segunda-feira, 26 de setembro de 2011

27o DOMINGO DO T.C.-A- (02-10-11)



1ª leitura Is 5,1-7

Sob forma de parábola o profeta descreve a situação dramática e angustiosa no que diz respeito ao relacionamento entre Deus e seu povo.
O relacionamento teve por parte de Deus todos os cuidados para que desse fruto abundantes e de qualidade: o libertou da escravidão do Egito, estabeleceu com ele uma aliança eterna no Sinai, conduziu-o no processo de purificação e consolidação da fé no deserto rumo a meta da terra prometida. O introduziu nela esperando que o cumprimento da Lei produzisse bons frutos de justiça, de fraternidade, de harmonia, de maneira tal que a convivência e solidariedade entre os integrantes do povo fossem como “leite e mel”, gíria para indicar o reino de Deus já presente na terra.
Contudo, Deus ficou amargurado e tristemente surpreendido em perceber que “esperava deles frutos de justiça e eis injustiça; esperava obras de bondade e eis iniqüidade”. O mesmo Deus como um Pai frente ao insucesso da educação dos filhos, se pergunta: “o que poderia ter feito a mais por minha vinha e não fiz? Eu contava com uvas de verdade, mas porque produziu ela uvas selvagens?”. As palavras manifestam dor, o desconcerto, a surpresa, o sentir-se decepcionado; como quem foi privado de receber o fruto do próprio trabalho.
Como sempre acontece nestas circunstâncias, a primeira pergunta objetiva tornar-se consciente do que, mesmo involuntariamente e sem culpa, deveria ter sido feito e não foi. O comum sentimento de culpa surge no coração de Deus. E, assim, encontrar uma resposta, um motivo, da desagradável surpresa é a maneira para reencontrar serenidade interior e ultrapassar a perturbação, o desconcerto e a ansiedade que deixa transtornado.
No caso de uma resposta negativa, eis a outra pergunta “Eu contava com uvas de verdade, mas, por que produziu uvas selvagens?” Se não faltou nada: “por quê?” Qual é a causa do fracasso? Cabe perguntar: o que aconteceu? Por que mesmo com todos os cuidados e carinho de Deus se chegou a tal situação? “esperava deles frutos de justiça e eis injustiça; esperava obras de bondade e eis iniqüidade”. O texto não responde.
Contudo, podemos supor que a causa esteja na atitude do povo que abafa a gratidão e o carinho para com Deus por tudo aquilo que Ele fez e continua fazendo.
Em nome das vantagens pessoais. Por elas o povo se prontifica fazer obras de iniqüidade, qual a violência, a corrupção, a injustiça, a mentira, a malícia, a troca de favores, dentre outras. Ou também, esgotando sua relação com Deus na resolução de seus problemas particulares, caindo no individualismo alheio a todo sentimento de fraternidade, de solidariedade, de interesse e de amor para com os outros..
Deus reage com palavras duríssimas e desconcertantes de rejeição, de ira, de cólera, para com a vinha. Palavras que não condizem com a idéia do Deus bonzinho, que sempre perdoa, sempre passam a mão na cabeça, sempre pronto a esquecer toda a maldade para com ele: “Vou desmanchar a cerca...., será derrubada...será pisoteada... vou deixar inculta...” .
A atitude de Deus não é expressão do castigo ou da vingança, mas é a conseqüência lógica do povo de ter abandonado as indicações e se ter afastado do caminho, da presença e da amizade com Deus. É como o jovem que se afastando da casa do Pai, saindo do caminho indicado por ele e procedendo com seus próprios critérios se prejudica muito gravemente pelas escolhas tortuosas e erradas.
Contudo, a vinha não será destruída nem rejeitada, apenas sofrerá as conseqüências de não ter produzidos os frutos que tinha toda condição e possibilidade de produzir. As duras palavras de Deus manifestam o amor e o carinho para com a vinha, como um pai que, mesmo na cólera com o filho desobediente e rebelde, faz transparecer o profundo amor por ele.
A segunda leitura fornece indicações para não entremos neste perverso processo.

