1ª leitura Is 9,1-6
Na noite de Natal, momento de união familiar, de harmonia e paz, de festa; caem como um meteorito as palavras “tu os abateste como na jornada de Madiã. Botas de tropa de assalto, trajes manchados de sangue, tudo será queimado e devorado pelas chamas”. O dia de Madiã se refere à grande e desconcertante evento da vitória de poucos homens contra um exército tido como invencível, que teria destruído Israel.
A “tropa de assalto”, um punhado de homens animados e sustentados pela promessa do Senhor, passa a imagem de pessoas determinadas que agem com convicção, apesar da desproporção de forças. Os “Trajes manchados de sangue” indicam a intensidade e violência da batalha, além de toda previsão. Com efeito, foi um massacre. Um quadro totalmente diferente do que se espera no dia de Natal, tal vez porque preanuncia a missão e o destino do menino que nasce em Belém.
A vitória sobre os inimigos é evento de libertação da escravidão da violência e da opressão “O jugo que oprimia o povo, -a carga sobre os ombros, o orgulho dos fiscais- tu os abatestes como na jornada de Madiã”.
A condição de opressão e escravidão do povo é percebida como imersão na escuridão e nas sombras da morte “O povo que andava na escuridão (...) que habitavam nas sombras da morte”. Sobre este povo “Uma grande luz (...) uma luz resplendeceu”: a libertação e com ela a condição de resgatar à dignidade uma existência diminuída e humilhada.
Botas e trajes manchados de sangue “tudo será queimado e devorado pelas chamas” como se não tivesse que deixar rastro do acontecido, como se o fogo engolisse para sempre a violência e a guerra, como se todo o mal tivesse que desaparecer da face da terra.
“O amor zeloso do Senhor dos exércitos há de realizar estas coisas”. No evento de Madiã por meio de poucos homens. Mais na frente, por meio do menino cujo nascimento é anunciado “nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho”, juntamente ao ponto dramático da missão e sua trágica conclusão, para conseguir a libertação e salvação do povo.
Pois, o menino deverá enfrentar corajosamente a luta para quebrar o “jugo” da injustiça, a carga da distorção da Aliança para a vantagem dos poderosos e chefes do povo, para destruir “a carga sobre os ombros” e implantar a nova ordem social ma justiça e no direito com a chegada do reino de Deus queimando “o orgulho dos fiscais”. A luta extrema será na cruz, na qual o menino, já adulto, será afogado em seu próprio sangue.
O menino “traz aos ombros a marca da realeza”. Realeza bem diferente daquela que estamos acostumados considerar. É aquela da entrega da própria vida pela causa da justiça, da fraternidade universal. É a realeza do amor pela qual Deus oferece as condições para que todos experimentem a salvação, visibilizando-a no acontecer do reino de Deus. Então “a paz não há de ter fim sobre o trono de Davi (...) a partir de agora e para todo o sempre”.
Nesta perspectiva ao menino são atribuídas as qualidades de “Conselheiro admirável, Deus forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da paz”. Ele será o guia certo para implantar e consolidar a verdadeira fraternidade entre os homens, de maneira tal que o dom de si mesmo para o bem do outro no horizonte da justiça e do direito se trone, ao mesmo tempo, a plena realização de si mesmo.
O respeito e a solidariedade entre povos e culturas diferentes, no horizonte da fraternidade universal, é o acontecer de maneira corajosa e criativa da justiça e do direito. É o acontecer do reino de Deus como uma espiral em continua expansão, que abrange tudo e todos na dinâmica que será implantada pela morte e ressurreição do menino; dinâmica da vivência de Deus na condição humana, dinâmica da condição do homem assumir para si a condição de divinizado.
Eis, portanto, a passagem da escuridão à luz e seus efeitos “Fizeste crescer a alegria, aumentaste a felicidade”. Os termos crescer e aumentaste indicam o processo de expansão acima indicado. Processo que não terá fim, pois a glória de Deus não é um ponto de chegada, mas uma espiral que não termina nunca.
“Todos se regozijam em tua presença, como alegres ceifeiros na colheita, ou como exaltados guerreiros ao dividirem os despojos” .É a satisfação de quem recolhe os frutos do comportamento correto e confere que valeu trabalhar o dom oferecido pelo menino, já adulto, com a morte e ressurreição dele.
É o argumento da segunda leitura.
