1ª Leitura Is 60, 1-6
“Ao vê-los, ficarás radiante, com o coração vibrando forte” Experiência sumamente gratificante. Gostaríamos de permanecer constantemente nela, de que se tornasse uma realidade permanente. Ela motiva o sentido profundo e verdadeiro da existência de todo ser humano. É o que, por diferentes caminhos, todos desejam e buscam. Ela está ao alcance de todos, embora a “terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos” testemunham o contrário com sua carga de sofrimento, de sensação de estar num beco sem saída, e portanto sem futuro sem esperança. Contudo, ela é disponível “porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor...e sua glória já se manifesta sobre ti”.
Eis, então, o convite: “Levanta-te, acende as luzes” .Eis o imperativo, a ordem: Levanta-te, ou seja com outras palavras, deixa as trevas e as nuvens escuras da existência enganosa, falsa, porque sedutora e desviante. Olha e acende a luz no interior e profundo do teu ser, porque como diz o salmo “na tua luz nós vemos a luz”, pois, a luz que ilumina teu novo ser e teu novo dia já está aí “sua glória já se manifestou sobre ti”.
“Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora” O sujeito é a pessoa (também a comunidade) que, revestida por essa luz e glória do Senhor, se torna tão expressiva e significativa de surpreender até ela mesma, pois, “todos se reuniram e vieram a ti; teus filhos vem chegando de longe com tuas filhas,carregadas nos braços”. Daí, a alegria e o júbilo: ficarás radiante e com o coração batendo forte. Mais ainda, constatando que com eles chegarão outros povos, outras nações, com suas riquezas “pois com eles virão as riquezas e mostrarão o poderio de suas nações” . Portanto, a percepção e o sentimento da universalidade da salvação dependem de “ levantar- se”, de abrir os olhos e acolher a luz e ser luz, de viver coerentemente e em sintonia com ela e se tornar luz das nações.
O efeito será “uma inundação de camelos e dromedários... virão todos trazendo ouro incenso e proclamando a glória do Senhor” , ou seja, a experiência da harmonia e da paz universal. Assim, a fraternidade universal será o reconhecimento, o sinal, da presença da glória do Senhor que motivará a partilha dos bens materiais- o ouro- e o correto louvor a Deus- o incenso-.
Parece-me desnecessário frisar que esta festa é oportunidade para avaliarmos, como pessoas e como comunidade, as concretas atitudes do dia -a- dia dentro e fora da comunidade e da visão e das atitudes que temos com respeito à humanidade toda, portadora de grandes desafios, e aos seus diferentes povos e culturas.
A luz e a Glória de Deus que já brilha sobre nós, têm o conteúdo que analisaremos na 2da leitura.
2ª leitura Ef 3,2-3ª.5-6.
“Se ao menos soubésseis” É desejo profundo do coração de são Paulo que os destinatários da carta adquiram o conhecimento de algo que ele estima de grande importância e imprescindível para o alicerce e o fundamento do que o cristão autentico deve saber e sobre o qual deve construir, para que experimente com ele a “ graça que Deus me concedeu para realizar o seu plano a vosso respeito”. Assim, é graça, é dom de Deus, que se desdobra no esforço, no trabalho, na instrução, no testemunho dele para contribuir ao plano de salvação de Deus com respeito a eles e, por conseguinte, para com a humanidade toda. A dedicação, a teimosia, os sofrimentos, as lutas, os êxitos e os fracassos e, enfim, a morte dele, testemunha como este dom foi acolhido e devolvido a Deus em termos de fazer conhecer aos homens de todos os lugares que “os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus cristo, por meio do Evangelho”.
Concretamente, são Paulo assumiu a mesma causa de Cristo a favor da salvação da humanidade toda, derrubando todo tipo de barreira e implantando os critérios da verdadeira fraternidade Tudo baseado no significado e no efeito da ação, da morte e ressurreição de Jesus Cristo, nos quais são mergulhados todos aqueles que, pela fe, aceitam este presente por meio de Evangelho, ou seja , do evento da sexta- feira Santa e do domingo de ressurreição . Ele, o evento, é a boa noticia do resgate e da redenção que se tornou boa realidade. Assim, a pregação, a aceitação, a memória- celebração daquele evento atualiza os mesmos efeitos e faz as pessoas participes da herança, do mesmo corpo e da mesma promessa.
