domingo, 23 de outubro de 2011

31o DOMINGO DO T.C.-A-(30-10-11)

1ª leitura Ml 1,14b-2,1-2.8-10

Eu sou o grande rei (...) e o meu nome é terrível entre as nações” Uma apresentação aterradora que coloca o homem e as nações - seja qual forem - lá em baixo perante a força poderosa, irresistível e destruidora do poder do Senhor, exercido de tal maneira da suscitar terror.
Apresentação acompanhada pela ameaça “Se não (...) tomar a peito glorificar o meu nome (...) lançarei sobre vós a maldição”. Por provier de Deus a maldição deveria ser suficiente para impor à obediência, o respeito, a atenção à sua vontade.
Esta atitude parece-me como último tentativo de não permitir o afastamento dos sacerdotes e do povo, desviando e esquecendo compromisso da Aliança. É atitude extrema na esperança de não perder a amizade, a companhia e a presença de quem se ama muito, pois, custa aceitar o desinteresse e o afastamento dele.
Mas de nada adiantou. “Vós, porém, vos afastastes do reto caminho e fostes para muitos, na observância da lei, pedra de tropeço; quebrastes o pacto”. Decepção, desilusão, amargura e dor imensa do Senhor pelo povo eleito, quem libertou da escravidão do Egito e introduziu ma terra prometida; o povo da aliança no Sinai do qual esperava frutos de justiça, de fraternidade, de amor, para ser exemplo à nações e atrair a todas ao Senhor, deu as costas.
Ter se afastados da Aliança foi prejuízo para o povo mesmo. “... e eu também vos fiz desprezíveis e vos rebaixei aos olhos do povo, na medida em que não guardastes meus caminhos e praticastes discriminação de pessoas no serviço da lei”. Parece-me não foi vingança ou punição por parte do Senhor, mas a conseqüência de ter abandonado o caminho certo. Privaram-se das referencias e das condições necessárias para ser valorizados admirados, estimados e até invejados por parte das nações.
Não ter obedecido ao Senhor, não cumprir a Aliança, foi cair no caminho errado e nele praticar a discriminação de pessoas. Foi se diminuir aos olhos e à consideração dos outros. Foi engano para eles mesmos, se desejassem sobressair no meio das nações e serem estimados e respeitados por elas.
Mas, mesmo não tomando em conta isso, deveriam ter como referencia fundamental Deus como pai e criador de todos “Acaso não é um só o pai de todos nós? Acaso não foram criados por um único Deus”. De fato, o respeito às pessoas, assim como todo relacionamento entre elas de fraternidade, de solidariedade na pratica do direito e da justiça, tem seu sentido, alicerce e força nesta verdade.
Tudo se principia daí. Deixar isso em nome do dinheiro, do poder, do egocentrismo, dominados pela paixão de aparecer, pelos interesses pessoais etc., há como conseqüência o que todos já vemos experimentamos: o homem de torna lobo do homem; falta a humanidade e com isso todo tipo de mal assola impiedosamente “cada um de nós é desonesto com seu irmão, violando o pacto de nossos pais”.
É o que hoje lamentamos da perda de valores, de princípios firmes, de estacas de referencia no caminho, razão pelo qual vivemos na insegurança, no temor, no risco de que em todo momento possa acontecer o que ninguém deseja para ninguém, para depois se lamentar com Deus do porque ele permitiu que acontecesse isso...
Há um sentimento de impotência frente ao mal que domina ao ponto de não acreditar que as coisas podem mudar que é possível reverte-lo. Muitos se apelam à necessidade da convivência passiva para com ele, na esperança que Deus preserve ele e seus queridos da desgraça, ou resolva com um toque da mágica.
Porém, continuam se comportando, aprovando e ensinando a outro a desonestidade seja nas pequenas coisas que nas grandes. Diz o salmo “Por toda parte rondam ímpios, enquanto entre os homens se exalta a depravação” (Sl 12,9).
É preciso resistir, como testemunha Paolo na segunda leitura.

