domingo, 18 de setembro de 2011

26o DOMINGO DO T.C.-A-(25-09-11)


1ª leitura Ez 18,25-28

No entendimento do povo o Senhor è questionado com respeito ao relacionamento entre a responsabilidade individual e a coletiva. No povo o conceito da responsabilidade coletiva era predominante. Com certeza a responsabilidade coletiva é muito importante. Um povo, uma nação, que pretende caminhar na senda da aliança, não pode se eximir ou esquecer as normas e as leis que determinam o cumprimento dela.

Com certeza, a salvação è dom para o povo todo, pois, o agir de Deus abrange a totalidade da coletividade. Contudo, a salvação de um indivíduo não depende dos antepassados, nem de seus parentes mais próximos, como pai e filhos, nem tampouco do seu passado.

È neste contexto que o Senhor afirma “É a minha conduta que não é correta, ou antes, é a vossa conduta que não é correta?”. E segue a argumentação “Quando o justo se desvia (...) ele morre. Quando um ímpio se arrepende (...) e observa o direito e a justiça, conserva a própria vida”. O determinante é sempre a disposição atual do coração.

A condição de justo ou de ímpio não é adquirida de uma vez para sempre. Pode evoluir de um pólo para o outro. É preciso vigiar constantemente, cientes da precariedade da condição humana, sempre sujeita à mudança. Isso significa que a conversão é uma atitude permanente, e exige constante atenção e avaliação para se manter nela.

O primeiro momento do processo de conversão é o sincero arrependimento “Arrependendo-se de todos os seus pecados, com certeza viverá; não morrerá”. Pecado é prejuízo consciente e querido para com o próximo, para com a sociedade e a natureza. É, ao mesmo tempo, transgressão à Lei cuja finalidade é preservar de tudo isso e incentivar o bem e a harmonia. O arrependimento é uma tristeza verdadeira, uma dor sentida por causa do prejuízo e da dor causada.

Daí a firme decisão de não mais cometer o mesmo erro. Portanto, a conversão se concretiza em sair daquela situação e inverter o caminho, tomar a direção contrária. Invertera-se, também, o efeito da morte à vida “com certeza viverá; não morrerá”.

A passagem da morte à vida e ter ganhado a nova condição da existência pela qual a vida refloresce. Ela é acompanhada pela percepção interior da pessoa de ter sido perdoada. que O pecado foi tirado pela comunhão com Deus. Pois, Deus de novo ofereceu o dom da amizade e estabeleceu a comunhão para com ele. Perdão é dom - para, é o dom - o presente- para o arrependido.

Alem disso, como resposta sincera e conveniente cabe a determinação de querer remediar, na medida do possível, o prejuízo causado.

Tudo isso é sinal da nova vida. É a realidade do amor que faz novas todas as coisas,pois, elas se desdobram nos múltiplos aspectos indicados pela segunda leitura.

2da leitura Fl 2,1-11

Tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus”. Na comunidade, entre as pessoas é preciso cultivar no próprio mundo interior a mesma disposição mental de Jesus a respeito à idéia que tem do Pai e da missão que lhe confiou e, por conseguinte, as ações decorrentes.

A característica do sentimento é descrito, a continuação, no famoso hino que resume toda a personalidade de Cristo. (Em comentários anteriores foi explanado o importantíssimo conteúdo). Em síntese, abrange os dois pólos extremos: a máxima descida - “esvaziou-se a si mesmo (...) fazendo-se obediente até à morte, e a morte de cruz”- , e a máxima subida – “Deus o exaltou acima de tudo (...) Jesus Cristo é o Senhor”.

A sintonia com o sentimento é condição para participar da “vida em Cristo” e ter alento no mútuo amor, a comunhão no Espírito, a ternura e a compaixão a serem ativadas e praticadas na convivência caracterizada por aspirar “à mesma coisa (...) e viver em harmonia, procurando a unidade”. Desta forma, o evangelho anunciado por Paulo se torna boa realidade, com muita alegria e satisfação por parte do mesmo “tornai então completa a minha alegria”.

Mas o apostolo, alerta dos obstáculos, das pedras e das dificuldades para atingir o objetivo “Nada façais por competição ou vanglória, mas, com humildade, cada um julgue que o outro é mais importante, e não cuide somente do que é seu, mas também do que é do outro”. Com efeito, competição, vaidade e egoísmo destroem todo correto relacionamento humano e espiritual. É a experiência comum de toda comunidade, onde abriga, o desentendimento, a inveja, o ciúme, a ambição do poder, elas geram condições lastimáveis à convivência humana e são causa da experiência não bem sucedida.

