1a leitura (Ex 34,4b-6. 8-9)
O povo pecou gravemente atribuindo a Deus a imagem do bezerro de ouro. Foi como pretender encaixar a Deus no âmbito do próprio entendimento e das próprias expectativas. Com outras palavras e parafraseando o texto bíblico, modelar a Deus a própria imagem e semelhança. É exatamente o contrário da Aliança.
Querendo Moises recompor a aliança entre o povo e Deus, sobe à montanha com outras duas tabuas de pedra, para que Deus lhe dê novamente a lei. “Moises (...) subiu ao monte Sinai (...) levando consigo as duas tabuas de pedra”. O Senhor acolhe Moises, pois, “desceu da nuvem e permaneceu com Moises”. A percepção de ser acolhido de novo deve ter enchido o coração de Moises de satisfação, de esperança e de alegria. Pois, Deus acolhe na pessoa dele o povo. Ele não mantém sua cólera, sua ira pelo desrespeito à Aliança nem pretende continuar se mantiver afastado. Foi um grande respiro de alivio para Moises.
Daí que Moises “invocou o nome do Senhor” fez como uma profissão de fé na fidelidade à promessa por parte de Deus. Pois, tinha certeza do amor de Este para com o seu povo. Com isso Deus lhe manifestou alguns dos atributos divinos que Moises sinalizou “Senhor, Senhor! Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel”.
Cada um destes atributos merece muita atenção e reflexão e é motivo de belíssimas e profundas considerações, que ultrapassam o limite deste comentário. Parece-me suficiente destacar como o conjunto deles oferece uma imagem grandiosa do perfil de Deus Pai. Ele, o conjunto, oferece como os traços e o perfil, do rosto de Deus, através dos quais perceberem o imenso amor dele para com o seu povo. É um rosto que não cansa de ser contemplado, com sentimentos de estupor, de maravilha e de gratidão.
Eis, então, a reação de Moises que percebe em todo isso o favor de Deus para com ele . "Imediatamente, Moises curvou-se no chão e, prostrado por terra, disse..." Assim o estupor e a maravilha se tornaram adoração cheia de admiração e súplica “Senhor, se é verdade que gozo do teu favor, peço-te, caminha conosco”, ou seja, pede de restabelecer a aliança de maneira tal que o caminhar juntos é garantia de proteção e segurança de dar passos certos nas múltiplas dificuldades e circunstância do caminho rumo à terra prometida.
Contudo, Moises sabe dos limites do povo e da teimosia em se deixar conduzir por caminhos que ultrapassam o entendimento dele. Portanto pede a Deus que não abandone nem esqueça os próprios atributos, pois, serão necessários também no futuro, pois, invoca “acolhe-nos como propriedade tua”.
A firmeza da consciência de lhe pertencer radicalmente é garantia da fidelidade de Deus perante de “um povo de cabeça dura, perdoa nossas culpas e nossos pecados”, pois, são pecados de desconfiança nas indicações, de desinteresse ao ensino, de superficialidade que não permite avaliar corretamente, de sedução de outras propostas que, erroneamente, atribuem em sintonia com a aliança, mas que na realidade não o são.
Tudo isso porque o povo não trabalhou a aliança, se acomodou e foi como absorvido pelos próprios interesses e não pala a vivencia da aliança.
Ao respeito a 2da leitura oferece valiosas indicações.
2ª leitura 2 Cor 13,11-13
“Alegrai-vos, trabalhai no vosso aperfeiçoamento”. A perfeição é uma realidade a ser alcançada gradativamente. É como o imã que atrai quem está fascinado e admirado da proposta e da qualidade de vida que ela apresenta como meta da uma existência bem sucedida. Exige trabalho, ou seja, determinação, empenho e Constancia. Particularmente nos momentos difíceis, nas provações e nas dificuldades, que normalmente acompanham o caminho.
Daí, então, as indicações para que cada pessoa encontre na comunidade o devido apoio “encorajai-vos, cultivai a concórdia, vivei em paz”. Sem duvidas a solidariedade e ajuda fraternal é imprescindível nos momentos difíceis, sob pena de desviar o abandonar a comunidade e o caminho do Senhor. Experiências ao respeito não faltam. Pessoas que começaram com boa vontade, entusiasmo e depois...A atenção e solidariedade levará à comunhão com Deus “e o Deus do amor e da paz estará convosco”.
A comunhão é o próprio da atividade do Espírito Santo “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós”. Ela é o fruto amadurecido da presença da Trindade, como indica a citação, mas particularmente atribuído à ação e a presença do Espírito. É esta presença que, atraindo a pessoa com o fascínio e a força própria, a leva à comunhão entre os integrantes da comunidade. Desta forma faz que ela experimente a graça de Cristo e o amor do Pai.
