sexta-feira, 5 de março de 2010

Comentário do 5to Domingo da Quaresma-C- (21-03-10)


5to DOMINGO DA QUARESMA-C- (21-03-10)

1ª leitura Is 43,16-21


Este povo, eu o criei para mim e ele cantará meus louvores” O Senhor se dirige ao povo indicando com isso que nasceu Dele e Nele tem sua meta e a finalidade do próprio existir. Estabelecem um relacionamento muito singular de mútua realização, de aperfeiçoamento no amor, de crescimento na qualidade de vida, rumo a novos horizontes. Tratar-se-á da implantação da justiça e do direito na vida do povo, de maneira que a chegada e vivencia na terra prometida produza frutos de paz integral pela qual Deus se sente louvado, não só de boca para fora, mas pelo que isso significa em termos de realização pela da vida do povo. Dizia um grande teólogo, S. Irineu, que “a glória de Deus é a vida do homem, e a vida do homem consiste na visão de Deus”. Com efeito, Deus age e se manifesta para que todos tenham vida em abundancia. Então, o povo manifestará seu agradecimento, sua alegria e cantará o louvor de Deus, pois, corresponde à legitima expectativa Dele.
Mas, quem é este Senhor? É “quem abriu uma passagem no mar (...); que pôs a perder carros e cavalos, tropas e homens corajosos; pois estão mortos e não ressuscitarão, (...) apagaram-se”. É o Deus libertador da escravidão do Egito, que agiu com mão poderosa e braço firme, com determinação, para destruir o mal e o pecado e devolver ao povo a dignidade de homens livres. Deus lembra sua intervenção não para o povo ficar com o pescoço voltado para trás, mas para que não esqueça o positivo da ação Dele em devolver a vida a quem estava sem esperança nenhuma, sem futuro. Daí a exortação do Senhor: “Não relembreis as coisas passadas, não olheis para fatos antigos. Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis?”. A correta atitude para com a memória sustenta a confiança na presença poderosa do Senhor, anima a esperança de saída vitoriosa perante os desafios, as dificuldades do dia- a- dia, reforça os vínculos da justiça, da retidão, da fraternidade e da solidariedade visando o futuro melhor. A alerta é para não ficar presos do passado. Prestar excessiva atenção ao passado, fora do intento pelo qual é dever e positivo lembrá-lo, pode se tornar uma armadilha que oculta, esconde, o novo que está surgindo. Dessa forma, torna impossível reconhecer o atuar de Deus no presente. Daí a surpresa de Deus: “acaso não reconheceis?”. Como! Tornaram-se cegos? Ficaram presos do passado?
Há uma presença e um agir de Deus que não devem ser esquecidos e cujos sinais já estão presentes. É o que configura o motivo da esperança para um futuro diferente “Pois abrirei uma estrada no deserto (...). Hão de glorificar-me os animais selvagens (...) porque fiz brotar égua no deserto (...) para dar de beber a meu povo, a meus escolhidos” Portanto, o texto explicita que o Deus libertador do povo continua estar presente e atuante no meio dele. Com isso, Deus levará à plenitude o projeto Dele a favor da humanidade que, implantado no direito e na justiça, alcançará a plenitude de vida. É a mesma plenitude de vida de Deus que O motivou à criação do povo destinando-o á comunhão Consigo, como povo que “eu criei para mim e cantará meus louvores”.
É um texto muito positivo, cheio de esperança, de motivaç1ão, para continuar caminhando nas indicações do Senhor. Convida olhar para frente, participando da mesma visão, da mesma motivação e da mesma esperança, embora as dificuldades, as provações e os limites incentivem o desanimo, a vontade de voltar para trás e de desistir do caminho.
São Paulo encontrou todo o positivo deste texto na pessoa de Jesus, como comentaremos na segunda leitura.


