terça-feira, 12 de julho de 2011

16o DOMINGO DO T.C.-A-(17-07-11)

1ª leitura Sb 12,13 .16-19

A tua força é principio da tua justiça (...). Mostras a tua força (...). Dominando a tua própria força...”. O texto desenvolve a reflexão tendo com eixo a força de Deus. Contrariamente àquilo que se entende por força como energia impositiva e coercitiva, ela è apresentada de uma maneira muito singular “Assim procedendo, ensinaste ao teu povo que o justo deve ser humano...”. E especifica o que entende por humano “... e a teus filhos deste a confortadora esperança de que concedes o perdão aos pecadores”.
Portanto, se tornar mais humano pela pratica do perdão è o princípio da justiça. O que è implantado com isso è a ética do amor. A força a justiça de Deus è o amor. E a definição mai própria de Deus è a de primeira carta de João: “Deus è Amor”. Daí principia, tem sua raiz, toda justiça.
Esta atitude de Deus deixa perplexidades entre os homens, como se Deus tivesse que justificar a própria atitude e mostrar “que teu (de Deus) julgamento não foi injusto”. A argumentação procura responder a elas. Em primeiro lugar afirma que “Não há, além de te ti, outro Deus que cuide de todas as coisas”. Em virtude disso “o teu domínio sobre todos te faz para com todos indulgente”. Assim, o cuidado amoroso para com toda a criação é atitude fundamental de Deus para com a obra de suas mãos.
Daí decorre diferentes comportamentos. “Mostras a tua força a quem não crê na perfeição do teu poder...”. Trata-se da força e do poder do amor indulgente para com os que estão desconfiados de que a misericórdia tenha a força e o poder de renovar e transformar a vida das pessoas.
Por outro lado, “...e nos que te conhecem”- os que já experimentaram a indulgencia e a misericórdia-, a atitude é a repreensão: “castigas o seu atrevimento”. Trata-se do atrevimento de quem por rebeldia, ou qualquer outro motivo, se recusa contra toda evidencia em entender e acolher o agir de Deus.
No entanto, dominando tua própria força, julgas com clemência e nos governas com grande consideração”. Contudo, o agir de Deus permanece firme e constante, pois a amor dele è inabalável. Ele é o Deus fiel à Aliança.
Tudo isso conforta e anima o pecador, o homem fraco e vulnerável às exigências da Aliança. Em virtude do pecado mereceria o repudio, a condenação eterna, pois os termos da Aliança são peremptórios e sem possibilidade de ser mal entendidos: quem não respeitar a Aliança merece a morte.
Contudo, o homem sabe que por parte de Deus “quando quiser, está ao teu alcance fazer uso do teu poder”. Vale frisar que é muito comum abusar desta atitude de Deus. Muitas pessoas acham que em virtude deste poder misericordioso, se sentem como “liberados” em pecar, como se pudessem contar incondicionalmente da boa disposição e vontade de Deus ao perdão.
É a avaliação de quem manifesta pouca consideração ao amor e à misericórdia de Deus. Como se elas fossem devidas, em m virtude dele ser Deus. Como se Ele fosse obrigado em virtude de sua condição divina em perdoar sempre em todo caso, fosse só por ser fiel à Aliança.
No fundo isso significa simplesmente quiser aproveitar da bondade Dele, sem se sentir comprometido e envolvido em e por esse amor. Estamos bem longe do que Deus espera...
Tudo isso pela fraca sintonia com o Espírito, tema da segunda leitura.

