1ª leitura Is 55,1-3
“Inclinai vosso ouvido e vinde a mim, ouvi e tereis vida”. O convite é dirigido ao povo cuja atenção é orientada às preocupações de sobrevivência, na tentativa de conseguir no exílio uma situação de bem-estar, pois, “Por que gastar dinheiro com outra coisa que não o pão, desperdiçar o salário senão com satisfação completa?”
A tentativa é frustrante, não consegue o resultado esperado “vós que estais com sede (...) vós que não tendes dinheiro”. Nestas condições não é difícil entender o estado de animo do povo, percebendo que está como num beco sem saída.
É a condição dos homens, em nível individual ou social, de todos os tempos e de todos os lugares. Por diferentes motivos e nas diversas circunstâncias, batem profundamente no animo experiências de frustração que desmotivam todo empenho, todo compromisso e colocam em duvida até o sentido mesmo da vida...
No entendimento do profeta a causa principal está no ter se afastados de Deus. Daí o convite a retornar: “ vinde a mim”. Como? Dando o primeiro passo “Inclinai o vosso ouvido”. É come dizer: escutai com todo o coração, com toda a alma, com todas as forças. É marcante e insistente em todo o Antigo Testamento o convite “Escuta Israel!”. É o que qualifica a atitude do discípulo.
O efeito, “ ouvi e tereis vida”. Meta desejada e ansiosamente suspirada, quando as perspectivas são as do sofrimento e da morte. Isso significa ressuscitar, voltar ao sentido verdadeiro e profundo da existência, encontrar o caminho que faz da convivência humana e dos relacionamentos interpessoais uma realidade digna de ser trabalhada e vivenciada com entusiasmo.
Mais ainda, considerando que esta dinâmica vai ser perpetuada pela Aliança, pois o Senhor promete “ farei convosco um pacto eterno, manterei fielmente as graças concedidas a Davi”. Portanto, o pacto eterno é garantia de que o povo, e as pessoas, podem contar com a constante presença do Senhor em ordem a sustentar e contribuir para que a transmissão da plenitude da vida por meio de sua palavra seja uma constante e nunca falte em toda circunstância.
O Senhor manifesta que este seu propósito está ligado à promessa feita desde o tempo do rei Davi. Isso demonstra que Ele tomou a serio seu compromisso e entende mente-lo apesar do pecado e da infidelidade do povo , cuja conseqüência é a condição lastimável em que se encontra.
Desta forma, o Senhor oferece todas as garantias e merece todo confiança e atenção, e com elas a determinação em acolher suas indicações, pois, “Ouvi-me com atenção, e alimentai-vos, para deleite e revigoramento do vosso corpo”.
Tudo isso gera o singular relacionamento com o Senhor. A segunda leitura oferece um quadro dele.
2da leitura Rm 8,35.37-39
“Quem nos separará do amor de Cristo?” Paulo coloca a pergunta a partir da certeza que nada e ninguém poderão conseguir este objetivo, tão grande e profunda é a união com Ele. Até formula possíveis causas da eventual separação “Tribulação? Angústia? (...) Perigo? Espada?”. Pois, toda a lista das desventuras, ou são uma delas, normalmente são causa desconcerto ao ponto de motivar o afastamento e a desistência.
Paulo mesmo responde, em nome próprio e dos irmãos, com determinação e firmeza “Em todo isso, somo mais que vencedores, graças àquele que nos amou!”. A causa é ter percebido e acreditado no grande amor de Deus para com ele(s) “ amor de Deus (...) manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor”.
A profundidade, a grandeza, a incondicionalidade desse amor determinou nele a certeza absoluta de que “nem a morte, nem a vida, nem (...), nem(...), nem (...), será capaz de nos separa do amor de Deus”. Portanto, nada pode separar-nos do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus. Deus nunca tomará a iniciativa da separação. Ou melhor, só nós mesmos nos podemos separar.
A percepção e a participação ao amor de Deus, como é essencialmente dom Dele, não pode ser retido como se fosse adquirido de uma vez para sempre, como se fosse uma realidade da qual tomar posse e dispor como, quando e onde a gente achar bem...
Ele sendo dom de Deus, permanece propriedade de Deus. Ele, Deus, o oferece em cada momento a toda pessoa que mantém o constante relacionamento com Ele. Portanto a separação acontece pela falta de vigilância das seduções humanas, pela desatenção ao correto discernimento, pela acomodação na pratica da justiça etc.
Mas acontece, também, pela falta ou deficiente alimentação, à qual o evangelho aponta.
Evangelho Mt 14, 13-21
A morte de João Batista constitui um momento altamente dramático para Jesus. Motivo pelo qual sente a necessidade de se retirar “ partiu e foi de barco para um lugar deserto e afastado”. Queria ficar sozinho para meditar, como é normal em circunstâncias como estas. Há momentos de grande perturbação interior que precisam de silencio e de solidão...
O povo foi atrás dele, precisava dele. E Jesus “ao sair do barco viu uma grande multidão”. Tal vez, não esperava este encontro nem o desejava pela circunstancia do luto. Olhando para o povo, percebendo a expectativa e a esperança na sua pessoa e na sua palavra “Encheu-se de compaixão por eles e curou os que estavam doentes”.
Impressiona como o sofrimento do povo falou mais alto do sofrimento e do desconcerto Dele. Jesus encheu-se de compaixão, ou seja, participou plenamente do sofrimento deles. Com efeito, a compaixão é o que verdadeiramente pode encher o vazio deixado pela morte prematura, violenta e inesperada de João, do amigo. Ela é a força motriz pela qual a
pessoa ‘’sae” de si mesma e vai ao encontro do outro do qual percebe o sofrimento, relativizando ou diminuindo o interesse pelo próprio. Algo disso deve ter acontecido em Jesus. Assim, agiu com misericórdia para com eles e os curou.
A compaixão e a misericórdia são os motivos que sustentam a ação pastoral de Jesus. A sensibilidade humana dele e o coração voltado para aliviar e resgatar o sofrimento constitui o que todo ser humano deve cultivar no próprio mundo interior para encontrar o motivo e a força para deixar de lado as próprias preocupação, para ultrapassar o próprio sofrimento e se por ao serviço dos que precisam.
Os discípulos procuram se libertar das necessidades, das urgências, dos outros e colocam para Jesus “Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar comida”. Pelo contrário, Jesus deseja que os discípulos se abram à compaixão e lhes disse “Eles não precisam in embora. Dai-lhes vós mesmos de comer!”.
O que segue, o relato da multiplicação dos pães, tem todos os elementos característicos da celebração eucarística. Ele manifesta a verdade, a força e a autoridade da palavra do Senhor. Em virtude dela “Todos ficaram satisfeitos, e dos pedaços que sobraram, recolheram ainda doze cestos cheios”.
À luz da primeira leitura, Jesus é aquele que dá, e dá com abundancia e gratuitamente. Doa o pão que, depois de ter levantado os olhos e rendido graças, partirá em sinal da Aliança “Jesus mandou que as multidões sentassem na grama (...). Os discípulos os distribuíram às multidões”.
Pão para todos e em abundancia. O pão é o alimento básico do povo. A abundancia dele é sinal de vida e bem-estar. O fato de compartilhá-lo juntos é sinal do especial relacionamento entre eles. Compartilhar o pão é compartilhar a vida. E ela, a vida, tem como eixo de desenvolvimento a Aliança do Sinai.
