terça-feira, 19 de julho de 2011

17o DONINGO DO T.C.-A-(24-07-11)

1ª leitura 1Rs 3,5.7-12

No inicio do reinado, Salomão dirige a Deus sua oração. Ainda muito jovem “eu não passo de adolescente, que não sabe ainda como governar”, se encontra numa situação muito complicada: governar uma nação constituída pela união recente de dois estados, no meio de um ninho de cobras criadas... O coitado está apavorado.
Eis, então, que “em Gabaon o Senhor apareceu a Salomão (...) e lhe disse: Pede o que desejas, e eu te darei”. O normal para um rei é pedir longa vida, riquezas e vitoria nas batalhas sobre os inimigos. Mas a primeira preocupação de Salomão não para si mesmo. Ele sente a urgência de ter condição e critérios para governar o povo, em sintonia com as expectativas de Deus. De outra maneira, “quem poderá governar este teu povo tão numeroso? ”.
Então, pede: “ Dá, pois, ao teu servo, um coração compreensivo, capaz de governar o teu povo e de discernir entre o bem e o mal”. Com outras palavras, pede um coração que saiba escutar.
O pedido agradou muito ao Senhor, porque não pediu para si mesmo, para os próprios interesses individuais, mas para bem governar o povo, para o correto desenvolvimento da missão. E também pediu certo, pois, a primeira atitude é a de escutar.
Cabe distinguir entre ouvir e escutar. Ouvir é apenas uma atividade biológica. Não pede maior esforço do nosso cérebro. Escutar é prestar atenção com toda inteligência, vontade e memória. Sempre é uma atitude de amor. O lugar da escuta é o coração.
O Senhor inúmeras vezes exorta o povo e as pessoas à escuta: “Escuta Israel!” (Dt 4,1). É o permanente convite que qualifica a condição de Israel como povo eleito e das pessoas como discípulos. Maria, irmã de Marta, estava aos pés de Jesus escutando-o, e Ele a aponta como quem “escolheu a melhor parte, e esta não lhe será tirada” (Lc 10,42).
Com efeito, o alicerce de todo relacionamento de qualidade com Deus e com o próximo é baseado na escuta. Muitas brigas, desentendimentos, injustiças, etc. são causadas por não saber escutar. A postura de escuta deve ocorrer de forma plena “com todo o seu coração, com toda a sua alma, com toda a sua força e com toda a sua mente” (Lc 10,27).
Esta oração de Salomão agradou ao Senhor (...). Já que pediste (...) sabedoria para praticar a justiça, vou satisfazer o teu pedido; dou-te um coração sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes de ti, nem haverá depois de ti”. E com ele doará, também, vida longa, riquezas e vitória sobre os inimigos. De fato, o reinado de Salomão será lembrado como o ponto alto da história de Israel.
Todo dom do Senhor é para a pratica da justiça, para o acontecer das exigências da aliança. Portanto, o dom não pode ser retido como patrimônio individual. É para os outros, para o bem do povo, na pratica do direito e da justiça. Desta forma, se implanta na vida da coletividade as condições para acontecer o sonho da Aliança, o surgir de uma nova terra, de um novo povo na harmonia e na paz.
Para isso a escuta é o primeiro passo da transformação da pessoa, que tem como eixo a ação de Deus por meio de Cristo na força e no poder do Espírito Santo, como sinteticamente expõe a segunda leitura.

