segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

3o DOMINGO DO ADVENTO-B-(11-12-11)

1a leitura Is 61,1-2a.10-11

O profeta é preenchido pelo Espírito de Deus. “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu”. A presença do Espírito é uma unção de consagração, pela qual a pessoa (ou tambèm um objeto) é separada e destinada para uma finalidade especifica. É unção interior,cujo sinal exterior é a unção com óleo.
Quem está atrás das palavas e da ação do profeta é Deus mesmo. Assim, Deus separa o profeta para a missão específica. Pois, “enviou-me para dar a boa-nova aos humildes, curar as feridas da alma, pregar a redenção para os cativos e a liberdade para os que estão presos; para proclamar o tempo de graça do Senhor”.
A missão do profeta será proclamar um tempo de graça, momento oportuno para experimentar o dom gratuito da presença do Senhor e sua força regenaradora e transformadora. Com outras palavas, o acontecer da salvação.
Deus é atento e participa dos sofrimentos das pessoas. Faz parte Dele ser compassivo, sejam quais forem a causa e o tipo de sofrimento: humilhação, isolamento e desprezo, dependências, cárcere. Perante Dele está um ser humano diminuído na sua dignidade de ser criado a Sua imagem e semelhança. É uma condição desumana.
Ele criou a pessoa para a vida plena, colocou nela a marca - a imagem - de sua presença, para que no decorrer da existência se torne gradativamente sempre mais semelhante a Ele, na prática do que Ele é, na prática do Amor.
Assim, o sentimento de compaixão se torna ação misericordiosa, própria de quem se inclina de coração sincero sobre a lastimável condição da pessoa, para levantá-la, erguê-la à vida nova. A glória de Deus é o homem vivente, dizia Santo Irineu. E o agir de Deus é para que tenha vida em abundância.
O profeta ajusta-se plenamente à proposta , porque é o primeiro beneficiado por ele. De fato, isso é motivo de exultação: “Exulto de alegria no Senhor e minh’alma regozija-se em meu Deus” pelo que está experimentando. Por outro lado, não poderia exercitar, nem passar para outros algo que não faz parte dele, ou pelo menos, que não experimentou porque não estava envolvido.
Expressão de grande alegria e manifestação de profundos sentimentos ( semelhantes aos de Nossa Senhora, no hino de agradecimeto dela): “Ele me vestiu com a veste da salvação, envolveu-me (…) adornou-me (…)”. Tais sentimentos manifestam o impulso missionário e o motivo da dedicação a causa de Deus em quem está realmente tocado pela graça Dele. Com efeito, o dom recebido produz fruto de uma existência bem sucedida, quando é passado a outros. Cada qual é como a artéria que, deixando passar o sangue, mantém vivo e sadio o corpo e ela mesma.
“Assim como a terra (…), assim, Deus fará germinar a justiça e a sua glória diante de todas as nações”. Justiça e glória caminham juntos, mais ainda, são as duas faces da mesma moeda: a salvação. É justiça de Deus tirar o homen da triste condição na qual se encontra, muitas vezes, por causa dos próprios pecados, pela atitude magnânima e gratuita de Deus.
É manifestação da glória de Deus a alegria, a abundância de vida do homem, por ter se reencontrado e por contribuir com a construção de uma sociedade em sintonia com o direito e a justiça. E, também, por conservar e respeitar a criação, jardim que Deus lhe confiou.
Tudo isso pede constante e alegre dedicação em colaborar com a obra de Deus. E vigiar para não se deixar levar por forças contrárias. É o que indica a segunda leitura.

2da leitura 1Ts 5,16-24

“Aquele que vos chamou é fiel; ele mesmo realizarà isso”. Paulo, baseado na própria experiência, passa aos cristãos a convicção da fidelidade de Deus e a certeza de que vai cumprir o que prometeu. Mais ainda, afirma que Deus mesmo age nele. Não estão sozinhos, podem contar com a familiaridade e a comunhão com Ele.
Portanto, sustentado por esta certeza, Paulo exorta “Afastai-vos de toda espécie de maldade!”. A sedução de outras propostas, a necessidade dos bens materiais, o fascínio de dominar mundos ocultos, o medo de ficar sozinho e isolado do convivio social e dos afetos das pessoas queridas, as provações e as dificuldades do dia-a-dia, dentre outros aspectos, são tentações para desviar do caminho do Senhor.
É preciso tomar atitude: assumir o que ajuda e afastar o que atrapalha. Positivamente aconselha “Estai sempre alegres! Rezai sem cessar. Dai graças em todas as circustâncias, porque essa é, a vosso respeito, a vontade de Deus em Jesus Cristo”. A comunhão e a familiaridade com Deus leva consigo o estado de ânimo caracterizado pela alegria. Com outras palavras, pela serendidade interior, pela satisfação… É alegria que brota naturalmente, espontaneamente, não devida ou forçada por circustâncias ou vontade alheia.
Ela é acompanhada pela oração, pela ação de graças em todas circustâncias, em virtude da consciência de que “Deus dispõe todas as coisas para o bem dos que o amam” (Rm 8,28). Portanto não há circustância, mesmo que adversa, que não seja sustentada pela vontade de Deus, sempre orientada – a vontade Dele – para o bem de si mesmo ou dos outros. Vale lembrar que querer o bem dos outros é querer o próprio bem.
Paulo acrescenta ter cuidados de “Não apagueis o espírito! Não desprezeis as profecias…” no momento em que vai se afastando da vivência com o Senhor Deus, prevelece o disinteresse pela presença do espírito no profundo do próprio ser, e a desconfiança da profecia, daqueles que falam e argumentam a partir do ensino e da experiência da Palavra de Deus. Então, se abre a porta a todo tipo de maldade.
Nestes momentos de crise é importante a vigilância. Ela deve ser praticada com discernimento “…mas examinai tudo e guardai o que for bom” . É preciso distinguir o que è bom em sentido de ajuda, crescimento e aprofundamento dos objetivos da evengelização.
A evangelização é algo dinâmico, exige coragem e criatividade pelas circustâncias históricas em contínua evolução. Saber interpretar os “sinais dos tempos” na realidade em contínua mudança, significa discernir, à luz da Palavra do Senhor, e determinar a prática pastoral correspondente. É não apagar o espírito e vivenciar a profecia.
Aí está a ação de Deus para que “o próprio Deus da paz vos santifique totalmente, e que tudo aquilo que sois – espírito , alma, corpo – seja conservado sem mancha alguma para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo!”. A atenção está voltada para a vinda do Senhor, esperada como próxima. Assim, os que pertencem a Ele por se terem “conservados sem mancha”, participam plenamente da glória de Deus.
É João Batista quem anuncia e prepara o caminho da vinda do Senhor.

