1ª leitura Is 2,1-5
“Acontecerá, nos últimos tempos”. O texto pretende apontar o aproximar-se do momento último e definitivo da historia, caracterizado pela intervenção de Deus. Convida dirigir o olhar à meta, para o povo esperar e já se aproximar a ela de maneira conveniente. A meta é simbolizada pelo “monte da casa do Senhor”.
Para o hebreu a casa do Senhor, o templo, era o centro do mundo, ou melhor, o umbigo do mundo que liga céu e terra. O lugar mais santo di templo, onde só o Sumo Sacerdote entrava - não sem temor- uma vez por ano para o rito da expiação dos pecados, era o lugar onde Deus apoiava seus pés.
O fato de estar “firmemente estabelecido no ponto mai alto do monte e dominará as colinas” passa a idéia de uma realidade estável, permanente, que se impõe a todos e a tudo- as colinas- por sua visibilidade e força. Com outras palavras, se manifestará o mistério de Deus e do reinado Dele sobre a sua criação, que abrangerá tudo e todos.
Esta manifestação será como o imã, pois, ao templo “acorrerão todas as nações (...) para que ele nos mostre seus caminhos e nos ensine cumprir seus preceitos”. Faz parte da consciência do povo de Israel sua missão universal de reunir todos os povos sob a lei do único Deus. Portanto, ele carrega sobre si mesmo esta responsabilidade, testemunhando o cumprimento d a Aliança e convidando os outros povos a reconhecerem a presença do verdadeiro Deus, para que a glória do Mesmo se manifeste em toda sua realidade salvadora. Daí a consciência de superioridade com respeito aos demais povos.
“Porque de Sião provém a lei e de Jerusalém, a palavra do Senhor”. Nos últimos tempos, a lei e a palavra do Senhor se manifestarão em toda sua potencialidade, como indicado acima. Más ela já está presente no patrimônio do povo eleito. O que acontecerá no será surpresa de algo totalmente desconhecido e inesperado. Pelo contrário, o povo reconhecerá o cumprimento da promessa, a bondade do caminho da Aliança. A conclusão será que valeu tomar a serio e investir seriamente nelas.
Eis, portanto a exortação final “Vinde, todos da casa de Jacó, e deixemo-nos (hoje) guiar pela luz do Senhor”. Portanto, ter ciência da singular ligação entre presente e futuro oferece sentido e motivação à vida do povo e das pessoas, com respeito ao cumprimento da Aliança com Deus estabelecida após a libertação do mal e da escravidão do Egito, selada no Sinai por Moises e portadora da Promessa de uma nova humanidade, onde reinará, com todas suas múltiplas características, a paz universal.
Devido ao desrespeito das exigências da Aliança, aos múltiplos pecados do povo, a paz universal está longe de ser implantada. Contudo, será “nos últimos tempos” que Deus, com sua intervenção última e definitiva, julgará as nações e argüirá numerosos povos. Estes “transformarão suas espadas em arados e suas lanças em foices: não pegarão em armas uns contra outros e não mais travarão combate”.
Portanto o tempo de Advento, à luz do evento final, é tempo da espera, participação na glória da plena comunhão com Deus e motiva já antecipar no presente os efeitos deste futuro, por meio da conduta moral coerente.
É o que Paulo incentiva na segunda leitura.
2ª leitura Rm 13,11-14
São Paulo já falou longamente nesta carta da obra salvadora de Deus por meio do seu Filho Jesus e afirmou que ela continua a realizar-se agora. Portanto, convida os cristãos à conscientização deste momento “Vós sabeis em que tempo estamos” e assumir atitude conveniente “pois, já é hora de despertar. Com efeito, agora a salvação está mai perto de nós do que quando abraçamos a fé”. Paulo não precisa a causa da alerta, da necessidade de despertar. Tal vez, seja pela pouca atenção, pela distração, por não perceber o alcance e a amplitude da salvação etc.,
Viver o presente como momento favorável da salvação, fruto da fé na obra realizada por Jesus nos eventos da Páscoa, faz perceber que “A noite já vai adiantada, o dia vem chegando”. Com outras palavras, a noite da injustiça, do mal em todas suas múltiplas expressões, vai deixando espaço à luz do novo dia que está cada vez mais próximo. Percebe-se a esperança como realidade concreta e de indiscutível atualização, que vai cada vez mais se aproximando, como o dia que vai chegando vencendo a noite.
Eis, então, a exortação: “despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da luz”. Aproximar-se da luz pede ao cristão o comportamento ético, que se concretiza na vigilância por um lado e em fazer as obras da luz pelo outro. É preciso determinação e colaboração ativa para que o processo da passagem da treva à luz se consolide oportunamente.
