1ª Leitura Ap 7,2-4.9-14
O anjo de Deus marca “na fronte os servos do nosso Deus” ,antes da ação transformadora da terra e do universo.É a “marca do Deus vivo”com a qual Deus reconhece a autenticidade e valor daqueles que agiram como seus servo.Obedientes e cumpridores das exigências da Aliança, estes deram testemunho de fidelidade ao projeto Dele. Ser marcados significa, também, que pertencem a Ele, e é reconhecido como Senhor da Vida, do qual tudo procede e ao qual tudo tem sua meta e seu fim.
Os 144.000 é um número simbólico. É 12x12x1000 que na linguagem bíblica significa todos. Com efeito, no versículo seguinte (v.9) fala-se”de uma multidão imensa de gente...que ninguém podia contar” frisando a universalidade dos servos e ,portanto, da salvação.
O texto se refere ao que acontecerá no final da historia, com a volta do Ressuscitado, como Jesus mesmo prometeu antes de voltar ao Pai. É um texto escatológico que descreve -de maneira simbólica - a última e definitiva intervenção de Deus sobre a criação a humanidade e a história, o que comumente chamamos “fim do mundo” . "Estavam de pé”, atitude de respeito, de prontidão, manifestando com suas roupas e palmas a realidade de condição de servos. Com efeito, “trajavam vestes brancas... pois, lavaram e alvejaram suas roupas no sangue do Cordeiro” . As vestes se tornaram por acreditar nos efeitos da morte e ressurreição do Cordeiro. Foi esta fé que assumiram a condição de novas criaturas. O inciso: “ Traziam palmas na mão” aponta que foram fieis até o martírio,pois "Esses são os que vieram da grande tribulação” derramaram o próprio sangue.
Impressionante o testemunho deles: “A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro” Reconhecem que Deus, sacrificando o próprio filho- o Cordeiro que tira o pecado do mundo- é origem e causa da salvação deles, por eles terem aceitado e interiorizado este presente de Deus. Com isso, suscitou- se neles a determinação de seguir o Cordeiro, que os tornou novas criaturas e fieis até o martírio. Assim, no final dos tempos, proclamam “com voz forte” o certo e a conveniência daquela determinação que, por passar pelo crivo das provações e perseguições, fez deles participantes da mesma glorificação do Cordeiro.
Eis, portanto, traçado o perfil do caminho de santidade. Todo cristão é chamado e ela por aceitar o dom de Deus, selado pelo Batismo, alimentado pela Eucaristia e vivenciado na prática do Evangelho no dia- a dia- em virtude do qual a Boa Noticia do Evangelho se torna Boa Realidade nos relacionamentos familiares, nos relacionamentos na comunidade, no serviço, na convivência da sociedade civil, na preocupação pela justiça e o direito entre os povos,ou seja,nos relacionamentos do dia-a-dia.
Mas, também, o caminho de santidade é forjado pela oposição de pessoas e instituições que pensam e agem de maneira contrária. Daí o choque, o conflito e até... o martírio, razão pelo qual muitos desistem ou até nem de longe pensam permanecer nisso.
O que determina a pessoa nesse caminho é o que comentaremos na 2da leitura.
2ª Leitura 1 Jo 3,1-3
Ponto de partida é o “grande presente de amor (que) o Pai nos deu” com a entrega do próprio Filho- o Cordeiro que tira o pecado do mundo-. A aceitação, o botar para dentro no coração, dessa verdade consiste em acreditar nos efeitos atualizados daquela entrega. Assim, ela nos torna filhos de Deus.Com ênfase o texto frisa:”e nós os somos!”como para convencer de algo que ultrapassa de muito toda expectativa e imaginação: de pecadores, afastados e inimigos de Deus á filhos...somos filhos no Filho! Eis, pois, o grande presente pelo qual os pecados da desconfiança, da superficialidade, da desvalorização, do desinteresse, da oposição e até da rejeição da preocupação, da promessa e da ação de Deus são desmanchados. Em virtude disso, é resgatada a amizade,a familiaridade a comunhão com Deus, a dignidade de filhos por meio do Filho:numa palavra a salvação.