A alegria e satisfação de compartilhar o alimento básico continuará em compartilhar o direito e a justiça para uma nova sociedade. Pois, como dirá Jesus: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4).
Com efeito, se o povo e as autoridades respeitassem as regras da Aliança, o pão e com ele todas as necessidades básicas chegariam à mesa de todos. Não precisaria mais de milagres, nem Jesus transformar as pedras em pão.
O comer juntos é para reforçar o sentimento de fraternidade e com isso a vontade de vivenciar a mesma nos relacionamentos interpessoais e sociais A adesão pessoal ao Senhor e a vivencia comunitária são as duas faces da mesma realidade da acolhida do amor de Deus. Amor que é alimento e bebida necessários para a vida de todos os dias.
domingo, 24 de julho de 2011
terça-feira, 19 de julho de 2011
17o DONINGO DO T.C.-A-(24-07-11)
1ª leitura 1Rs 3,5.7-12
No inicio do reinado, Salomão dirige a Deus sua oração. Ainda muito jovem “eu não passo de adolescente, que não sabe ainda como governar”, se encontra numa situação muito complicada: governar uma nação constituída pela união recente de dois estados, no meio de um ninho de cobras criadas... O coitado está apavorado.
Eis, então, que “em Gabaon o Senhor apareceu a Salomão (...) e lhe disse: Pede o que desejas, e eu te darei”. O normal para um rei é pedir longa vida, riquezas e vitoria nas batalhas sobre os inimigos. Mas a primeira preocupação de Salomão não para si mesmo. Ele sente a urgência de ter condição e critérios para governar o povo, em sintonia com as expectativas de Deus. De outra maneira, “quem poderá governar este teu povo tão numeroso? ”.
Então, pede: “ Dá, pois, ao teu servo, um coração compreensivo, capaz de governar o teu povo e de discernir entre o bem e o mal”. Com outras palavras, pede um coração que saiba escutar.
O pedido agradou muito ao Senhor, porque não pediu para si mesmo, para os próprios interesses individuais, mas para bem governar o povo, para o correto desenvolvimento da missão. E também pediu certo, pois, a primeira atitude é a de escutar.
Cabe distinguir entre ouvir e escutar. Ouvir é apenas uma atividade biológica. Não pede maior esforço do nosso cérebro. Escutar é prestar atenção com toda inteligência, vontade e memória. Sempre é uma atitude de amor. O lugar da escuta é o coração.
O Senhor inúmeras vezes exorta o povo e as pessoas à escuta: “Escuta Israel!” (Dt 4,1). É o permanente convite que qualifica a condição de Israel como povo eleito e das pessoas como discípulos. Maria, irmã de Marta, estava aos pés de Jesus escutando-o, e Ele a aponta como quem “escolheu a melhor parte, e esta não lhe será tirada” (Lc 10,42).
Com efeito, o alicerce de todo relacionamento de qualidade com Deus e com o próximo é baseado na escuta. Muitas brigas, desentendimentos, injustiças, etc. são causadas por não saber escutar. A postura de escuta deve ocorrer de forma plena “com todo o seu coração, com toda a sua alma, com toda a sua força e com toda a sua mente” (Lc 10,27).
“Esta oração de Salomão agradou ao Senhor (...). Já que pediste (...) sabedoria para praticar a justiça, vou satisfazer o teu pedido; dou-te um coração sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes de ti, nem haverá depois de ti”. E com ele doará, também, vida longa, riquezas e vitória sobre os inimigos. De fato, o reinado de Salomão será lembrado como o ponto alto da história de Israel.
Todo dom do Senhor é para a pratica da justiça, para o acontecer das exigências da aliança. Portanto, o dom não pode ser retido como patrimônio individual. É para os outros, para o bem do povo, na pratica do direito e da justiça. Desta forma, se implanta na vida da coletividade as condições para acontecer o sonho da Aliança, o surgir de uma nova terra, de um novo povo na harmonia e na paz.
Para isso a escuta é o primeiro passo da transformação da pessoa, que tem como eixo a ação de Deus por meio de Cristo na força e no poder do Espírito Santo, como sinteticamente expõe a segunda leitura.
2da leitura Rm 8,28-30
Pano de fundo é “o bem dos que amam a Deus”. Referem-se aqueles que se deixaram amar por Ele. Eles entenderam o agir de Deus, na pessoa de Jesus, como expressão do amor no qual se sentiram envolvidos e transformados. Perceberam-se “que são chamados para a salvação, de acordo com o projeto de Deus”, em virtude da adesão consciente e confiante nessa especifica ação.
Deus quer que todos os homens de salvem e cheguem ao conhecimento da verdade (1Tm 2,4). Eles são “aqueles que Deus contemplou com seu amor desde sempre”. De fato, a pessoa de Jesus representa perante Deus os homens de todos os tempos e de todos os lugares. Ele contemplou a todos indistintamente. Só que não todos entenderam e responderam a este amor... Portanto, não entraram no círculo da salvação.
De toda maneira, a todos “predestinou a serem conformes à imagem de seu Filho”. Cabe especificar que a predestinação não é no sentido de que goste ou não a meta, o destino, está já marcado com anterioridade, como se dele não se pudesse fugir. Deus indicou o destino, a meta, para todos aqueles que se deixam envolver na ação salvadora dele.
A meta é ser conforme a “imagem do seu Filho”, ou seja, ser filhos no Filho. Desta forma o Filho se manifesta como “o primogênito numa multidão de irmãos”. Imagens que refletem em si mesmas as características fundamentais do Filho, bem mantendo sua própria identidade e especificidade. Ou melhor, levando elas à sua plenitude.
Esta especificidade consiste em devolver ao Filho o dom recebido por Ele. De investir a própria existência assumindo o estilo de vida, a filosofia do amor e a dinâmica dele, a imitação de Jesus para com a humanidade toda. Em fim, ser uma imagem semelhante a Ele.
Nesta dinâmica se entrelaçam três aspetos da única realidade da comunhão com Deus: o chamado, a justificação e a glorificação “E aqueles que Deus predestinou, também os chamou. E ao que os chamou, também os tornou justos; e aos que tornou justos, também os glorificou”.
Com efeito, a vocação, o chamado de Deus, tem como adesão a experiência da justificação oferecida por Jesus com a sua morte e ressurreição. Envolvido nesta realidade de amor há condição para chegar à glorificação.
Ela consiste em fazer próprio o estilo de vida, a filosofia e a pratica de Jesus, assim de experimentar nos eventos do dia- a - dia, nas diferentes circunstâncias, a mesma dinâmica de morte e ressurreição de Jesus. Com ele se realiza a singular comunhão e participação à sua pessoa e a sua missão que é expressão da sua glória: “ Se fomos de certo modo identificados a Jesus Cristo por uma morte semelhante à sua, seremos semelhantes a ele também pela ressurreição” ( Rm 6,5)
Este trecho tem como objetivo infundir a certeza da salvação, conforme ao desígnio de Deus. O evangelho indica as condições para atingir o objetivo.
Evangelho Mt 13,44-52
As parábolas do tesouro escondido e da perola preciosa oferecem umas importantes considerações com respeito ao nosso relacionamento com o Reino dos Céus.
