1ª leitura Dt 11,18. 26-28.32
Pelo teor da colocação as indicações são determinantes e decisivas para a vida bem sucedida. A posta em jogo è a vida ou a morte, a benção ou a maldição “Eis que eu ponho diante e di vós benção e maldição”.
São indicações tão importantes que Moises se preocupa em frisar que elas devem ser acolhidas assim de conformar a inteligência e o coração da pessoa e do povo “Incuti estas minhas palavras em vosso coração e em vossa alma”. O fato de mandar “incutir” significa que o processo não é espontâneo nem surge pelo dinamismo intrínseco no ser da pessoa, como se fosse o desenvolvendo de um processo natural. Pelo contrário, è algo que exige esforço, uma determinação da vontade que deve vencer resistências.
De fato a recomendação que segue, manifesta o perigo devido a essas resistências de se esquecer delas, ou pelo menos, de se afastar “amarrai-as, como sinal, em vossas mãos e colocai-as como faixas sobre a testa”. Isso indica toda dificuldade em assimilá-las no coração e na alma, o que o processo vital pretende alcançar.
Contudo, fica esclarecido que a benção depende “se obedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso Deus” assim como a maldição" se desobedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso Deus e vos afastardes do caminho”.
O motivo da desobediência e do afastamento è para “seguirdes outros deuses que não conheceis”. Mas, surge a pergunta: como podem e o que motiva eles deixarem o Deus que conhecem, do qual experimentou a presença, a ação libertadora, que caminhou com eles no deserto até chegar a terra prometida, a favor de uns deuses desconhecidos? Ninguém de bom senso faria isso. Contudo, è o que aconteceu no passado e irá acontecer no futuro.
A resposta há de encontrá-la na característica do Deus de Israel em contraposição aos outros deuses. São duas filosofias diferentes e contrapostas. Os deuses são produtos da obra e dos critérios humanos. Eles respondem as expectativas e desejos do povo. Alem disso, se tornam como instrumentos nas mãos da classe dirigente e, portanto, um necessário apoio ao interesses, desejo, prestigio de poder deles, para submeter a vontade e a obediência do povo. Quantas vezes se usa da imagem de Deus, do seu poder e vontade para dominar com maior sucesso e facilidades a situação sócio-política a vantagem da autoridade constituída!
Pelo contrario, o deus de Israel liberta de tudo isso, e carrega a responsabilidade e a liberdade sobre os ombros de cada pessoa. As autoridades devem exercer a própria função como serviço à causa da justiça e do direito a favor do pobre, do indefeso etc. Mas é exatamente o contrario do que elas fazem.
Por outro lado o povo prefere delegar para outros toda responsabilidade. Ao povo interessa pão e diversão, não responsabilidade nem preocupação para outros, se não foram familiares ou amigos e mantendo em primeiro lugar a própria conveniência. Para ele Deus é só invocado quando passar por situações que não tem remédio nem saída. E então, espera dele o milagre como expressão da divindade e ponto. Fica fora de toda exigência de compromisso e de responsabilidade.
Por isso que Moises recomenda “Tende, pois, grande cuidado em cumprir todos os preceitos e decretos que hoje vos ponho”, porque só desta maneira poderá experimentar a bondade e a eficácia da ação de Deus a favor dele.
As norma e leis praticadas corretamente conformam a justiça, tema da segunda leitura.
2da leitura Rm 3,21-25a.28
Infelizmente o povo desvirtuou o sentido profundo da lei. Fez dela uma mera referencia exterior, o simples cumprimento da letra, às vezes de forma muito exigente até tornar impossível e a execução para muitas pessoas. O cumprimento dela tornava as pessoas justas perante de Deus e, portanto, merecedora de participar do reino de Deus com a vinda do Messias.
“Agora (...) a justiça de Deus se manifestou (...) se realiza mediante a fé em Jesus Cristo, para todos os que têm fé”. A fé como diz aos Hebreus “è um modo de já possuir o que se espera a convicção acerca de realidades que não se vêem” (1,1). Esperamos a salvação a realização do resgate do pecado e a libertação da força sedutora da tentação.
Pois bem, a fé faz perceber esta realidade como já em nós, como verdade já atuante que conforma a realidade do novo ser transformado por esse dom. Ela tem sua origem na morte e ressurreição de Jesus. Tudo isso nos permite perceber o amor que está nele, o amor que nos mergulha em Deus, como realidade que não se vê, mas que preenche a pessoa.
E’ o que Paulo chama de justiça de Deus “a justificação se dá gratuitamente, por sua graça, em virtude da redenção realizada em Jesus Cristo”, pela quais todos estão justificados porque “não há distinção: todos pecaram e estão privados da graça de Deus”. A justiça se realizou pelo fato de que “Deus destinou Jesus Cristo ser, por seu próprio sangue, instrumento de expiação mediante a realidade da fé”.
