1ª leitura Is 55,1-3
“Inclinai vosso ouvido e vinde a mim, ouvi e tereis vida”. O convite é dirigido ao povo cuja atenção é orientada às preocupações de sobrevivência, na tentativa de conseguir no exílio uma situação de bem-estar, pois, “Por que gastar dinheiro com outra coisa que não o pão, desperdiçar o salário senão com satisfação completa?”
A tentativa é frustrante, não consegue o resultado esperado “vós que estais com sede (...) vós que não tendes dinheiro”. Nestas condições não é difícil entender o estado de animo do povo, percebendo que está como num beco sem saída.
É a condição dos homens, em nível individual ou social, de todos os tempos e de todos os lugares. Por diferentes motivos e nas diversas circunstâncias, batem profundamente no animo experiências de frustração que desmotivam todo empenho, todo compromisso e colocam em duvida até o sentido mesmo da vida...
No entendimento do profeta a causa principal está no ter se afastados de Deus. Daí o convite a retornar: “ vinde a mim”. Como? Dando o primeiro passo “Inclinai o vosso ouvido”. É come dizer: escutai com todo o coração, com toda a alma, com todas as forças. É marcante e insistente em todo o Antigo Testamento o convite “Escuta Israel!”. É o que qualifica a atitude do discípulo.
O efeito, “ ouvi e tereis vida”. Meta desejada e ansiosamente suspirada, quando as perspectivas são as do sofrimento e da morte. Isso significa ressuscitar, voltar ao sentido verdadeiro e profundo da existência, encontrar o caminho que faz da convivência humana e dos relacionamentos interpessoais uma realidade digna de ser trabalhada e vivenciada com entusiasmo.
Mais ainda, considerando que esta dinâmica vai ser perpetuada pela Aliança, pois o Senhor promete “ farei convosco um pacto eterno, manterei fielmente as graças concedidas a Davi”. Portanto, o pacto eterno é garantia de que o povo, e as pessoas, podem contar com a constante presença do Senhor em ordem a sustentar e contribuir para que a transmissão da plenitude da vida por meio de sua palavra seja uma constante e nunca falte em toda circunstância.
O Senhor manifesta que este seu propósito está ligado à promessa feita desde o tempo do rei Davi. Isso demonstra que Ele tomou a serio seu compromisso e entende mente-lo apesar do pecado e da infidelidade do povo , cuja conseqüência é a condição lastimável em que se encontra.
Desta forma, o Senhor oferece todas as garantias e merece todo confiança e atenção, e com elas a determinação em acolher suas indicações, pois, “Ouvi-me com atenção, e alimentai-vos, para deleite e revigoramento do vosso corpo”.
Tudo isso gera o singular relacionamento com o Senhor. A segunda leitura oferece um quadro dele.
2da leitura Rm 8,35.37-39
“Quem nos separará do amor de Cristo?” Paulo coloca a pergunta a partir da certeza que nada e ninguém poderão conseguir este objetivo, tão grande e profunda é a união com Ele. Até formula possíveis causas da eventual separação “Tribulação? Angústia? (...) Perigo? Espada?”. Pois, toda a lista das desventuras, ou são uma delas, normalmente são causa desconcerto ao ponto de motivar o afastamento e a desistência.
Paulo mesmo responde, em nome próprio e dos irmãos, com determinação e firmeza “Em todo isso, somo mais que vencedores, graças àquele que nos amou!”. A causa é ter percebido e acreditado no grande amor de Deus para com ele(s) “ amor de Deus (...) manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor”.
A profundidade, a grandeza, a incondicionalidade desse amor determinou nele a certeza absoluta de que “nem a morte, nem a vida, nem (...), nem(...), nem (...), será capaz de nos separa do amor de Deus”. Portanto, nada pode separar-nos do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus. Deus nunca tomará a iniciativa da separação. Ou melhor, só nós mesmos nos podemos separar.
A percepção e a participação ao amor de Deus, como é essencialmente dom Dele, não pode ser retido como se fosse adquirido de uma vez para sempre, como se fosse uma realidade da qual tomar posse e dispor como, quando e onde a gente achar bem...
