quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

4to DOMINGO DO ADVENTO-A-(19-12-10)

1ª leitura Is 7,10-14

O Senhor falou com Acaz”. A dinastia do rei Davi, à qual estão ligadas as promessas, está em perigo. Os reis de Aram e de Israel querem eliminá-la, colocando no trono o filho de Tabel. Em lugar de pedir o auxílio de Deus, Acaz faz imolar aos ídolos seu único filho (2 Rs 16,3) e procura aliança com a Assíria.
O profeta quer dissuadir o rei desse absurdo e lhe propõe pedir a Deus um sinal de sua presença “Pede ao Senhor teu Deus que te faça ver um sinal, quer provenha da profundeza da terra, quer venha das alturas do céu”. Mas Acaz não mostra ter fé em Deus e procura disfarçar dizendo não querer tentá-lo “Não pedirei nem tentarei o Senhor”.
Com efeito, o coração do rei já está desviado e determinado para outro caminho. O pecado, caracterizado pela desconfiança, pelo desinteresse à fidelidade da aliança e ao projeto de Deus, o torna como surdo a toda proposta e indicação para voltar ao caminho de Deus e, assim, resgatar a fé que abandonou.
É o que acontece, também, hoje quando toda pessoa se deixa levar por pensamento e ações que gradativa e progressivamente os afastam de Deus. Nela vai se formando como o hábito que torna particularmente complicado voltar atrás. Pois, como indica o livro da Sabedoria, “A sabedoria não entra numa alma que planeja o mal nem mora no corpo devedor ao pecado” (1,4).
Contudo, Deus não deixa de cumprir e ser fiel a sua Promessa, apesar da resposta irritante do rei. No momento da recusa, por parte do rei, da ajuda de Deus, o Mesmo coloca o sinal da presença Dele: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel”.
Deus sabe que afastado dele o povo irá se perder. Portanto, em nome do amor ao povo, por ele libertado da escravidão e conduzido na terra prometida, colocar um sinal certo e seguro da fidelidade Dele, pois, Emanuel significa Deus conosco.
É impressionante a teimosia e o amor de Deus, manifestação do carinho e da vontade de resgate que ultrapassa todo entendimento e expectativa humana. Só uma pessoa que ama muito pode se comportar desta forma. A percepção desse amor que constitui o próprio da força salvadora de Deus.
Contudo, perecebe- se, sem dificuldade, que este sinal é prefiguração de outro que, muitos séculos depois, se revelará com a encarnação do Filho de Deus em Maria.
São Paulo faz referencia a este evento na 2da leitura.

