quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Comentário do Batismo do Senhor – Ano C – (10-01-2010)

1ª leitura Is 42,1-4.6-7

Com o batismo no Jordão, Jesus começa sua missão, sua atividade pública. Todo inicio é de grande importância, pois é preciso partir com o pé direito, como se acostuma dizer, para não comprometer toda a missão.

“ Eis o meu servo...o meu eleito...pus meu espírito sobre ele” , O sujeito,a pessoa, tem consciência do singular relacionamento para com o Senhor, caracterizado pela familiaridade,pelo carinho e pela ação educativa “ te tomei pela mão, eu te formei”.Em quanto servo e eleito lhe é confiada uma missão “ ele promoverá o julgamento das nações... promoverá o julgamento para obter a verdade...Eu, o Senhor, te chamei para a justiça” Deverá mostrar e ensinar aos povos em que consiste praticar a justiça de Deus entre os povos. Nesse sentido, os povos serão julgados pela adesão, ou não, que corresponde fazer a verdade e assim instaurar a vontade, o sonho, de Deus, com respeito à humanidade toda. Verdade e justiça serão os trilhos da missão do servo. Toda palavra e atitude serão expressão e manifestação desse binômio incindível. Uma chama a outra, são inseparáveis. (O evangelho das tentações destrinchará o conteúdo específico desse binômio!).

A missão terá suas dificuldades. O texto aponta que o servo “Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra” indicando que os obstáculos, as provações, as dificuldades não serão motivo para desviar, desistir ou se afastar da missão, pela forte e consistente identificação e familiaridade com o Senhor e, também, pela consciência da urgente espera dos povos de indicações e caminhos de justiça e de verdade “os países distantes esperam seus ensinamentos”. Assumir a missão atinge profundamente a pessoa no seu relacionamento com o Senhor, porque abrange o exercício da responsabilidade com respeito à humanidade toda, da qual o servo é parte integrante. O servo representa Deus perante a humanidade toda, e, vice versa, a humanidade toda é representada por ele perante de Deus. (Esta verdade, que tem em Jesus o testemunho fundamental, tem desdobramentos importantes em termos de solidariedade, fraternidade etc., foge, não é muito presente no horizonte comum do cristão consciente).

A missão faz do servo “como o centro da aliança do povo, luz das nações”, com outras palavras, a referencia da correta vivencia da aliança com Deus e o ponto de luz altamente significativo, para implantar as exigência da aliança:“abrir os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”, dar chance e futuro aos condenados da terra, aos excluídos da sociedade de Deus por causa do próprio pecado uma esperança de redenção e resgate.

Singular a significativa a maneira de o servo desenvolver a missão: “Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega” Parece-me algo como ao pé do ouvido, um relacionamento personalizado e muito atento a valorizar a menor chance ao limite do impossível.

Nesse servo podemos confrontar nossa realidade e identidade cristã. Cada um de nós é servo, eleito, o espírito é sobre ele, é tomado pela mão e formado pela Palavra etc.

O modelo, evidentemente, é Jesus no qual se cumpriu plenamente a realidade do servo, como descrito nos famosos 4 cânticos do Servo de Yavé do profeta Isaias.

2ª leitura At 10, 34-38

Pedro está na casa de Cornélio, o centurião romano, que teve uma revelação singular e chamou Pedro para desvendar o significado. Nessa circunstância Pedro testemunha “como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder”. São palavras alusivas à condição do servo e a missão por ele desenvolvida: andou por toda parte, fazendo o bem e curando todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele” É um excelente resumo,muito legal,da vida, da obra e da missão de Jesus ,que retoma o mesmo contudo da missão do servo da 1ª leitura.

Jesus “anunciou a Boa-nova da paz” e a tornou realidade, após os eventos da morte e ressurreição dele, em todos aquele que pela fe aceitam a Ele como Salvador. Com efeito, ele libera de todo mal e de todo o que afasta da comunhão com Deus (o demônio). Com isso, destrói todo pecado que tem sua raiz na desconfiança, na indiferença, na desvalorização, no desinteresse do que Ele fez a nosso favor com os eventos da morte e ressurreição.

Cabe frisar como o efeito da missão deste servo ultrapassa o entendimento que Pedro tinha. Ele pensava que fossem circunscritos ao povo judeu, como herdeiro da promessa de Deus Para ele foi uma revelação descobrir que “estou compreendendo que deus não faz distinção entre pessoas. Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer seja a nação a que pertença” Isso significa que aquele evento atinge a humanidade toda, por ele ser o representante de todos perante o Pai. Portanto, é abolida toda diferença d e todo tipo, pois pela fe todos se tornam filhos de Deus e irmãos. É implantada a raiz da fraternidade universal.