“O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido”. O campo é o mundo em geral e mais especificamente, a percepção e a vivencia nele através dos relacionamentos consigo mesmo, com os outros, com a sociedade e com a criação. Ai o Reino está escondido.
Mas, como encontrar o tesouro escondido? Primeiro sabendo de sua existência, e quem informa dele é a Palavra de Deus. Daí a importância de escutar e confiar, ou seja, ter fé na verdade que a Palavra transmite.
Em segundo lugar, exige a busca, pois, o encontra quem busca. Ela é motivada pela confiança de encontrar a “ perola de grande valor” Portanto, merece investir nela todo esforço. Não se trata de algo simplesmente de ordem intelectual. É necessário, mas não resolutivo. É, em último termo, uma experiência de vida sustentada pela prática motivada pelo estilo de vida de Jesus e pela sua filosofia de vida, que lidam com o paradoxo cristão: perder a propria vida pela causa do evangelho para salvá-la.
Neste sentido, não se trata de uma formula fixa, mas de um critério de discernimento e de ação a ser aplicado nas múltiplas e diferentes circunstâncias da vida e no dia-a-dia. Isso supõe exercício constante da atenção à realidade, da inteligência, assim como da ousadia e da criatividade, voltada para determinar a melhor atuação ou resposta.
Parece-me que se trata de individuar como uma espécie de DNA da vida, em virtude do qual merece investir tudo e todo. Daí a atitude e a determinação de vender “todos os seus bens e compra aquele campo (...),ou, aquela perola”. Encontrou- se o sentido verdadeiro e profundo da própria existência. O Reino dos Céus é entrar nisso.
Contudo, nem todos procuram e investem na busca di Reino dos Céus. É o que a parábola da “rede lançada no mar”quer passar. (Ela tem o paralelismo com a parábola do joio semeado no capo e cresce com a semente boa.). A divisão entre os peixes bons e os que não prestam, acontecerá no final dos tempos, pois, então “os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos”.
Jesus, aproveita da oportunidade para fazer suas considerações com respeito aos Mestres da Lei, os guias espirituais do povo : “Todo o mestre da Lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas”.
Com isso, estabelece um principio muito importante: no evento do Reino dos Céus há solução de continuidade e descontinuidade no presente entre o passado e o futuro. Esta singular síntese constitui a sabedoria do Reino. Ela faz do presente uma realidade de plenitude de vida que não é simples reprisar o passado e nem antecipar um futuro sem raízes na história. Pois, esta singular combinação pode ser percebida e entendida só pela pratica do amor, tal como Jesus ensinou e praticou.
Com efeito, o Reino dos Céus é o reino do Amor, porque “Deus é Amor”, como afirma são João. Portanto, o Reino manifesta o poder e o senhorio de Deus pela prática do amor naqueles que a ele pertencem pela adesão a Cristo.
No inicio do reinado, Salomão dirige a Deus sua oração. Ainda muito jovem “eu não passo de adolescente, que não sabe ainda como governar”, se encontra numa situação muito complicada: governar uma nação constituída pela união recente de dois estados, no meio de um ninho de cobras criadas... O coitado está apavorado.
Eis, então, que “em Gabaon o Senhor apareceu a Salomão (...) e lhe disse: Pede o que desejas, e eu te darei”. O normal para um rei é pedir longa vida, riquezas e vitoria nas batalhas sobre os inimigos. Mas a primeira preocupação de Salomão não para si mesmo. Ele sente a urgência de ter condição e critérios para governar o povo, em sintonia com as expectativas de Deus. De outra maneira, “quem poderá governar este teu povo tão numeroso? ”.
Então, pede: “ Dá, pois, ao teu servo, um coração compreensivo, capaz de governar o teu povo e de discernir entre o bem e o mal”. Com outras palavras, pede um coração que saiba escutar.
O pedido agradou muito ao Senhor, porque não pediu para si mesmo, para os próprios interesses individuais, mas para bem governar o povo, para o correto desenvolvimento da missão. E também pediu certo, pois, a primeira atitude é a de escutar.
Cabe distinguir entre ouvir e escutar. Ouvir é apenas uma atividade biológica. Não pede maior esforço do nosso cérebro. Escutar é prestar atenção com toda inteligência, vontade e memória. Sempre é uma atitude de amor. O lugar da escuta é o coração.
O Senhor inúmeras vezes exorta o povo e as pessoas à escuta: “Escuta Israel!” (Dt 4,1). É o permanente convite que qualifica a condição de Israel como povo eleito e das pessoas como discípulos. Maria, irmã de Marta, estava aos pés de Jesus escutando-o, e Ele a aponta como quem “escolheu a melhor parte, e esta não lhe será tirada” (Lc 10,42).
Com efeito, o alicerce de todo relacionamento de qualidade com Deus e com o próximo é baseado na escuta. Muitas brigas, desentendimentos, injustiças, etc. são causadas por não saber escutar. A postura de escuta deve ocorrer de forma plena “com todo o seu coração, com toda a sua alma, com toda a sua força e com toda a sua mente” (Lc 10,27).
“Esta oração de Salomão agradou ao Senhor (...). Já que pediste (...) sabedoria para praticar a justiça, vou satisfazer o teu pedido; dou-te um coração sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes de ti, nem haverá depois de ti”. E com ele doará, também, vida longa, riquezas e vitória sobre os inimigos. De fato, o reinado de Salomão será lembrado como o ponto alto da história de Israel.
Todo dom do Senhor é para a pratica da justiça, para o acontecer das exigências da aliança. Portanto, o dom não pode ser retido como patrimônio individual. É para os outros, para o bem do povo, na pratica do direito e da justiça. Desta forma, se implanta na vida da coletividade as condições para acontecer o sonho da Aliança, o surgir de uma nova terra, de um novo povo na harmonia e na paz.
Para isso a escuta é o primeiro passo da transformação da pessoa, que tem como eixo a ação de Deus por meio de Cristo na força e no poder do Espírito Santo, como sinteticamente expõe a segunda leitura.
2da leitura Rm 8,28-30
Pano de fundo é “o bem dos que amam a Deus”. Referem-se aqueles que se deixaram amar por Ele. Eles entenderam o agir de Deus, na pessoa de Jesus, como expressão do amor no qual se sentiram envolvidos e transformados. Perceberam-se “que são chamados para a salvação, de acordo com o projeto de Deus”, em virtude da adesão consciente e confiante nessa especifica ação.
Deus quer que todos os homens de salvem e cheguem ao conhecimento da verdade (1Tm 2,4). Eles são “aqueles que Deus contemplou com seu amor desde sempre”. De fato, a pessoa de Jesus representa perante Deus os homens de todos os tempos e de todos os lugares. Ele contemplou a todos indistintamente. Só que não todos entenderam e responderam a este amor... Portanto, não entraram no círculo da salvação.
De toda maneira, a todos “predestinou a serem conformes à imagem de seu Filho”. Cabe especificar que a predestinação não é no sentido de que goste ou não a meta, o destino, está já marcado com anterioridade, como se dele não se pudesse fugir. Deus indicou o destino, a meta, para todos aqueles que se deixam envolver na ação salvadora dele.
A meta é ser conforme a “imagem do seu Filho”, ou seja, ser filhos no Filho. Desta forma o Filho se manifesta como “o primogênito numa multidão de irmãos”. Imagens que refletem em si mesmas as características fundamentais do Filho, bem mantendo sua própria identidade e especificidade. Ou melhor, levando elas à sua plenitude.