2da leitura Rm 8,26-28

Ponto de partida é o Espírito Santo. Ele mora em nós e “vem em socorro da nossa fraqueza”. A fraqueza não é de tipo ético, de tipo comportamental, mas de entendimento com respeito ao que é oportuno e conveniente pedir e a maneira de como pedir “Pois nós não sabemos o que pedir, nem como pedir”.
A primeira leitura dava entender que o agir de Deus é tido como injusto. E apesar de ter experimentado a força amorosa de Deus, há pessoas que se atrevem e recusam o comportamento de Deus. Assim, a fraqueza se deve à condição humana não suficientemente esclarecida e iluminada, no meio das contradições e incertezas do presente.
Portanto, ela precisa do socorro do Espírito “ Pois, é segundo Deus que o Espírito intercede em favor dos santos (os cristãos são chamados de santos. Não em sentido de perfeitos, como entendemos hoje o ser santo,mas pela determinação deles a favor de Cristo)”.
A intercessão acontece “com gemidos inefáveis”. Eles manifestam a ação do Espírito que suscita a nostalgia impaciente da plena realização da ação salvadora de Deus e o sentido da esperança, apesar da fragilidade da condição humana.
Assim, o Espírito se apresenta como testemunha da nova identidade e do destino glorioso dos cristãos. Os “gemidos inefáveis” são como sinais que antecipam a salvação prometida. E isso porque Deus “penetra o intimo dos corações e sabe qual é a intenção do Espírito”. O Espírito age incessantemente a favor dos cristãos e socorre a fraqueza deles.
Os gemidos inefáveis se tronam como estimulo e incentivo, para o cristão se aproximar ao evento da salvação e da comunhão com Deus, renovando a inteligência e abrindo o coração para perceber a singular e inesperada ação de Deus apresentada pela primeira leitura.
Os gemidos, praticamente, sustentam o processo de constante conversão. No sentido da necessidade de renovar incessantemente os critérios do agir de Deus, ultrapassando as expectativas e critérios consolidados pela experiência e pela pratica costumeira.
Uma renovação que Jesus mesmo ilustra com as parábolas do evangelho.

Evangelho Mt 13,24-43

Contra toda pretensão e expectativa de erradicar o joio do trigo já na atualidade, Jesus responde “Deixai crescer um e outro até a colheita!”, pois, há o perigo que “arrancando o joio, arranqueis também o trigo”. Os dois terão seu destino se parados “ no tempo da colheita”, no final dos tempos. O mal acompanhará a história toda. Portanto, é preciso saber conviver com ele e não se deixar envolver. Neste sentido haverá uma luta constante. O mal tem seu poder de engano e de sedução, pelo envolvimento profundo com a realidade e pelo não sempre fácil discernimento entre joio e trigo - o bem e mal -. Será preciso proceder com muita atenção e cautela.
Outro aspecto da conversão diz com respeito à pequenez , humana e socialmente insignificante, do que é semeado. Pois, a semente é comparada a pequena “semente de mostarda (...) a menor de todas as sementes”. De fato, “Quando cresce, fica maior do que as outras plantas”. O resultado final é surpreendente. A conversão consiste em ter a certeza de que o trabalho pastoral deve ser desenvolvido apesar das aparências. Ele tem em si mesmo uma potencialidade que supera toda imaginação. O contraste ente o momento inicial e o final não deixa duvidas.
Assim, também, a parábola do fermento. O acontecer “do Reino dos Céus é como o fermento” colocado na devida proporção de maneira tal “que todo fique fermentado”. Com isso é passada a certeza de que todo alcançará a perfeição pela qual foi criado. Cada realidade adquirirá a plenitude pensada por Deus e desta forma dará gloria ao Criador. Portanto, todas as diversidades de culturas, línguas, religiões etc. alcançarão a plenitude do que é próprio e ao mesmo tempo se estabelecerá a harmonia entre tudo e a paz entre todos.
Estes resultados ultrapassam o modo de proceder, os métodos e a sabedoria próprios da realidade humana. Só haverá resultado se ela é como encharcada do estilo de vida, da filosofia do amor, que Jesus ensinou e praticou.
Os ensinamentos de Jesus em parábolas pretendem ilustrar, com exemplos tirados da vida e da experiência de todos os dias - e, portanto, muito acessíveis à compreensão dos ouvintes - a singular força e poder do proceder de Deus.
Deus procede motivado pelo amor e animado pelos sentimentos indicados na primeira leitura. Ele tira da realidade humana todas aquelas comparações, metáforas, que ilustram o bom senso e o sentido do agir dele.
Mas o horizonte, a finalidade de tudo è vencer as resistências, a desconfiança, todo o que impede e atrapalha ao homem chegar à comunhão com Ele. E ao mesmo tempo ensinar ao homem se tornar cada vez mais humano, como Deus se tornou humano na pessoa de Jesus

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