação do Espírito Santo, pois, “Oraram pelos habitantes da Samaria (...). Impuseram-lhe as mãos, e eles receberam o Espírito Santo” Trata-se da nova descida do Espírito em ordem à certeza da comunhão com a Igreja mãe. Ela confere uma explicita dimensão de comunhão que ultrapassa a comunhão local. É a ligação que abrange a universalidade dos que acreditam em Cristo e, em virtude disso receberam, o Batismo. Por outro lado, sem dúvida, o batismo foi tal pela ação do Espírito Santo. Portanto, eles não eram privados da presença dele na própria vida pessoal. Tal vez, a expressão “Porque o Espírito ainda não viera sobre nenhum deles; apenas tinham recebido o batismo em nome do Senhor Jesus” quer destacar a necessária ação do Espírito, que ultrapassa a ação do mesmo em nível individual a da comunhão local, para oferecer o horizonte da universalidade na qual pessoa e comunidade estão mergulhadas. Universalidade por vencer as barreiras da divisão e do ódio como era o relacionamento entre os dois povos.
É o mesmo Espírito que sustenta a vida pessoal como indica a segunda leitura.

2da leitura 1Pd 3,15-18

Neste trecho Pedro fala do comportamento cristão diante dos perseguidores. Ele exorta em santificar “em vossos corações o Senhor Jesus Cristo...”. Assim, convida ter o coração sempre orientado e encharcado da presença de Cristo, de maneira tal que não seja seduzido por outro nem desviado por outra proposta que o afastaria do caminho ensinado e testemunhado por Cristo mesmo. Trata-se de permanecer firmemente nele, como o amante no amado e vice versa: eu nele, e ele em mim.
É a condição necessária para o segundo passo “... e estais sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pedir”. Com efeito, o relacionamento com Cristo estabelecerá no interior do discípulo a certeza de participar da mesma vida e, sobretudo, do mesmo destino.
Portanto, a glória de Deus, na qual o homem Jesus participa plenamente pela ressurreição, não será só a indicação da meta futura, mas uma realidade já presente. Ela conforma e baseia a esperança não come projeção do desejo de sobrevivência da alma após a morte, ou como último reduto fantasioso para não cair no terror e desconforto de desaparecer no nada, mas como uma realidade viva já presente que liga indissoluvelmente presente e futuro, entre atualidade e destino.
É isso o próprio da teologia. Ela deve dar razão, argumentar, do porque das escolhas e comportamentos que a primeira vista são perdas, renuncias, afastamento de situações de vantagens, de conveniências e de interesses que, do ponto de vista humano, todos desejariam alcançar.
Daí a pergunta: por que faz isso? O que te motiva? Assim, a plausibilidade da fé não é apoiada na simples adesão confiante em algo misterioso que envolve e no qual está imersa a pessoas. Ela tem uma necessária dimensão argumentativa, de reflexão, elaborada pela inteligência humana que oferece o âmbito e os elementos racionais da plausibilidade, por não ser tida simplesmente como uma loucura descabida e sem fundamento nenhum.
É esta mesma esperança que motiva e sustenta as atitudes interiores apropriadas nas provações e dificuldades quais a “ mansidão, respeito e com boa consciência”. E, também, o comportamento certo “Pois será melhor sofrer praticando o bem, se esta for a vontade de Deus, do que praticando o mal”. A perseverança na verdade e no bem acarreta sofrimentos que devem ser entendidos como vontade de Deus. Eles são participação aos sofrimentos de Cristo por amor à humanidade, e mais diretamente às pessoas destinatárias deles.
O exemplo está em Cristo o justo que morreu “pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus”. Pois, ele “Sofreu a morte, na sua existência humana, mas recebeu nova vida pelo Espírito”. É o paradoxo cristão que sustenta e acompanha a vida de Cristo e de todo discípulo.
A isso aponta o evangelho.

Evangelho Jo 14, 15-21

Se me amais”. O condicional faz entender que o que segue é conseqüência da atitude do amor verdadeiro para com ele. Tudo brota e é conseqüente ao relacionamento no amor.Sem ele nada do que segue tem valor e sentido.
A manifestação desse amor é guardar “os meus mandamentos (...). Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama”. Eles são desdobramento do único mandamento: o do amor, o amor com o qual ele nos amou. Dirá Jesus: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Pois, o termo de comparação é ele mesmo.
No amor, por intercessão dele ao Pai o discípulo receberá “um outro Defensor- o primeiro foi Jesus mesmo- para que permaneça sempre convosco” pois, ele será Deus neles. Trata-se do “Espírito da Verdade”. Como não pensar imediatamente ao discurso de Jesus com a Samaritana, quando afirma, respondendo à pergunta dela: é preciso adorar Deus em espírito e verdade?
Realidade que o mundo, ou seja, aqueles que vivem afastados da comunhão com Deus por superficialidade, indiferença, desinteresse ou desconfiança, e, portanto, “não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece”, pois, não está ao alcance das possibilidades humanas deles.
Pelo contrário, em virtude do amor “Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós”. Junto e dentro de vós, plenamente mergulhados de maneira que nada da pessoa fiquem não tocada e como encharcada pela realidade do Espírito. A realidade e de Deus e da pessoa estão unidos sob todos os aspectos.
Contudo, a presença de Cristo não sumirá “Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós”. A ausência dele será breve, o tempo de cumprir a vontade do Pai, com o evento da morte. Será uma separação dramática e de grande abalo para os discípulos, mas breve. Pois a ressurreição o devolverá à vida, à qual terão acesso os mesmos discípulos, não o mundo todo “Pouco tempo ainda, e o mundo não me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e vos vivereis”.
Eis, então, a contraposição entre os discípulos e o mundo. É a vivencia no amor entre Cristo e o discípulo que torna possível a comunicação de vida. Não é outra coisa. Não é ato da vontade, um presente ou um milagre surpreendente, uma determinação liberal e gratuita de Cristo.
Isso é particularmente significativo porque o mergulho no amor abrirá a experiência a algo ainda maior do relacionamento entre Cristo e o discípulo “Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vós (...). Ora, quem me ama,será amado pro meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele”. A manifestação de Cristo incluirá a experiência do amor do Pai, pois será evidente aquela comunhão identidade com o Pai, que Jesus constantemente na sua missão pretendeu que fosse reconhecida e que para muitos soou à blasfêmia ou os deixava como uma pretensão inadmissível. Será o mergulho no Deus Trindade, ou seja, a plenitude da realidade de Deus.

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