1a leitura At 1,1-11
Vale especificar que o autor dos Atos dos Apóstolos é o mesmo do Evangelho: o apóstolo Lucas (ou a comunidade que faz referencia a ele). Os Atos dos Apóstolos é a continuação do Evangelho e, especificamente, testemunha a ação do Espírito Santo na difusão do Evangelho no mundo então conhecido, e o surgimento das primeiras comunidades. Daí o sentido de “No meu primeiro livro” e as palavras introdutórias que resumem brevemente o evangelho.
Jesus é apresentado, no período que vai da ressurreição à ascensão- simbolicamente 40 dias, um período demorado- como Senhor do Reino de Deus: “Durante quarenta dias, apareceu-lhes falando do Reino de Deus”. É muito significativo que Jesus não fale de si mesmo, da grande injustiça que fizeram para com ele, dos sofrimentos da cruz e da experiência da ressurreição, da traição, do abandono dos apóstolos etc., mas somente da finalidade da missão dele: o Reino de Deus.
Demonstra, assim, um desapego de si mesmo surpreendente do ponto de vista humano. É como se estivesse falando sem que nada especial lhe tivesse acontecido. Isso diz muito com respeito ao relacionamento dele consigo mesmo, à missão que desenvolveu e que está chegando ao seu ponto final na terra. Como pude manter tal distanciamento, tal desapego de si mesmo? Como não há registro de uma palavra de desconformidade, de critica, de lamentação, com respeito à ingratidão do povo, dos apóstolos etc.? Mas, só preocupação de que os apóstolos entendam a dinâmica da implantação do Reino.
As explicações de Jesus não foram bem entendidas, pois, os apóstolos perguntam: “Senhor, é agora que vais restaurar o Reino em Israel”. Eles entenderam falar da realização do Reino conforme a expectativa geral do povo e de João Batista, ou seja, a expulsão dos invasores romanos e a purificação do povo infiel à lei de Moises. Isso demonstra quanto pouco eles entenderam Jesus, mesmo após da experiência de vê-lo ressuscitado. Contudo, Jesus não se surpreende nem pretende corrigir ou explicar em que realmente consiste o Reino, pois, sabe que não têm condições de entender (só com a vinda do Espírito entenderão), mas revela que não compete a eles “saber os tempos e os momentos que o Pai determinou com sua própria autoridade”.
Assim, preanuncia a descida do Espírito Santo: “Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e na Samaria, e até os confins da terra”. A função do Espírito, após de tornar-los conhecedores da profundidade e importância do evento da morte e ressurreição de Jesus, visa constituí-los testemunhas até os últimos confins da terra. Com isso afirma o caráter universal do evento e da missão Dele.
“Depois (...) foi levado ao céu (...). Uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não podiam mais vê-lo”. Com isso Jesus universaliza a missão. Ele chegará até os confins da terra por meio da ação missionária dos apóstolos, das testemunhas. A missão se estenderá até a volta Dele no fim dos tempos, portanto, os apóstolos não deverão ficar parados olhando o céu “ Homens da Galiléia, porque ficais aqui, parados, olhando para o céu?”. Uma coisa é certa, aquele que agora sumiu dos olhos deles voltará, não os abandonará, pela vinda do Espírito, e já tem marcada a hora do reencontro "Esse Jesus (...) virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu”. O viram partir numa nuvem que o encobriu, ou seja, pela presença e ação do Espírito Santo- tal é o significado da nuvem que o encobriu, como na transfiguração-. E será pela ação do mesmo Espírito que acontecerá o evento definitivo e último que atingirá a criação toda no fim dos tempos.
O Espírito é o mestre interior, ele possibilita o profundo conhecimento ou compreensão do que Deus realizou em Cristo, como frisa a segunda leitura.
2da Leitura Ef 1,17-23
Paulo implora para os cristãos da comunidade “um espírito de sabedoria”, o dom da revelação, “para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança”. Por meio desse dom, Deus “abra o vosso coração à sua luz” para se tornarem conscientes do “imenso poder que ele exerceu em favor de nós que cremos, de acordo com sua força onipotente”.
A esperança e a herança apontam ao futuro. Com efeito, o poder que ele exerceu através a obra do Filho abre horizontes inéditos. A pratica da caridade, do amor à verdade e à justiça para a dignidade da pessoa e uma sociedade mais justa, e com ela a doação à causa até o dom da própria vida, enche de luz singular o coração, o mundo interior da pessoa. Nessa luz se percebe a consistência da esperança e a riqueza da glória.
