terça-feira, 24 de julho de 2012

17mo DOMINGO DO T.C.-B- (29-07-12)

1ª leitura 2 Rs 4,42-44

Esta pessoa que veio de Baal-Salisa oferece a Eliseu as primícias, portanto algo que pertence a Deus. São “pães dos primeiros frutos da terra: eram vinte pães de cevada e trigo novo”. Oferecer a Deus os primeiros frutos do trabalho é reconhecer eles como produto da própria inteligência laboriosidade e responsabilidade, mas também que anterior a tudo isso são dom Deus, que deu e acompanhou que tudo isso acontecesse.

Desta forma a pessoa assume o correto posicionamento de si consigo mesma e perante de Deus, reconhecendo por um lado sua condição de criatura, destinatária do cuidado e do amor de Deus. Por outro lado, ele reconhece a ação e benevolência de Deus para com ela pela atividade desenvolvida e pelos frutos do trabalho.

Valoriza a si mesma não excluindo a Deus em um ato de autossuficiência e, até, de soberba, mas, incluindo Aquele que reconhece como origem de tudo, também de tudo o que ela é e faz.

É um aspecto que hoje não é tomado com a devida consideração, mesmo pelos que acreditam em Deus. Ter cercado o relacionamento com Deus no âmbito da necessidade, do dever, e da troca de favores no horizonte do prêmio ou castigo na vida eterna após a morte.

Ter separado a vida dentro da Igreja, da comunidade, e aquela do dia - a - dia na sociedade como duas realidades que pouco e ou nada tem a ver uma com a outra. Fascinados pelos adiantamentos tecnológicos em todos os campos da modernidade, leva a pessoa a não considerar marcante e significativa a presença e ação de Deus na rotina dos acontecimentos diários.

Assim, as próprias capacidades humanas, a responsabilidade e esforço pessoas, assim como os frutos da própria atividade são percebidos no âmbito das próprias qualidades humanas, desligadas, ou com uma relação muito fraca, do Deus que está nos céus.

Voltando ao texto. Eliseu respondeu “Dá ao povo para que coma”. Notável a imediata ligação entre o oferecimento dos pães a Deus e a preocupação de Eliseu que o povo coma. Assim, compartilhar o pão para com o pobre é oferecer a Deus. Como não lembrar o famoso juízo final de Mateus no qual Jesus afirma “tive fome e me destes de comer”se identificando com o faminto.

Ao servo de Eliseu o pedido soou descabido “Como vou distribuir tão pouco para cem pessoas?”. Efetivamente do ponto de vista humano a perplexidade é sustentável, mas em ajuda vem a palavra do Senhor “Comerão e ainda sobrará”. A graça não substitui o humano, mas o potencializa.

Assim, “O homem distribuiu e ainda sobrou e ainda sobrou, conforme a palavra do Senhor”. Algo parecido se experimenta nas comunidades nos almoços compartilhados. Há comida para todos e ainda sobra.

Parece-me que não é algo casual, mecânico ou de rotina, mas a manifestação da eficácia do sentimento e da preocupação que a ninguém falte o necessário, para fazer do encontro com as pessoas um evento de fraternidade, de comunhão, um antecipação da festa no Reino de Deus, pois a palavra do Senhor orienta tudo a esta meta.

Tudo isso é fruto de colocar os valores e os sentimentos em sintonia com o indicado na segunda leitura por Paulo.

2da leitura Ef 4,1-6

Paulo se autodefine “prisioneiro do Senhor”, pois, aquele que não tem liberdade e vontade próprias, mas daquele do qual está preso. Com uma diferença, que não é por coação ou por imposição contra a própria vontade, mas por amor. O relacionamento com o Senhor é tão profundo, envolvente e gratificante que não há intenção nem vontade de sair ou se afastar dele. É como ser preso.

Desta sua experiência exorta os participantes da comunidade “a caminhardes de acordo com a vocação que recebestes”.Trata-se do chamado para edificar a nova comunidade, como fermento e sal para o novo mundo e a nova criação, antecipação da chegada do Reino último e definitivo que será visível para todo o mundo com o “retorno do Ressuscitado”, no último dia.

Para isso é preciso proceder na comunidade “com toda a humildade e mansidão, suportai-vos uma aos outros com paciência, no amor”. Humildade, mansidão e paciência são virtudes que brotam do amor sincero para o bem dos outros, da comunidade e da humanidade toda.

O amor que procede de Deus cria a unidade na diversidade das atividades e funções, portanto, “Aplicai-vos a guardar a unidade do espírito pelo vínculo da paz”. Acredito que por unidade do espírito entende aquela que é proveniente da dinâmica da morte e ressurreição de Jesus e a conseguinte comunhão com Deus e entre os irmãos no respeito das múltiplas circunstâncias e diferentes culturas, línguas etc.

