terça-feira, 18 de setembro de 2012

25to DOMINGO DO T.C.-B-(23-09-12)



1a leitura Sab 2,12.17-20

O capítulo todo merece ser lido. Descreve o contraste entre o justo que teme Deus, e se comporta em sintonia com a Lei, e o seu contrário, ó ímpio. Não se trata de contraste de ideias, mas de conduta, de comportamento. O ímpio se comporta come se Deus não existisse, ou, se existe, não lhe importa. Vai pelo caminho e os critérios dele.
É Um texto de grande atualidade, escrito pouco antes de Jesus nascer - mais ou menos cinquenta anos – pela sabedoria hebraica na Alexandria de Egito em língua grega (razão pela qual os irmãos evangélicos não o consideram inspirado por Deus. Portanto, não está - com outros livros também – na bíblia deles).
Eis o retrato da distorcida e perversa conduta do ímpio “Os ímpios disseram”. Eles estão irritados pela conduta do justo. Não se trata de divergências de ideias, mas do comportamento que “se opõe ao nosso modo de agir”, inclusive o fato de não se associar à turma deles. São dois mundos pertos e contrapostos.
Os ímpios e os justos receberam a mesma instrução, foram ensinados na mesma disciplina, mas os primeiros se determinaram a seguir para outro caminho. Portanto, o comportamento do justo é permanente chamada de atenção com respeito ao que eles renegaram, removeram e gostariam que nunca aflorasse.
A conduta do justo se torna repreensão às “transgressões da lei e nos reprova as faltas contra a nossa disciplina”, pois, o comportamento por si só provoca tanto ou mais do que a palavra.
Longe está o propósito de conversão, por reação surge neles o sentimento de aversão, que crescendo, é percebido como ameaça à própria conduta colocada como entre espada e a parede. Eis, então, o propósito de suprimir o justo.
É o que o justo percebe, como ação contra ele “Vemos pô-lo à prova com ofensas e torturas (...) vamos condená-los à morte vergonhosa” . A intenção é suprimi-lo física e moralmente a fim de desmanchar toda memória, manchando a memória de uma vez para sempre.
Acrescenta-se o sarcasmo de provar o justo verificando a consistência e bondade da serenidade e da paciência, tidas como características da vida do justo que se considera como tal.
Mia ainda, o ímpio pretende conferir se a condição do justo é aprovada por Deus, sendo que presume ser filho de Deus. “Vejamos, pois, se é verdade o que ele diz (...) De, de fato, o justo é ‘Filho de Deus’, Deus o defenderá e o livrará das mãos dos seus inimigos (...) porque, de acordo com suas palavras, virá alguém em seu socorro”.
A intervenção direta de Deus é tida como prova irrefutável da condição de “justo” que presume para si mesmo. Só depois disso será aceito como tal e merecedor de confiança. Pois, é inadimissível que Deus não intervenha a favor do justo. Se não acontecesse é prova do engano por parte do justo.
No ímpio se configuram simultaneamente, pela ação e presença do justo, a consciência da própria condição de transgressor da Lei, e a de caçoar o justo, desafiando a intervenção de Deus, pelo qual não tem consideração senão pela curiosidade de quem quer brincar e ponto. É evidente que a figura do justo combina perfeitamente com a de Jesus, assim como as reações e provações que sofrerá.
Os dois mundos contrastantes - do ímpio e do justo - serão permanentemente irreconciliáveis e determinam o âmbito da ação pastoral. O que sustenta o conflito e as atitudes de um e do outro são considerados na segunda leitura.