2da leitura Fl 3,8-14


São Paulo vê perfeitamente realizado em Cristo o conteúdo do versículo 19 da primeira leitura: “Eis que eu farei cosas novas, e que já estão surgindo” a partir da experiência transformadora dele na entrada da cidade de Damasco e da caminhada que, a partir dela, desenvolveu. Para ele aquele encontro significou “que foi alcançado por Cristo” de uma vez para sempre e sem retorno. Foi uma experiência transformadora porque com ela entendeu o significado e a importância do evento da Páscoa, da morte e ressurreição de Jesus. Em virtude da Páscoa Jesus se tornou Cristo, ou melhor, Jesus Cristo, ou seja, o Jesus humano Ungido, a humanidade dele é preenchida, aperfeiçoada e transformada pelo Espírito Santo que o resgata da morte, tal significa o termo “ungido”.
Esta experiência suscitou nele o desejo de “ganhar Cristo e ser encontrado unido a ele". Vale frisar a singularidae da afirmação. Paulo, por um lado, “foi alcançado por Cristo” e, ao mesmo tempo, deseja ganhar quem do qual foi alcançado: Ganhar o que já ganhou, para nunca perdê-lo! Tudo isso tem sua consistência no fato que, pelo evento da morte de ressurreição de Jesus, ele se sentiu justificado perante Deus Pai: “não com minha justiça (pelo cumprimento da lei de Moises),mas com a justiça por meio da fé em Cristo, a justiça que vem de Deus, na base da fé”.
Em que consiste exatamente essa justiça justificadora, Paulo o explica nos versículos 10 -11 que vamos analisar.
-“Esta (a justiça) consiste em conhecer a Cristo” Não é conhecimento simplesmente de cabeça, intelectual. É ser instruído, é compartilhar, é caminhar juntos, é praticar o estilo da vida e entender a pessoa e o sentido da missão de Cristo. É uma vivencia.
-“Experimentar a força da sua ressurreição” A vivencia leva à experiência. Assim, Paulo experimentará que a ressurreição de Cristo é, ao mesmo tempo, a ressurreição dele. (Cabe especificar que Paulo não foi do grupo dos apóstolos. Contudo, foi um homem muito reto, responsável, praticante dos valores éticos propostos pela Lei. Foi zeloso e rigoroso na vivencia do correto temor de Deus. Tudo isso, desembocou na experiência do ressuscitado, na entrada da cidade de Damasco.) Ressurreição da qual entendeu perfeitamente o significado: a vitória sobre o mal e o pecado. E, ao mesmo tempo, Jesus o estava representado (a ele e a humanidade toda) perante o Pai. Percebeu a conseqüência de todo isso: a libertação do mal, o perdão do pecado, ser criatura nova a condição de aceitar, se dar voto de confiança, ao dom oferecido gratuitamente. Pude, dessa forma, experimentar a “força da ressurreição” de Cristo pela fé e, conseqüentemente, se sentir justificado pela “ justiça que vem de Deus”.
-“ficar em comunhão com os seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na sua morte” O efeito é a comunhão de vida, inclusive na resistência, na luta, contra o mal e o pecado que acarreta sofrimentos. Com efeito, com a morte e ressurreição o mal e o pecado são vencidos e destruído em Cristo. Mas, no mundo continuam como anteriormente. Só a comunhão com e em Cristo será condição de vitória sobre os mesmos. Portanto,“ Tornando-me semelhante a ele ( Cristo) na sua morte” significa tomar aquela atitude pela qual, dirá o mesmo Paulo na carta aos Gálatas, “ eu me glorie somente da cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo. Por ele, o mundo está crucificado para mim, como eu estou crucificado para o mundo”.
- “ para ver se alcanço a ressurreição dentre os mortos”. Pois, a comunhão de vida, de luta, é também a comunhão de destino: a ressurreição dentre os mortos que se manifestará com a vinda do ressuscitado no final dos tempos. Sem aprofundar mais, vale dar um toque sobre quem são esses “mortos”. Não são somente, diria nem primeiramente, os que comumente pensamos, mas os que Jesus aponta, respondendo ao jovem que queria enterrar o pai antes de seguir a Ele “deixa que os mortos enterrem a seus mortos”. Neste caso, Jesus abre uma janela para entender que a ressurreição já está presente e atuante nos que O seguem e anunciam o Reino.
Não que já tenha recebido tudo isso, ou que já seja perfeito” "
. Paulo participa da realidade de Cristo e da justificação de Deus Pai, mais, ainda, não plenamente. Percebe que vida dele mudou radicalmente, mas, ainda, não alcançou a perfeição que deveria. É a condição humana: estamos entre o “já” e o “ainda não”. Daí a conseqüência “ corro para alcançá-lo, visto que fui alcançado pro Cristo (... ) não julgo tê-lo alcançado (...) eu me lanço para o que está na frente. Corro para a meta, rumo ao premio, que, do alto, Deus me chama a receber em Cristo Jesus”
Eis, então, o sentido da vida e a meta da existência. Já temos o presente da libertação do mal e do pecado, em virtude do qual somos reestruturados interiormente como novas criaturas; já ,pelo dom dos efeitos da morte e ressurreição de Jesus, somos justificados perante o Pai. Por isso que Paulo afirma: “Considero tudo como perda (...) como lixo. Por causa dele eu perdi tudo (...) para ganhar Cristo e ser encontrado unido a ele”. Contudo, a meta da existência está na frente. É trabalhar o dom, passá-lo para outros, para os 6,5 bilhões de pessoas do planeta, para que o encontremos como premio, com a vinda do Ressuscitado no fim dos tempo.
É nesta contesto que se encaixa o evangelho.


