1ª leitura Is 49,14-15
Às vezes, em nível pessoal, familiar ou social acontecem coisas que de jeito nenhum se esperava acontecessem. São eventos tão dramáticos e desconcertantes, motivo de abalo é muito profundo nas pessoas. Mais ainda, se os atingidos são pessoas retas, honestas, laboriosas, dedicadas ao bem a favor dos necessitados. É entendimento geral que não mereciam, de jeito nenhum, que acontecesse.
Até Deus è chamado em causa: como pude acontecer? Como e por que Deus deixou que isso acontecesse? Se ele é Pai, se o atingido não fez mal nenhum, pelo contrario, fez o bem, por que caiu sobre ele tal desgraça?
Então, no interior surge a pergunta: “O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-se de mim”. Faltou aquela proteção que muitas vezes a Escritura garante a todo fiel que caminha corretamente no caminho de Deus?
A resposta do Senhor não da razão do porque, simplesmente se limita garantir que não se esqueceu. Usa uma argumentação tomada do amor da mãe para com o próprio filho “Acaso pode a mulher esquecer-se do filho pequeno, a ponto de não ter pena do fruto de seu ventre?”. Argumentação de forte impacto emotivo e sentimental, que toca a profunda sensibilidade de cada pessoa e suscita a imediata resposta de que em absoluto não pode acontecer. E se, tal vez, tivesse de acontecer, seria uma monstruosidade imperdoável.
Pois, bem é o que Deus quer deixar entender. E acrescenta “Se ela se esquecer, eu, porém, não me esquecerei de ti". Com isso, o Senhor pretende infundir no animo das pessoas a certeza de uma presença incontestável, apesar dos sinais contrários e da desilusão dos interessados e atingidos pela desgraça.
Cabe especificar que o texto- segundo cântico do servo de Javé- se dirige ao povo desconsolado pela deportação e pela escravidão em terra estrangeira. Portanto, as perguntas com respeito ao abandono e ao esquecimento por parte de Deus, revelam um estado de suportarão chegando ao extremo das possibilidades humanas.
Se Deus tem tão grande preocupação e tamanha sensibilidade, por que demorou tanto na intervenção? Por que deixou que o povo experimentasse um tão grande abatimento e desmoralização ao ponto de duvidar da maneira que duvidou com respeito a Ele?
Não é dado para saber. Não há resposta certa. Tal vez seja para o necessário período constrangimento e de sofrimento, para tomar consciência dos próprios erros e pecados... Só é reafirmada a vontade de intervir e de manifestar a consistência desse amor.
Eis, então, a resposta do Senhor, sua preocupação amorosa por meio da intervenção deste servo enviado para restaurar a vida e a esperança do povo.
A pessoa resgatada do desanimo, da duvida de ser esquecida por Deus, e, por outro lado, envolvida pelo amor dele, é capacitada para responde, como administrador fiel, ao dom recebido.
É o tema da 2da leitura.
2ª leitura 1 Cor 4,1-5
“Que todo o mundo nos considere como servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Deus”. Servidores e administradores, as duas pernas do caminhar da ação evangelizadora, pela qual são conhecidos como discípulos de Jesus no mundo. O apóstolo neste trecho frisa mais o segundo aspecto, o de administrador dos mistérios de Deus “o que se exige dos administradores é que sejam fieis”.
A fidelidade consiste em passar todas as informações e testemunhos necessários para que o evento da morte e ressurreição de Jesus seja aceito, entendido e envolva, com a sua plenitude de amor, as pessoas que se abrem a esta novidade desconcertante de Deus Pai, que na pessoa do Filho Jesus resgata a humanidade e cada pessoa da escravidão do pecado, estabelece uma nova aliança na prática do amor e a certeza de participar já hoje da vida eterna, cuja manifestação plena será nos final dos tempos.
Isso é o resumo sintético do mistério do qual o apostolo é administrador. Ser fiel no desenvolvimento desta tarefa é, ao mesmo tempo, ser servidos de Cristo. Porque para isso veio Cristo ao mundo.
Depois o texto muda de registro. A reflexão se dirige sobre o aspecto e a experiência pessoal de Paulo, inclusive do relacionamento consigo, em sentido de despreocupação de se julgar “Nem eu me julgo a mi mesmo”. Manifesta uma liberdade desconcertante com respeito aos outros e em especial com o tribunal humano, pelo fato que “a minha consciência não me acusa de nada”, ou seja, tem a certeza de ter feito tudo o que podia e sabia fazer..