Esta especificidade consiste em devolver ao Filho o dom recebido por Ele. De investir a própria existência assumindo o estilo de vida, a filosofia do amor e a dinâmica dele, a imitação de Jesus para com a humanidade toda. Em fim, ser uma imagem semelhante a Ele.
Nesta dinâmica se entrelaçam três aspetos da única realidade da comunhão com Deus: o chamado, a justificação e a glorificação “E aqueles que Deus predestinou, também os chamou. E ao que os chamou, também os tornou justos; e aos que tornou justos, também os glorificou”.
Com efeito, a vocação, o chamado de Deus, tem como adesão a experiência da justificação oferecida por Jesus com a sua morte e ressurreição. Envolvido nesta realidade de amor há condição para chegar à glorificação.
Ela consiste em fazer próprio o estilo de vida, a filosofia e a pratica de Jesus, assim de experimentar nos eventos do dia- a - dia, nas diferentes circunstâncias, a mesma dinâmica de morte e ressurreição de Jesus. Com ele se realiza a singular comunhão e participação à sua pessoa e a sua missão que é expressão da sua glória: “ Se fomos de certo modo identificados a Jesus Cristo por uma morte semelhante à sua, seremos semelhantes a ele também pela ressurreição” ( Rm 6,5)
Este trecho tem como objetivo infundir a certeza da salvação, conforme ao desígnio de Deus. O evangelho indica as condições para atingir o objetivo.
Evangelho Mt 13,44-52
As parábolas do tesouro escondido e da perola preciosa oferecem umas importantes considerações com respeito ao nosso relacionamento com o Reino dos Céus.
“O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido”. O campo é o mundo em geral e mais especificamente, a percepção e a vivencia nele através dos relacionamentos consigo mesmo, com os outros, com a sociedade e com a criação. Ai o Reino está escondido.
Mas, como encontrar o tesouro escondido? Primeiro sabendo de sua existência, e quem informa dele é a Palavra de Deus. Daí a importância de escutar e confiar, ou seja, ter fé na verdade que a Palavra transmite.
Em segundo lugar, exige a busca, pois, o encontra quem busca. Ela é motivada pela confiança de encontrar a “ perola de grande valor” Portanto, merece investir nela todo esforço. Não se trata de algo simplesmente de ordem intelectual. É necessário, mas não resolutivo. É, em último termo, uma experiência de vida sustentada pela prática motivada pelo estilo de vida de Jesus e pela sua filosofia de vida, que lidam com o paradoxo cristão: perder a propria vida pela causa do evangelho para salvá-la.
Neste sentido, não se trata de uma formula fixa, mas de um critério de discernimento e de ação a ser aplicado nas múltiplas e diferentes circunstâncias da vida e no dia-a-dia. Isso supõe exercício constante da atenção à realidade, da inteligência, assim como da ousadia e da criatividade, voltada para determinar a melhor atuação ou resposta.
Parece-me que se trata de individuar como uma espécie de DNA da vida, em virtude do qual merece investir tudo e todo. Daí a atitude e a determinação de vender “todos os seus bens e compra aquele campo (...),ou, aquela perola”. Encontrou- se o sentido verdadeiro e profundo da própria existência. O Reino dos Céus é entrar nisso.
Contudo, nem todos procuram e investem na busca di Reino dos Céus. É o que a parábola da “rede lançada no mar”quer passar. (Ela tem o paralelismo com a parábola do joio semeado no capo e cresce com a semente boa.). A divisão entre os peixes bons e os que não prestam, acontecerá no final dos tempos, pois, então “os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos”.
Jesus, aproveita da oportunidade para fazer suas considerações com respeito aos Mestres da Lei, os guias espirituais do povo : “Todo o mestre da Lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas”.
Com isso, estabelece um principio muito importante: no evento do Reino dos Céus há solução de continuidade e descontinuidade no presente entre o passado e o futuro. Esta singular síntese constitui a sabedoria do Reino. Ela faz do presente uma realidade de plenitude de vida que não é simples reprisar o passado e nem antecipar um futuro sem raízes na história. Pois, esta singular combinação pode ser percebida e entendida só pela pratica do amor, tal como Jesus ensinou e praticou.
Com efeito, o Reino dos Céus é o reino do Amor, porque “Deus é Amor”, como afirma são João. Portanto, o Reino manifesta o poder e o senhorio de Deus pela prática do amor naqueles que a ele pertencem pela adesão a Cristo.
terça-feira, 12 de julho de 2011
16o DOMINGO DO T.C.-A-(17-07-11)
1ª leitura Sb 12,13 .16-19
“A tua força é principio da tua justiça (...). Mostras a tua força (...). Dominando a tua própria força...”. O texto desenvolve a reflexão tendo com eixo a força de Deus. Contrariamente àquilo que se entende por força como energia impositiva e coercitiva, ela è apresentada de uma maneira muito singular “Assim procedendo, ensinaste ao teu povo que o justo deve ser humano...”. E especifica o que entende por humano “... e a teus filhos deste a confortadora esperança de que concedes o perdão aos pecadores”.
Portanto, se tornar mais humano pela pratica do perdão è o princípio da justiça. O que è implantado com isso è a ética do amor. A força a justiça de Deus è o amor. E a definição mai própria de Deus è a de primeira carta de João: “Deus è Amor”. Daí principia, tem sua raiz, toda justiça.
Esta atitude de Deus deixa perplexidades entre os homens, como se Deus tivesse que justificar a própria atitude e mostrar “que teu (de Deus) julgamento não foi injusto”. A argumentação procura responder a elas. Em primeiro lugar afirma que “Não há, além de te ti, outro Deus que cuide de todas as coisas”. Em virtude disso “o teu domínio sobre todos te faz para com todos indulgente”. Assim, o cuidado amoroso para com toda a criação é atitude fundamental de Deus para com a obra de suas mãos.
Daí decorre diferentes comportamentos. “Mostras a tua força a quem não crê na perfeição do teu poder...”. Trata-se da força e do poder do amor indulgente para com os que estão desconfiados de que a misericórdia tenha a força e o poder de renovar e transformar a vida das pessoas.
Por outro lado, “...e nos que te conhecem”- os que já experimentaram a indulgencia e a misericórdia-, a atitude é a repreensão: “castigas o seu atrevimento”. Trata-se do atrevimento de quem por rebeldia, ou qualquer outro motivo, se recusa contra toda evidencia em entender e acolher o agir de Deus.
“No entanto, dominando tua própria força, julgas com clemência e nos governas com grande consideração”. Contudo, o agir de Deus permanece firme e constante, pois a amor dele è inabalável. Ele é o Deus fiel à Aliança.
Tudo isso conforta e anima o pecador, o homem fraco e vulnerável às exigências da Aliança. Em virtude do pecado mereceria o repudio, a condenação eterna, pois os termos da Aliança são peremptórios e sem possibilidade de ser mal entendidos: quem não respeitar a Aliança merece a morte.
Contudo, o homem sabe que por parte de Deus “quando quiser, está ao teu alcance fazer uso do teu poder”. Vale frisar que é muito comum abusar desta atitude de Deus. Muitas pessoas acham que em virtude deste poder misericordioso, se sentem como “liberados” em pecar, como se pudessem contar incondicionalmente da boa disposição e vontade de Deus ao perdão.
