segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

EPIFANIA DO SENHOR- 2-1-11

1ª Leitura Is 60 1-6.

Ao vê-los, ficarás radiante, com o coração vibrando forte”. Experiência sumamente gratificante. Gostaríamos de permanecer constantemente nela. Ela motiva o sentido profundo e verdadeiro da existência de todo ser humano. É o que, por diferentes caminhos, todos desejam e buscam. Ela está ao alcance de todos, embora esteja a “terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos” com sua carga de sofrimento, de sensação de estar num beco sem saída, e, portanto, sem futuro e sem esperança.
Contudo, ela está disponível “porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor... e sua glória já se manifesta sobre ti”. Dai o convite: “Levanta-te, acende as luzes”, o imperativo e a ordem: Levanta-te, com outras palavras, deixa as trevas e as nuvens escuras da existência enganosa, falsa, porque sedutora e desviante. Olha a luz no interior e profundo do teu ser, porque como diz o salmo “na tua luz nós vemos a luz”, pois, a luz que ilumina teu novo ser e teu novo dia já está aí, na pessoa do Salvador “sua glória já se manifestou sobre ti”.
Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora” O sujeito é a pessoa (também a comunidade) revestida por essa luz e glória do Senhor. Ela se torna tão expressiva e significativa de surpreender até ela mesma, pois, “todos se reuniram e vieram a ti; teus filhos vêm chegando de longe com tuas filhas, carregadas nos braços”. Daí, a alegria e o júbilo, pois, ficarás radiante e com o coração batendo forte. Mais ainda, constatando que com eles chegarão outros povos, outras nações, com suas riquezas “pois com eles virão as riquezas e mostrarão o poderio de suas nações” . Portanto, a percepção e o sentimento da universalidade da salvação dependem de “ levantar- se”, de abrir os olhos e acolher a luz e ser luz, de viver coerentemente e em sintonia com ela e se tornar luz das nações.
O efeito será “uma inundação de camelos e dromedários... virão todos trazendo ouro incenso e proclamando a glória do Senhor”, ou seja, a experiência da harmonia e da paz universal. Assim, a fraternidade universal será o reconhecimento, o sinal, da presença da glória do Senhor que motivará a partilha dos bens materiais- o ouro- e o correto louvor a Deus- o incenso-.
Parece-me desnecessário frisar esta festa como oportunidade para avaliarmos, como pessoas e como comunidade, as concretas atitudes do dia -a- dia, dentro e fora da comunidade, com respeito à humanidade toda, portadora de grandes desafios, marcados pelos diferentes povos e diferentes culturas, que desafiam a evangelização e a convivência na pratica do direito e da justiça.
Com efeito, a vocação cristã tem a dimensão que abrange a humanidade toda. É preciso, portanto, pensar globalmente para agir localmente e ter consideração para com a humanidade, como a única família de Deus. Nesta perspectiva, a festa de hoje é entendida no horizonte da fraternidade, do respeito, da diversidade, do direito e da justiça, ou seja, do acontecer do reino de Deus.
A luz e a Glória de Deus que já brilha sobre nós, têm o conteúdo que analisaremos na 2da leitura.

2da leitura Ef 3,2-3ª.5-6.

Se ao menos soubésseis” É desejo profundo do coração de são Paulo que os destinatários da carta adquiram o conhecimento do que ele estima de grande importância e imprescindível para o alicerce e o fundamento do autentico saber sobre o qual d construir para experimentar com ele a “ graça que Deus me concedeu para realizar o seu plano a vosso respeito”.
Assim, o conhecimento é graça, é dom de Deus, que se desdobra no esforço, no trabalho, na instrução, no testemunho para contribuir ao plano de salvação de Deus com respeito aos destinatários e, por conseguinte, à humanidade toda. A dedicação, a teimosia, os sofrimentos, as lutas, os êxitos e os fracassos e, enfim, a morte dele, testemunha como este dom foi acolhido e devolvido a Deus, com a finalidade de fazer conhecer aos homens de todos os lugares que “os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus cristo, por meio do Evangelho”.
Importante é devolver o dom, para que ele cresça em quem o transmite assim como em quem o recebe. Concretamente, são Paulo assumiu a mesma causa de Cristo a favor da salvação da humanidade toda, derrubando todo tipo de barreira e implantando os critérios da verdadeira fraternidade. Tudo baseado no significado e no efeito da ação, da morte e ressurreição de Jesus Cristo, nos quais são mergulhados todos aqueles que, pela fé, aceitam este presente por meio de Evangelho, ou seja , do evento da sexta- feira Santa e do domingo de ressurreição . Ele, o evento, é a boa noticia do resgate e da redenção que se tornou boa realidade. Assim, a pregação, a aceitação, a memória- celebração daquele evento atualiza os mesmos efeitos e faz as pessoas participes da herança, do mesmo corpo e da mesma promessa.
Mais ainda, tudo isso constitui o que Paulo chama de mistério, manifestado a ele “por revelação tive conhecimento do mistério... (que) Deus acaba de revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas”. Ele teve conhecimento disso na porta de Damasco, quando a luz do mistério o envolveu. Assim, que quando Paulo fala de mistério, no entende, em primeiro lugar, uma realidade desconhecida e inacessível que fica tal, mas o evento pelo qual de forma misteriosa a pessoa é envolvida ,iluminada e transformada, e faz da causa de Cristo a própria causa de vida.
Isso se deve à ação do Espírito, a eterna presença do Ressuscitado em nós. Ele revela a presença do Ressuscitado na pessoa de coração aberto, humildade e consciente das próprias faltas e pecados, que aceita o dom gratuito da própria redenção, do próprio resgate, perdão, salvação etc. operado por Cristo. Estas pessoas são os santos, não em sentido ético, mas em sentido que são renovados, transformados na profundidade, na estrutura do próprio ser. Para usar uma comparação, são como a pessoa refeita, sarada e renovada, após sofrer o atropelamento esmagador e sem possibilidade de concerto. É o que acontece na celebração da Missa... Ela é sempre a mesma... mas o efeito é sempre novo.
Para chegar a essa interiorização, para botar para dentro no coração a verdade deste dom, é preciso o caminho sintetizado pela experiência dos magos, como comentaremos no evangelho.