Portanto, a realidade trinitária age, desenvolve sua atividade fora dela mesma com as mesmas modalidades que caracterizam sua atividade no interior dela. A única ação dela investe simultaneamente o relacionamento entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo e sua presença na criação toda e a favor das pessoa e da humanidade toda. É o que, usando um termino técnico, a teologia chama de “economia” Trinitária.
Pois o que a humanidade e as pessoas percebem da Trindade, não è sua realidade ultima e profunda, que permanece um mistério inalcançável e inesgotável, mas o agir dela a favor da humanidade. Usa-se o termo “economia” porque indica ação planejada, corretamente desenvolvida em ordem ao conseguimento do fim específico que é o crescimento do mistério de Deus no integrar no mesmo amor de Deus as pessoas e a humanidade que acreditando na auto-revelarão de Deus se deixam atrai e mover pelo que a mesma manifesta e ensina.
Portanto, o importante da abordagem à Trindade não tanto resolver, dentro do entendimento e da lógica humana, como combinar as três pessoas com a unicidade de Deus, quanto a correta percepção da dinâmica da vida dela, que oferece o critério- a minha maneira de entender- para responder satisfatoriamente ao desfio de unidade na pluralidade que perpassa e atinge os relacionamentos entre pessoas, entre povos e culturas diferentes.
Tudo isso mexe com a salvação de todos e de tudo. Para se aproximar e compreender a dinâmica trintaria é preciso olhar para Jesus e ter os olhos fixos sobre ele, particularmente no evento da morte e ressurreição dele.
É o que indica o Evangelho
Evangelho Jo 3,16-18
“Deus amou tanto o mundo”. Expressão que indica como Deus deu tudo. Mais não podia dar. Assim Ele manifesta o seu ser, mostra todo o seu amor para o mundo que, pela rebeldia, pelo desinteresse, indiferença e desconfiança para com o mesmo Deus está se expondo à morte e, pela lógica humana, merece condenação.
O caminho da salvação é crer no “Filho unigênito”. Neste Filho a Trindade toda age. Os que os homens percebem pelas próprias faculdades humanas é a ação de uma pessoa individual, Jesus de Nazaré. Mas será missão Dele manifestar, pela palavra e pelo testemunho, a verdade da ação trinitária com o Pai e com o Espírito.
Deus age para que toda pessoa “tenha a vida eterna” e “o mundo seja salvo por ele”. Com efeito, a amor derramado, sem reter nada para si mesmo, tem como finalidade a vida em abundancia para tudo e para todos, como escreve o evangelista João.
O amor de Deus consistiu em entregar o próprio Filho “Deus amou tanto o mundo, que deu seu Filho unigênito”. Efetivamente, não tem maior amor da entrega do filho unigênito, mais ainda considerando as condições de total ausência e desinteresse do povo para o que estava acontecendo. Observa são Paulo: “a prova que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores”(Rm 5,8).
A este imenso ato de amor, Deus pede a toda pessoa crer no significado da entrega de Jesus como quem representa todo homem e a humanidade pecadora. Trata-se de acreditar que a vitória Dele sobre o mal e o pecado, no sentido que prefere morrer a se dobrar, é a vitória de cada pessoa e da humanidade. Assim, Ele faz todo o “trabalho” de luta, de resistência, de sofrimento e de morte, como se estivéssemos nós mesmos fazendo isso.
Assumir plenamente a verdade e o dom da entrega de Jesus é causa da salvação “Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado”. A finalidade da missão da Trindade se completa no ato de fé de cada pessoa e da humanidade, pois, “Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele”.
Este ato de fé transfere a pessoa da condição de pecador à condição de justo, de intimo e familiar de Deus. Mudança radical, em virtude da qual ela é nova criatura. Interiorizar esta passagem é ativar e vivenciar no profundo do ser o sentido de pertencer a Deus estreitando um vinculo indissolúvel. Assim, Deus e o redimido se pertencem mutuamente para sempre.
Então o permanecer em Cristo como o ramo na videira, que o evangelista frisa com insistência no capitulo 15, se torna como a lógica conseqüência da aceitação do dom da entrega do Filho e do dom oferecido pelos efeitos da morte e ressurreição deste.
A consciência de pertencer a Deus e a vontade de continuar permanecer em Cristo encharcarão da presença e força do Espírito a pessoa toda. Assim, a prática do amor, se tornará manifestação do Amor de Deus Trindade, que renova e regenera continuamente quem recebe e ao mesmo tempo transmite o dom.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
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