2da leitura Tt 2,11-14
Paulo se dirige ao destinatário “Caríssimo: A graça de Deus se manifestou”.A graça é a pessoa de Jesus, a missão dele e, sobretudo, os efeitos de sua morte e ressurreição. Manifestou-se no sentido de que compareceu no mundo na pessoa do menino nascido em Belém. Ele, dom gratuito - a graça – oferecido indistintamente a toda pessoa traz “salvação para todos os homens”.
A salvação acontece no profundo do ser da pessoa. É neste nível que a pessoa se percebe como um novo sujeito, transformado e regenerado por acolher o dom e acreditar na eficácia dele. Nisto consiste, propriamente, a fé, produto da simultaneidade de dois votos de confiança: na bondade e verdade do oferecido, e acolhimento confiante da eficácia do dom.
Assim, na consciência se forma a imagem de um novo sujeito. Com outras palavras, o ser - a realidade mais intima e profunda da pessoa - se percebe modelado, como faz o oleiro com o barro, como um sujeito ao qual são perdoados os pecados e apresentado como justo perante Deus Pai; no qual é restabelecida a Aliança, que havia quebrado com o pecado, e partícipe da vida de Deus, a vida eterna, como antecipação da plenitude da gloria que se manifestará no fim dos tempos.
A pessoa é mergulhada no mistério de Deus, pois, a fé reproduz nela os efeitos da vitória de Jesus Cristo sobre o mal e o pecado. Cabe especificar, que apesar disso, o mal e o pecado continuarão exercitando a tentação e a sedução deles. A adesão de coração e a consolidação, do dom por meio da Palavra de Deus, dos sacramentos, especialmente da Eucaristia, sustentam a comunhão, o permanecer nele, ou seja, o acontecer cada dia da salvação e com ela a vitória sobre o mal e o pecado.
Mergulhar no dom, no mistério de Deus, tem uma dimensão propedêutica (preparatória), pois “ Ela - a graça – nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas...”, como se defender e não cair na tentação da descrença e das paixões que destroem a integridade da pessoa. A esta altura o pecado não é invencível, como muito acreditam ser inevitável.
“... e a viver neste mundo, com equilíbrio, justiça e piedade”, três dicas que conformam o retrato da pessoa que vivencia a profunda comunhão com o Senhor. Assim, o grau e a intensidade da vivência é espelho do grau e da intensidade da comunhão com o Senhor, Portanto, é também um teste para conferir, além da vontade, dos sentimentos e das emoções, a consistência e a verdade da comunhão.
Cabe acrescentar que a vivência ética consolida a certeza da vinda do Senhor, por participação do mesmo amor Dele, especialmente quando provada e fortalecida pelas provações e dificuldades e até da mesma cruz, como foi para Jesus. Assim, ética e glória são as duas faces da mesma moeda: o mergulho no mistério de Deus. Portanto, a ética dá sustentação para aguardar “a feliz esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo”.
Esta verdade confere o sentido último a toda existência, motiva imitar o estilo de vida de Jesus e a fidelidade à missão que confiou a todo cristão. Missão que imitará a dele “Ele se entregou por nós, para nos resgatar de toda maldade e purificar para si um povo que lhe pertença e que se dedique a praticar o bem”. Pois, devolvendo o dom recebido se manifesta a plenitude da comunhão com o Senhor e o acontecer do reino nos discípulos e nas pessoas e nas realidades atingidas pela ação pastoral deles.
O evangelho revela o sentido do nascimento do menino em Belém para toda a humanidade.
Evangelho Lc 2,1-14
“Maria deu à luz os eu filho primogênito”. Se não fosse pela morte e ressurreição deste menino já adulto, o nascimento teria passado despercebido. O evento pascal orientou as lâmpadas da humanidade sobre Ele. Foi então que os discípulos entenderam quem verdadeiramente era Jesus.
O humano e o divino na pessoa de Jesus abrem horizontes para nova compreensão de nós mesmo e de toda a criação. Ficando só no aspecto individual, há uma simbiose no sentido de que o mais humano é divino e vice-versa.
Assim, na primeira criação Deus faz a pessoa sua imagem, para que se torne semelhante a Ele. Na segunda criação é o contrário. Com a ressurreição, faz a pessoa semelhante a Ele, para Ele assumir plenamente a maneira humana de ser “tudo em todos” ( 1 Cor 15,28) no novo mundo.
