quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Comentário do 2º Domingo do Tempo Comum – Ano C (17-01-2010)

1ª leitura Is 62,1-5

“Por amor de... não me calarei, por amor de... não descansarei, enquanto não surgir nela... a justiça e não acender nela... a salvação” Impressiona esta determinação e esta firmeza, expressão de um sujeito muito identificado, que sabe quem é, a meta e o alcance da missão que está desenvolvendo. A causa é o amor, entendido como implantação da justiça que gera salvação para todos os que se sentem abandonados, isolados, rejeitados, e experimentam a vida como um deserto, um vazio sem sentido: “Não mais te chamarão Abandonada, e tua terra não mais será chamada Deserta” A justiça e a salvação terão como efeito uma reviravolta: de Abandonada a “Minha Predileta” e de terra deserta a “Bem-Casada”, isso porque “O Senhor agradou-se de ti” pelo favor e carinho de Deus.

O texto se refere à cidade de Jerusalém- Sião é um bairro da cidade, onde residia i rei, mas pode significar também a cidade mesma- e ao degrado e a devastação que sofreu,depois que o povo foi exilado. Voltando do exílio Deus, por amor, quer devolver status e dignidade e isso será pela implantação da justiça.

Essa missão constitui a “alegria de teu Deus” e será tão expressiva e significativa que “As nações verão a tua justiça, todos os reis verão atua glória; serás chamada com um nome novo, que a boca do Senhor há de designar. E serás uma coroa de glória na mão do Senhor, um diadema real nas mãos de teu Deus” É muito forte a expectativa de Deus, em termos de adesão e cumprimento da justiça por parte do povo. Por isso, ele investe todo o seu ser e o seu amor para conseguir resultados satisfatórios. Promete ao povo que será como a alegria de uma festa de boda “Assim como o jovem desposa a donzela, assim teus filhos te desposam; e como a noiva é a alegria do noivo, assim tu és a alegria de teu Deus”

É uma mensagem de esperança para um povo que não enxerga futuro e sentido à própria existência. É indicação do elemento fundamental: a implantação da justiça. O caminho do povo deverá ser a prática dela, nos múltiplos aspectos da vida individual, familiar e social. Assim, leis, hábitos, costumes sociais e religiosos, deverão expressar e atualizar a justiça, pela qual a convivência familiar e social refletirá aquela harmonia, aquela fraternidade, em observância ao bem comum, ao bem que sendo individual não fere o direito, o respeito e a dignidade de outros seres humanos. Tudo isso será possível se o povo sendo receptor do amor e carinho de Deus, vivenciará este dom devolvendo-a Deus por uma pratica sustentada da consciência de ser a única não só para conservá-lo, mas para enriquecê-lo aumentado.

O homem não será o lobo para outros homens, mas o irmão que caminha ao lado e pronto a atender necessidades legitimas, na medida de sua possibilidades e eventualidades. Será viver um ao lado do outros com aqueles sentimentos que qualificam a correta adesão as expectativas de Deus porque profundamente humanos e portanto divinos. Nesse sentido eles serão apontados á atenção dos reis e outros governantes

Para isso é importante não perder de vista o bem comum como especifica a 2da leitura.

2ª leitura 1Cor 12,4-11.

Na realização da nova sociedade, conforme o designo amoroso de deus indicado na 1ª leitura, terá um papel fundamental o Espírito Santo. Ele, tem a vista o bem comum. Ou seja, a edificação da comunidade, da vivencia entre os homens, partir do critério da justiça de Deus: “a cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum” É uma anotação importante, contra toda tentação de pensar a própria realização pessoal só em termos individualista. Com efeito, entre os homens existe como uma solidariedade que atinge a profundidade e a essência do ser que não pode ser esquecida ou diminuída, sob pena de entrar num caninho errado que não conduz aos resultados de realização e felicidade desejada.