2da leitura 1Ts 2,7b-9.13

Muito importante a maneira de como Paulo se aproxima aos tessalonicenses “foi com muita ternura que nos apresentamos a vós (...). Tanto bem vos queríamos, que desejávamos dar-vos não somente o evangelho de Deus, mas até a própria vida, a tal ponto chegou a nossa afeição por vós”. Como surgiu este sentimento e em virtude de que se concretizou tal afeição?
Surgiu por ter clareza e ter interiorizado na consciência a convicção de Deus ser criador e pai de todos, como indicava a primeira leitura. Mas, sobretudo, por ter entendido o valor universal da morte e ressurreição de Jesus Cristo. A consciência de o evento ter atingido a todos indistintamente, homens e mulheres de todos os lugares e de todas as épocas, suscitou o sentimento de verdadeira fraternidade e de comunhão. Portanto ha em comum a mesma dignidade, o estar no mesmo caminho e de ter a mesma meta : o reino de Deus.
O afeto e o carinho por eles foram como o de “uma mãe que acalenta os seus filhinhos”, quem percebe a condição deles, sabe o que precisam e tem condição de proporcionar o que necessita. A determinação de se dedicar a eles foi tão intensa ao ponto de disponibilizar até a própria existência.
Notável como a vontade de transmitir o evangelho está intima e profundamente associada à dedicação da própria vida, até o extremo de fazer dela um dom gratuito e desinteressado rumo ao objetivo. Assim, o testemunho do Evangelho, a boa noticia de Deus, se tornou boa realidade ma testemunha, no missionário. O dom de Deus do qual o missionário é pregador é manifestado presente a ativo na própria pessoa. Palavra e comportamento estão em sintonia.
Cabe acrescentar a atitude de Paulo de não pesar sobre a comunidade para a própria alimentação e bens materiais necessários do dia- a - dia “Trabalhamos dia e noite para não sermos pesados a nenhum de vós”. Com certeza percebeu as precárias condições financeiras deles ou , também, para dar testemunho da total gratuidade da transmissão do Evangelho, pois, não há outro interesse de que eles abram a mente e o coração à palavra do Senhor e acreditem no efeito dela no coração e na vida individual e coletiva.
Portanto, agradece “a Deus sem cessar por vos terdes acolhido a pregação da palavra de Deus (...), que está produzindo efeito em vós que abraçastes a fé”. Acolheram pelo que ela realmente é: é de Deus, provem Dele e produz os efeitos que Ele espera, pela confiança que os ouvintes colocam nela. A qualidade do testemunho/testemunha foi determinante.
O evangelho mostra que nem sempre é assim e indica as causas.

Evangelho Mt 23,1-12

Jesus alerta as multidões a os discípulos para com os mestres da lei- os teólogos, os que tinham as chaves do conhecimento- e os fariseus, os fieis praticantes das indicações deles. Reconhece nos primeiros a competência em tratar assuntos relativos ao entendimento da lei e reconhece a autoridade “Por isso deveis observar tudo o que eles dizem”.
Mas não imiteis suas ações!”. É uma ordem: Cuidado de não se deixar levar pelo engano! A maneira de eles praticarem não corresponde ao ensinamento que os mesmos transmitem “ Pois eles falam e não praticam.”
E especifica o porquê e as causas “ Amarram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los nem sequer com um dedo”. Eles tem consciente e lúcida distorção da personalidade com respeitos às exigências no cumprimento da Lei. Há um contraste radical entre o próprio cumprimento e o dos outros. Na sua execução, a lei não é a mesma para todos.
Este desdobramento perverso é o que o Senhor destaca neles, que fazem da adesão à Escritura uma ostentação “Eles usam faixas largas, com trechos da Escritura, na testa e nos braços e põem na roupa longas franjas”. Portanto não é adesão sincera e verdadeira. É a instalação da hipocrisia- apresentar o que não é, e ocultar o que é-, tão duramente condenada pelo Senhor.
A causa pode-se encontrar por usar da autoridade e da competência a própria vantagem, e para aparecer “Fazem todas suas ações só para serem vistos pelos outros. Gostam de lugar de honras (...). Gostam de der cumprimentados (...) e de ser chamados de mestres”. Não estão realmente ao serviço da Lei, mas usam dela. É o que se repete em todos os lugares e em todas as épocas, na sociedade civil, assim, como na Igreja.
Jesus aproveita para corrigir e indicar os tópicos adequados “Quanto a vós, nunca vos deixeis chamar de mestres (...) de pai (...) de guias, pois um só é o vosso guia, Cristo”. Indicações largamente desatendidas na Igreja.
Como combinam os títulos de Padre, Monsenhor, Excelência, Eminência, Santidade com que se designam os servos do Senhor, só Deus sabe. São títulos que geram separação, submissão a uma escada de poder, do menor ao maior.
Pelo contrário, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve”. Aquele que presta um serviço sincero, desinteressado, generoso, sem segundas intenções, visando o cumprimento dos termos da aliança: a união fraternal, na prática do direito e da justiça.
É preciso, portanto, se policiar constantemente, porque a pratica que Jesus condena exerce constantemente seu fascino, sua atração devido à fraqueza humana, particularmente nos momentos determinados pelas circunstâncias desfavoráveis.

Um comentário:

  1. Gigi, no domingo passado, dia 17/10, eu fiz a homilia na celebração da comunidade. Consegui estruturar todo o conteúdo de uma forma organizada e clara. No entanto, eu acabei pecando por excesso. Acredito que os cinco meses que fiquei sem fazer a reflexão me deixaram ainda mais motivados e o resultado foi uma homilia de 40 minutos. Preciso aprender a ser mais objetivo. Fiquei com a sensação de ter cumprido a minha missão. Mas confesso que ainda tinha algumas coisas para dizer. Agradeço a você pela generosidade de compartilhar as suas reflexões comigo e com tantas outras pessoas conhecidas e anônimas. Muito obrigado. Um gorduroso abraço. Tranqüillo

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