É a avaliação de quem manifesta pouca consideração ao amor e à misericórdia de Deus. Como se elas fossem devidas, em m virtude dele ser Deus. Como se Ele fosse obrigado em virtude de sua condição divina em perdoar sempre em todo caso, fosse só por ser fiel à Aliança.
No fundo isso significa simplesmente quiser aproveitar da bondade Dele, sem se sentir comprometido e envolvido em e por esse amor. Estamos bem longe do que Deus espera...
Tudo isso pela fraca sintonia com o Espírito, tema da segunda leitura.
2da leitura Rm 8,26-28
Ponto de partida é o Espírito Santo. Ele mora em nós e “vem em socorro da nossa fraqueza”. A fraqueza não é de tipo ético, de tipo comportamental, mas de entendimento com respeito ao que é oportuno e conveniente pedir e a maneira de como pedir “Pois nós não sabemos o que pedir, nem como pedir”.
A primeira leitura dava entender que o agir de Deus é tido como injusto. E apesar de ter experimentado a força amorosa de Deus, há pessoas que se atrevem e recusam o comportamento de Deus. Assim, a fraqueza se deve à condição humana não suficientemente esclarecida e iluminada, no meio das contradições e incertezas do presente.
Portanto, ela precisa do socorro do Espírito “ Pois, é segundo Deus que o Espírito intercede em favor dos santos (os cristãos são chamados de santos. Não em sentido de perfeitos, como entendemos hoje o ser santo,mas pela determinação deles a favor de Cristo)”.
A intercessão acontece “com gemidos inefáveis”. Eles manifestam a ação do Espírito que suscita a nostalgia impaciente da plena realização da ação salvadora de Deus e o sentido da esperança, apesar da fragilidade da condição humana.
Assim, o Espírito se apresenta como testemunha da nova identidade e do destino glorioso dos cristãos. Os “gemidos inefáveis” são como sinais que antecipam a salvação prometida. E isso porque Deus “penetra o intimo dos corações e sabe qual é a intenção do Espírito”. O Espírito age incessantemente a favor dos cristãos e socorre a fraqueza deles.
Os gemidos inefáveis se tronam como estimulo e incentivo, para o cristão se aproximar ao evento da salvação e da comunhão com Deus, renovando a inteligência e abrindo o coração para perceber a singular e inesperada ação de Deus apresentada pela primeira leitura.
Os gemidos, praticamente, sustentam o processo de constante conversão. No sentido da necessidade de renovar incessantemente os critérios do agir de Deus, ultrapassando as expectativas e critérios consolidados pela experiência e pela pratica costumeira.
Uma renovação que Jesus mesmo ilustra com as parábolas do evangelho.
Evangelho Mt 13,24-43
Contra toda pretensão e expectativa de erradicar o joio do trigo já na atualidade, Jesus responde “Deixai crescer um e outro até a colheita!”, pois, há o perigo que “arrancando o joio, arranqueis também o trigo”. Os dois terão seu destino se parados “ no tempo da colheita”, no final dos tempos. O mal acompanhará a história toda. Portanto, é preciso saber conviver com ele e não se deixar envolver. Neste sentido haverá uma luta constante. O mal tem seu poder de engano e de sedução, pelo envolvimento profundo com a realidade e pelo não sempre fácil discernimento entre joio e trigo - o bem e mal -. Será preciso proceder com muita atenção e cautela.
Outro aspecto da conversão diz com respeito à pequenez , humana e socialmente insignificante, do que é semeado. Pois, a semente é comparada a pequena “semente de mostarda (...) a menor de todas as sementes”. De fato, “Quando cresce, fica maior do que as outras plantas”. O resultado final é surpreendente. A conversão consiste em ter a certeza de que o trabalho pastoral deve ser desenvolvido apesar das aparências. Ele tem em si mesmo uma potencialidade que supera toda imaginação. O contraste ente o momento inicial e o final não deixa duvidas.
Assim, também, a parábola do fermento. O acontecer “do Reino dos Céus é como o fermento” colocado na devida proporção de maneira tal “que todo fique fermentado”. Com isso é passada a certeza de que todo alcançará a perfeição pela qual foi criado. Cada realidade adquirirá a plenitude pensada por Deus e desta forma dará gloria ao Criador. Portanto, todas as diversidades de culturas, línguas, religiões etc. alcançarão a plenitude do que é próprio e ao mesmo tempo se estabelecerá a harmonia entre tudo e a paz entre todos.
Estes resultados ultrapassam o modo de proceder, os métodos e a sabedoria próprios da realidade humana. Só haverá resultado se ela é como encharcada do estilo de vida, da filosofia do amor, que Jesus ensinou e praticou.
Os ensinamentos de Jesus em parábolas pretendem ilustrar, com exemplos tirados da vida e da experiência de todos os dias - e, portanto, muito acessíveis à compreensão dos ouvintes - a singular força e poder do proceder de Deus.
Deus procede motivado pelo amor e animado pelos sentimentos indicados na primeira leitura. Ele tira da realidade humana todas aquelas comparações, metáforas, que ilustram o bom senso e o sentido do agir dele.
Mas o horizonte, a finalidade de tudo è vencer as resistências, a desconfiança, todo o que impede e atrapalha ao homem chegar à comunhão com Ele. E ao mesmo tempo ensinar ao homem se tornar cada vez mais humano, como Deus se tornou humano na pessoa de Jesus
“A tua força é principio da tua justiça (...). Mostras a tua força (...). Dominando a tua própria força...”. O texto desenvolve a reflexão tendo com eixo a força de Deus. Contrariamente àquilo que se entende por força como energia impositiva e coercitiva, ela è apresentada de uma maneira muito singular “Assim procedendo, ensinaste ao teu povo que o justo deve ser humano...”. E especifica o que entende por humano “... e a teus filhos deste a confortadora esperança de que concedes o perdão aos pecadores”.
Portanto, se tornar mais humano pela pratica do perdão è o princípio da justiça. O que è implantado com isso è a ética do amor. A força a justiça de Deus è o amor. E a definição mai própria de Deus è a de primeira carta de João: “Deus è Amor”. Daí principia, tem sua raiz, toda justiça.
Esta atitude de Deus deixa perplexidades entre os homens, como se Deus tivesse que justificar a própria atitude e mostrar “que teu (de Deus) julgamento não foi injusto”. A argumentação procura responder a elas. Em primeiro lugar afirma que “Não há, além de te ti, outro Deus que cuide de todas as coisas”. Em virtude disso “o teu domínio sobre todos te faz para com todos indulgente”. Assim, o cuidado amoroso para com toda a criação é atitude fundamental de Deus para com a obra de suas mãos.
Daí decorre diferentes comportamentos. “Mostras a tua força a quem não crê na perfeição do teu poder...”. Trata-se da força e do poder do amor indulgente para com os que estão desconfiados de que a misericórdia tenha a força e o poder de renovar e transformar a vida das pessoas.
Por outro lado, “...e nos que te conhecem”- os que já experimentaram a indulgencia e a misericórdia-, a atitude é a repreensão: “castigas o seu atrevimento”. Trata-se do atrevimento de quem por rebeldia, ou qualquer outro motivo, se recusa contra toda evidencia em entender e acolher o agir de Deus.