A exortação toma realisticamente em conta a possibilidade do processo se estancar, ou até de retroceder. Pois, as seduções, os desânimos, as provações e as dificuldades de todo tipo acompanham o dia - a – dia da vida do cristão. Sem determinação e firmeza de caráter na luta para conseguir o que se enxerga, o processo não chegará ao seu fim. Com efeito, toda ação salvadora de Deus pede a colaboração e o consentimento ativo da pessoa, ou da comunidade à qual se dirige. De braços cruzados e passivamente, nunca chegará o novo dia.
Daí as indicações concretas “Procedamos honestamente, como em pleno dia” como se já estivéssemos na plenitude da luz. Este “como” é particularmente importante, pois o cristão não está na plenitude da luz, só a enxerga que vai chegando. Contudo, deve se comportar como se já estivesse nela... Isso é possível pela fé, pois, a carta aos Hebreus a define “uma maneira de já possuir o que se espera”. Portanto, é preciso antecipar as atitudes e os comportamentos próprios de quem já possui o que espera. É singularíssimo tudo isso, com certeza, mas faz parte do dom que vai chegando. Ele motiva e qualifica o compromisso, a vontade e o esforço de sustentar a luta contra as trevas.
Trevas que são acolhidas por quem não se afasta das atitudes quais “nada de glutonarias e bebedeiras, nem de orgias sexuais e imoralidades, nem brigas e rivalidades”. Elas conformam o processo de retrocesso e, portanto, a negação da luz e da esperança .
“Pelo contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo”, pois, o modelo é Ele. Convida a ser autênticos representantes de Cristo, se despojando do homem velho, para assumir a novidade que traz a identificação com a pessoa de Cristo e sua missão.
Manter tudo isso é a missão de todos os dias de quem sabe vigiar sobre si mesmo e discernir o tempo presente e futuro.
Evangelho Mt 24,37-44
Jesus faz referencia à manifestação de sua vinda “A vinda do Filho do Homem”, - com este termo se refere a si mesmo - que acontecerá quando a historia e a criação chegar ao seu ponto final. Cabe perguntar: este momento se refere a lago cronológico, a um futuro que será determinado pelo tempo do relógio que parara de marcar o seu decorrer? Será um tempo de plenitude, no qual a existência da pessoa e da criação alcançará a sua plena potencialidade de viver o Amor como comunhão dinâmica com o Deus da Vida. Nesse sentido será algo que não necessariamente excluirá o tempo cronológico?
Penso nisso porque um futuro que sempre foge a totalmente alheio à dimensão temporal e espacial é um futuro frustrante que não existe nem pode existir, é um futuro que só deixa como um vazio e, portanto, não interessa se não for ao momento que se faz presente, e, portanto, deixa de ser futuro. É um futuro futurível ou simplesmente a expressão de algo que se chama tal só porque está na frente como idéia, como possibilidade, ou seja, simplesmente em contraposição ao presente, não tendo atinência com o hoje?
A referencia à historia de Noé, na qual as pessoas “nada perceberam até o dia em que Noé entrou na arca”, diz respeito à intervenção que surpreendeu a todos, mas não a Noé que, pelo contrário, foi feito participe desse futuro com anterioridade. Haverá pessoas que não percebem e outras muito conscientes do que irá acontecer. O futuro para uns e para outros é bem diferente... Para os primeiros é incógnito e simplesmente vivem o presente com o que lhe é próprio “todos comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento”. Para outros é o futuro de Deus, pertence a Deus e àqueles que lhe pertencem pela fé. Esse futuro é teológico que, tal vez, não exclui o temporal, mas, com certeza, será reassumido e reelaborado pela intervenção de Deus.
É o que mostra a continuação “Dois homens (...) um será levado e outro deixado. Duas mulheres (...) uma será levada e outra deixada”. Não diz o critério da escolha, simplesmente afirma que a intervenção atingirá tudo e todos indistintamente. Com isso passa a idéia de que tudo e todo serão atingidos de uma maneira ou outra, inclusive o tempo cronológico, o tempo qualitativo ou os dói juntos...
“Portanto, ficai atentos! Por que não sabeis em que dia virá o Senhor... Porque na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá”. Pois, se as pessoas que sabem da hora da chegada do ladrão se preparam e vigiam para não ficarem surpreendidos e prejudicados, quanto mais àqueles que desconhecem quando da hora da chegada, mas tem a certeza que chegará!
“Por isso, também vós ficai preparados” ao Novo Natal, como quem sabe o que estão esperando e o alcance da vinda Dele. A primeira vinda e a saída do mundo de Jesus são prelúdio e garantia da segunda vinda dele como Ressuscitado. O Natal passado é motivo para lembrar e dirigir o olhar e o coração ao último e definitivo Natal que celebramos com anterioridade, na esperança e na certeza de fazer parte da plenitude do novo nascimento antecipado no batismo.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
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