Mais exatamente este processo de divinização da pessoa e da humanização de Deus, começa na pessoa desde sua entrada no mundo, pelo dom dos efeitos da morte e ressurreição de Jesus e o envolvimento livre e consciente da mesma no estilo de vida e prática correspondente. Assim, a pessoa vai se tornando cada vez mais semelhante a Deus e vice-versa, no sentido indicado acima. Processo que nunca terminará, acredito nem com a vinda do Ressuscitado, porque Deus e a pessoa viverão para sempre, contudo, marcará o momento da constituição última e definitiva, sem possibilidade de retorno ou de desviar.
Cabe se perguntar se “a glória do Senhor” que envolveu os pastores em luz, tem a ver com a percepção deste projeto. Os pastores se considerando, pela teologia de então elaborada pela instituição, excluídos do reino por levarem os rebanhos sobre pastos alheios (E, portanto, ladrões sem possibilidade de devolver o prejuízo mais o 25%, condição para ser perdoados) “ficaram com muito medo”. E não era para menos: de excluído a incluídos ao sumo grau, sem entender o porquê e o como.
Como por Maria, o anjo intervém “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria (...) nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor”. Tal vez seja um detalhe importante que o anjo não se refere ao homem Jesus, filho de Maria, mas a Cristo Senhor, o titulo que compete ao Ressuscitado.
Apesar da surpresa e do medo os pastores se dirigem à cidade de Davi e se aproximam ao sinal indicado pelo anjo “Encontrareis um recém-nascido envolvido em faixas e deitado numa manjedoura”. Um encontro muito humano de familiaridade de e de ternura.
Então irrompe o divino “E, de repente, juntou-se ao anjo uma multidão da corte celeste”. Acontecimento ao mesmo tempo humano e divino. Revelação inesperada e de repente, não acompanhada pelo medo por parte doa pastores, mas envolvidos na percepção que os homens são amados por Deus.
Em primeiro lugares eles, os excluídos, os já condenados pela teologia oficial, e todos indistintamente que acolherão o convite de se aproximar ao Salvador e se deixar transformar pela morte e ressurreição dele.
Assim que a “glória a Deus no mais alto do céu e a paz na terra”, cantada pela multidão da corte celeste, se torne a realidade da nova criação, reunindo a glória a Deus e a paz na terra na prática do amor que o Salvador ensinou “amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”. (Jo15,12).
Na noite de Natal, momento de união familiar, de harmonia e paz, de festa; caem como um meteorito as palavras “tu os abateste como na jornada de Madiã. Botas de tropa de assalto, trajes manchados de sangue, tudo será queimado e devorado pelas chamas”. O dia de Madiã se refere à grande e desconcertante evento da vitória de poucos homens contra um exército tido como invencível, que teria destruído Israel.
A “tropa de assalto”, um punhado de homens animados e sustentados pela promessa do Senhor, passa a imagem de pessoas determinadas que agem com convicção, apesar da desproporção de forças. Os “Trajes manchados de sangue” indicam a intensidade e violência da batalha, além de toda previsão. Com efeito, foi um massacre. Um quadro totalmente diferente do que se espera no dia de Natal, tal vez porque preanuncia a missão e o destino do menino que nasce em Belém.
A vitória sobre os inimigos é evento de libertação da escravidão da violência e da opressão “O jugo que oprimia o povo, -a carga sobre os ombros, o orgulho dos fiscais- tu os abatestes como na jornada de Madiã”.
A condição de opressão e escravidão do povo é percebida como imersão na escuridão e nas sombras da morte “O povo que andava na escuridão (...) que habitavam nas sombras da morte”. Sobre este povo “Uma grande luz (...) uma luz resplendeceu”: a libertação e com ela a condição de resgatar à dignidade uma existência diminuída e humilhada.
Botas e trajes manchados de sangue “tudo será queimado e devorado pelas chamas” como se não tivesse que deixar rastro do acontecido, como se o fogo engolisse para sempre a violência e a guerra, como se todo o mal tivesse que desaparecer da face da terra.
“O amor zeloso do Senhor dos exércitos há de realizar estas coisas”. No evento de Madiã por meio de poucos homens. Mais na frente, por meio do menino cujo nascimento é anunciado “nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho”, juntamente ao ponto dramático da missão e sua trágica conclusão, para conseguir a libertação e salvação do povo.
Pois, o menino deverá enfrentar corajosamente a luta para quebrar o “jugo” da injustiça, a carga da distorção da Aliança para a vantagem dos poderosos e chefes do povo, para destruir “a carga sobre os ombros” e implantar a nova ordem social ma justiça e no direito com a chegada do reino de Deus queimando “o orgulho dos fiscais”. A luta extrema será na cruz, na qual o menino, já adulto, será afogado em seu próprio sangue.