“No entanto, dominando tua própria força, julgas com clemência e nos governas com grande consideração”. Contudo, o agir de Deus permanece firme e constante, pois a amor dele è inabalável. Ele é o Deus fiel à Aliança.
Tudo isso conforta e anima o pecador, o homem fraco e vulnerável às exigências da Aliança. Em virtude do pecado mereceria o repudio, a condenação eterna, pois os termos da Aliança são peremptórios e sem possibilidade de ser mal entendidos: quem não respeitar a Aliança merece a morte.
Contudo, o homem sabe que por parte de Deus “quando quiser, está ao teu alcance fazer uso do teu poder”. Vale frisar que é muito comum abusar desta atitude de Deus. Muitas pessoas acham que em virtude deste poder misericordioso, se sentem como “liberados” em pecar, como se pudessem contar incondicionalmente da boa disposição e vontade de Deus ao perdão.
É a avaliação de quem manifesta pouca consideração ao amor e à misericórdia de Deus. Como se elas fossem devidas, em m virtude dele ser Deus. Como se Ele fosse obrigado em virtude de sua condição divina em perdoar sempre em todo caso, fosse só por ser fiel à Aliança.
No fundo isso significa simplesmente quiser aproveitar da bondade Dele, sem se sentir comprometido e envolvido em e por esse amor. Estamos bem longe do que Deus espera...
Tudo isso pela fraca sintonia com o Espírito, tema da segunda leitura.
2da leitura Rm 8,26-28
Ponto de partida é o Espírito Santo. Ele mora em nós e “vem em socorro da nossa fraqueza”. A fraqueza não é de tipo ético, de tipo comportamental, mas de entendimento com respeito ao que é oportuno e conveniente pedir e a maneira de como pedir “Pois nós não sabemos o que pedir, nem como pedir”.
A primeira leitura dava entender que o agir de Deus é tido como injusto. E apesar de ter experimentado a força amorosa de Deus, há pessoas que se atrevem e recusam o comportamento de Deus. Assim, a fraqueza se deve à condição humana não suficientemente esclarecida e iluminada, no meio das contradições e incertezas do presente.
Portanto, ela precisa do socorro do Espírito “ Pois, é segundo Deus que o Espírito intercede em favor dos santos (os cristãos são chamados de santos. Não em sentido de perfeitos, como entendemos hoje o ser santo,mas pela determinação deles a favor de Cristo)”.
A intercessão acontece “com gemidos inefáveis”. Eles manifestam a ação do Espírito que suscita a nostalgia impaciente da plena realização da ação salvadora de Deus e o sentido da esperança, apesar da fragilidade da condição humana.
Assim, o Espírito se apresenta como testemunha da nova identidade e do destino glorioso dos cristãos. Os “gemidos inefáveis” são como sinais que antecipam a salvação prometida. E isso porque Deus “penetra o intimo dos corações e sabe qual é a intenção do Espírito”. O Espírito age incessantemente a favor dos cristãos e socorre a fraqueza deles.
Os gemidos inefáveis se tronam como estimulo e incentivo, para o cristão se aproximar ao evento da salvação e da comunhão com Deus, renovando a inteligência e abrindo o coração para perceber a singular e inesperada ação de Deus apresentada pela primeira leitura.
Os gemidos, praticamente, sustentam o processo de constante conversão. No sentido da necessidade de renovar incessantemente os critérios do agir de Deus, ultrapassando as expectativas e critérios consolidados pela experiência e pela pratica costumeira.
Uma renovação que Jesus mesmo ilustra com as parábolas do evangelho.
Evangelho Mt 13,24-43
Contra toda pretensão e expectativa de erradicar o joio do trigo já na atualidade, Jesus responde “Deixai crescer um e outro até a colheita!”, pois, há o perigo que “arrancando o joio, arranqueis também o trigo”. Os dois terão seu destino se parados “ no tempo da colheita”, no final dos tempos. O mal acompanhará a história toda. Portanto, é preciso saber conviver com ele e não se deixar envolver. Neste sentido haverá uma luta constante. O mal tem seu poder de engano e de sedução, pelo envolvimento profundo com a realidade e pelo não sempre fácil discernimento entre joio e trigo - o bem e mal -. Será preciso proceder com muita atenção e cautela.
Outro aspecto da conversão diz com respeito à pequenez , humana e socialmente insignificante, do que é semeado. Pois, a semente é comparada a pequena “semente de mostarda (...) a menor de todas as sementes”. De fato, “Quando cresce, fica maior do que as outras plantas”. O resultado final é surpreendente. A conversão consiste em ter a certeza de que o trabalho pastoral deve ser desenvolvido apesar das aparências. Ele tem em si mesmo uma potencialidade que supera toda imaginação. O contraste ente o momento inicial e o final não deixa duvidas.
Assim, também, a parábola do fermento. O acontecer “do Reino dos Céus é como o fermento” colocado na devida proporção de maneira tal “que todo fique fermentado”. Com isso é passada a certeza de que todo alcançará a perfeição pela qual foi criado. Cada realidade adquirirá a plenitude pensada por Deus e desta forma dará gloria ao Criador. Portanto, todas as diversidades de culturas, línguas, religiões etc. alcançarão a plenitude do que é próprio e ao mesmo tempo se estabelecerá a harmonia entre tudo e a paz entre todos.
Estes resultados ultrapassam o modo de proceder, os métodos e a sabedoria próprios da realidade humana. Só haverá resultado se ela é como encharcada do estilo de vida, da filosofia do amor, que Jesus ensinou e praticou.
Os ensinamentos de Jesus em parábolas pretendem ilustrar, com exemplos tirados da vida e da experiência de todos os dias - e, portanto, muito acessíveis à compreensão dos ouvintes - a singular força e poder do proceder de Deus.
Deus procede motivado pelo amor e animado pelos sentimentos indicados na primeira leitura. Ele tira da realidade humana todas aquelas comparações, metáforas, que ilustram o bom senso e o sentido do agir dele.
Mas o horizonte, a finalidade de tudo è vencer as resistências, a desconfiança, todo o que impede e atrapalha ao homem chegar à comunhão com Ele. E ao mesmo tempo ensinar ao homem se tornar cada vez mais humano, como Deus se tornou humano na pessoa de Jesus
domingo, 3 de julho de 2011
15o DOMINGO DO T.C.-A-(10-07-11)
1ª leitura Is 55,10-11
O texto atribui à palavra de Deus uma realidade objetiva, uma força excepcional, capaz de superar todo obstáculo e executar a vontade de Deus. Ela é comparada à chuva e à neve “Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vem irrigar...”. Metáfora muito eficaz que transmite a idéia da força e poder indiscutível da palavra de Deus.
Ela “não voltará para mim vazia; antes realizará tudo que for de minha vontade, e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la”. Cabe perguntar: em que consiste a vontade do Senhor e o que pretende conseguir?
Em primeiro lugar afirma , como a chuva e a neve,que a palavra chega a todos indistintamente. Todos a recebem, ninguém fica excluído. É preciso criar as condições para que isso aconteça. Eis, então, o primeiro passo do discípulo, do profeta, do evangelizador: anunciar a palavra.