2da leitura Fl 4,6-9

As palavras finais do trecho indicam a meta, o objetivo, da intervenção de Paulo “Assim o Deus da paz estará convosco”. Exatamente o contrário da vivencia do povo na primeira leitura. É a paz que “ultrapassa todo o entendimento, e guardará os vossos corações e pensamentos em Cristo Jesus”. Portanto, estar em Cristo Jesus, é condição para cultivar e manter o dom oferecido por Deus.
O dom procede de Deus. Mas sua eficácia depende do estar em Cristo por meio dos efeitos da morte e ressurreição Dele. Acolhidos estes efeitos pela fé Nele, de ser Ele o nosso representante perante o Pai, se percebe no mundo interior o surgimento do novo ser. Transformado, renovado e regenerado.
Este novo ser tem em si mesmo a condição de perdoar o próprio ser corrupto e pecaminoso. Assumir esta transformação e acreditar na vitória do homem renovado sobre o homem pecador é o conteúdo específico da fé.
Daí decorre que o que foi de Cristo: a vitória sobre o pecado, a possibilidade de não cair na tentação, vencendo o poder da sedução do mal, faz parte da realidade profunda, se tornou também a própria vitória e a nascente da própria integridade.
Este dom “ultrapassa todo o entendimento” pela maneira desconcertante e surpreendente de como foi elaborado, ultrapassando todo critério e expectativa humana. Mais ainda, ele “guardará os vossos corações e pensamento”, por quebrar e tirar a lógica e as atitudes perversas da primeira leitura e, pelo contrario, incentivar a formação da integridade da pessoa, ou seja, o falar e agir sem segundos fins, assim como a sinceridade de reconhecer e aceitar os próprios erros.
Nesta condição encaixam as indicações da Paulo “não vos inquieteis com coisa alguma...”. A respeito, são bem conhecidas as palavras de Santa Teresa de Ávila “Nada te turbe nada te espante, só Deus basta”. “...mas apresentai as vossas necessidades a Deus, em orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças”.
Reconhecer o dom recebido é motivo de agradecimento e o âmbito no qual no qual elaborarem e avaliar o conteúdo das orações e súplicas dirigidas a Deus, ao fim que sejam em sintonia com o coerente desdobramento do dom.
Desdobramento que tem como ponto de partida o “ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, respeitável,justo (...) ou de qualquer modo mereça o louvor” e “Praticai o que aprendestes e recebestes de mim”.Refere-se à ocupação para com o próximo com atitudes de solidariedade e serviço em sintonia com a justiça e do direito, conforme as atitudes e misericórdia de Deus já experimentadas na própria vida. Ela tem como finalidade promover o resgate da pessoa do pecado e da força do mal, para se voltar para o que é “ puro, amável, honroso, tudo o que é virtude”.
Paulo se propõe como referencia e exemplo bem sucedido “Praticai o que aprendeste e recebeste de mim ou de mim vistes e ouvistes”. Portanto, afirma que o “Deus da paz” está nele, faz parte de sua realidade. Propõe a eles o que já está experimentando.
O Evangelho mostra o maior obstáculo no conseguimento desta realidade.

Evangelho Mt 21,33-43

Sentença horrível e desconcertante para os ouvidos dos sumos sacerdotes e dos anciãos “Por isso, eu vos digo, o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos”.
Jesus retoma a conhecida parábola da vinha da primeira leitura para atualizá-la, incluindo o significado e a finalidade da presença dele. A vinha foi deixada aos cuidados dos vinhateiros - o povo todo e em especial aos anciãos e os sacerdotes- para que produzisse os frutos convenientes.
Gradativamente a ambição e o sentimento de autossuficiência tomaram conta do pensamento, do coração e da vontade deles, até motivar o propósito de se apropriar da herança toda, quando o filho foi enviado pelo Pai para a devida cobrança “Os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo e tomar posse da sua herança”.
Com isso eles queriam se apropriar do que não lhes pertencem. Eles são arrendatários, lhes é confiado responsabilidade para trabalhar positivamente. Com certeza o proprietário teria recompensado generosamente a dedicação deles. Mas a ganância falou mais alto. Desvirtuou a consciência deles e fez surgir neles a ideia distorcida de que pudessem herdar a vinha, matando o filho único do proprietário.
Tornarem-se donos da vinha teria significado o poder de dominar os vinhateiros, conforme aos próprios critérios e expectativas. A própria vontade e desejo teriam constituído lei indiscutível. Já pode-se intuir as conseqüências humanas sociais e religiosas para os humildes e os pobres...
A sede de poder e de domínio rachou a integridade deles de servidores conscientes ao ponto de trocar a verdade para a ilusão e a mentira de ter condição de herdar o que era do filho do proprietário. A perversão chegou a tal ponto de planejar e executar a morte do mesmo.
Não reconhecendo a dignidade e a autoridade do filho e se deixando levar pela perversão da ambição e da ganância, os sacerdotes e os anciãos não tiveram condição de perceber que a parábola estava dirigida a eles mesmos, e respondem a Jesus sentenciando a própria condenação.
Foi oportunidade para Jesus retomar as palavras da Escritura e frisar o paradoxo de que “A ,pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular”, ou seja, a pedra mais importante do edifício que confere estabilidade segurança ao mesmo.
isso foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos”. Com isso Jesus alerta como o mesmo Senhor que eles achavam e pretendiam servir, reverte e rejeita o critério deles colocando-os na condição, não só de não adquirir a herança, mas de ser expulsados da vinha, do mesmo reino de Deus.
A parábola é uma grande alerta para todos sobre o correto posicionamento e atitudes para com Deus.
(texto elaborado com a colaboração de Rodrigo e Paula de N.Sra do Carmo)













domingo, 18 de setembro de 2011

26o DOMINGO DO T.C.-A-(25-09-11)


1ª leitura Ez 18,25-28

No entendimento do povo o Senhor è questionado com respeito ao relacionamento entre a responsabilidade individual e a coletiva. No povo o conceito da responsabilidade coletiva era predominante. Com certeza a responsabilidade coletiva é muito importante. Um povo, uma nação, que pretende caminhar na senda da aliança, não pode se eximir ou esquecer as normas e as leis que determinam o cumprimento dela.

