terça-feira, 4 de outubro de 2011

28o DOMINGO DO T.C.-A-(09-10-11)

1ª leitura Is 25,6-10ª

Naquele dia”. O profeta enxerga o dia futuro do cumprimento da promessa de Deus. Descreve a meta, o ponto de chegada, da historia da humanidade e de cada pessoa. Ter clareza da meta é condição para acreditar na proposta oferecida por Deus, assumir as exigências da Aliança e, assim, entrar no caminho que leva a ela.
A meta é “para todos os povos” indicando o destino universal da proposta e do caminho. Não é só para o povo de Israel, mas para a humanidade toda. Tendo o mesmo destino, se declina a condição de fraternidade, de solidariedade, de união, de familiaridade entre todas as nações e culturas.
Detalhe importante, que já muitos séculos antes da chegada de Cristo eram posto à consideração e reflexão ao povo eleito. Foi eleição não fechada, mas aberta. Ela simplesmente constitui um ponto de partida para chegar a abranger a todos.
Naquele dia” haverá, ou melhor, se completará o processo de transformação. Por um lado “Ele removerá (...) a teia em que tinha envolvido todas as nações (...) eliminará para sempre a morte, e enxugará as lágrimas (...)e acabará com a desonra do seu povo em toda a terra”. Por outro lado, “O Senhor dos exércitos dará (...) um banquete de ricas iguarias...” significando a nova condição de felicidade e harmonia completa.
Naquele dia” será manifesto como foi bom e conveniente acreditar na palavra e na promessa do Senhor. Aqueles que duvidaram, não deram importância e se afastaram dela ficarão desiludidos e frustrados. Pois, “se dirá: Este é o nosso Deus, esperamos nele, até que nos salvou (...), nele temos confiado: vamos alegrar-nos e exultar por nos ter salvado”.
Esperamos nele, até que nos salvou”. Portanto, se o “até” indica “por fim”, cabe pensar que a profecia objetiva sustentar a fé e a esperança do povo provado pelas dificuldades do momento presente. Com efeito, há momentos nos quais parece que Deus abandonou, esqueceu do seu povo, pelo prevalecer da injustiça da maldade, ou seja, todo o contrário da promessa.
São momentos nos quais a teia da maldade, a morte prematura e injusta, as lágrimas e a desonra tomam conta da vida social e pessoal. Surge a pergunta: então há que continuar esperando? A profecia responde que sim, porque “a mão do Senhor repousará sobre este monte”. Está marcada a vitória final “vamos alegrar-nos e exultar por nos ter salvado”. Expressão da vitória será o banquete descrito com imagens de fartura e de qualidade “ricas iguarias, regado de vinho puro, servido de pratos deliciosos e dos mais finos vinhos”
Cabe destacar como este mesmo assunto será retomado pelo Ap. 21, 1-7( visita o texto). Quem dará inicio à vitória final é Jesus Cristo. Com o evento da morte e ressurreição Dele, começa a vitória definitiva sobre o mal e o pecado “Eis que eu faço novas todas as coisas (...) Eu sou o Princípio e o Fim”(Ap. 21,5-6) .
Com Ele, e por meio do evento da sua morte e ressurreição, o futuro já se faz presente, já esta ao nosso alcance e é garantia da já participar agora da vitória final. Mais ainda, os acontecimentos da vida presente são assumidos e revestem a presença deste futuro nas escolhas do dia a dia.
Um exemplo é o testemunho de Paulo na segunda leitura.

2da leitura Fl 4,12-14.19-20

Paulo afirma “Irmãos, sei viver na miséria e sei viver na abundancia. Eu aprendi o segredo de viver em toda e qualquer situação”. Viver é encarar a vida com sucesso. É acreditar nela de cabeça erguida.
A provação, a dificuldade, o imprevisto, a falta do resultado esperado etc., nos deixam abatidos momentaneamente, mas não são motivos para depressão, para desmoronar. Fazem sofrer, mas não são frustração nem sentimento de derrota. Menos ainda sustentam, tal vez, sem ter consciência disso, a vontade de descontar no outro.
Nos momentos de abundância e de sucesso, saber viver é não cair no sentimento de potência e de autossuficiência, nas atitudes egocêntricas, na acomodação; mas, agradecer a Deus, pois, tudo procede Dele e a Ele é orientado.
O que sustenta uma atitude e outra? “Tudo posso naquele que me dá força”. A capacidade e a determinação de sua atitude têm sua nascente e origem na sua comunhão com Cristo. É desta comunhão que tudo procede. A vontade, o sentimento, o desejo simplesmente humano não conseguiriam, pois elas estão muito condicionadas pela vontade de ter, de possuir, de dominar.
A consciência de estar “em Cristo”, de sua profunda e sincera identidade com Ele se torna força e capacitação para assumir as atitudes convenientes e ser o que Ele é.
Eis, pois, as palavras de agradecimento eterno “Ao nosso Deus e Pai, a gloria pelos séculos dos séculos”, sinal de que valeu se deixar tocar e transformar pelo dom de Deus, no caminho do Damasco.
Manifestação da não auto-suficiência é a aprovação e o agradecimento pela ajuda dos irmãos “No entanto, fizestes bem em compartilhar as minhas dificuldades”. Tudo posso, mas preciso de vocês... Simbiose estupenda que une a força de Deus e a solidariedade dos irmãos: os irmãos ajudam a Deus a se manifestar, e Deus sustenta a generosidade se manifestando através deles.
O dom recebido e transmitido é a expressão do saber viver com sucesso é ao mesmo tempo a oportunidade para experimentar a permanente presença de Deus “O meu Deus proverá esplendidamente, com sua riqueza, a todas vossas necessidades, em Jesus Cristo”.
O contrário de tudo isso é relatado no evangelho