Evangelho Mt 2, 1-12

O texto apresenta estes misteriosos personagens - genericamente indicados como magos, sábios- ,sem especificar a origem de onde vem e sem relatar o que a experiência deles trouxe e significou para os povos de origens quando “retornaram para a sua terra”. Cabe pensar que o texto quer destacar simplesmente o motivo e as características do caminho deles.
O motivo: “Nós vimos a sua estrela de Oriente e viemos adorá-lo” A percepção de um sinal, interpretado como revelador da grandeza e importância do nascimento de um menino, suscita a determinação de chegar até ele e manifestar a própria atitude de adoração. Que descobriram, mais concretamente, naquele sinal- a estrela- não é dito. Deve ter sido algo muito forte para motivar numa viagem tão singular. Tal vez, o texto seja como uma parábola, mais que um evento real, pretendendo passar a mensagem que aquele menino é luz e imã para todas as nações indistintamente.
De fato, hoje a estrela é a Ressurreição de Jesus. É sábio, portanto, investir na viagem para chegar perto dele, experimentar a sua presença e adorá-lo.Trata-se de viagem por caminhos desconhecidos, tal vez, inexplorados. Portanto, a estrela é sinal de promessa, de algo inédito, de esperança, que suscita a coragem de arriscar na certeza que levará a bom fim, ao encontro com aquele que é preciso adorar.
Caminho andando, a estrela desparece. Não há registro de desconcerto, de pânico, de sentimento de frustração, de decepção, de vontade de desistir ou de voltar atrás. (Isso é particularmente significativo para a nossa caminhada. Quantas vezes, dificuldades, provações de todo tipo motivam- erroneamente- a desistência ou o desvio do caminho).
Pelo contrário perguntam a quem supõem pode dar uma indicação: “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?” Receberão a resposta certa e, ao mesmo tempo, mexerão- involuntariamente- com uma situação que desembocará na matança de inocentes... Êxito por uns- os magos- e morte prematura e injusta para outros ( este último aspecto é fruto da ambigüidade humana e da falsidade do governante. Quando se associam poder e medo o resultado é a matança dos inocentes...). É algo que deixa desconcerto, difícil de entender.
Contudo, a persistência a perseverança e, sobretudo, a determinação são premiadas “Depois... eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande”. E não era para menos, evidentemente. Chegaram à meta! Valeu.Tributaram-lhe a homenagem “e lhe ofereceram ouro (para o rei), incenso (para o Deus) e mirra (é a bebida da paixão, antes de morre na cruz)”.
Todo cristão consciente pode se espelhar no caminho destes misteriosos personagens - os magos-, assim como todo homem de boa vontade na procura da verdade e do sentido último e verdadeiro da existência.
Na luz, na estrela, da morte e ressurreição há o DNA da convivência entre os povos e as diferentes etnias e a manifestação da autentica expressão religiosa que motiva e sustenta a comunhão, a fraternidade universal, no respeito das diversidades .
O futuro de Deus se faz presente nesta festa universal, o acontecer do reino que há como seu eixo a pessoa de Cristo ressuscitado. Com efeito, é tradição que nesta festa a igreja anuncie a data da Páscoa de Ressurreição.

Nenhum comentário:

Postar um comentário