Com certeza, a salvação è dom para o povo todo, pois, o agir de Deus abrange a totalidade da coletividade. Contudo, a salvação de um indivíduo não depende dos antepassados, nem de seus parentes mais próximos, como pai e filhos, nem tampouco do seu passado.

È neste contexto que o Senhor afirma “É a minha conduta que não é correta, ou antes, é a vossa conduta que não é correta?”. E segue a argumentação “Quando o justo se desvia (...) ele morre. Quando um ímpio se arrepende (...) e observa o direito e a justiça, conserva a própria vida”. O determinante é sempre a disposição atual do coração.

A condição de justo ou de ímpio não é adquirida de uma vez para sempre. Pode evoluir de um pólo para o outro. É preciso vigiar constantemente, cientes da precariedade da condição humana, sempre sujeita à mudança. Isso significa que a conversão é uma atitude permanente, e exige constante atenção e avaliação para se manter nela.

O primeiro momento do processo de conversão é o sincero arrependimento “Arrependendo-se de todos os seus pecados, com certeza viverá; não morrerá”. Pecado é prejuízo consciente e querido para com o próximo, para com a sociedade e a natureza. É, ao mesmo tempo, transgressão à Lei cuja finalidade é preservar de tudo isso e incentivar o bem e a harmonia. O arrependimento é uma tristeza verdadeira, uma dor sentida por causa do prejuízo e da dor causada.

Daí a firme decisão de não mais cometer o mesmo erro. Portanto, a conversão se concretiza em sair daquela situação e inverter o caminho, tomar a direção contrária. Invertera-se, também, o efeito da morte à vida “com certeza viverá; não morrerá”.

A passagem da morte à vida e ter ganhado a nova condição da existência pela qual a vida refloresce. Ela é acompanhada pela percepção interior da pessoa de ter sido perdoada. que O pecado foi tirado pela comunhão com Deus. Pois, Deus de novo ofereceu o dom da amizade e estabeleceu a comunhão para com ele. Perdão é dom - para, é o dom - o presente- para o arrependido.

Alem disso, como resposta sincera e conveniente cabe a determinação de querer remediar, na medida do possível, o prejuízo causado.

Tudo isso é sinal da nova vida. É a realidade do amor que faz novas todas as coisas,pois, elas se desdobram nos múltiplos aspectos indicados pela segunda leitura.

2da leitura Fl 2,1-11

Tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus”. Na comunidade, entre as pessoas é preciso cultivar no próprio mundo interior a mesma disposição mental de Jesus a respeito à idéia que tem do Pai e da missão que lhe confiou e, por conseguinte, as ações decorrentes.

A característica do sentimento é descrito, a continuação, no famoso hino que resume toda a personalidade de Cristo. (Em comentários anteriores foi explanado o importantíssimo conteúdo). Em síntese, abrange os dois pólos extremos: a máxima descida - “esvaziou-se a si mesmo (...) fazendo-se obediente até à morte, e a morte de cruz”- , e a máxima subida – “Deus o exaltou acima de tudo (...) Jesus Cristo é o Senhor”.

A sintonia com o sentimento é condição para participar da “vida em Cristo” e ter alento no mútuo amor, a comunhão no Espírito, a ternura e a compaixão a serem ativadas e praticadas na convivência caracterizada por aspirar “à mesma coisa (...) e viver em harmonia, procurando a unidade”. Desta forma, o evangelho anunciado por Paulo se torna boa realidade, com muita alegria e satisfação por parte do mesmo “tornai então completa a minha alegria”.

Mas o apostolo, alerta dos obstáculos, das pedras e das dificuldades para atingir o objetivo “Nada façais por competição ou vanglória, mas, com humildade, cada um julgue que o outro é mais importante, e não cuide somente do que é seu, mas também do que é do outro”. Com efeito, competição, vaidade e egoísmo destroem todo correto relacionamento humano e espiritual. É a experiência comum de toda comunidade, onde abriga, o desentendimento, a inveja, o ciúme, a ambição do poder, elas geram condições lastimáveis à convivência humana e são causa da experiência não bem sucedida.

Paulo está muito preocupado pelas condições desfavoráveis das comunidades em termos de manifestação e expressão do que deveria ser a adequada adesão à Cristo. As brigas, os desentendimentos, e outras atitude que nada tem a ver com o estilo de vida cristã e a filosofia do evangelho, mas manifestação e expressão de devem ter preocupado muito Paulo.