Portanto, a esperança e a herança não são fruto da especulação racional nem projeção do desejo da pessoa- em fim elaborações humanas- mas conseqüência da pratica divina da caridade na condição humana. É o amor que faz surgir e crescer a esperança e a certeza da herança de participar em plenitude da glória de Deus.
“Ele manifestou sua força em Cristo”. Com isso se afirma que tudo o que Deus é se manifestou na pessoa de Jesus. Assim, Jesus se tornou Jesus Cristo em força da ressurreição, expressão do imenso poder e da força onipotente de Deus mesmo “quando o ressuscitou dos mortos e fez sentar-se à sua direita nos céus”.
Agora, se Cristo está na glória, também os que estão com ele participam da mesma realidade. De fato, são Paulo, mais na frente, afirma “Deus nos ressuscitou em Cristo e nos fez sentar no céu, em virtude de nossa união com Jesus Cristo”(Ef 2,6). Com isso, fica determinado que a nossa verdadeira e ultima identidade está no céu. (Vale especificar que o céu não é uma realidade geográfica, mas o estado da pessoa toda em comunhão com Deus). É a partir desta verdade, que conforma a profundidade do nosso ser, devemos entender o caminho do desenvolvimento e de crescimento da pessoa.
Este processo manifesta, na dimensão concreta e histórica, o que é já participar da vida divina, doada gratuitamente pela fé nos efeitos da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Portanto o nosso caminhar traz sua motivação, seus passos concretos- nas diferentes circunstâncias do dia- a – dia-, seu critério de discernimento exatamente por esta realidade que já está em nós. O que é conforme será assumido e o que não, afastado.
Assim, toda potencialidade do nosso ser se realizará conforme ao plano de Deus, de uma vida santa, manifestação do poder e da gloria de Deus.
Este dom este processo começa no profundo da pessoa, mas não fica simplesmente nele. É para toda a humanidade, como indica o Evangelho.
Evangelho Mt 28,16-20
“Os onze discípulos foram para a Galiléia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado”. Tudo recomeça no mesmo lugar onde tudo começou: a Galiléia e sobre o monte (das bem-aventuranças? Tale vez. Teria sentido). O evento Pascual marca um antes e um depois para todos e para tudo.
Os apóstolos “Quando viram Jesus, prostraram-se diante dele. Ainda assim alguns duvidaram”. Por um lado reconheceram a divindade, pois a presença física do Ressuscitado não deixava margem a outra atitude: o Crucificado está vivo e de maneira surpreendente que só pode ser manifestação da obra e da presença de Deus nele.
Por outro lado duvidaram. De que? Com certeza o evento da ressurreição foi neles uma mistura de desconcerto e de alegria com respeito à pessoa de Jesus. Mas também deve ter suscitado um monte de perguntas: Que seja um fantasma? Uma alucinação?E a missão de implantar o Reino de Deus, como fica? E o novo Israel que devia brotar de sua ação salvadora, onde está?... O texto não especifica.
Jesus, tal vez, responde indiretamente com umas indicações baseadas na própria autoridade como Ressuscitado “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra”. A nova condição não deixa dúvidas ao respeito, pois, merece toda atenção e confiança. As duvidas serão o âmbito do novo ato de fé na pessoa dele, no que a continuação vai colocar.
“Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos”. A missão continua e se universaliza. É como se resolvesse as duvidas carregando nos ombros deles motivos para duvidar ainda mais. Ainda não se vê o mínimo do novo Israel e pensar fazer discípulos pessoas de outros povos? Tal vez se olhou uns os outros com maior desconcerto...
Certo que podem contar com sua autoridade e presença de Jesus “Eis que eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo”. Contudo, não deixa de ser uma perspectiva que supera de muito as próprias condiciones e possibilidades, considerando a fragilidade inconsistência da própria condição humana e de fé, manifestadas durante a missão de Jesus e particularmente nos eventos da páscoa.
Jesus acrescenta o método “batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo e ensinando a observar tudo o que vos ordenei”.
Parece-me que batizar não é confirmar a pratica pastoral de hoje com respeito à administração do batismo. Pelo contrário. Antes de ser imerso no mistério da morte e ressurreição era preciso ter consciência e fé do significado, do valor e da importância deste mistério. Hoje a grande maioria de pais e padrinhos carece disso... Contudo se batiza. Como fez notar Pe. Joaquim “Jesus bendizia as crianças e instruía os adultos”. Hoje é exatamente o contrário...
Por outro lado, como podem os pais, os cristão em geral, ensinar e “observar tudo” o que Jesus ordenou se não tem conhecimento nem experiência dos efeitos da morte e ressurreição? .
É para pensar.
terça-feira, 31 de maio de 2011
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