Contudo, detalhe importante, “não é por isso que eu posso ser considerado justo”. Pois, há uma realidade de justiça que ultrapassa a consideração e a consciência pessoal que, pelo teor da afirmação, está em Deus: “Quem me julga é o Senhor”. Esta justiça não está relacionada à fidelidade ao mandato, pois, a fidelidade é expressão que a justiça foi acolhida, e vivenciada como ação transformadora pessoal e conteúdo do mandato. A justiça está em Deus, pois, é deus mesmo. Portanto, só Ele pode julgar o grau dela, a autenticidade dela, o valor dela, transmitido pela ação evangelizadora de Paulo. (Contudo, ela ultrapassa a objetividade da avaliação, pois, Paulo sabe que Ele o torna justo pela sua entrega de Amor e no Amor).
Daí duas indicações: “não queirais julgar antes do tempo”, ou seja, não ter pressa com respeito à certeza e à segurança que são o Senhor pode oferecer. Por conseguinte “ Aguardai que o Senhor venha”, pois, só então será manifesta toda a verdade da obra realizada pelo apóstolo. Portanto, é preciso prudência e humildade, outra duas característica da vida do apostolo
“Ele iluminará o que estiver escondido nas trevas e manifestará os projetos dos corações”. Com a vinda do Senhor, tudo se tornará transparente e límpido. Os últimos vestígios do pecado serão destruídos. Não haverá situações ocultas, misteriosas, indecifráveis nem projetos escondidos no profundo do ser, pois, tudo será envolvido na luz da verdade e do amor.
“Então cada um receberá de Deus o louvor que tiver merecido”. Notável que não acena a condenação nenhuma, mas só ao premio, evidentemente, relacionado à pureza e à fidelidade do serviço do administrador.
É esta consciência, filosofia de vida e jeito de viver, que tornará possível o estilo de vida no dia- a- dia proposto pelo evangelho.
Evangelho Mt 6,24-34
Em primeiro lugar, o texto alerta da incompatibilidade entre Deus e o dinheiro, não porque os dois não sirvam à vida da pessoa. Pois, Deus é realidade imprescindível, e o dinheiro meio necessário para viver harmoniosamente. O incompatível é pretender servir aos dois, no sentido que toca ao homem se determinar a quem pretende colocar no primeiro lugar e servir como valor maior da própria vida e objetivo da própria caminhada “Não podeis servir a dois senhores (...). Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”.
A coisa é evidente na nossa experiência de todos os dias. Pois, ao dinheiro é ligado o poder, o prestigio, a realização de muitos desejos etc., que fazem do eu individual o poderoso e administrador absoluto da própria existência, até o ponto de praticar toda injustiça e abuso. Exatamente o contrário da realidade de Deus – Amor.
Evidentemente, o dinheiro proporciona muita segurança frente às múltiplas necessidades da vida. Sem dinheiro a vida é impossível e se torna desumana. O servir aos dois senhores- Deus e o dinheiro- significa segurança pelo lado humano e, também, do acolhimento no reino de Deus.
Esta associação é desfeita. Em primeiro lugar indica: “buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça”. Servir a Deus é exatamente isso. Buscar o que misteriosa e escondidamente já está presente, como tesouro, como pérola preciosa. A ética do amor manifestada em Cristo até suas últimas conseqüências indicam o caminho e os meios adequados.
Em segundo lugar convida observar o que acontece na ordem da criação e especificamente da natureza. Como as coisas são animada e sustentadas por uma ordem que garante aos animais e a vegetação o necessário para viver com dignidade e para desenvolver a função pela qual foram criadas “Olhai os pássaros(...) Olhai como crescem os lírios dos campos(...). Portanto, não vos preocupeis, dizendo: O que vamos comer?(...) Os pagãos è que procuram essas coisas” . Evidentemente, não se trata do incentivo ao relaxamento, ao desinteresse, mas, simplesmente, de se ocupar para ter vestido, alimento etc., não se pré-ocupar, os seja, antecipar uma ocupação que atrapalha e torna vão o empenho e o esforço da busca do reino de Deus e sua justiça.
Então, a correta ocupação para as necessidades materiais serão percebidas também elas como dom e como acréscimo: “e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo”. Tudo isso se deve à misteriosa e presente providencia de Deus.
O final do texto recolhe muito do bom senso e da sabedora popular. Viver o presente com o pé no chão e enfrentar as dificuldades do momento com bom senso e com espírito de fé no horizonte da missão que lhe foi confiada, traduz o correto posicionamento que todo discípulo deve buscar com paciência e humildade “Portanto, não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá sua preocupações. Para cada dia bastam seus próprios problemas”.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
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