quarta-feira, 10 de novembro de 2010

33o DOMINGO DO T.C.-C-(14-11-10)

1ª leitura Ml 3,19-20ª

Virá o dia (...) esse dia abrasador”. Estando em proximidade do final do ano litúrgico os textos apontam ao fim do mundo, sinalizado como “o dia” que virá. Eles indicam a meta, o ponto final da história, da humanidade, do universo e de cada pessoa. Indicação de grande importância, pois, só conhecendo o ponto de chegada pode-se ter clareza e segurança com respeito ao caminho. Jesus dirá “Eu sou o caminho” (Jo 10,6), exatamente porque indica com clareza a meta com a entrada na glória da qual tivemos testemunho com sua morte e ressurreição.
Também há outra consideração importante com respeito a esse “dia”. A meta, o fim último, é sempre o primeiro na intenção e o último a ser realizado. De fato, o que motiva a ação é o fim que se pretende atingir, sem esse fim se caminha a toa, sem saber por que caminhar e aonde ir... Portanto, do ponto de vista de Deus, a história começa do fim, da meta, que no específico do relacionamento de Deus para com ela, já está presente e reprisa o passado, pelos efeitos da presença Trinitária, manifestada com a vida paixão morte e ressurreição de Jesus.
Será um dia “abrasador como fornalha”. Imagem assustadora, motivo de grande pavor pelo qual muitos preferem remover, nem pensar nessa circunstância, nesse evento. Ao mesmo tempo, toda catástrofe natural suscita a pergunta se ela não é um sinal pré-monitor desse evento final...
Contudo, essa “fornalha”, esse fogo “abrasador” lembra a sarça, a chama de fogo, do chamado de Moises; o fogo do amor no qual Jesus deseja que arda, pelo efeito da entrega Dele; o forno onde profeta Daniel foi jogado com os seus companheiros por ordem do rei e do qual saiu incólume... Atrais da imagem aterradora há um significado de chamado, de amor, de purificação.
Ele será motivo para discernir os justos dos ímpios. “todos os soberbos e ímpios serão como palha (...) haverá de queimá-los (...) tal que não lhes deixará raiz nem ramo”. Os soberbos, os auto-refernciais, os ímpios que conscientemente rejeitaram toda atenção e referencia ao Deus de Israel, que renegaram a Aliança experimentarão o fogo purificador.
Parece-me que mais do que o castigo, merecido, indica a última oportunidade de conversão. Pois, tomando consciência de que não ficou nada da soberba e da impiedade deles, “nem raiz nem ramo”, a percepção do fracasso total de suas atitudes se tornará algo tão humilhante e desconcertante que terá o efeito de uma fornalha purificadora. A humildade de reconhecer isso será a última e definitiva possibilidade de conversão.
Diferente será a experiência dos justos “Para vós, que temeis o seu nome, nascerá o sol de justiça, trazendo salvação em suas asas”. Refere-se àqueles que cultivaram pela fé o correto relacionamento de obediência no amor, na prática das atitudes coerentes com a realidade do povo eleito libertado da escravidão do mal (o Egito), da Aliança estabelecida no Sinai e confiantes que a promessa de Deus se cumprirá. E agora, estão comprovando a verdade de tudo isso: nasce o sol da justiça, trazendo a salvação. Em fim, valeu confiar, amar e esperar, contra toda esperança.
A atitude dos justos se manifesta de maneira muito prática e concreta. Uma delas é o que aponta a segunda leitura.

2ª leitura 2Ts 3,7-12

Em Tessalônica havia alguns que, com o pretexto da iminente vinda do Senhor, viviam à custa dos outros, alienados das realidades terrenas. Com um toque de ironia descreve a condição deles: “Ouvimos dizer que entre vós há alguns que vivem à toa, muito ocupados em não fazer nada”.
A iminente vinda do Senhor não dispensa de assumir as exigências do tempo presente com bom senso e sentido de responsabilidade, como é a ocupação no trabalho para a própria sustentação, bem sabendo que o direito o dispensaria “ Não que não tivéssemos direito de fazê-lo, mas queríamos apresentar-nos como exemplo a ser imitado”.
O esforço do trabalho cotidiano é um reflexo da dimensão do respeito e do amor para com os iramos. É para “não sermos pesados a ninguém”. Mas de atenção ao direito, prevalece atenção às condições precárias dos irmãos, que deveriam suportar uma situação pesada do ponto de vista financeiro. A espera do último e definitivo deveria os tornar mais sensíveis e atentos às situações humanas e contingentes dos irmãos e se deixar guiar pela caridade para com eles.
É o contrario do que está acontecendo em alguns deles. Daí, então o posicionamento do apóstolo “ Quem não quer trabalhar, também não deve comer”. Em positivo, coloca si mesmo como referencia “deveis seguir o nosso exemplo, pois não temos vivido entre vós na ociosidade”. É o convite ao bom senso. Nesse sentido ele faz parte de quem entendeu corretamente o significado do último e definitivo oferecido pela morte e ressurreição de Jesus e de sua vinda que, naquele tempo e circunstância, era tido como iminente. O futuro glorioso, não dispensa do amor sincero e eficaz no presente, pelo contrário o exige.
Eis, então, e exortação final “Em nome do Senhor Jesus Cristo, ordenamos e exortamos a estas pessoas que, trabalhando, comem na tranqüilidade o seu próprio pão”. Ao mesmo tempo, é dignificado o trabalho honrado e finalizado à própria sustentação. Assim mesmo é reprovada toda ociosidade e atividade exploradora, enganadora, não ética que significaria a prática da injustiça e uma carga pesada para outros.
O momento da vinda do Ressuscitado fica segredo na vontade de Deus pai. Ninguém sabe. Jesus mesmo afirmou de ignorá-lo. Contudo, o evangelho oferece umas indicações que alertam sobre possíveis enganos e como viver este tempo de espera.