De fato, é essencial conferir se os resultados da ação pastoral são fruto da fidelidade da ação do Espírito por sintonizar com os sentimentos, a filosofia de vida e a prática de Jesus, que em toda circunstância praticou a dinâmica de morrer aos critérios do mundo para assumir aqueles de Deus, motivado, simplesmente, porque isso iria trazer para todos o resgate á vida plena, a salvação.

Com isso, o que Jesus instaurou não foi uma religião, mas uma dinâmica, um critério a ser aplicado em toda circunstância e nas diferentes culturas, que leva cada pessoa a ser autenticamente ela mesma e, por sua vez, capaz de se doar para que outras façam o mesmo. Assim a boa noticia do evangelho se torna boa realidade de comunhão, fraternidade e solidariedade com todos.

Nesta perspectiva se entende porque Paulo frisa com ênfase que há “um só Corpo e um só Espírito (...) uma só esperança (...) uma só Senhor (...) uma só fé, um só batismo, um só Deus Pai de todos...”. Com outras palavras, uma unidade que o contrário da uniformidade, mas que cada diversidade manifesta a presença destes elementos divinos.

Assim que há experiência “de um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por mio de todos e permanece em todos”, manifestação daquela comunhão pela qual Deus será “tudo em todos”( 1 Cor 15,28), ou seja o reinado de Deus.

É o milagre da união e da comunhão de participar todos da mesma mesa na abundância e alegria do Reino, como testemunha o evangelho.

Evangelho Jo 6,1-15

Para Jesus é um momento de grande sucesso pastoral, pois, “ Uma grande multidão o seguia, porque via os sinais que ele operava a favor dos doentes”. Sinais de cura, de libertação das doenças - do castigo de Deus ou por ser possuídos do demônio - por causa dos pecados, por ter infringido e não respeitado a Lei.

Por outro lado, “ Jesus subiu ao monte e sentou-se aí, com seus discípulos”. O monte é o lugar do encontro, da familiaridade da revelação de Deus. Esta atitude manifesta como se ele estivesse sentado sobre uma cátedra, ensinando, com seus seguidores e muita gente se aproximar para ser ensinados e instruídos.

A continuação vai ter a singular união entre a palavra, que está ensinando e a eficácia dela provocando Jesus do começo ao fim do evento com a pergunta “Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?” e logo Jesus procede para o estrepitoso milagre com os cinco pães e dois peixes, pouco mais que nada, para a multidão.

A multiplicação foi tão deslumbrante e surpreendente que “Recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães, deixadas pelos que haviam comido”. E todos ficaram satisfeitos. Entre a insignificância do início e a magnitude do final ha uma diferença muito grande. Todos ficaram maravilhados e exclamavam “ Este è verdadeiramente o profeta, aquele que devia vir ao mundo”.

Com isso Identificam Jesus como o salvador esperado, aquele cuja palavra è eficaz e produz o que promete em orem ao esperado reino de Deus. Portanto, merece acreditar na sua pessoa e ensino. Terão pensado: se ele faz coisas come esta podemos esperar dele muito mais. Tudo o que desejamos para implantar o reino de paz e harmonia, está no poder dele. Então, reconheçamos a ele como rei, que mande e lhe obedeceremos.

Evidentemente, este pensamento do povo vai à mesma expectativa de quem esperava o mesmo efeito no evento das tentações no deserto : multiplicar os pães, gesto estrepitoso de se jogar da torre do templo e domínio sobre eles com tal que todos tenham paz e comida, sem se ter que preocupar demais uns para com os outros.

Estas características e expectativas do povo, tentação de Jesus, acompanham sempre a atividade pastoral de Jesus. Não são então, mas também hoje os seus discípulos estão continuamente tentados em responder a estas expectativas sem que povo assuma particular atenção compromisso e vontade de se envolver na dinâmica do amor, na prática da justiça e do direito, na filosofia de vida de Jesus. O povo gostaria que ele (s) resolvesse tudo com o próprio poder e força, foge de todo compromisso que imite seriamente Jesus, sobretudo se a perspectiva é a de abrir mão a algo que gosta e de jeito nenhum quer perder.

Jesus percebe isso “Mas quando notou que estavam querendo leva-lo para proclamá-lo rei, Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte” O milagre para os outros se tornou uma tentação para ele, ao ponto que para vencer a sedução deve retornar ao monte - outro lugar do encontro e diálogo com o Pai, como no deserto - para estreitar ainda mais a familiaridade e a intimidade com Ele e não cair na tentação.

Assim o sucesso por um lado, pode se tornar uma tentação pelo outro. A ação pastoral precisa de constante cuidado e verificação, sobretudo no momento que por alguma atividade bem sucedida é facílimo desviar-se , prejudicando até mesmo a própria pastoral.

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