2da leitura Rm 1,1-7

No começo da carta são Paulo se apresenta como apóstolo “por vocação e escolhido para o Evangelho de Deus”, para transmitir e ser com o próprio comportamento a boa noticia de Deus para toda a humanidade. Especifica que O Evangelho - a boa noticia- se refere a uma pessoa específica, ao que ela é, ensinou e fez. Refere-se, evidentemente, à pessoa de Jesus “descendente de Davi segundo a carne, autenticado como Filho de Deus com poder, pelo espírito de santidade que o ressuscitou dos mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor”. Eis, portanto, frisada a origem descendente de Davi, conforme a primeira litura e a descendência divina, em cumprimento ao que Deus havia prometido “pelos profetas, nas Sagradas Escrituras”.
É por ele que recebemos a graça da vocação para o apostolado”. O que Paulo é, é percebido por ele mesmo como um dom totalmente imerecido. Com efeito, como demonstra o evento e a recepção por parte dos cristãos de sua conversão, ninguém teria pensado nem imaginado que de perseguidor pudesse se tornar seguidor com a paixão e a determinação que lhe foi própria. O dom é sempre para ser testemunhado, não é para a gratificação e a salvação pessoal, mas para ser transmitido, e , com isso, se concretiza o crescimento para si mesmo e a salvação para quem transmite e para quem recebe,.
Com efeito, o apostolo especifica o fim da própria missão “de podermos trazer à obediência da fé todos os povos pagãos, para a glória de seu nome”. Evidentemente, é o que aconteceu nele, após a conversão no caminho a Damasco. Passou da obediência rigorosa à lei de Moises, à obediência igualmente rigorosa aos efeitos da morte e ressurreição de Jesus, por meia da qual ele entendeu que Jesus “me amou e se entregou por mim" (Gl 2,20)
A glória de Deus é a vida dos homens, e a vida dos homens é a glorificação de Deus. Esta belíssima intuição do grande teólogo são Irineu, do segundo século depois de Cristo, ilumina o sentido da vida de cada pessoa. Nela, aceitando a salvação oferecida como dom por Cristo, Deus se faz presente como o próprio Senhor, Jesus é tido como referencia e modelo fundamental da vida e o Espírito Santo estabelece a comunhão e a amizade em virtude da qual a salvação se torna realidade. Nisso se manifesta a santidade e a vida de Deus, pois pelo Amor acolhido a pessoa alcança a plenitude.
Percebendo esta realidade a pessoa retorna o dom a Deus em termos de glorificação, pelo louvor e o sincero sentimento de gratidão. É reconhecimento do dom recebido e a manifestação da dinâmica própria do dom, em virtude da qual o devolver é condição para o crescimento na pessoa do dom mesmo. Assim a glória de Deus e a glorificação de Deus pela pessoa participam da mesma e infinita dinâmica e realidade do amor. Mesmo em diferentes níveis, Deus como Deus e o homem como homem, os dois crescem juntos. Isto pode parecer demais referido a Deus, mas se Deus é amor, a dinâmica do amor não é outra. É como o universo em continua expansão, no qual tudo cresce, cada um em sintonia com a própria essência e a própria realidade.
A encarnação do filho de Deus é o começo do processo de glorificação de Deus para com a humanidade e a glorificação da humanidade em Deus, neste singular relacionamento simbiôntico. Sendo todos os povos envolvidos nisso, Paulo frisa que também os destinatários da carta estão no mesmo processo pela obediência da fé “Entre esses povos pagãos estais também vós, chamados a serem discípulos de Jesus Cristo”
Obediência da fé que teve em José uma testemunha muito singular, como relata o evangelho.

Evangelho Mt 1,18-24

José, seu marido,”. O que aconteceu com Maria foi no ano em que os dois ficaram de noivos. Conforme as leis de então, nesta tempo, legalmente são como esposo e esposa, com a diferença de que, pelo ano todo, os dois continuam morando na casa dos próprios pais. Contudo, devem observar todos os direitos e obrigações de esposo e esposa.
José é apresentado como homem “justo”, temente de Deus. Isso o qualifica como obediente pela fé à lei de Deus. Portanto, é próprio dele manter o correto relacionamento com Deus. Parece-me particularmente importante este inciso para entender a atitude e o comportamento dele frente a um acontecimento tão singular.
José “resolveu abandonar Maria, em segredo”. O texto não relata os sentimentos de José perante as afirmações de Maria. Contudo, refletindo sobre a atitude dele, acredito que a resolução dele foi motivada não porque duvidasse da integridade dela, mas por amor a ela e também por respeito à intervenção de Deus sobre ela. Acreditando na verdade da afirmação de Maria, o mais lógico é se retirar, sem querer comprometer a dignidade da amada.
Esta atitude de amor e de fé será confirmada no sonho pelo anjo que o motivará a “receber Maria como tua esposa”, explicando a origem e o sentido daquele evento. O evangelista constatará nisso o cumprimento da profecia de Isaias na primeira leitura “Eis a virgem conceberá e dará a luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus está conosco”.
Eis, então, a conclusão coerente e em sintonia com a sua condição de justo “Quando acordou, José fez conforme o anjo do senhor havia mandado, e aceitou sua esposa”.
É notável considerar como um homem comum como José por sua correta atitude moral e sincero cumpridor do temor de Deus se deixa envolver com docilidade no plano de salvação de Deus a favor da humanidade. Ele oferece a contribuição que lhe é próprio com simplicidade e disponibilidade, confiante no Deus no qual acredita.
Depois desaparecerá do relato dos evangelhos. Com efeito, a atenção deles será a vida e missão de Jesus, obviamente. Mas fica esta perola de disponibilidade e de humildade que contribuiu ao desenvolvimento do plano de Deus. A cada um o destaque e o papel que Deus lhe confia...

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