E com razão, pois o testemunho é essencial ao fim de transmitir e de passar credibilidade e adesão no mundo pagão circunstante. Daí a constante chamada de atenção à aproximação autentica e verdadeira à pessoa de Cristo, única condição para motivar e sustentar a pratica de vida e a convivência solidaria.

O hino que segue mostra até que ponto e as quais condições deve ser assumidas a atenção e preocupação para com o outro. Não há limite, sempre si agir em nome da verdade e da retidão.

É o que è exigido pelo evangelho.

Evangelho Mt 21,28-32

Jesus se dirige à classe dirigente do povo, “aos sacerdotes e anciãos do povo” e pede uma resposta mais que obvia, para o quesito dos dois filhos: “Qual dos dois fez a vontade do Pai? (...). O primeiro”.

Ela é motivo para replicar a eles que são como o primeiro filho, e, portanto, nunca alcançarão a salvação. Acrescenta, ainda, uma sentencia duríssima aos ouvidos deles “Em verdade vos digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus”. Era simplesmente absurda e desconcertante uma afirmação deste tipo.

Portanto, Jesus procura motivar “Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele”. O caminho de Justiça è o respeito à Lei e as exigências da aliança, pois, João prega um caminho de conversão como preparação à vinda do Messias.

Não se trata do simples cumprimento da lei ao pé da letra, mas do espírito dela que aponta a fraternidade e a todos os valores correlativos a ela. Trata-se da ética da aliança, que sustenta o povo de Deus e o forma como tal. É nela que o povo se identifica como pertencente a Deus, e Deus o reconhece como o seu povo.

À ética, à promessa da iminente chegada do Messias, aderem os cobradores de impostos e as prostitutas, reconhecendo a própria condição de pecadores e a proximidade da vinda do Messias.

“Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele”. Contudo, os sacerdotes e os anciãos se mantiveram desconfiados e indiferentes. É esta incredulidade que Jesus ataca duramente, pela qual não há possível entrada no caminho de conversão, e menos ainda de entender a pessoa do Messias já presente.

Se João está conseguindo a conversão dos cobradores de impostos e das prostitutas, pelo menos, algo de importante e merecedor de atenção está acontecendo. Em virtude disso, cabe deduzir que algo bom está acontecendo e digno de atenção, para enxergar a verdade e a seriedade da proposta de João, sem barreiras preconcebidas.

O motivo da incredulidade não é dito. Tal vez, eles se acham já justos e, portanto, não necessitados de salvação. Conseqüentemente, desconfiam das pessoas, das atitudes e das palavras de João, porque não respondem as expectativa deles, nem são conformes à pratica que eles acham conveniente e oportunas.

Tal vez eles desconfiam, também, da conversão dos mesmos cobradores de impostos e das prostitutas, achando que não tem base nem garantias de firmeza e de seriedade. Tal vez, a conversão deles foi simplesmente oportunidade para evitar a sentencia de condenação para eles já designada.

Desconfiam de tudo e de todo o que não entra nos parâmetros e nas expectativas deles, pois, se acham detentores do que é certo e justo. A argumentação, a pratica, a filosofia de Jesus os deixa incrédulos, mesmo vendo o novo surgindo e as mudanças nas pessoas tidas como pecadoras. Tal vez, elas não cumpriram os rituais e as exigências penitenciais exigidos pela lei mesma, que garantissem a seriedade da conversão.

Tal vez, os sacerdotes e os anciãos não querem passar por ingênuos que facilmente acreditam nas conversões repentinas, sem uma comprovada pratica. Prevalecem neles a suspeita do oportunismo, da esperteza, para enganar os simples, não eles... Em fim, há motivações e conjecturas para desconfiar e ter prudência para com os recém convertidos e com os novos profetas.

Mas o critério apresentado por Jesus é “Qual dos dois fez a vontade do pai?”. A vontade do pai é o pano de fundo no qual se confrontar. Ela consiste em ativar, começar e continuar no processo de conversão. Isso vale seja para os afastados que se aproximam e iniciam, seja para aqueles que já estão nele, pois, o processo não termina nunca. Ninguém pode se achar convertido de uma vez para sempre: a conversão é uma caminhada.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

25o DOMINGO DO T.C.-A-(18-09-11)


1ª leitura Is 55,6-9

“Buscai o Senhor, enquanto pode ser achado; invocai-o, enquanto ele está perto”. As palavras estão dirigidas àqueles que perderam a referencia e se desviaram do caminho do Senhor. A desatenção, a superficialidade, o desinteresse, em fim o pecado, fizeram que paulatinamente chegassem ao ponto em que estão. É o que se deduz das palavras a continuação.

As palavras se dirigem ao ímpio e ao homem injustos. O ímpio não quer saber nada do Senhor, age sem ter em conta a Lei. O injusto desrespeita a Lei, a burla e a explora, pois, procura sua própria vantagem. De toda maneiras, há como remediar, pois, o Senhor está perto e pode ser achado se tiver a intenção e a vontade de conversão.

