1ª leitura 1Rs 19,9a.11-13ª
Depois de ter mandado matar os quatro cento e cinqüenta profetas de corte da rainha Jezabel no monte Carmelo, Elias foge, pois, a rainha o persegue para matá-lo. Ele chega “ao Horeb, o monte de Deus, o profeta entrou na gruta, onde passou a noite”.
No momento altamente dramático, e de profunda crise por não perceber apoio nenhum à sua ação, Elias sente a necessidade de chegar ao lugar onde tudo começou para o povo de Israel: o monte Horeb. É no Horeb onde Deus se manifestou a Moises, entregou a Lei e selou a Aliança...
Para ele é como tornar às raízes das quais tudo surgiu. Foi, tal vez, para reencontrar ou regatar a autenticidade e a verdade dele; para conferir se o próprio agir e caminhar é conforme à Aliança. Em fim, é motivado da urgência de se reencontrar com a própria identidade mais profunda, abalada pelos eventos desconcertantes.
O Senhor o acolhe da mesma forma que acolheu Moises “Sai e permanece sobre o monte diante do Senhor, porque o Senhor vai passar”. Portanto, a expectativa é que o Senhor se manifeste da mesma forma de como foi com Moises “veio o vento impetuoso e forte(...), houve o terremoto (...), veio o fogo”. Mas o Senhor não estava neles.
Pelo contrario, o Senhor se manifestou no meio de “um murmúrio de uma leve brisa”, ou seja, de uma maneira totalmente inesperada. Contudo, “Ouvindo isso, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e pôs-se à entrada da gruta”.
Nos momentos de crise e de dificuldade é importante voltar com o coração e com inteligência aos momentos marcantes e determinantes da própria vocação, para revisitar aquilo que determinou a decisão fundamental da própria existência. Mesmo passando por um período árido, como foi a travessia do deserto por Elia, que por outro lado foi sustentada da presença do anjo do Senhor, merece enfrentar a viagem.
Com certeza Deus acolhe.Tal vez, seja por isso que acontecem momentos de crise, para redesenhar o projeto, para reconsiderar os termos da caminhada, para retomar o caminho com novos critérios e novas mediações.
Não adianta se apoiar em experiências de outros - como foi aquela de Moises por Elias - ou elaborar expectativa assim de prever antecipadamente como o Senhor se tornará presente. Deus não pode ser encaixado dentro de nossas expectativas, sempre surpreende. E de fato, se manifestará no “murmúrio de brisa”, algo totalmente diferente de como se manifestou a Moises. Deus é Deus e ninguém pode prever como se ele se manifesta.
Ele sempre surpreende, com seu agir criativo e inesperado, mesmo na maneira de se comunicar com a pessoa dedicada a ele. Contudo, o importante é reconhecer e entender a presença e assumir a atitude conveniente. No caso de Elias, como a de Moises perante a transcendência Dio Senhor, ele se “cobriu o rosto com o manto, saiu e se pôs à entrada da gruta”, pois, ninguém pode ver Deus face a face e permanecer vivo.
A finalidade de tão larga viagem é alcançada, o contacto está feito. E Deus, fonte da vida, falará com Elias e dará a resposta conveniente. Não foi em vão a viagem, a esperança e voltar às raízes.
A renovada sintonia com Deus determinará a atitude conveniente. É o que Paolo manifesta, por ter alcançado a sintonia com Cristo.
2da leitura Rm 9,1-5.
Com grande sinceridade “Não estou mentindo”, Paulo manifesta a grande tristeza com respeito ao povo de Israel à qual pertence, e pelo qual tem imenso carinho: por que “os de minha raça”não aceitaram a Cristo?
O motivo é que deste povo “é que descende, quanto à sua humanidade, Cristo, o qual está acima de todos, Deus bendito para sempre! Amen!”. A argumentação é que “Eles são Israelitas. A eles pertencem a filiação adotiva, a glória, as alianças, as leis, o culto, as promessas e também os patriarcas”. Portanto, tudo converge a que sejam particularmente favorecidos em entender e aceitar a Cristo, no qual encontram a filiação adotiva. Mais ainda, em Cristo se concentra a realização das promessas e a manifestação da glória de Deus.
Para Paulo é sumamente difícil entender esta atitude dos próprios compatriotas. É particularmente angustioso constatar a incapacidade, ou a consciente resistência, em acolher e acreditas na missão de Cristo “uma grande tristeza e uma dor continua”, que eles permaneçam em tal atitude.
O tamanho do sofrimento é manifestado pela troca surpreendente de desejar para ele a pior desgraça, se ela pudesse abrir o coração e a inteligência deles à conversão: “a ponto de desejar ser eu mesmo segregado por Cristo em favor dos meus irmãos”. Para Paulo afirmar isso é manifestar uma dor verdadeiramente grande!