Mais ainda, tudo isso constitui o que Paulo chama de mistério, manifestado a ele “por revelação tive conhecimento do mistério... (que) Deus acaba de revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas”. Ele teve conhecimento disso na porta de Damasco, quando a luz do mistério o envolveu. Assim, que quando Paulo fala de mistério, no entende, em primeiro lugar, uma realidade desconhecida e inacessível que fica tal, mas o evento pelo qual de forma misteriosa a pessoa é envolvida ,iluminada e transformada e cuja causa é a pessoa do Ressuscitado.
Isso se deve à ação do Espírito. É o Espírito a eterna presença do Ressuscitado em nós. Ele revela a presença do Ressuscitado na pessoa que de coração aberto e humildade, que consciente das próprias faltas e pecados, aceita o dom gratuito da própria redenção, do próprio resgate, perdão, salvação etc. operado por Cristo. Estas pessoas são os santos, não em sentido ético, mas em sentido que são renovados, transformados na profundidade, na estrutura do próprio ser. São como refeitos, sarados e renovados, após sofrer o atropelamento esmagador e sem possibilidade de concerto. É o que acontece na celebração da Missa... Ela é sempre a mesma...mas o efeito é sempre novo.
Para chegar a essa interiorização, para botar para dentro no coração a verdade deste dom , é preciso o caminho sintetizado pela experiência dos magos,como comentaremos no evangelho.
Evangelho Mt 2, 1-12
O texto apresenta estes misteriosos personagens - genericamente indicados como magos, sábios- ,sem especificar a origem de onde vem e sem relatar o que a experiência deles trouxe e significou para os povos quando “retornaram para a sua terra”. Cabe pensar que o texto quer destacar simplesmente o motivo e as características do caminho deles.
O motivo: “Nós vimos a sua estrela de Oriente e viemos adorá-lo” A percepção de um sinal, interpretado como revelador da grandeza e importância do nascimento de um menino , suscita a determinação de chegar até ele e manifestar a própria atitude de adoração. Que descobriram, mais concretamente, naquele sinal- a estrela- não é dito. Deve ter sido algo muito forte para motivar numa viagem tão singular.
Já se pode dizer que para nós, hoje, esta estrela é a Ressurreição de Jesus. É sábio investir na viagem para chegar perto dele, ver a sua presença e adorá-lo.
É viagem por caminhos desconhecidos, tal vez, inexplorados. Portanto, a estrela é sinal de promessa, de algo inédito, de esperança, que suscita a coragem de arriscar na certeza que levará a bom fim, ao encontro com aquele que é preciso adorar.
Caminho andando, a estrela desparece. Não há registro de desconcerto, de pânico, de sentimento de frustração, de decepção, de vontade de desistir ou de voltar atrás. ( Isso é particularmente significativo para a nossa caminhada de aproximação ao Ressuscitado). Pelo contrário perguntam a quem supõem pode dar uma indicação: “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?” Receberão a resposta certa e, ao mesmo tempo, mexerão- involuntariamente- com uma situação que desembocará na matança de inocentes... Êxitos por uns- os magos- e morte prematura e injusta para outros ( este último aspecto é fruto da ambigüidade humana e da falsidade do governante). É algo que deixa desconcerto, difícil de entender.
Contudo, a persistência e a perseverança são premiadas “Depois... eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande”. E não era para menos, evidentemente. Chegaram à meta! Valeu.
Tributaram-lhe a homenagem “e lhe ofereceram ouro ( para o rei), incenso (para o Deus) e mirra (é a bebida da paixão, antes de morre na cruz)” . Os magos representam os homens de todos os tempos, de todos os lugares, de toda idade, cultura, língua, nação e religião chamados ,pela dinâmica da morte e ressurreição, a testemunhar e ser o caminho de luz, a estrela , que guiará à adoração da divindade que está no fundo de toda expressão religiosa autentica e sincera, que motiva e sustenta a comunhão, a fraternidade universal, no respeito das diversidades.
Nenhum comentário:
Postar um comentário