O anúncio inclui a devida argumentação do que é proposto. Assim, é preciso dar razão da própria adesão e ela; da transformação que suscita e da esperança com respeito ao futuro e ao destino pessoal e da humanidade toda. Com outras palavras, perceber o valor, a importância e o sentido da proposta.
A palavra pode ser acolhida ou não. Por acolhida, deve-se entender o comprometimento. Não se trata de simples informação ou de curiosidade. Trata-se de acreditar nela de maneira tal que marca o caminho, constitui a filosofia de vida com respeito ao relacionamento consigo mesmo, com os outros, com a sociedade, com o mundo e com a criação e o destino do próprio viver.
Mas, também, pode não ser acolhida. Diferentes motivos podem sustentar tal atitude. De fato, ela no entra no horizonte dos próprios interesses de maneira significativa e marcante. Pode ser objeto de informação, de conhecimento, de atenção em situações particulares e momentâneas, mas incide superficialmente o de maneira inconsistente no projeto global da própria vida.
Eis, então, a segunda missão da palavra: discernir. Assim, a vontade e os efeitos pela qual foi enviada é determinar o posicionamento de todos com respeito à proposta de vida que ela oferece. O evangelho frisa como o velho Simeão, tendo em seus braços Jesus, profetizará que “Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações” ( Lc 2, 34-35).
O envio da palavra responde por um lado à vontade do Senhor e pelo outro lado à exigência de libertação da criação toda, como explicita a segunda leitura.
2da leitura. Rm 8, 18-23
A palavra será motivo de contradição, como profetizou Simeão. Gerará divisão, tensão e sofrimento entre as pessoas. E, também, naquelas que a divulgam, pelas múltiplas dificuldades que encontrarão no desenvolvimento da missão.
Neste pano de fundo, Paulo afirma “Eu entendo que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós”. O entendimento dele é sustentado pela presença e ação do Espírito nele e na criação.
Devido ao evento da Pentecostes “sabemos que toda a criação, até o tempo presente, está gemendo como que em dores de parto. E não somente ela, mas nós também,que temos os primeiros frutos do Espírito”.
O que está acontecendo é como o parto, a geração de uma nova realidade, de uma nova vida. Ele, o parto, pelo lado da criação traz a esperada libertação da vaidade e da escravidão da corrupção. E pelo lado do cristão a “adoção filial e a libertação para o nosso corpo”.
Ponto determinante e final do processo, ansiosamente esperado, é “o momento de se revelarem os filhos de Deus”, na condição de pessoas investidas da adoção filial e participes plenamente da ressurreição de Cristo.
Assim, o parto envolverá simultaneamente os cristãos e a criação. Pelos primeiros se tratará da manifestação “da liberdade e da glória dos filhos de Deus”. Pela criação “a liberdade da escravidão (da vaidade) da corrupção” e, assim, participar da liberdade e da glória dos mesmos filhos de Deus.
Eis, porque Paulo afirma “De fato, toda a criação está esperando ansiosamente o momento de se revelares os filhos de Deus” e se sente investido de uma missão que ultrapassa a pregação às pessoas, à comunidade e abrange a criação toda, que será mergulhada na gloria de Deus. Assim, também a criação chegará à condição de novo céu e da nova terra, libertada do que se opõe à vontade do Criador.
Paulo sabe da “ glória que deve ser revelada em nós”. E como ela está intima e profundamente ligada à ação evangelizadora que reprisa nele e nos cristãos a experiência da morte e ressurreição de Cristo.
Portanto, o apostolo, comparando os sofrimentos do presente e a gloria futura afirma com plena consciência “Eu entendo que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós”.
A metáfora do parto faz pensar ao momento inicial do processo, ou seja, à fecundação. Assim, a fecundação e o inicio do processo se da naqueles que recebem a palavra de Deus e se deixam envolver por ela. Sem este ponto de partida a criação ficará sem esperança de libertação e de participar da glória de Deus.
É a palavra de Deus (a carta de Pedro a compara explicitamente ao sêmen masculino) o elemento que ativa o processo. Contudo, ele pode não chegar ao bom fim, como indica o evangelho.
Evangelho Mt 3,1-23
É a conhecida parábola do semeador, cuja explicação o texto oferece com clareza e profundidade o significado de conteúdo. Cada pessoa e cada comunidade estão chamadas a se confrontar com ela.
A parábola foi colocada para dar animo e esperança aos missionários, aos discípulos, desanimados e até desmotivados pelos poucos frutos, pela desilusão de não ter o retorno esperado da própria atividade evangelizadora.
Com efeito, as palavras finais “produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente” garantem e passam a certeza de que o trabalho evangelizador chegará a completar as expectativas de Deus, como frisava o conteúdo da primeira leitura.
Parece-me que “a terra boa”, não se refere à pessoa ou à comunidade eticamente correta. A ética será fruto amadurecido do que previamente Deus mesmo oferece como preparação do terreno.
Neste sentido “a terra boa” é a realidade pessoal constantemente, adubada e irrigada pelo dom da morte de ressurreição do Senhor. Com efeito, o anuncio da Palavra tem como eixo central a proclamação de tal evento e de seus efeitos naqueles que acolhem o dom oferecido.
É isso que prepara a terra boa. Todos os obstáculos, os empecilhos e as condições que não permitem à terra de acolher e de produzir frutos após a semeadura, são tirados e anulados por esse dom.
A interiorização dos efeitos da morte e ressurreição - quais a remissão dos pecados, o restabelecimento da Aliança e a conseguinte percepção da vida em abundancia como participação, antecipação e garantia da vida futura que se manifestará no final dos tempos – cria as condições para produzir os frutos do estilo de vida e da filosofia de amor que Jesus praticou e pregou na sua ação evangelizadora e ensinou como caminho, verdade e vida.
Este “trabalho prévio” Deus o realiza constantemente na ação sacramental e particularmente na Eucaristia. É assim que se cria a necessária e eficaz ligação entre fé e vida, que caracteriza a autentica espiritualidade cristã. Tal vez, este aspecto prévio não é suficientemente percebido na sua importância.
Conseqüentemente a ligação fé vida sofre daquela fraqueza e inconsistência pela qual se manifesta a fratura entre a celebração da Eucaristia, o estar na Igreja, e a vida fora nos afazeres do dia a dia. A dificuldade de entrosamento leva à aceitação passiva que assim é, que não há remédio...
Por outro lado, é certo que a Eucaristia, não é só trabalho prévio, mas também fim. Ela é, participação do louvor e da glória de Deus. Com efeito, ela une os dois aspetos, o começo e o fim, que configuram o círculo do amor de Deus no qual a pessoa e a comunidade estão mergulhadas.
Eis, então, percebida a eficácia da palavra e as condições para que ela produza os frutos para os quais é destinada. Inclusive, aqueles frutos de discernimento entre aqueles que a assumem para valer e outros que optam ficar em outras filosofias e estilos de vida.
De todas as maneiras a palavras cumpre a sua missão.
O texto atribui à palavra de Deus uma realidade objetiva, uma força excepcional, capaz de superar todo obstáculo e executar a vontade de Deus. Ela é comparada à chuva e à neve “Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vem irrigar...”. Metáfora muito eficaz que transmite a idéia da força e poder indiscutível da palavra de Deus.
Ela “não voltará para mim vazia; antes realizará tudo que for de minha vontade, e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la”. Cabe perguntar: em que consiste a vontade do Senhor e o que pretende conseguir?