É estabelecido, também, o critério para vivenciar a salvação oferecida por Jesus e fazer dela uma realidade visível, expressiva e confiável: “Pelo contrário, (revertendo os critérios costumeiros) ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer seja a nação a que pertença”.Trata-se do temor reverencial pelo qual, uma vez aceitado o dom gratuito da salvação, se estabelece o cuidado de responder a este dom com gratidão, para não desagradar quem foi tão generoso e amigo, até o ponto de doar a própria vida. É reconhecimento de gratidão e de amor que motiva a imitação e o seguimento que se desdobra nas praticas da justiça que realizam a verdade do amor nos seus múltiplos aspectos, realizando o sonho e o projeto do Pai.

O que é frisado como motivo não é o pertencer a uma religião específica, mas a dinâmica de vida que, reconhecendo nela o estilo de vida de Jesus de Nazaré, representa como o DNA de toda existência bem sucedida, suscita na pessoa a convicção de que merece investir a própria existência naquela mesma dinâmica qualquer que seja a nação a que pertença”. O texto não pede mudança de religião, mas entrar na dinâmica pela qual a existência do dia-a-dia se torna como a presença de Cristo em quem a assume pra valer, e assim construir a fraternidade universal. É uma indicação de grande importância num mundo de pluralidade religiosa que, por um lado não pretende desmanchar ou desprezar nenhuma delas, e pelo outro, intenciona encontrar a unidade e a comunhão que respeita a diversidade e oferece o critério para discernir ,em cada religião, o que reter e o que deixar.

Evangelho Lc 3,15-16. 21-22.

O texto relata o momento marcante do início da atividade pastoral missionária de Jesus, que desembocará nos eventos da semana Santa, opôs aproximadamente três anos. É sabido que naquela época era muito forte no sentimento popular a espera do Messias, fazia parte da expectativa geral. Daí, o sentido da anotação do texto e a pergunta se eram João Batista o esperado “o povo estava em expectativa e todos se perguntavam no seu íntimo se João não seria o Messias”.

João responde: “Eu vos batizo com água... Ele vos batizará no Espírito Santo e fogo” O sentido dessa afirmação será esclarecido após a morte e ressurreição de Jesus. Jesus mesmo se referirá ao batismo que deseja receber e a o fogo que ânsia arda quanto antes, aludindo ao evento da própria morte e ressurreição. Para Jesus ser batizado é ser crucificado e o fogo purificador é o amor imenso que sustenta e motiva a entrega dele. Amor que será, ao mesmo tempo, o motivo e a força de sua ressurreição. Amor que será identificado como ação do Espírito Santo.

Então qual é o significado do batismo de água de João que também Jesus recebeu. “Quando todo o povo estava sendo batizada, Jesus também recebeu o batismo” Jesus é batizado sem particular destaque, é batizado como um do povo, como um pecador comum que deseja se reaproximar de Deus. Isso evidencia que ele assume sobre si mesmo a condição dos pecadores, sem ser pecador. Desce no nível dos pecadores, se torna solidário com eles, para levá-los no caminho certo da salvação. Pois, rezamos no Credo “por nós homens e para nossa salvação desceu di céu”. Ele, por solidariedade, carreguerá sobre si mesmo todo o peso do pecado, ou seja, da desconfiança, da indiferença, da desvalorização e, mais ainda, da rejeição mais violenta o e cruel dos homem a esta solidariedade, entendida como uma presunção descabida e inaceitável, merecedora só de morte na cruz.

Contudo, ele recebe a aprovação do Pai e a unção do Espírito Santo, o aval da missão. É isso mesmo que deverá desenvolver “ o céu se abriu e o Espírito desceu...veio uma voz ‘Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem querer”.Cabe frisar que isso aconteceu “enquanto rezava”, enquanto vivenciava, de coração sincero, a familiaridade com o Pai pela presença do Espírito.

As palavras do Pai “Tu és o meu filho amado, em ti ponho 0 meu bem querer” são tirada do profeta Isaias- o primeiro versículo da 1ª leitura- que apresenta a figura de um servo- sofredor ( os quatro cânticos do Servo de Yavé) que entregará sua vida para o resgate do povo e da humanidade. Eram textos muito conhecidos pelo povo. Com certeza, Jesus ouvindo estas palavras entendeu que a missão dele era a de atualizar o que o profeta tinha indicado. Portanto, já sabe que na sua pessoa acontecerá o destino desse servo.

Como desenvolver a missão será esclarecido no evangelho das tentações. Outro ponto de grandíssima importância, que constitui como a cahve que abre a porta ao entendimento das palavras e ações específicas de Jesus.

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