Paulo está muito preocupado pelas condições desfavoráveis das comunidades em termos de manifestação e expressão do que deveria ser a adequada adesão à Cristo. As brigas, os desentendimentos, e outras atitude que nada tem a ver com o estilo de vida cristã e a filosofia do evangelho, mas manifestação e expressão de devem ter preocupado muito Paulo.

E com razão, pois o testemunho é essencial ao fim de transmitir e de passar credibilidade e adesão no mundo pagão circunstante. Daí a constante chamada de atenção à aproximação autentica e verdadeira à pessoa de Cristo, única condição para motivar e sustentar a pratica de vida e a convivência solidaria.

O hino que segue mostra até que ponto e as quais condições deve ser assumidas a atenção e preocupação para com o outro. Não há limite, sempre si agir em nome da verdade e da retidão.

É o que è exigido pelo evangelho.

Evangelho Mt 21,28-32

Jesus se dirige à classe dirigente do povo, “aos sacerdotes e anciãos do povo” e pede uma resposta mais que obvia, para o quesito dos dois filhos: “Qual dos dois fez a vontade do Pai? (...). O primeiro”.

Ela é motivo para replicar a eles que são como o primeiro filho, e, portanto, nunca alcançarão a salvação. Acrescenta, ainda, uma sentencia duríssima aos ouvidos deles “Em verdade vos digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus”. Era simplesmente absurda e desconcertante uma afirmação deste tipo.

Portanto, Jesus procura motivar “Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele”. O caminho de Justiça è o respeito à Lei e as exigências da aliança, pois, João prega um caminho de conversão como preparação à vinda do Messias.

Não se trata do simples cumprimento da lei ao pé da letra, mas do espírito dela que aponta a fraternidade e a todos os valores correlativos a ela. Trata-se da ética da aliança, que sustenta o povo de Deus e o forma como tal. É nela que o povo se identifica como pertencente a Deus, e Deus o reconhece como o seu povo.

À ética, à promessa da iminente chegada do Messias, aderem os cobradores de impostos e as prostitutas, reconhecendo a própria condição de pecadores e a proximidade da vinda do Messias.

“Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele”. Contudo, os sacerdotes e os anciãos se mantiveram desconfiados e indiferentes. É esta incredulidade que Jesus ataca duramente, pela qual não há possível entrada no caminho de conversão, e menos ainda de entender a pessoa do Messias já presente.

Se João está conseguindo a conversão dos cobradores de impostos e das prostitutas, pelo menos, algo de importante e merecedor de atenção está acontecendo. Em virtude disso, cabe deduzir que algo bom está acontecendo e digno de atenção, para enxergar a verdade e a seriedade da proposta de João, sem barreiras preconcebidas.

O motivo da incredulidade não é dito. Tal vez, eles se acham já justos e, portanto, não necessitados de salvação. Conseqüentemente, desconfiam das pessoas, das atitudes e das palavras de João, porque não respondem as expectativa deles, nem são conformes à pratica que eles acham conveniente e oportunas.

Tal vez eles desconfiam, também, da conversão dos mesmos cobradores de impostos e das prostitutas, achando que não tem base nem garantias de firmeza e de seriedade. Tal vez, a conversão deles foi simplesmente oportunidade para evitar a sentencia de condenação para eles já designada.

Desconfiam de tudo e de todo o que não entra nos parâmetros e nas expectativas deles, pois, se acham detentores do que é certo e justo. A argumentação, a pratica, a filosofia de Jesus os deixa incrédulos, mesmo vendo o novo surgindo e as mudanças nas pessoas tidas como pecadoras. Tal vez, elas não cumpriram os rituais e as exigências penitenciais exigidos pela lei mesma, que garantissem a seriedade da conversão.

Tal vez, os sacerdotes e os anciãos não querem passar por ingênuos que facilmente acreditam nas conversões repentinas, sem uma comprovada pratica. Prevalecem neles a suspeita do oportunismo, da esperteza, para enganar os simples, não eles... Em fim, há motivações e conjecturas para desconfiar e ter prudência para com os recém convertidos e com os novos profetas.

Mas o critério apresentado por Jesus é “Qual dos dois fez a vontade do pai?”. A vontade do pai é o pano de fundo no qual se confrontar. Ela consiste em ativar, começar e continuar no processo de conversão. Isso vale seja para os afastados que se aproximam e iniciam, seja para aqueles que já estão nele, pois, o processo não termina nunca. Ninguém pode se achar convertido de uma vez para sempre: a conversão é uma caminhada.

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