Jesus mesmo teve que acionar sua fé na promessa do Pai. Aconteça o que acontecer no desenvolvimento da missão, de toda maneira, o Pai irá cumprir a obra e implantar o reino. Tal vez, Jesus não sabia se depois da morte ia acontecer a ressurreição. Pois, sua morte teria seria um evento muito diferente da nossa experiência. Ter a anterior certeza de que três dias depois estaria vivo, faz do evento da morte como uma espécie “brincadeira”, tirando dela toda aquela seriedade e dramaticidade que há nela...
Assim, Jesus deve ter colocado sua certeza na promessa do Pai. Portanto, teve fé na vontade do Pai, que não deixaria a morte e o mal trinfar. Por outro lado, a verdade do amor, que sustentou sua missão e especialmente seu momento final- “os amou até o fim” (Jo 13,1)-, já fazia enxergar no próprio horizonte vivencial “o poder de uma vida indestrutível” (Hb 7,16).
Tudo isso aproxima Jesus a nossa experiência. Não temos a certeza do que acontecerá conosco após a morte. Esta incerteza é motivo de ânsia e de medo por parte das pessoas. A certeza está no Pai, que resgatou a Cristo e assim, regatará também os seguidores dele. O que sustenta é a promessa, a esperança. A fé è já a maneira de possuir esta promessa.
As últimas palavras do texto “Com efeito, julgamos que o homem é justiçado pela fé, sem a prática da lei judaica” colocam como base do correto relacionamento com Deus o dom oferecido pelos efeitos da morte e ressurreição. É o dom do amor na sua pura e maior expressão e consistência.
Esta realidade è o pano de fundo de toda ação do discípulo. O amor recebido que sustenta e motiva o amor e o agir no dia-a-dia e em toda circunstância.
É o que o Evangelho exige.
Evangelho Mt 7,21-27
Jesus com estas palavras finais conclui o sermão da montanha. O ponto focal é colocar “em prática a vontade de meu Pai que está nos céus”. A vontade está intima e profundamente ligada a “quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática”. Com efeito, a lei do amor é uma maneira de se relacionar consigo mesmo, com os outros, de vivenciar a vida pessoal e social, incluindo o respeito à natureza, e de agir coerentemente.
Para os ouvintes Jesus evidenciará o equivoco que eles carregam consigo com respeito à vontade do Pai e sua prática “Naquele dia”, quando será implantado o reino definitivo com a chegada do Messias, dia muito esperado, “muitos vão me dizer: Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizamos? (...) que expulsamos demônios? (...) que fizemos milagres?”.
No entendimento comum, agir desta forma è a garantia de estar com Deus, de ter para com ele o relacionamento correto e, portanto, ser merecedores da entrada no reino. Como se pode pensar diferentemente por parte do povo e dos mesmos que expulsam demônios e fazem milagres em nome do Senhor?
Grande deve ter sido a surpresa, pela resposta de Jesus feita publicamente: “Jamais vos conheci. Afastai-vos de mim, vós que praticais o mal”. O desconcerto deve ter sido total. Contudo, o critério é implantado com toda clareza. Deus é “pratica do bem”, outra maneira para dizer que é amor. Não deve trazer em engano o que tradicionalmente se consideram expressões da verdadeira religiosidade: a oração, a pregação, os milagres e a expulsão dos demônios.
O bem, conforme a vontade do Pai, está na pessoa quem “ouve estas minhas palavras e as põe em prática”. Jesus alerta que nisso está a diferença entre o certo e a pessoa “sem juízo”, o tolo. O primeiro é como se construísse a casa sobre rocha e o segundo sobre areia.
Os dois perceberão os diferentes resultados quando chegar todo tipo de provações e dificuldade no desenvolvimento da missão, cujos efeitos são parangonados a quem constrói sobre a rocha e quem sobre a areia, cujas conseqüências são perfeitamente previsíveis. Pois, “Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa”.
Para o primeiro, apesar das fortes abalos e turbulência, será experiência de salvação; para os segundo, o contrário “sua ruim será completa”.
Eis, então, a importância, como frisava a primeira leitura, de “Incutir” este sermão na mente e no coração dos ouvintes e de motivá-lo à prática de sua exigência, O que está em jogo é questão de vida ou de morte, de salvação ou de condenação.
O que Jesus explicitará com sua palavra e obras será a atuação nos diferentes contextos e situações daquilo que disse e ensinou. Ele acreditou nisso de maneira Tão firme que preferiu morrer que desistir ou desviar.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
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