segunda-feira, 11 de outubro de 2010

29o DOMINGO DO T.C.-C-(17-10-10)

1ª leitura Ex 17,8-13

Escolhe alguns homens e vai combater contra os amalecitas. Amanhã estarei, de pé, no alto da colina. Com a vara de Deus na mão”. Após a libertação do mal e da escravidão do Egito, e no caminho à terra prometida, há lutas que devem ser enfrentadas. Não é possível para o povo eleito evitá-las ou contorná-las. Fugir ou voltar atrás seria renegar a ação libertadora do Senhor, desconfiar da sua presença na caminhada do dia-a-dia e não acreditar ma promessa de entrar na terra prometida, ponto final do plano de Deus a favor da libertação definitiva do povo eleito.
Não é difícil fazer o paralelismo com a nossa condição de cristãos. Libertados do poder do mal no batismo e no caminho para fazer acontecer o Reino de Deus no dia- a- dia, como antecipação do Reino definitivo que será implantado com a vinda do ressuscitado no fim dos tempos, encontramos inúmeros “amalecitas” no nosso mundo interior, na comunidade e na sociedade que atrapalham e pretendem travar o caminho.
É preciso determinação, ir à luta! “Josué fez o que Moises lhe tinha mandado e combateu os amalecitas”. O combate faz parte da vivencia da libertação do mal, necessário para se manter nela e desenvolver ulteriormente a graça, o dom, da condição oferecida por ela. Não é só se defender, mas oportunidade para crescer.
Há um segundo aspecto: a importância da oração intercessora. A luta deve ser acompanhada e sustentada pedindo continuamente auxílio a Deus na oração. “Moises, Aarão e Ur subiram ao topo da colina”. O monte, a colina, é o lugar do encontro com Deus, o espaço onde se cultiva a familiaridade com Ele. O monte, o espaço, vai além da conotação geográfica, pois, é o coração de cada pessoa.
E, enquanto Moises conversava a mão levantada, Israel vencia; quando abaixava a mão, vencia Amalec”. O sucesso da batalha depende da oração insistente e perseverante. A oração é o elo de comunhão entre Deus e seu povo. Pela oração Deus é reconhecido e invocado como Senhor que caminha com o seu povo, que o acompanha quando este cumpre a vontade dele, que é reconhecido como guia para valer.
Assim, a causa de Deus e a causa do povo são uma mesma realidade. Então, há um relacionamento simbiôntico entra Deus e seu povo em virtude do qual os dois, Deus e o povo, crescem na qualidade de vida. A oração é como a manifestação do casamento ente os dois, em virtude da qual se tornam uma realidade só no respeito das diferenças específicas.
A falta de oração é tida como afastamento, separação, ou pior a ruptura, causa de prejuízo para os dois. Não só para o povo enquanto experimenta o prevalecer do inimigo, mas também para Deus que vê seu povo eleito derrotado e humilhado. Como o pai, o Senhor, fica atingido quando o filho sofrer circunstâncias lastimáveis.
Eis, então, a firmeza, a insistência e a perseverança nela além de todo limite humano, com a ajuda de todos os meios humanos a disposição, no momento em que a prática da oração se torna particularmente pesada “Ora as mãos de Moises tornaram-se pesada. Pegaram uma pedra (...) um de cada lado sustentavam a mão de Moises”. É importante ter ciência que, no cultivo da intimidade e familiaridade com Deus, a ajuda d outros é decisiva. Só ter a humildade de se deixar ajudar.
A consciência a as atitudes convenientes são o fruto amadurecido do que são Paulo exorta na segunda leitura.