Evangelho Jo 1,6-8.19-28

João “ veio como testemunha, para dar testemunho da Luz”. Eis, sintetizada, a missão dele. A Luz è necessária “ para que todos chegassem a fé” e João traz o testemunho dessa luz, pois, foi enviado por Deus e tem consciência da missão que lhe foi confiada. Luz que ilumina o novo caminho da aliança que o Messias irà implantar e será motivo de renovada confiança, para assim reconstruir a sociedade e a dignidade da pessoa nos moldes da justiça e do direito.
À interpelação João responde: “Eu sou a voz que grita no deserto: “ Aplainai o caminho do Senhor-conforme disse o profeta Isaias”.O evangelista faz referência ao texto da primeira leitura e do evangelho do domingo passado.( Portanto, è preciso retomar o comentário para entender o sentido da afirmção).
O inciso referido ao profeta Isaías, melhor o livro da consolação do segundo Isaías, coloca em evidência a ligaçao da missão dele com a do profeta, a atualização do novo êxodo e da nova aliança. Parece- me querer preanunciar o começo de uma etapa radicalmente nova.
Contudo, João se posiciona de maneira certa e verdadeira perante a pergunta dos interlocutores “ Quem és tu?”. A resposta não encaixa em nehuma categoria de pessoas que poderiam justificar a atividadeque està desenvolvendo. Ele quebra, põe fora todos os esquemas, ao ponto de motivar o questiona mento “ Por que então andas batizando, se nao és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?”.
Notável que jà desde o início há descontinuidade com a tradição. O efeito é o desconcerto e a perplexidade. Ao mesmo tempo é como amostra do que Jesus realizará em todos os níveis.Com isso, fica afirmada a absoluta libertade de Deus em confiar a missão da forma que achar mais oportuna, sem estar amarrado à determinações e experiências anteriores. A criatividade e a novidade faz parte do específico da ação de Deus.
João se apresenta em função da missão que lhe foi confiada. Não se preocupa a qual categoria de pessoas pertence, mas com o que deve desenvolver. “Eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele que vós não conheceis, e que vem depois de mim” Obriga os ouvintes a fixar a atenção sobre uma presença no meio deles desconhecida, que continuará a missão iniciada por ele.
A atenção se torna inda mais viva e desafiadora pelo que a continuação acrescenta “ Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias” . Se já é respeitado e tomado em consideração, mesmo com dúvidas e peplexidade ,pelo que está pregando e realizando, o que será a experiência com aquele do qual afirma ser tão superior a ele?
A intervenção de João objetiva suscitar a maior atenção possível. Aquela atenção que não deve ser simples curiosidade, mas, entender que o desconhecido já presente- o Messias- na sua autorevelação se manifestará de maneira tão surpreendente e inesperada que rompe todos os cânones e expectaivas, muito mais do que João està mostrando.
Esta revelação é a luz que o povo precisa,e que por certos aspectos será luz para o mesmo João , considerando que não os outros, mas ele mesmo ficará surpreendido até enviar desde o cárcere no qual está preso os seus discípulos para perguntar a Jesus se é ele ou não o que tinha que vir (Mt 11.3).
O tempo do Advento reproduz a mesma coisa, olhando o futuro da vinda do Messias, esta vez como Ressuscitado no fim dos tempos. Assim, o que vai chegar não é coisa de pouca conta e previsível. Pelo contrario, precisa de grande atenção, para pereceber a presença dele e entender os critérios da sua sabedoria e da missão como realidade última e definitiva da ação de Deus a favor de tudo e de todos.
Será uma atenção que dexará a todos surpeendidos e deconcertados, inclusive os mais preparados, como foi o caso de João. Talvez seja o repropor em nível universal a experiência de morte e ressureição que caracretizou este evento de faz dois mil anos.
O evidente fracasso humano, em termos de rejeição do estilo de vida, da filosofia de Jesus e conseginte perda dos bens materiais, do poder, das honras e até da propria vida, será simultaneamente percebido como participação ao inedito e surpreendente gloria de Deus, pela qual haverá experiencia do que significa Deus ser “tudo em todos” (1Cor 15,28).

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