“Abandone o ímpio seu caminho, e o homem injusto, suas maquinações”. O âmbito da conversão é o caminho certo e deixar as maquinações É preciso retomar o caminho certo, o caminho da Aliança. Todo caminho tem uma meta e uma finalidade. A meta é o reino de Deus, a nova ordem social, na qual cada pessoa é respeitada, valorizada e viva em solidariedade e fraternidade com o ambiente e o povo em geral, reconhecendo a soberania do Senhor por vivenciar os termos da aliança e suas exigências.

É preciso também respeitar a Lei, pelo espírito à qual aponta e não simplesmente o cumprimento ao pé da letra. É preciso evitar toda maquinação, o uso instrumental dela para segundos fins, a vantagem própria ou do grupo ao qual pertence.

Então o Senhor terá piedade dele, (...) é generoso no perdão”, acolherá o arrependido com todo o carinho e afeto, como se acolhe um familiar, e desmanchará para sempre todo pecado. Restabelecida a comunhão e a amizade com Deus, experimentará o amor generoso do Senhor.

Para enxergar o caminho do Senhor e cumprir o espírito da Lei precisa se aproximar ao Senhor com novos critérios, pois, “Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos, e vossos caminhos não são como os meus caminhos”. Para dar idéia do tamanho da diferença usa outra comparação “Estão meus caminhos tão acima dos vossos caminhos e meus pensamentos acima dos vossos pensamentos, quanto está o céu acima da terra”.

O ponto de partida é Deus. Portanto, é preciso particular e constante atenção nos pensamentos e no caminho do Senhor, porque é muito fácil atribuir a Ele o que simplesmente é o próprio pensamento, desejo e vontade. Com outras palavras, é prestar atenção ao fim, aos meios para atualizá-la e as condições de vida do povo e das pessoas.

Precisa intuição, criatividade e coragem, assim como determinação da vontade e a lucidez da inteligência, para realizar o caminho do dia- a- dia em sintonia com o caminho do Senhor. Por outro lado, a atitude de Deus para com o ímpio e o injusto já é uma boa indicação, um modelo valido a ser imitado. Pois, diz o Senhor “quero amor, não sacrifícios, conhecimento de Deus, mais que sacrifícios” (Os 6,6). Com outras palavras, resgate e vida em abundancia para todos.

Muitas vezes, tudo isso exige caminhar na contra mão com respeito aos desejos e expectativas dos poderosos, pressupõe uma forte identificação com o pensamento e o caminho, e a pessoa de Jesus Cristo.

É o que Paulo toca o mesmo tema na segunda leitura.

2da leitura Fl 1,20c-24.27a

Só uma coisa importa: vivei à altura do Evangelho de Cristo”. Os caminhos e os pensamentos de Deus não são mais distantes quanto está o céu acima da terra, pois, céu e terra se uniram na pessoa de Cristo. Jesus os manifestou na sua pessoa, na sua missão e, sobretudo, na morte e ressurreição, em virtude da qual foi constituído como Cristo, o Messias, o ungido de Deus.

O importante não é só existir, mas a qualidade da vida. Viver à altura do Evangelho é se identificar com a pessoa de Jesus e se comprometer com a missão Dele. É ficar a vontade imitando Jesus Cristo, consciente do que isso comporta em termos de fidelidade, e do destino de glória ao qual leva.

Pois, para mim, o viver é Cristo”. O que a expressão passa é algo totalizante, único e insubstituível. Identificar o Cristo, - o Jesus glorificado – como vida sem nenhum outro acréscimo, se não for o que diz respeito á sua pessoa á sua missão e experiência de evangelizador neste mundo, significa ter interiorizado na raiz do próprio ser a realidade do Ressuscitado.

Isso se realiza nos trilhos da solidão imensa -o abandono, até dos próprios íntimos e familiares- por um lado, e da comunhão total com o mistério de Deus pelo outro, tendo como força motora da vida a paixão pela verdade, ou seja, tudo o que implanta a lei da caridade em todos- pessoas e sociedade- e em tudo.

Portanto, Paulo percebe que “Cristo vai ser glorificado no meu corpo”. Esta experiência o leva à convicção que a glorificação já no presente, faz que a realidade do corpo fique atingida, também, depois da morte. A convicção se torna tão solida da afirmar “...morrer é lucro”.

Assim, a singular união entre presente e futuro, entre a glorificação do corpo pela vivencia nele da presença de Cristo, e a realidade do mesmo corpo após a morte na plenitude dessa mesma gloria já presente, revela como o presente e o futuro está intima e profundamente unido.

Mas também revela o destino, o sentido último e definitivo da existência, como participação plena no mistério de Deus que, pela expressão de Paulo em outro lugar, não há comparação com o momento presente, e pelo qual merece todo sacrifício e entrega.