Evangelho Jo 8,1-11


Depois de ter passado a noite em oração no monte das Oliveiras, de madrugada no Templo “Todo o povo se reuniu em volta dele. Sentando-se, começou a ensiná-los” Cabe pensar que neste tempo de solidão no monte, Jesus tenha percebido e elaborado n próprio mundo interior o que se manifestará a continuação tão grande foi o impacto sobre os ouvintes e o significado da atitude de Jesus.
Os fariseus, de propósito “ Perguntavam isso para experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar”. Colocam Jesus na encruzilhada, num beco sem saída, pois, a lei era inviolável, era manifestação da vontade da Deus e caminho para toda pessoa sinceramente a fiel a esta vontade. Impensável transgredi-la para todo homem que pretendesse se acreditar como Messias e, ainda mais, como Filho de Deus.
Misteriosa, não sei como entender, como explicar, a atitude de Jesus “ mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão”, e repetiu a mesma atitude após a resposta aos fariseus. Não que dar atenção? É uma maneira de desvalorizar a impetuosa e ambígua atitude deles? Tal vez.
A resposta surpreende a atinge a todos “a começar pelos mais velhos”, por evidentes razões. Mas, mais importante é o diálogo e a resposta à mulher “ Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”.
Parece-me que o “Eu” é expressão da vontade do Pai, com a qual sintonizou no monte das Oliveiras a noite anterior . “Eu”, não condenatório, mas oferecedor da chance de refazer a própria vida se afastando do comportamento errado. É dar oportunidade ao novo de surgir, mais já presente (1ª leitura) na não condenação. A não condenação poderá se tornar expressão de perdão pelo abandono do caminho que não condiz com as palavras e atitude de Jesus.
Será que a mulher não voltou mai ao pecado? É experiência de todos voltarem “ao próprio vomito”, ao próprio pecado, depois de ter sido lavados e perdoados. Mesmo tivesse voltado, ressaltaria ainda mais a grandeza da atitude e das palavras Jesus e do amor do Pai: Oferecer a chance, sem condição nenhuma de retorno. É, também , a nossa experiência: ser perdoados, receber o perdão sem condição nenhuma por parte de Deus... Só Deus pode agir dessa maneira!

2 comentários:

  1. Querido Padre João Luis, estou postando não um comentário, mas sim um aviso: nasceu o filho de Marcelo e Thaís. Todos estamos muito felizes, pois nasceu saudável e, mãe e filho passam muito bem. O e-mail do Marcelo é: limarcelo@yahoo.com.br. Criei um post para a nossa banda e seus amigos (e o senhor é nosso amigo muito especial!): blogdabandaterrasanta.blogspot.com. Outra coisa: não sei ainda como postar em seu blog, só colocar comentários... Espero que o senhor esteja gozando de boa saúde e muita alegria. Um grande abraço, Roberto Maia.

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  2. Padre desculpe-me, mas esqueci de avisar também que enviei para seu e-mail a nova música da Banda para sua apreciação e comentário. O nome da música é: O agir de Deus.

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