O conteúdo específico e fundamental da fé é exatamente isso!Ela sustenta e alimenta a esperança de maneira tal que: ”Todo o que espera nele...” por acreditar nos efeitos do presente “purifica-se a si mesmo”. Eis, portanto, o processo de purificação interior, de algo que acontece em nós,com nós mesmos e por nós mesmos ,quando nos colocamos em total,humilde e sincera transparência no mais profundo de nós mesmos com esse surpreendente dom de Deus. É aí que recuperamos nossa identidade, nosso verdadeiro ser e, com eles , o sentido profundo de nossa existência que se desdobra,com satisfação plena, nos acontecimentos e nas atitudes coerentes do dia-a-dia.
O texto acrescenta algo ainda mais surpreendente: "como também ele é puro" . Parece uma meta impossível , e como tal é descartada de antemão...Contudo,é algo que nos fascina,que motiva a esperança,que sustenta um futuro que não é tão impossível, considerando que Ele assumiu nossa condição humana e caminha conosco. Entre outras coisas, essa meta oferece sonhar alto para que a vida tenha aquele horizonte, aquele futuro que dá sentido ao presente e sustente cada atitude coerente.Tudo isso nos é oferecido por esse “grande presente de amor que o Pai nos deu” .
Por outro lado, sabemos que nem todos compartilham esse entendimento. O texto define estes como “mundo” que não “conheceu o Pai” Um mundo, um desconhecimento que não é estranho a nos mesmo, mais que age em nós e toma conta de nós em determinados momentos e circunstâncias. Daí, então, a necessidade de voltar á esperança purificadora,ou seja,ativar o processo de conversão permanente,mergulhando, com renovada fé, no grande presente de Amor através da Palavra e dos Sacramentos,especialmente da Missa.
Sinal do bom andamento do processo é a confrontar com o texto do Evangelho.
Evangelho Mt 5,1-12ª
É o famoso texto das bem-aventuranças. Como soaria o texto substituído o termo bem-aventurado por parabéns?Pois, disso mesmo se trata. Jesus ensina aos discípulos o que merece ser parabenizado: “ Jesus começou a ensiná-los” Mas, parabéns de que? Por serem pobres, aflitos, mansos, por promover a paz num mundo hostil... Por serem perseguidos,caluniados etc.? Quem se atreveria em falar isso a uma pessoa nessa situação? Parabenizamos todo o contrário... Como entender isso?
Estamos no pleno paradoxo do Evangelho: a verdade se manifesta no seu contrário... Jesus fala para aqueles que assumiram para valer a causa dele, a missão dele:“...por causa de mim “ Eles assumiram a causa como resposta de amor ao grande amor do qual falamos na 2da leitura. Trata-se de pessoas profundamente tocadas e transformadas por este amor. Em virtude disso, o viver delas é Cristo, é se tornar, com humildade, testemunhas da continuação da presença de Cristo na história e nas circunstâncias concretas do dia-a-dia.
Nesse sentido Jesus está passando para eles o que é, e será, a experiência Dele no desenvolvimento da missão. Assim o discípulo experimentará todo o que Ele experimentou como homem, como pessoa, como Filho do Pai. Então, o discípulo experimentará o que é ser homem, o que é ser pessoa e o que é ser filho de Deus- filho no Filho como tocamos na 2da leitura-. Dai os parabéns.
Assim, o texto pode ser entendido como a peneira que discerne até que ponto somos realmente discípulos de Jesus. É evidenciado, assim, o grau de percepção e da vivencia “do grande presente de amor que o Pai nos deu” (2da leitura) assim como a consistência,ou menos, da realidade de filhos de Deus.
O texto deve ser assumido como um todo. Não dá para pensar uma bem- aventurança desligada da outra... não dá por exemplo, ter fome e sede de justiça...e ter um coração com segundos fins,com segundas intenções, um coração impuro...
Assim, o entusiasmo por uma bem- aventurança e a frieza por com a outra; a prática significativa de uma e a prática insignificante da outra, determinam concretamente o espaço da conversão no processo de recepção do grande presente de amor e de identificação em Cristo.
Tudo isso nos diz que o processo de santificação é inesgotável, nos acompanha a vida toda e constitui a experiência da profunda alegria nessa vida, mesmo passando pelas dificuldades e provações que o texto aponta:”Alegrai-vos e exultai” se refere aqui e agora porque, misteriosamente, esse tipo de sofrimento tem e si mesmo essa verdade.É se alegrar interiormente pelo sentido de plenitude e satisfação de quem experimenta o acontecido como oportunidade de crescimento,de integração, de identificação com o que é ser pessoa bem sucedida e,na transparência, enxergar a presença que faz dela e de Cristo uma realidade só,mantendo as devidas diferenças.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
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