Daí o dilema “Sinto-me atraído para os dois lados: tenho o desejo de partir, para estar com Cristo- o que para mim seria de longe melhor- mas para vos é necessário que eu continue minha vida neste mundo”. Contudo, o que prevalece não é o desejo pessoal, mas o sentido de responsabilidade para com o próximo, manifestação da caridade, do amor, que norteia e caracteriza sua personalidade.

É o contrario dos trabalhadores da primeira hora do evangelho.

Evangelho Mt 20,1-16ª

A parábola é bem conhecida, sobretudo pelo final desconcertante do ponto de vista da lógica e dos critérios humanos. A reclamação ao patrão dos trabalhadores da primeira hora Estes últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualastes a nós, que suportamos o cansaço e o calor do dia” é plenamente a maneira de pensar de todos. Quem não reclamaria numa circunstância parecida?

Um pouco irritado “Toma o que é teu e volta para casa!”, o patrão, no primeiro momento, se justifica: “Amigo, eu não fui injusto contigo. Não combinamos uma moeda de prata?” e a continuação motiva a decisão dele “Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a ti” e argumenta em nome da absoluta liberdade de dispor o que é seu “Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence?”.

Revela-se uma pessoa plenamente consciente do que faz. É absolutamente livre na sua determinação da toda consideração apresentada, bem manifestando lógica e sentido humano de justiça e de retidão. Ele quer ultrapassá-la, em nome do critério não considerado pelos operários da primeira hora.

Há uma radical divergência que o patrão procura apontar com dois termos: inveja e bondade “Ou estás com inveja, porque eu estou sendo bom?”. Cabe uma pergunta: como entender o relacionamento entre inveja e bondade, no caso específico da parábola?

Não é fácil responder, faltam elementos para uma resposta contundente. Uma primeira resposta poderia ser que os operários invejam a bondade do patrão. É o sentido imediato da colocação. Tal vez, o mesmo sentimento e atitude de bondade do patrão estavam inconscientes no profundo deles. No momento deles vê-lo concretizado na pessoa do patrão, eis comparecer a inveja. Teriam, gostado de ter a mesma bondade, mas, outros critérios falaram mais alto. Portanto, a palavra do patrão faz emergir o bom e o verdadeiro do profundo deles.

Foi uma resposta simplesmente irônica? Tal vez poderia ter algo disso, uma sutil ironia. Mas não era nem o momento, nem o contexto para isso. Na forte tensão, onde está em jogo o direito, a justiça, a reclamação do que é tido como correto, não cabe fazer ironia, a pessoa ficaria ainda mais revoltada. Então, seria uma maneira do patrão fugir da confrontação.

Outra resposta. Os operários da primeira hora são invejosos porque teriam podido ganhar o mesmo com muito menor esforço “tu os igualastes a nós, que suportamos o cansaço e o calor do dia”. E tudo isso por causa e não sabendo anteriormente da bondade do patrão... A inveja surge pela excessiva bondade do patrão para com os últimos. Os primeiros se sentiram menos considerados. Um pouco como o filho mais velho na parábola do filho pródigo...

Cabe a pergunta: merece, então, trabalhar na vinha do Senhor desde cedo, como os operários da primeira hora? Não é melhor aguardar, ociosos, a última hora? Deus é bom e, portanto, dá para conseguir o mesmo dos operários das primeiras horas! Mesmo que a lógica diria que sim, evidentemente, não é por aí o encaminhamento. Então?...

O Reino dos Céus é como a historia...”. Parece-me que o relato passa a certeza de que o reino está ao alcance de todos, e em todo momento. Com efeito, a salvação é uma necessidade para todos, indistintamente.

Ela não é questão de ter entrado na vinha antes ou depois; de mérito por ter trabalhado mais ou menos; mas de entrar... Os da última hora entraram sem saber quanto receberiam. Contudo, entraram. Tal vez, nem esperavam tanto, se soubessem da quantia contratada com os operários da primeira hora.

É difícil pela mentalidade humana se afastar dos critérios ligados ao mérito. Contudo, é o que faz a diferença para com Deus. Daí a advertência da primeira leitura “Meus pensamentos não (...) meus caminhos não são como os vossos caminhos”. Deus é como este patrão, como o pai do filho pródigo.

Não adianta entrar no reino com a antiga mentalidade. É se expuser às desilusões, é para ficar frustrado ou defraudado. Precisa partir da bondade e da gratuidade de Deus e o trabalho, a atividade nele, não é para adquirir méritos em ordem a ser retribuído dentro da lógica humana.