Evangelho Mt 22,1-14

O que aconteceu? Devia ser uma festa para todos indistintamente, e termina com uma sentença tão desconcertante para um convidado “Amarrai os pés e as mãos desse homem e jogai-o fora, na escuridão...”.
O convite e a participação era dirigida a todos “ os empregados saíram para o caminho e reuniram todos os que encontraram, maus e bons”. Notável a atitude de não tomar em conta a condição ética deles. Contudo, a todos é pedido participar “usando o traje da festa”.
O convite já é sinal de acolhida, de comunhão, de amizade, independentemente da condição ética. Portanto, o convidado tem que se revestir desta consciência. Pelo convite e pela aceitação dele, é revestido da nova condição e habilitado para participar da festa do rei. Mesmo sendo mal, Deus, através dele, o faz bom e digno do banquete. Eis o conteúdo e motivo da festa!
Para isso, é preciso se revestir desta consciência, desta nova realidade, coisa que o convidado não tomou em consideração nem deu importância. Aceitou o convite, sem perceber ou valorizar o que comportava e, muito menos, suas exigências.
É o que acontece para com muitos com respeito ao convite ao banquete da Eucaristia. Não é difícil a comparação. Muitos se aproximam a ela tendo uma informação insuficiente, superficial ou inconsistente.
Conseqüentemente, não tem condição de se revestir da consciência do valor e do que a Eucaristia vai operar em termos de remissão dos pecados, de restabelecimento da nova e eterna aliança, de participação da vida eterna, como antecipação da glória que se manifestará no fim dos tempos.
Não tem noção do que a Eucaristia vai suscitar nele em ordem à transformação profunda do ser e do crescimento desse mesmo ser nele que, tomando conta de toda a pessoa, o capacita de se perdoar do mal e do pecado, até então tido como invencível.
Portanto, há como uma resignação de quem deve necessariamente compactuar com ele. Pois, é comum o entendimento de que o espírito é forte, mas a carne é fraca, assim como a percepção do contrário, de que a carne é forte e o espírito fraco.
Não tem condição de perceber a importância de acreditar, da fé nessa ação de Deus por meio do Espírito Santo, tão necessária para fazer que o entendimento de acima se torne realidade, se aproprie do dom de Deus e se senta destinatário do presente e participe da glória do mesmo Deus. Eis em que consiste “o traje da festa”.
Faltando este, tal vez, o convidado tenha o traje da obrigação, do costume social, do fazer porque deve ser feito... Mas é absolutamente inadequado. Terminada a “festa” é como se nunca tivesse acontecido. Daí a conseqüência de ser jogado fora e permanecer na escuridão. Não adiantou nada!
Cabe pensar que o convidado se apresentou com a mesma indiferença, desvalorização, superficialidade e desinteresse dos primeiros convidados. Estes “não deram a menor atenção: um foi para o campo, outro para os seus negócios”. Falou mais alto o interesse particular, prevaleceu o egocentrismo.
Este último, desenvolvido até dominar o próprio ser, o pensamento, a vontade e a memória, e se tornando inspirador das escolhas e determinações do dia- a- dia, deu lugar à fúria homicida “outros agarram os empregados, bateram neles e os mataram”, determinando a própria condenação “O rei ficou indignado e mandou sua tropas para matar aqueles assassinos e incendiar a cidade deles”.
Deus convida a todos, quer a salvação de todos e a todos oferece a oportunidade de participar do banquete. Contudo, é necessário preferir o convite sobre outras propostas. É condição para participar dele com consciência e respeitando as exigências para que o convite se torne uma verdadeira festa, e não motivo de desgraça.

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