O menino “traz aos ombros a marca da realeza”. Realeza bem diferente daquela que estamos acostumados considerar. É aquela da entrega da própria vida pela causa da justiça, da fraternidade universal. É a realeza do amor pela qual Deus oferece as condições para que todos experimentem a salvação, visibilizando-a no acontecer do reino de Deus. Então “a paz não há de ter fim sobre o trono de Davi (...) a partir de agora e para todo o sempre”.
Nesta perspectiva ao menino são atribuídas as qualidades de “Conselheiro admirável, Deus forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da paz”. Ele será o guia certo para implantar e consolidar a verdadeira fraternidade entre os homens, de maneira tal que o dom de si mesmo para o bem do outro no horizonte da justiça e do direito se trone, ao mesmo tempo, a plena realização de si mesmo.
O respeito e a solidariedade entre povos e culturas diferentes, no horizonte da fraternidade universal, é o acontecer de maneira corajosa e criativa da justiça e do direito. É o acontecer do reino de Deus como uma espiral em continua expansão, que abrange tudo e todos na dinâmica que será implantada pela morte e ressurreição do menino; dinâmica da vivência de Deus na condição humana, dinâmica da condição do homem assumir para si a condição de divinizado.
Eis, portanto, a passagem da escuridão à luz e seus efeitos “Fizeste crescer a alegria, aumentaste a felicidade”. Os termos crescer e aumentaste indicam o processo de expansão acima indicado. Processo que não terá fim, pois a glória de Deus não é um ponto de chegada, mas uma espiral que não termina nunca.
“Todos se regozijam em tua presença, como alegres ceifeiros na colheita, ou como exaltados guerreiros ao dividirem os despojos” .É a satisfação de quem recolhe os frutos do comportamento correto e confere que valeu trabalhar o dom oferecido pelo menino, já adulto, com a morte e ressurreição dele.
É o argumento da segunda leitura.
2da leitura Tt 2,11-14
Paulo se dirige ao destinatário “Caríssimo: A graça de Deus se manifestou”.A graça é a pessoa de Jesus, a missão dele e, sobretudo, os efeitos de sua morte e ressurreição. Manifestou-se no sentido de que compareceu no mundo na pessoa do menino nascido em Belém. Ele, dom gratuito - a graça – oferecido indistintamente a toda pessoa traz “salvação para todos os homens”.
A salvação acontece no profundo do ser da pessoa. É neste nível que a pessoa se percebe como um novo sujeito, transformado e regenerado por acolher o dom e acreditar na eficácia dele. Nisto consiste, propriamente, a fé, produto da simultaneidade de dois votos de confiança: na bondade e verdade do oferecido, e acolhimento confiante da eficácia do dom.
Assim, na consciência se forma a imagem de um novo sujeito. Com outras palavras, o ser - a realidade mais intima e profunda da pessoa - se percebe modelado, como faz o oleiro com o barro, como um sujeito ao qual são perdoados os pecados e apresentado como justo perante Deus Pai; no qual é restabelecida a Aliança, que havia quebrado com o pecado, e partícipe da vida de Deus, a vida eterna, como antecipação da plenitude da gloria que se manifestará no fim dos tempos.
A pessoa é mergulhada no mistério de Deus, pois, a fé reproduz nela os efeitos da vitória de Jesus Cristo sobre o mal e o pecado. Cabe especificar, que apesar disso, o mal e o pecado continuarão exercitando a tentação e a sedução deles. A adesão de coração e a consolidação, do dom por meio da Palavra de Deus, dos sacramentos, especialmente da Eucaristia, sustentam a comunhão, o permanecer nele, ou seja, o acontecer cada dia da salvação e com ela a vitória sobre o mal e o pecado.
Mergulhar no dom, no mistério de Deus, tem uma dimensão propedêutica (preparatória), pois “ Ela - a graça – nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas...”, como se defender e não cair na tentação da descrença e das paixões que destroem a integridade da pessoa. A esta altura o pecado não é invencível, como muito acreditam ser inevitável.
“... e a viver neste mundo, com equilíbrio, justiça e piedade”, três dicas que conformam o retrato da pessoa que vivencia a profunda comunhão com o Senhor. Assim, o grau e a intensidade da vivência é espelho do grau e da intensidade da comunhão com o Senhor, Portanto, é também um teste para conferir, além da vontade, dos sentimentos e das emoções, a consistência e a verdade da comunhão.