É atividade de se amar uns aos outro como Ele nos amou, dentro das expectativas e a lógica de Deus, que introduz para ficar no reino de Deus. Em fim, a parábola é convite à conversão nesta direção.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

24o DOMINGO DO T.C.-A-(11-09-11)



1ª leitura Eclo 27,33-28,9

O rancor e a raiva são coisas detestáveis...”. O rancor é o estado de ânimo de quem não esquece a ofensa, pelo contrário, ela está sempre presente e perturba a paz interior. Continuamente ele remexe o mundo interior, se torna desgastante e acaba com a serenidade da pessoa. A raiva é o sentimento de irritação incontrolável e explode. É o que torna a pessoa como cega, pois, não permite pensar e menos raciocinar.
Os dois sufocam os bons sentimentos e sustentam o ódio. Mas, também, alimentam a vingança. A vingança é a atitude pela qual se inflige um dano muito maior daquele recebido, com a finalidade de mostrar uma força maior, dominar ou afastar para sempre o outro. Ela estabelece o domínio do ódio.
“...até o pecador procura dominá-las”. O ruim e o devastador delas são bem conhecidos pelo pecador. Como ter domínio e controle sobre elas. Como consegui-lo? “Lembra-te do teu fim (...) pensa na destruição e na morte, e persevera nos mandamentos (...). Pensa nos mandamentos (..). Pensa na Aliança do Altíssimo”. Pensar no fim da vida, na morte, é considerar que tudo terminará em algo pelo qual não vale, nem é sábio, perseverar e manter rancor e raiva. Elas só estragam o presente, os dias da breve existência humana.
Por outro lado, há atitudes a ser incentivadas. Em primeiro lugar, a observância e perseverança nos mandamentos. É a maneira de amar o Senhor para o próximo, inclusive aquele que ofendeu e pelo qual se sente rancor e raiva. Com efeito, o amor ao Senhor tem sua motivação na Aliança estabelecida no Sinai e na promessa da terra prometida “Pensa na aliança do Altíssimo”. Na medida em que o coração acredita e assume este amor, compreende a compaixão e a misericórdia do Senhor para com ele.
Conseqüentemente, será possível cumprir a indicação do Senhor “Perdoa a injustiça cometida por teu próximo” e ter a certeza de que “quando orares teus pecados serão perdoados”. Pode doar o que recebeu.
Em segundo lugar, se manter nesse amor não é espontâneo nem mecânicos, mas precisa atenção e praticar os mandamentos. Daí a indicação de pensar e perseverar neles. Por outro lado, são a maneira de cumprir o pacto e as exigências da Aliança.
Portanto, o que é humanamente muito difícil – ficar livre do rancor e vencer a raiva -, (esquecer é impossível) em fim perdoar, é possível em virtude da aliança , da pratica das suas exigências e do bom senso perante a brevidade da existência.
Contudo, pelo livre arbítrio, a pessoa pode escolher de ficar na vingança “Quem se vingar encontrará a vingança do Senhor, que pedirá severas contas dos seus pecados”. A indiferença às indicações do Senhor, a insensibilidade e não acreditar Nele, é rejeitar o amor Dele. Não acolhendo o amor, menos ainda há condição de doá-lo.
Pedir severas contas dos pecados não é retorço, uma espécie de olho por olho e dente por dente, uma vingança. É conseqüência e manifestação de não acreditar no amor do Senhor. Assim, a pessoa se privou da possibilidade de ficar livre do rancor e da raiva. Portanto, ficar preso deles, ou seja do pecado, separa e isola , faz impossível a comunhão com o próximo e vencendo a barreira do ódio.
Jesus mesmo é o primeiro que derruba a barreira di ódio. Paolo faz experiência disso e testemunha, conforme escrito na 2da leitura.

2da leitura Rm 14,7-9

Eis a afirmação fundamental: “pertencemos ao Senhor”. O apostolo tem consciência de que ele (e todos os cristãos conscientes) pertence ao Senhor e o Senhor lhe pertence. Portanto, não há nele rancor e raiva para com aqueles que foram e são causa das múltiplas ofensas, desrespeito, violência verbal e física.
Paulo chegou e esta convicção e estado de animo por observar exatamente as indicações da primeira leitura. Mas com uma diferença: a Aliança é a estabelecida por Cristo com sua morte e ressurreição. E os mandamentos, ou melhor o mandamento, é amar como ele amou “Cristo morreu e ressuscitou exatamente para isto”.
A passagem de perseguidor a seguidor e apóstolo de Cristo, iniciado em Damasco, foi acrescentando e se consolidando pela fé e pela experiência de ter sido amado por Cristo “me amou e se entregou por mim”(Gl 2,20). Daí a consciência da aliança sólida, consistente e inquebrantável.
Tudo o demais escorrega, como água sobre impermeável, não afeta nem mexe com o seu ser profundo. Pois, ficando no rancor e na raiva se tornaria vítima deles ao ponto de desmanchar, no sentido de não perceber nem acreditar no perdão e na misericórdia de Deus alcançada pela entrega do Filho.
A partir da certeza da importância da vida e da entrega de Jesus Cristo “Senhor dos mortos e dos vivos”, Paulo afirma como a vida de todo cristão consciente deve ser caracterizada pela dedicação, e, assim, orientada e determinada pelo Senhor . O Senhor é o eixo dela “Se estamos vivos, é para o Senhor que vivemos; se morremos, é para o Senhor que morremos”.
Portanto, declina o seu contrario “Ninguém dentre nós vive para si mesmo ou morre para si mesmo”. É uma indicação importante, pois, faz eco à palavra de Jesus: quem quer salvar a própria vida vai perdê-la, e o contrário, quem perder a sua vida pela causa do evangelho vai salvá-la. É prestar atenção em não ser dominado pelo egoísmo.
Com efeito, fazer do próprio eu o eixo da existência, seria como quem fica olhando o próprio umbigo, é um suicídio psicológico, moral e espiritual. Pode levar a pessoa à depressão, a não se encontrar, não ter sentido de viver etc.
É inevitável a dimensão egoísta do viver. Mas é necessário prestar atenção e colocar uns indicadores que alertem quando ela se torna egocêntrica. Sinal disso é quando há dificuldade em se libertar do rancor e da raiva e cresce o desejo de vingança.
O evangelho oferece um modelo.