2da leitura Rm 8,28-30

Pano de fundo é “o bem dos que amam a Deus”. Referem-se aqueles que se deixaram amar por Ele. Eles entenderam o agir de Deus, na pessoa de Jesus, como expressão do amor no qual se sentiram envolvidos e transformados. Perceberam-se “que são chamados para a salvação, de acordo com o projeto de Deus”, em virtude da adesão consciente e confiante nessa especifica ação.
Deus quer que todos os homens de salvem e cheguem ao conhecimento da verdade (1Tm 2,4). Eles são “aqueles que Deus contemplou com seu amor desde sempre”. De fato, a pessoa de Jesus representa perante Deus os homens de todos os tempos e de todos os lugares. Ele contemplou a todos indistintamente. Só que não todos entenderam e responderam a este amor... Portanto, não entraram no círculo da salvação.
De toda maneira, a todos “predestinou a serem conformes à imagem de seu Filho”. Cabe especificar que a predestinação não é no sentido de que goste ou não a meta, o destino, está já marcado com anterioridade, como se dele não se pudesse fugir. Deus indicou o destino, a meta, para todos aqueles que se deixam envolver na ação salvadora dele.
A meta é ser conforme a “imagem do seu Filho”, ou seja, ser filhos no Filho. Desta forma o Filho se manifesta como “o primogênito numa multidão de irmãos”. Imagens que refletem em si mesmas as características fundamentais do Filho, bem mantendo sua própria identidade e especificidade. Ou melhor, levando elas à sua plenitude.
Esta especificidade consiste em devolver ao Filho o dom recebido por Ele. De investir a própria existência assumindo o estilo de vida, a filosofia do amor e a dinâmica dele, a imitação de Jesus para com a humanidade toda. Em fim, ser uma imagem semelhante a Ele.
Nesta dinâmica se entrelaçam três aspetos da única realidade da comunhão com Deus: o chamado, a justificação e a glorificação “E aqueles que Deus predestinou, também os chamou. E ao que os chamou, também os tornou justos; e aos que tornou justos, também os glorificou”.
Com efeito, a vocação, o chamado de Deus, tem como adesão a experiência da justificação oferecida por Jesus com a sua morte e ressurreição. Envolvido nesta realidade de amor há condição para chegar à glorificação.
Ela consiste em fazer próprio o estilo de vida, a filosofia e a pratica de Jesus, assim de experimentar nos eventos do dia- a - dia, nas diferentes circunstâncias, a mesma dinâmica de morte e ressurreição de Jesus. Com ele se realiza a singular comunhão e participação à sua pessoa e a sua missão que é expressão da sua glória: “ Se fomos de certo modo identificados a Jesus Cristo por uma morte semelhante à sua, seremos semelhantes a ele também pela ressurreição” ( Rm 6,5)
Este trecho tem como objetivo infundir a certeza da salvação, conforme ao desígnio de Deus. O evangelho indica as condições para atingir o objetivo.

Evangelho Mt 13,44-52

As parábolas do tesouro escondido e da perola preciosa oferecem umas importantes considerações com respeito ao nosso relacionamento com o Reino dos Céus.
O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido”. O campo é o mundo em geral e mais especificamente, a percepção e a vivencia nele através dos relacionamentos consigo mesmo, com os outros, com a sociedade e com a criação. Ai o Reino está escondido.
Mas, como encontrar o tesouro escondido? Primeiro sabendo de sua existência, e quem informa dele é a Palavra de Deus. Daí a importância de escutar e confiar, ou seja, ter fé na verdade que a Palavra transmite.
Em segundo lugar, exige a busca, pois, o encontra quem busca. Ela é motivada pela confiança de encontrar a “ perola de grande valor” Portanto, merece investir nela todo esforço. Não se trata de algo simplesmente de ordem intelectual. É necessário, mas não resolutivo. É, em último termo, uma experiência de vida sustentada pela prática motivada pelo estilo de vida de Jesus e pela sua filosofia de vida, que lidam com o paradoxo cristão: perder a propria vida pela causa do evangelho para salvá-la.
Neste sentido, não se trata de uma formula fixa, mas de um critério de discernimento e de ação a ser aplicado nas múltiplas e diferentes circunstâncias da vida e no dia-a-dia. Isso supõe exercício constante da atenção à realidade, da inteligência, assim como da ousadia e da criatividade, voltada para determinar a melhor atuação ou resposta.
Parece-me que se trata de individuar como uma espécie de DNA da vida, em virtude do qual merece investir tudo e todo. Daí a atitude e a determinação de vender “todos os seus bens e compra aquele campo (...),ou, aquela perola”. Encontrou- se o sentido verdadeiro e profundo da própria existência. O Reino dos Céus é entrar nisso.
Contudo, nem todos procuram e investem na busca di Reino dos Céus. É o que a parábola da “rede lançada no mar”quer passar. (Ela tem o paralelismo com a parábola do joio semeado no capo e cresce com a semente boa.). A divisão entre os peixes bons e os que não prestam, acontecerá no final dos tempos, pois, então “os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos”.
Jesus, aproveita da oportunidade para fazer suas considerações com respeito aos Mestres da Lei, os guias espirituais do povo : “Todo o mestre da Lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas”.
Com isso, estabelece um principio muito importante: no evento do Reino dos Céus há solução de continuidade e descontinuidade no presente entre o passado e o futuro. Esta singular síntese constitui a sabedoria do Reino. Ela faz do presente uma realidade de plenitude de vida que não é simples reprisar o passado e nem antecipar um futuro sem raízes na história. Pois, esta singular combinação pode ser percebida e entendida só pela pratica do amor, tal como Jesus ensinou e praticou.
Com efeito, o Reino dos Céus é o reino do Amor, porque “Deus é Amor”, como afirma são João. Portanto, o Reino manifesta o poder e o senhorio de Deus pela prática do amor naqueles que a ele pertencem pela adesão a Cristo.

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