Ele sendo dom de Deus, permanece propriedade de Deus. Ele, Deus, o oferece em cada momento a toda pessoa que mantém o constante relacionamento com Ele. Portanto a separação acontece pela falta de vigilância das seduções humanas, pela desatenção ao correto discernimento, pela acomodação na pratica da justiça etc.
Mas acontece, também, pela falta ou deficiente alimentação, à qual o evangelho aponta.
Evangelho Mt 14, 13-21
A morte de João Batista constitui um momento altamente dramático para Jesus. Motivo pelo qual sente a necessidade de se retirar “ partiu e foi de barco para um lugar deserto e afastado”. Queria ficar sozinho para meditar, como é normal em circunstâncias como estas. Há momentos de grande perturbação interior que precisam de silencio e de solidão...
O povo foi atrás dele, precisava dele. E Jesus “ao sair do barco viu uma grande multidão”. Tal vez, não esperava este encontro nem o desejava pela circunstancia do luto. Olhando para o povo, percebendo a expectativa e a esperança na sua pessoa e na sua palavra “Encheu-se de compaixão por eles e curou os que estavam doentes”.
Impressiona como o sofrimento do povo falou mais alto do sofrimento e do desconcerto Dele. Jesus encheu-se de compaixão, ou seja, participou plenamente do sofrimento deles. Com efeito, a compaixão é o que verdadeiramente pode encher o vazio deixado pela morte prematura, violenta e inesperada de João, do amigo. Ela é a força motriz pela qual a
pessoa ‘’sae” de si mesma e vai ao encontro do outro do qual percebe o sofrimento, relativizando ou diminuindo o interesse pelo próprio. Algo disso deve ter acontecido em Jesus. Assim, agiu com misericórdia para com eles e os curou.
A compaixão e a misericórdia são os motivos que sustentam a ação pastoral de Jesus. A sensibilidade humana dele e o coração voltado para aliviar e resgatar o sofrimento constitui o que todo ser humano deve cultivar no próprio mundo interior para encontrar o motivo e a força para deixar de lado as próprias preocupação, para ultrapassar o próprio sofrimento e se por ao serviço dos que precisam.
Os discípulos procuram se libertar das necessidades, das urgências, dos outros e colocam para Jesus “Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar comida”. Pelo contrário, Jesus deseja que os discípulos se abram à compaixão e lhes disse “Eles não precisam in embora. Dai-lhes vós mesmos de comer!”.
O que segue, o relato da multiplicação dos pães, tem todos os elementos característicos da celebração eucarística. Ele manifesta a verdade, a força e a autoridade da palavra do Senhor. Em virtude dela “Todos ficaram satisfeitos, e dos pedaços que sobraram, recolheram ainda doze cestos cheios”.
À luz da primeira leitura, Jesus é aquele que dá, e dá com abundancia e gratuitamente. Doa o pão que, depois de ter levantado os olhos e rendido graças, partirá em sinal da Aliança “Jesus mandou que as multidões sentassem na grama (...). Os discípulos os distribuíram às multidões”.
Pão para todos e em abundancia. O pão é o alimento básico do povo. A abundancia dele é sinal de vida e bem-estar. O fato de compartilhá-lo juntos é sinal do especial relacionamento entre eles. Compartilhar o pão é compartilhar a vida. E ela, a vida, tem como eixo de desenvolvimento a Aliança do Sinai.
A alegria e satisfação de compartilhar o alimento básico continuará em compartilhar o direito e a justiça para uma nova sociedade. Pois, como dirá Jesus: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4).
Com efeito, se o povo e as autoridades respeitassem as regras da Aliança, o pão e com ele todas as necessidades básicas chegariam à mesa de todos. Não precisaria mais de milagres, nem Jesus transformar as pedras em pão.
O comer juntos é para reforçar o sentimento de fraternidade e com isso a vontade de vivenciar a mesma nos relacionamentos interpessoais e sociais A adesão pessoal ao Senhor e a vivencia comunitária são as duas faces da mesma realidade da acolhida do amor de Deus. Amor que é alimento e bebida necessários para a vida de todos os dias.
domingo, 24 de julho de 2011
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