Evangelho 8, 21-35

As palavras finais oferecem o motivo da intervenção de Jesus “É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”. É impossível esquecer a ofensa recebida. Pelo contrário, é possível perdoar de coração, no sentido de não ficar preso do rancor e da raiva. É como olhar a cicatriz sarada. Lembra-se o acontecido, mas não doe mais.
A pergunta de Pedro “Senhor, quantas vezes devo perdoar (...) até sete vezes” é como se ele tivesse necessidade de ter uma regra à qual se ater, para se sentir justificado pelo cumprimento dela. A resposta de Jesus, além de não entrar nessa, pode indicar que o perdão deverá se praticado muito mais do que se pode pensar. Praticá-lo “sempre”- é o significado de “setenta vezes sete”- supõe conferir o correto relacionamento com o perdão recebido nos termos indicados pela parábola.
O empregado devia uma “enorme fortuna” ao seu patrão. Nem executando a ordem deste último de vender “a mulher e os filhos” teria conseguido extinguir a divida. A súplica do empregado prostrado, bem sendo mentirosa - pois, era objetivamente impossível que pagasse- “ Dá-me um prazo, e eu te pagarei tudo”, conseguiu mexer com o coração do patrão “teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a divida”.
Tal vez, o patrão se deixou levar pelo desespero do empregado ao vê-lo no beco sem saída, ao considerar o sofrimento dos inocentes, qual a mulher e os filhos. Tal vez lembrou-se da aliança e da misericórdia. Em fim, o empregado recebeu um presente enorme, tão grande como foi a divida dele...
Ao sair dali”. Imediatamente depois frisa o contraste mais radical que mente humana pode pensar. A quantia que lhe devia um dos seus companheiros era irrisória. Assim é um contraste radical a inflexibilidade em exigir que seja encarcerado, apesar das mesmas súplicas dele perante do patrão. (Evidentemente, o relato é uma parábola).
Cabe a pergunta: esta atitude do servo o que revela da personalidade dele? Ter amontoado uma enorme divida não foi coisa de tempo breve. Cabe supor a permanente atitude desonesta. Por outro lado, o que manifesta para com o seu companheiro é arrogância, presunção, indiferença, insensibilidade e crueldade. Um quadro humano, ético e espiritual que deixa muito desejar: um coração de pedra!
Nestas condições o gesto de prostração e as palavras da súplica para com o patrão, não vão além de uma estratégia vazia de todo sentimento e, portanto, impossibilitado de sentimentos de gratidão, de amor, que, por outro lado, tal vez nunca experimentou nem conheceu... Quem não acreditou nem experimentou o amor, não tem condição de doá-lo. Portanto não soube perdoar, porque não tinha condição para isso.
(Convido retomar ao comentário do evangelho do dia de Pentecostes, onde, na parte final, analiso a condição, os níveis e a profundidade do evento do perdão)
Cabe acrescentar que, tal vez, projete sua condição no companheiro. Diz o refrão “todo ladrão pensa que os demais sejam de sua condição” e, portanto, sabe como se “comportar”...
Os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo”. Eles manifestam sentimentos em sintonia com os do patrão e tomam atitude. Não caem na indiferença, no desinteresse pela condição do companheiro na prisão, menos ainda pensam que este último queria ser espertinho e enganar a quem devia, e que este, muito esperto, não se deixou enganar...
Tudo isso evidencia o grau de perversão do servidor infiel, como o serviço dele exercitado de maneira incorreta o leva à incapacidade de receber e doar amor.
É a alerta que o Senhor quer transmitir com as últimas palavras di texto. Não conseguir perdoar de coração manifesta uma espécie de corto circuito no crescimento humano e espiritual, que é preciso corrigir quanto antes, antes que seja demasiado tarde.