2ª leitura 2Tm 3,14-4,2

O texto é uma exortação de todo coração, com o ímpeto e a convicção de quem sabe o que está falando e a importância para a evangelização e a pessoa envolvida e identificada nisso. Em primeiro lugar recomenda “Permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade; tu sabes de quem o aprendeste”. A vida não pode ser alicerçada senão na verdade. Paulo convida Timóteo, também, a considerar de quem apreendeu a verdade, pois, de jeito nenhum pode ser olvidado, colocado de lado, ou desconsiderado. Há pontos firmes irremovíveis e irrenunciáveis que conformam a verdade.
Um dele é a Sagrada Escritura “Desde a infância conheces a as Sagradas Escrituras”. Evidentemente, se refere ao Antigo Testamento, pois, o Novo ainda não existia. (Existia a vivencia das comunidades e textos soltos e espalhados, não a redação que conhecemos dos 27 livros do N.T.). Cabe especificar que o termo “conhecer” não se refere simplesmente ao aspecto intelectual, mas ao experiencial conjuntamente. Conhecer é uma atividade da inteligência que puxa para a experiência, e, no entanto, é uma experiência que ilumina a inteligência. Nesse sentido se percebe a força da indicação: “elas (as Escrituras) têm o poder de te comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Cristo Jesus”. A salvação é uma experiência.
Toda a Escritura é inspirada por Deus”. Parece-me oportuno especificar a inspiração da Escritura em ordem à salvação. Com outras palavras, ela indica caminho e meios de salvação em um determinado contexto geográfico, histórico, cultural e social. Não pretende ser um texto de história, de geografia, de ciências humanas, nem considerar inspirados todas as referencias necessárias a estes aspectos. Todos sabem que, em virtude disso, não podemos tomar os textos bíblicos ao pé da letra. Precisa-se de inteligência iluminada da experiência da “salvação pela fé em Cristo”.
Nesse pano de fundo, então, a Escritura é “útil para ensinar, para argumentar, para corrigir e para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e qualificado para toda boa obra”. Educar na justiça de Deus que o discípulo experimentou em si mesmo, pela fé nos efeitos da morte e ressurreição de Jesus. Efeitos que se manifestam nas atitudes pessoais de perfeição e na qualidade do serviço.
Eis, então, a firme exortação: “eu te peço com insistência: proclama a palavra, insiste oportuna e inoportunamente, argumenta, repreende, aconselha, com toda a paciência e doutrina”. Proclama a Palavra! É o anúncio público e solene tão importante e decisivo pela pessoa e pela humanidade que, mesmo oportuna o inoportunamente, não pode ser adiado. No entanto exige séria preparação bem fundamentada com argumentações sólidas e capacidade de entender a situação, para oferecer orientações apropriadas. Paulo, conscientes das dificuldades de compreensão e de aceitação por parte dos ouvintes acrescenta “com toda paciência e doutrina”. Evangelizar eficazmente é o produto acabado de ciencias e atitudes que tem como eixo uma fé sólida da qual o evangelho mostra as características.

Evangelho Lc 18,1-8

A finalidade do relato é mostrar “a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir”. Sempre e não desistir, duas indicações de grande importância porque na prática da oração, devido às dificuldades de vario tipo, nem sempre a pessoa é constante e fiel como deveria de ser, e, mais ainda, muitos desistem dela por não ter o retorno esperado.
Na parábola é apresentado um sujeito- o juiz- decididamente centrado sobre si mesmo, auto-referencial, ao qual a viúva se dirige com insistência “Faze-me justiça contra o meu adversário!” até aborrecê-lo e conseguir o que pedia. A viúva não tem nenhum peso social, era entre as categorias de pessoas mais expostas à exploração e ao abandono, um sujeito socialmente insignificante. Contudo, a insistência dela consegue o que espera de quem nada espera dela, nem se sente em obrigação a atender, se não for pela insistência agressiva “Vou fazer-lhe justiça, para que não venha a agredir-me”.
O ensino é evidente e Jesus mesmo o explicita “Escutai o que diz este juiz injusto. E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? Será que vai fazê-los esperar? Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa”. Deus não é surdo, não é indiferente nem ausente. Pelo contrário, manifesta pronta atenção e cuidado primoroso. Em virtude disso, a pessoa pode confiar que os seus pedidos serão atendidos.
Surpreende a conclusão: “Mas o Filho do homem- Jesus Cristo ressuscitado- , quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?”. A duvida de Jesus faz pensar que o desanimo e a desconfiança das pessoas prevalecerão. Jesus sabe de antemão que os homens insistem em pedidos que não tem a ver com a vontade de Deus, com a ação do Espírito Santo para o melhor desenvolvimento da missão evangelizadora. Sabe que os pedidos são, pelo menos na grande maioria egocêntrico, senão egoístas, voltados para resolver apertos imediatos próprios ou de amigos e parentes, sem nenhuma projeção além deste restrito círculo.
Se ele não atende aos pedidos não é por ma vontade ou por desinteresse, mas eles fogem do verdadeiro bem de Deus por nós, ou seja, a aquisição de uma mentalidade, de uma filosofia, de um estilo de vida, em sintonia com a plena realização humana e espiritual que, necessariamente, abrange pessoas e circunstâncias além do próprio circulo. Portanto, ou pedido é errado, no sentido que está fora do horizonte da vontade de Deus, ou é incompleto, ou seja, carente de algo essencial, razão pelo qual não pode ser atendido.
Nesta ótica, o não atendimento, é convite a reavivar a confiança em Deus em nome da fidelidade Dele ao pacto de amor e da Aliança para com cada pessoa e a humanidade, assim como perceber as alternativas possíveis ao pedido tendo que mudar, tal vez, o conteúdo do mesmo.
Jesus sabe que não é simples se manter nesta perspectiva, precisa-se de amor-confiança a toda prova, algo tão inabalável como foram as atitudes dos grandes homens e mulheres da Bíblia. Daí que o toque final do evangelho soa como uma alerta, de se dispor a lutar a própria conversão em si mesmo e contra si mesmo e manter a plena e completa confiança em Cristo.

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