Pela historia e tradição dele a identidade e o sentido de pertencer ao povo eleito de Israel é algo que conforma a sua realidade pessoal e social mais autentica e verdadeira. O sentido de pertencer ao povo de Deus, de ser parte da historia viva e atual, e, sobretudo, de se sentir herdeiro, com o povo, das promessas de Deus seladas pela Aliança no Sinai, constitui , podemos dizer, como o DNA da própria existência.
Portanto, a salvação dele e do povo formam uma realidade só. Esta sensibilidade e percepção que ultrapassa a dimensão individual e abraça a realidade do povo todo, falta na percepção e experiência espiritual dos cristãos.
Nós estamos muito acostumados entender a salvação como um evento estritamente individual, como algo que cada pessoa deve tratar e verificar com Deus, deixando para os outros e o povo toda a incumbência de se concertar por própria iniciativa. Ninguém de nós se incomodaria pelo fato do outro, do povo em geral, ter uma conduta inadequada, afastada do horizonte da salvação, se não for por erros e prejuízos de caráter social que as circunstâncias acarretam.
É particularmente trabalhoso e complicado mudar o rumo, a direção. A herança do passado cuja conseqüência a sociedade toda carrega se resiste a toda modificação.
Por outro lado, a rápida e constante evolução social, conhecida como globalização e a informação em tempo real, da a entender que frente aos problemas e desafios da humanidade se faz cada vez mais evidente que nos salvamos todos, ou todos afundamos. Tomar em seria consideração a salvação de todos é ao mesmo tempo se preocupar da própria.
Jesus é o ponto de referencia para o evento da salvação bem sucedido, como explicita o evangelho.
Evangelho Mt 14,22-33
“Os que estavam no barco, prostraram-se diante dele, dizendo: Verdadeiramente, tu és o filho de Deus” . Na primeira leitura Deus se manifestou no murmúrio da suave brisa, aqui no domínio da tempestade e do vento. Pois, era entendimento comum que só Deus podia dominar as águas. Mas, como Elias, também os discípulos chegam a esta experiência após circunstâncias e situações dramáticas e perturbadoras.
Depois das multiplicações dos pães, Jesus e os apóstolos se dividem, ou melhor, Jesus “ mandou que os discípulos entrassem na barca e seguissem, à sua frente, para o outro lado do mar” . E ele “ subiu ao monte, para orar a sós”.
Ele orando na tranqüilidade da solidão até as “ três horas da manhã”, e os apóstolos lutando para a sobrevivência no meio da tempestade. Um contraste muito singular. Parece-me querido propositalmente. Mais ainda, imediatamente depois do grande milagre da multiplicação dos pães, momento mágico e triunfante do Senhor e dos mesmos apóstolos.
Qual foi o motivo, não se sabe. Nem é dito qual foi o motivo de Jesus passar a noite em oração. Tal vez cabe deduzi-lo, ligando com as mesmas palavras de Jesus dirigidas a Pedro na quinta feira santa “ Simão, Simão! Olha que Satanás pediu permissão para vos peneirar como trigo. Eu porem, rezei por ti, para que tua fé não se apague” (Lc 22,31-32).
Portanto, o evento é para comprovar a consistência da fé dos discípulos, após o milagre, e a eficácia da oração de Jesus.
Eis Jesus se aproximando a eles andando sobre mar e sendo motivo de apavoramento, porque “disseram: é um fantasma”. A intervenção de Jesus e a exortação de não ter medo tem uma primeira resposta de Pedro “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água”. Resposta entre confiança e teste, ao ponto que quando pus sua atenção sobre o vento e a tempestade começou a afundar e suplicou a intervenção de Jesus: “Senhor , salva-me”.
A resposta de Jesus “Homem fraco na fé, porque duvidaste?” evidencia como o milagre da multiplicação dos pães não foi suficiente para segurar a fé necessária para enfrentar a tempestade.
A tempestade é imagem das provações e das dificuldades que os apóstolos encontrarão na missão. No desenvolvimento dela poderão contar com a oração de Jesus a favor deles. E também da sua presença, que não será a ilusão de um fantasma e nem simplesmente de umas palavras de conforto e de coragem, mas a de um braço forte “Jesus logo estendeu a mão”capaz salvar de uma situação difícil, sustentar a pouca fé e os momentos de fraqueza dos discípulos.
Por esta experiência viva e eficaz poderão louvar a Deus, reconhecendo sua assistência e intervenção que resolve o que humanamente seria impossível: “ Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus”
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
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