Em primeiro lugar afirma , como a chuva e a neve,que a palavra chega a todos indistintamente. Todos a recebem, ninguém fica excluído. É preciso criar as condições para que isso aconteça. Eis, então, o primeiro passo do discípulo, do profeta, do evangelizador: anunciar a palavra.
O anúncio inclui a devida argumentação do que é proposto. Assim, é preciso dar razão da própria adesão e ela; da transformação que suscita e da esperança com respeito ao futuro e ao destino pessoal e da humanidade toda. Com outras palavras, perceber o valor, a importância e o sentido da proposta.
A palavra pode ser acolhida ou não. Por acolhida, deve-se entender o comprometimento. Não se trata de simples informação ou de curiosidade. Trata-se de acreditar nela de maneira tal que marca o caminho, constitui a filosofia de vida com respeito ao relacionamento consigo mesmo, com os outros, com a sociedade, com o mundo e com a criação e o destino do próprio viver.
Mas, também, pode não ser acolhida. Diferentes motivos podem sustentar tal atitude. De fato, ela no entra no horizonte dos próprios interesses de maneira significativa e marcante. Pode ser objeto de informação, de conhecimento, de atenção em situações particulares e momentâneas, mas incide superficialmente o de maneira inconsistente no projeto global da própria vida.
Eis, então, a segunda missão da palavra: discernir. Assim, a vontade e os efeitos pela qual foi enviada é determinar o posicionamento de todos com respeito à proposta de vida que ela oferece. O evangelho frisa como o velho Simeão, tendo em seus braços Jesus, profetizará que “Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações” ( Lc 2, 34-35).
O envio da palavra responde por um lado à vontade do Senhor e pelo outro lado à exigência de libertação da criação toda, como explicita a segunda leitura.
2da leitura. Rm 8, 18-23
A palavra será motivo de contradição, como profetizou Simeão. Gerará divisão, tensão e sofrimento entre as pessoas. E, também, naquelas que a divulgam, pelas múltiplas dificuldades que encontrarão no desenvolvimento da missão.
Neste pano de fundo, Paulo afirma “Eu entendo que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós”. O entendimento dele é sustentado pela presença e ação do Espírito nele e na criação.
Devido ao evento da Pentecostes “sabemos que toda a criação, até o tempo presente, está gemendo como que em dores de parto. E não somente ela, mas nós também,que temos os primeiros frutos do Espírito”.
O que está acontecendo é como o parto, a geração de uma nova realidade, de uma nova vida. Ele, o parto, pelo lado da criação traz a esperada libertação da vaidade e da escravidão da corrupção. E pelo lado do cristão a “adoção filial e a libertação para o nosso corpo”.
Ponto determinante e final do processo, ansiosamente esperado, é “o momento de se revelarem os filhos de Deus”, na condição de pessoas investidas da adoção filial e participes plenamente da ressurreição de Cristo.
Assim, o parto envolverá simultaneamente os cristãos e a criação. Pelos primeiros se tratará da manifestação “da liberdade e da glória dos filhos de Deus”. Pela criação “a liberdade da escravidão (da vaidade) da corrupção” e, assim, participar da liberdade e da glória dos mesmos filhos de Deus.
Eis, porque Paulo afirma “De fato, toda a criação está esperando ansiosamente o momento de se revelares os filhos de Deus” e se sente investido de uma missão que ultrapassa a pregação às pessoas, à comunidade e abrange a criação toda, que será mergulhada na gloria de Deus. Assim, também a criação chegará à condição de novo céu e da nova terra, libertada do que se opõe à vontade do Criador.
Paulo sabe da “ glória que deve ser revelada em nós”. E como ela está intima e profundamente ligada à ação evangelizadora que reprisa nele e nos cristãos a experiência da morte e ressurreição de Cristo.
Portanto, o apostolo, comparando os sofrimentos do presente e a gloria futura afirma com plena consciência “Eu entendo que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós”.
A metáfora do parto faz pensar ao momento inicial do processo, ou seja, à fecundação. Assim, a fecundação e o inicio do processo se da naqueles que recebem a palavra de Deus e se deixam envolver por ela. Sem este ponto de partida a criação ficará sem esperança de libertação e de participar da glória de Deus.
É a palavra de Deus (a carta de Pedro a compara explicitamente ao sêmen masculino) o elemento que ativa o processo. Contudo, ele pode não chegar ao bom fim, como indica o evangelho.
Evangelho Mt 3,1-23
É a conhecida parábola do semeador, cuja explicação o texto oferece com clareza e profundidade o significado de conteúdo. Cada pessoa e cada comunidade estão chamadas a se confrontar com ela.
A parábola foi colocada para dar animo e esperança aos missionários, aos discípulos, desanimados e até desmotivados pelos poucos frutos, pela desilusão de não ter o retorno esperado da própria atividade evangelizadora.
Com efeito, as palavras finais “produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente” garantem e passam a certeza de que o trabalho evangelizador chegará a completar as expectativas de Deus, como frisava o conteúdo da primeira leitura.
Parece-me que “a terra boa”, não se refere à pessoa ou à comunidade eticamente correta. A ética será fruto amadurecido do que previamente Deus mesmo oferece como preparação do terreno.
Neste sentido “a terra boa” é a realidade pessoal constantemente, adubada e irrigada pelo dom da morte de ressurreição do Senhor. Com efeito, o anuncio da Palavra tem como eixo central a proclamação de tal evento e de seus efeitos naqueles que acolhem o dom oferecido.
É isso que prepara a terra boa. Todos os obstáculos, os empecilhos e as condições que não permitem à terra de acolher e de produzir frutos após a semeadura, são tirados e anulados por esse dom.
A interiorização dos efeitos da morte e ressurreição - quais a remissão dos pecados, o restabelecimento da Aliança e a conseguinte percepção da vida em abundancia como participação, antecipação e garantia da vida futura que se manifestará no final dos tempos – cria as condições para produzir os frutos do estilo de vida e da filosofia de amor que Jesus praticou e pregou na sua ação evangelizadora e ensinou como caminho, verdade e vida.
Este “trabalho prévio” Deus o realiza constantemente na ação sacramental e particularmente na Eucaristia. É assim que se cria a necessária e eficaz ligação entre fé e vida, que caracteriza a autentica espiritualidade cristã. Tal vez, este aspecto prévio não é suficientemente percebido na sua importância.
Conseqüentemente a ligação fé vida sofre daquela fraqueza e inconsistência pela qual se manifesta a fratura entre a celebração da Eucaristia, o estar na Igreja, e a vida fora nos afazeres do dia a dia. A dificuldade de entrosamento leva à aceitação passiva que assim é, que não há remédio...
Por outro lado, é certo que a Eucaristia, não é só trabalho prévio, mas também fim. Ela é, participação do louvor e da glória de Deus. Com efeito, ela une os dois aspetos, o começo e o fim, que configuram o círculo do amor de Deus no qual a pessoa e a comunidade estão mergulhadas.
Eis, então, percebida a eficácia da palavra e as condições para que ela produza os frutos para os quais é destinada. Inclusive, aqueles frutos de discernimento entre aqueles que a assumem para valer e outros que optam ficar em outras filosofias e estilos de vida.
De todas as maneiras a palavras cumpre a sua missão.
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