Cabe acrescentar que a vivência ética consolida a certeza da vinda do Senhor, por participação do mesmo amor Dele, especialmente quando provada e fortalecida pelas provações e dificuldades e até da mesma cruz, como foi para Jesus. Assim, ética e glória são as duas faces da mesma moeda: o mergulho no mistério de Deus. Portanto, a ética dá sustentação para aguardar “a feliz esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo”.
Esta verdade confere o sentido último a toda existência, motiva imitar o estilo de vida de Jesus e a fidelidade à missão que confiou a todo cristão. Missão que imitará a dele “Ele se entregou por nós, para nos resgatar de toda maldade e purificar para si um povo que lhe pertença e que se dedique a praticar o bem”. Pois, devolvendo o dom recebido se manifesta a plenitude da comunhão com o Senhor e o acontecer do reino nos discípulos e nas pessoas e nas realidades atingidas pela ação pastoral deles.
O evangelho revela o sentido do nascimento do menino em Belém para toda a humanidade.
Evangelho Lc 2,1-14
“Maria deu à luz os eu filho primogênito”. Se não fosse pela morte e ressurreição deste menino já adulto, o nascimento teria passado despercebido. O evento pascal orientou as lâmpadas da humanidade sobre Ele. Foi então que os discípulos entenderam quem verdadeiramente era Jesus.
O humano e o divino na pessoa de Jesus abrem horizontes para nova compreensão de nós mesmo e de toda a criação. Ficando só no aspecto individual, há uma simbiose no sentido de que o mais humano é divino e vice-versa.
Assim, na primeira criação Deus faz a pessoa sua imagem, para que se torne semelhante a Ele. Na segunda criação é o contrário. Com a ressurreição, faz a pessoa semelhante a Ele, para Ele assumir plenamente a maneira humana de ser “tudo em todos” ( 1 Cor 15,28) no novo mundo.
Mais exatamente este processo de divinização da pessoa e da humanização de Deus, começa na pessoa desde sua entrada no mundo, pelo dom dos efeitos da morte e ressurreição de Jesus e o envolvimento livre e consciente da mesma no estilo de vida e prática correspondente. Assim, a pessoa vai se tornando cada vez mais semelhante a Deus e vice-versa, no sentido indicado acima. Processo que nunca terminará, acredito nem com a vinda do Ressuscitado, porque Deus e a pessoa viverão para sempre, contudo, marcará o momento da constituição última e definitiva, sem possibilidade de retorno ou de desviar.
Cabe se perguntar se “a glória do Senhor” que envolveu os pastores em luz, tem a ver com a percepção deste projeto. Os pastores se considerando, pela teologia de então elaborada pela instituição, excluídos do reino por levarem os rebanhos sobre pastos alheios (E, portanto, ladrões sem possibilidade de devolver o prejuízo mais o 25%, condição para ser perdoados) “ficaram com muito medo”. E não era para menos: de excluído a incluídos ao sumo grau, sem entender o porquê e o como.
Como por Maria, o anjo intervém “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria (...) nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor”. Tal vez seja um detalhe importante que o anjo não se refere ao homem Jesus, filho de Maria, mas a Cristo Senhor, o titulo que compete ao Ressuscitado.
Apesar da surpresa e do medo os pastores se dirigem à cidade de Davi e se aproximam ao sinal indicado pelo anjo “Encontrareis um recém-nascido envolvido em faixas e deitado numa manjedoura”. Um encontro muito humano de familiaridade de e de ternura.
Então irrompe o divino “E, de repente, juntou-se ao anjo uma multidão da corte celeste”. Acontecimento ao mesmo tempo humano e divino. Revelação inesperada e de repente, não acompanhada pelo medo por parte doa pastores, mas envolvidos na percepção que os homens são amados por Deus.
Em primeiro lugares eles, os excluídos, os já condenados pela teologia oficial, e todos indistintamente que acolherão o convite de se aproximar ao Salvador e se deixar transformar pela morte e ressurreição dele.
Assim que a “glória a Deus no mais alto do céu e a paz na terra”, cantada pela multidão da corte celeste, se torne a realidade da nova criação, reunindo a glória a Deus e a paz na terra na prática do amor que o Salvador ensinou “amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”. (Jo15,12).
FELIZ NATAL
e
PROSPERO ANO NOVO
COM MUITA BENÇÃO DE DEUS
e
PROSPERO ANO NOVO
COM MUITA BENÇÃO DE DEUS
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