Evangelho Lc 21,5-19

Algumas pessoas manifestam o próprio orgulho pela beleza e grandiosidade do templo de Jerusalém centro da atividade religiosa e política da Nação. Jesus disse: “Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído”. Não é difícil imaginar o constrangimento, o assombro dos ouvintes que se apressam em perguntar “Quando (...) e qual vai ser o sinal”. Deixando de lado o evento histórico da destruição de Jerusalém que acontecerá por obras dos Romanos, com a XII legião de Tito no ano 70 ao qual este texto parece se referir, Jesus indicando que não ficará “pedra sobre pedra” coloca em evidencia que depois de tal evento não será possível reconstruir o passado como seria recolocar as pedras no mesmo lugar e na mesma posição de antes, pois, elas serão separadas de maneira tal que não será possível recompô-las. Ou seja, começará um tempo novo: novo céu e nova terra. Não outro céu e outra terra, mas este céu, esta terra totalmente renovada e transformada.
Acredito que Jesus se refere à vinda ultima e definitiva Dele, após sua morte e ressurreição. De fato, ao respeito, alerta contra o possível engano “Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome dizendo: Sou eu! E ainda: O tempo está próximo! Não sigais essa gente!”.
Acrescenta aqueles sinais que no entendimento geral são premonitórios do fim dos tempos: “guerras e revoluções (...) um pais atacará outro (...) terremotos, fome, pestes coisas pavorosas e grandes sinais serão vistos no céu”. O engano apontado pelo Senhor consiste em dar credito, em buscar, nesses fenômenos de coisas comuns e terrificantes, que não faltarão no decorrer da história e, também, nas nossas pequenas experiências pessoal, mas que na realidade não dizem nada ao respeito.
Estes eventos pavorosos testemunham a necessidade da intervenção última e definitiva de Deus para implantar definitivamente a realidade do Reino com as características que lhe são próprias. Haverá uma transformação radical. Assim, o sinal do cumprimento de tudo isso não está nos eventos extraordinários e pavorosos, mas na experiência pessoal sempre mais exigente em ordem ao testemunho.
Antes, porém, que estas coisas aconteçam”. Jesus convida colocar a atenção sobre o hoje, o dia -a- dia, e enfrentar devidamente os eventos terrificante e pavorosos que acompanham a testemunha; “ sereis presos e perseguidos (...) levados diante de reis e governadores (...) entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos,parentes e amigos. E eles matarão alguns di vós. Todos vos odiarão por causa do meu nome”.
Acredito que se posicionar corretamente é propedêutico para perceber a certeza da vindoura última e definitiva intervenção de Deus sobre uma realidade. Esta última, bem se mantendo dentro das características comuns sem nenhuma transformação visível e socialmente constatável, tem em si mesma a manifestação da presença e da ação transformadora dessa intervenção orientada ao momento final em virtude do evento Pascual que atingiu de uma vez para sempre a criação. Será o momento no qual, como diz são Paulo “Onde se multiplicou o pecado, aí superabundou a graça”(Rm 5,20).
O posicionamento correto é sustentado pela específica presença do Espírito de Cristo, o Espírito Santo, “eu vos darei palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater”. É na certeza dessa promessa que o discípulo deverá fazer própria as indicações de Jesus e encarar o apavoramento como ocasião “em que testemunhareis a vossa fé” e não dar excessiva importância a sua condição pessoal. Por outro lado, Jesus mesmo garante de que “vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça”. Evidentemente, não se refere materialmente ao cabelo em si, nem diz respeito ao corpo, pois, os tratamentos judiciais da época eram massacrantes e até testemunham de mortes prematuras e dolorosas. Refere-se a que nada será perdido perante e na presença de Deus,metaforicamente, for só um cabelo.
Eis, então, a conclusão: “É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!”. É a atitude primeira e fundamental da existência. Firmeza é ato da vontade de quem está como encharcado do mistério da morte e ressurreição de Jesus pelo qual como dirá são Paulo “Por ele- Jesus- o mundo está crucificado por mim, como eu estou crucificado para o mundo”(Gl 6.14).

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