2da leitura Tg 3,16-4,3

É bem conhecido que ímpio e o justo integram todo grupo social, inclusive na igreja. Pois, na igreja, na comunidade, não faltam tensões e brigas. O apóstolo pergunta “De onde vem as guerras?De onde vem as brigas entre vós?”e afirma em forma interrogativa “Não vem,justamente das paixões que estão em conflito dentro de vós?”.
Coloca na paixão a causa principal, cuja finalidade é a posse do que motiva o seu surgimento a força ativa. Nem todas as paixões têm como meta a posse, mas, aquelas finalizadas a isso manifestam grande poder de destruição. Com efeito, a paixão não controlada pela razão destrói, é ruim.
É o que apresenta o trecho “Cobiçais, mas não conseguis ter. Matais e cultivais inveja, mas não conseguis êxito. Brigais e fazeis guerra, mas não conseguis possuir”. Tudo isso acontece porque o afã de possuir desmancha a dimensão de presente e, portanto, o relacionamento de gratuidade e de liberdade para com aquilo que é e deve ser percebido e mantido como presente, como graça.
Entre outros aspectos é a maneira de esvaziar o conteúdo de beleza e fascinío do possuído, e de novo comparece a insatisfação  com o desejo de mais possuir ainda. Acontece, para exemplificar, como no menino que tomando posse do presente, o dia seguinte esquece-o, com frustração de quem doou.
Por outro lado, a frustração de não conseguir suscita de aversão - chegando até conflitos fratricidas e guerras - a inveja que leva olhar mal e com raiva quem possui o que é desejado. Pelo contrário, o ciúme é o temor de perder o que é possuído. De toda maneira, por um lado ou pelo outro, possuir é ruim.
Assim, a ação de Jesus e de Deus, a nosso favor sempre é presente, dom, imerecido e gratuito. Ele sempre será dom, nunca será posse. Seria esvaziá-lo do conteúdo de maior importância: o amor. Deus é amor, portanto, seria rejeitar a realidade de Deus como comunhão no amor.
Em cada momento e em toda circunstância podemos contar com o dom. Afirma são Paulo “onde se multiplicou o pecado, aí superabundou a graça”(Rm 5,21). Toda pessoa que faz do presente, do dom, motivo de troca, joga fora o conteúdo de amor contido nele, e se desvirtuam os autênticos relacionamentos pessoais, familiares e sociais, cujas consequências negativas são bem conhecidas.
O apóstolo indica a saída em pedir corretamente “Pedis, sim, mas não recebeis, porque pedis mal. Pois só quereis esbanjar o pedido nos vossos prazeres”. Assim, pedir de maneira correta é manter em relação ao recebido a consciência de dom, de presente. Isso abre o coração e motiva a vontade em passar a outro, em fazer partícipe outro do mesmo dom. Na transmissão se enriquecem simultaneamente quem doa e quem recebe.
Mais o dom é sincero, transparente e não contaminado do sentimento de posse ou de troca; na transparência, como a marca d’água, se percebe a presença de Deus. É o que Jesus praticou e ensinou, e continua ensinar pela palavra e atualizar pelos sacramentos, tendo como pano de fundo o que o evangelho apresenta.
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Evangelho Mc 9.30-37

Jesus ensina e ao mesmo tempo anuncia aos discípulos o que acontecerá para com ele “O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens, e eles o matarão. Mas, três dias após sua morte, ele ressuscitará”. Eles ficaram desconcertados e desnorteados, de jeito nenhum teriam esperado uma colocação deste tipo.
De fato, “não compreendiam estas palavras e tinham medo de perguntar”. Não compreendiam porque totalmente diferente das convicções e expectativas deles que esperavam o contrário. E também porque a preocupação deles era discutir “quem era o maior”.
À pergunta de Jesus “O que discutíeis pelo caminho?”, ficaram calados. Pois perceberam o constrangimento de estar em toda outra sintonia com respeito à colocação de Jesus. Daí, também o “medo de perguntar”, por não querer tomar ciência de algo tão absurdo, porque contrário às expectativas e destruidor da imagem do Messias que tinham. Do ponto de vista humano é desagradável e incômodo se encontrar desnorteados e perdidos, melhor não perguntar.
“Pelo caminho tinham discutido quem era o maior”. Tal vez em consideração da implantação do reino com a chegada de Jesus a Jerusalém. Pois era opinião comum que o Messias devia comparecer a noite de Páscoa no templo, iniciar à expulsão dos romanos de Israel e purificar o povo, discernindo os cumpridores dos descumpridores da Lei, para instaurar o reino de Deus.
Impressiona a incomunicabilidade entre Jesus e eles, dois mundos opostos. Jesus não se surpreende da incompreensão deles. Com calma e domínio de si mesmo coloca “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!” invertendo o critério comum. Não explica em virtude de que a inversão consiga o primeiro lugar.
Cabe supor que faça parte da implantação do reino de Deus, pois é a finalidade da missão. Portanto, só no horizonte da gratuidade e do dom - segunda leitura - se pode compreender como a inversão consiga resultado.
Só após a morte e ressurreição de Jesus e pelos efeitos em quem acolhe o dom da vitória  dele sobre o pecado e a morte, será manifesto em que consiste “ser o primeiro” , por servir a causa do reino e ganhar a condição divina, inimaginável à mente humana.
Pelo momento Jesus pede confiança, através do gesto surpreendente e acolher e abraçar uma criança. Não acolhe pelas virtudes da criança por ser tal, mas por não ter peso social no ambiente. Pois, só com a maioria da idade - adquirida mais o menos aos doze anos no templo mostrando compreender a Lei  -o relato de Jesus no templo  -, se torna adulto a todos os efeitos. Antes, do ponto de vista social, é equiparada ao escravo hebreu, pois, é considerada simplesmente em quanto futuro cidadão.
“Quem acolher em meu nome uma destas crianças, é a mim que está acolhendo” por um lado surpreende os ouvintes, pelo outro significa que entendeu o significado da atitude de Jesus. Com ela Jesus a consciência de ter, com respeito ao nível social, insignificância por ser Galileu, por sua humilde condição social, por não ter título o descendência prestigiosa,pois, provem da roça e filho do carpinteiro!
Retoma o tema do acolhimento “E quem me acolher, está acolhendo, não a mim, mas àquele que me enviou” se referenda a si mesmo e mais ainda ao relacionamento com o Pai. Jesus sabe de não contar, como não conta a criança em quanto tal, contudo, pede a conversão de atitude: ser acolhido e colocado no meio deles -como acaba de fazer com a criança – no centro a atenção , como se acolhe de coração aberto a quem se abraça.
Só assim entenderão o que é “ser primeiro”.

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