Os diferentes dons, os diferentes serviços e atividades humanas devem encaixar e sintonizar em algo maior e mais abrangente, que atinge o bem de todos. Não podem ser fragmentados, separados, segmentados, como o impulso egocêntrico, ou pior egoísta, sustenta e deixa entender condição para alcançar a felicidade. Assim “A um é dada a palavra de ciência... a outro a fé... a outro o dom de cura... a outro o discernimento de espíritos...” É conhecido o famoso refrão: “É preciso pensar globalmente para agir localmente”, indicando que o micro e o macro participam da mesma realidade, do mesmo destino de maneira inseparável ao fim da realização estável, permanente e satisfatória.

Esta verdade é um reflexo da vida trinitária. Analisando os primeiro dos versículos de frente para trás. “Há diferentes atividade, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos” Trata- se de atividades que tem a vista o bem de todos, o bem comum. Não é um bem igual para todos, como se fosse uniforme, mas o bem que cada um precisa para se sentir gente, pessoa realizada e participe da harmonia da coletividade e da humanidade. “Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor” Ministério é serviço. Para realizar o bem comum, precisa- se de diferentes serviços, que encontram em Jesus o modelo de como devem ser desenvolvidos: na ordem da gratuidade, sem segundos fins e até a doação de si mesmo. “Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito”. Assim, nesse serviço, é preciso desenvolver os dons que o Espírito suscita na pessoa. Tudo isso deve combinar como as peças do mosaico formando como o desenho do bem que é participado a cada pessoas conforme ás características de cultura, língua e nação que lhe são próprias.

Isso é possível se domina na(s) pessoa(s) a o amor do qual falava a 1ª leitura. Fora desta perspectivas, sempre prevalecerão atitudes egocêntricas, ou pior egoístas, que tornarão impossível a realização da vontade de Deus.

Evangelho Jo 2,1-11

O texto é muito conhecido, assim como a indicação de Maria: “Fazei o que ele vos disser” frente à situação constrangedora pela falta de vinho. Estavam, os noivos, como num beco sem saída... e Jesus intervêm de uma maneira surpreendente e inesperada, até merecer o elogio do mestre-sala.

Situações constrangedoras, apertos, dificuldades, etc. acompanham o dia- a dia de todos. Também concordamos que a indicação de Maria é certa e oportuna, para encontrar uma resposta valida, que pode ir além do desejado, em sentido de surpreender positivamente. O desafio é como chegar a ela.

No caso especifico do milagre Jesus estava pessoalmente aí. Tal vez, pode parecer mais fácil chegar fazer o que ele disser. Mas, agora e hoje?

Evidentemente, devemos elaborar a possível resposta a partir de alguns pontos prévios. Em primeiro lugar a promessa dele, antes da ascensão ao céu, de estar com os discípulos todos os dias até o fim do mundo. Em segundo lugar cultivar no mundo interior os mesmos sentimentos que teve Jesus, de acordo à indicação de são Paulo na carta aos Filipenses 2, 5-11 “tenham em vocês os mesmos sentimentos de Jesus Cristo que sendo de condição divina...” e segue o famoso hino, breve e sintética exposição dos sentimentos, das atitudes e missão de Jesus. Tudo isso voltado para o bem comum da humanidade toda ( e por conseguinte da pessoa), no horizonte indicado da são Paulo na 2da leitura.

Parece-me que é este contexto que da autenticidade à determinação do que fazer nas diferentes e múltiplas circunstâncias. O que fazer será correto ou menos dependendo do grau de pureza do posicionamento. A tal fim, é útil o confronto com pessoas que pela experiência, pela competência e determinação em “fazer o que ele disser”, podem oferecer critérios de discernimento. Nesse sentido desenvolveriam o papel que teve Maria... É demais pensar este tipo de presença em cada cristão, seguidor autentico do Filho dela?

O fato de ter colocado estas palavras no evento de uma festa de boda, não me parece simplesmente circunstancial, mas indica que o “fazer o que ele disser” tem como horizonte o cumprimento da Aliança como festa de boda para com o seu povo e a humanidade toda. Não se trata simplesmente um assunto individual e particular, ou melhor, o é, mas não desligado de um todo. Infelizmente nossa cultura social e fe, fortemente individualista, torna difícil segurar esta visão e sentimento global com respeito à humanidade toda, e portanto cultivar de maneira certa os mesmos sentimentos de Cristo e a participação à alegria universal como indicado na 1ª leitura e da festa da boda.

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