segunda-feira, 31 de outubro de 2011

FESTA DE TODOS OS SANTOS-A- 06-11-11)

1ª Leitura (Ap 7,2-4.9-14).

O anjo de Deus marca “na fronte os servos do nosso Deus” antes da ação transformadora da terra e do universo.É a “marca do Deus vivo”com a qual Deus reconhece a autenticidade e valor daqueles que agiram como seus servos. É a marca da esperança. Aponta a intervenção de Deus em favor de seu povo, preservando-o da tragédia que está para acontecer.

Obedientes e cumpridores das exigências da Aliança deram testemunho de fidelidade ao projeto Dele. Ser marcados significa, também, pertencer Ele como Senhor da Vida, do qual tudo procede e ao qual tudo tem sua meta e seu fim.

Os 144.000 é um número simbólico. É 12x12x1000 que na linguagem bíblica significa todos. Com efeito, no versículo seguinte (v.9) fala-se “de uma multidão imensa de gente...que ninguém podia contar” frisando a universalidade do projeto de Deus, assim como de seus servos e ,portanto, da salvação. Multidão caracterizada pela diversidade de etnias, de línguas, de maneiras do encontro com Deus.

O texto se refere ao que acontecerá no final da historia, com a volta do Ressuscitado, como Jesus mesmo prometeu antes de voltar ao Pai. É um texto escatológico que descreve, de maneira simbólica, a última e definitiva intervenção de Deus sobre a criação a humanidade e a história, o que comumente chamamos “fim do mundo”.

Estavam de pé”: atitude de respeito, de prontidão. Eles manifestam com suas roupas e palmas a realidade e a condição de servos. Com efeito, “trajavam vestes brancas... pois, lavaram e alvejaram suas roupas no sangue do Cordeiro”. As vestes se tornaram brancas e puras não em sentido moralista e, sim por acreditar nos efeitos da morte e ressurreição do Cordeiro. Foi por esta fé que assumiram a condição de novas criaturas. O inciso: “ Traziam palmas na mão” indica que foram fieis até o martírio,pois, “Esses são os que vieram da grande tribulação” derramaram o próprio sangue. Assim, os servos de Deus aqui descritos são aqueles que fizeram a radical opção de servir ao projeto de Deus, por confiar integralmente Nele.

Impressionante o testemunho deles: “A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro”. Reconhecem que Deus, sacrificando o próprio filho- o Cordeiro que tira o pecado do mundo- é origem e causa da salvação deles, por terem aceitado e interiorizado este presente de Deus. Isso suscitou neles a determinação de seguir o Cordeiro, e os tornaram novas criaturas e fieis até o martírio. Assim, no final dos tempos, proclamam “com voz forte” o certo e a conveniência daquela determinação que, por passar pelo crivo das provações e perseguições, fez deles participantes da mesma glorificação do Cordeiro.
Eis, portanto, traçado o perfil do caminho de santidade. Todo cristão é chamado e ela por aceitar o dom de Deus, selado pelo Batismo, alimentado pela Eucaristia e vivenciado na prática do Evangelho no dia- a dia- em virtude do qual a Boa Noticia do Evangelho se torna Boa Realidade nos relacionamentos familiares, na comunidade, no serviço, na convivência da sociedade civil, na preocupação pela justiça e o direito entre os povos,ou seja,nos relacionamentos do dia-a-dia.
Mas, também, o caminho de santidade é forjado pela oposição de pessoas e instituições que pensam e agem de maneira contrária. Daí o choque, o conflito e até o martírio, razão pelo qual muitos desistem ou até nem de longe pensam permanecer nisso.
O que determina a pessoa nesse caminho é indicado na 2da leitura.

2ª Leitura (1 Jo 3,1-3).

Ponto de partida é o “grande presente de amor (que) o Pai nos deu” com a entrega do próprio Filho, o Cordeiro que tira o pecado do mundo. A aceitação e a interiorização no coração, dessa verdade leva acreditar nos efeitos atualizados daquela entrega. Assim, ela nos torna filhos de Deus.

Com ênfase o texto frisa: “e nós os somos!” como para convencer de algo que ultrapassa de muito toda expectativa e imaginação: de pecadores, afastados e inimigos de Deus á filhos, pois, somos filhos no Filho! Eis, então, o grande presente pelo qual os pecados da desconfiança, da superficialidade, da desvalorização, do desinteresse, da oposição e até da rejeição, da promessa e da ação de Deus são desmanchados. Em virtude disso, é resgatada a amizade, a familiaridade a comunhão com Deus, a dignidade de filhos por meio do Filho.

Então, ser chamado de filho de Deus é um presente. Indica profunda intimidade com o agir e pensar de Deus. Naquele que é reconhecido como filho de Deus transparece a união tão intensa com Ele ao ponto dele semelhar a Deus, e Deus assumir a forma humana nele. Pois, o amante e o amado se unem no amor.

O conteúdo específico e fundamental da fé é exatamente isso!Ela sustenta e alimenta a esperança de maneira tal que “Todo o que espera nele...” por acreditar nos efeitos do presente, do dom, “purifica-se a si mesmo”. Eis, portanto, o processo de purificação interior, quando nos colocamos em total,humilde e sincera transparência no mais profundo de nós mesmos com esse surpreendente dom de Deus.

Aí recuperamos nossa identidade, nosso verdadeiro ser e o sentido profundo de nossa existência que se desdobra, com satisfação plena, nos acontecimentos e nas atitudes coerentes do dia-a-dia. Isso nos leva a intuir que a filiação divina transcende ao simples cumprimento de preceitos éticos e ou morais, pois, eles manifestam o grau, a intensidade, da adesão filial.

O texto acrescenta algo ainda mais surpreendente "como também ele é puro" . Parece uma meta impossível , e como tal é descartada de antemão...Contudo,é algo que nos fascina,que motiva a esperança,que sustenta um futuro que não é tão impossível, considerando que Ele assumiu nossa condição humana e caminha conosco. Entre outras coisas, essa meta oferece sonhar alto para que a vida tenha aquele horizonte, aquele futuro, que dá sentido ao presente e sustenta cada atitude coerente.Tudo isso é oferecido por esse “grande presente de amor que o Pai nos deu” . Já somos filhos, porém, quando formos como Jesus o veremos como Ele é. Então, alcançaremos nosso potencial máximo, seremos verdadeiramente nós mesmos , um “eu” íntegro, não dividido em Jesus Cristo.
Por outro lado, sabemos que nem todos compartilham esse entendimento. O texto define estes como “mundo”, que não “conheceu o Pai”. O “mundo” não é estranho a nós mesmos, mais age em nós e toma conta de nós em determinados momentos e circunstâncias. Daí, então, a necessidade de voltar à purificação, ou seja,ativar o processo de conversão permanente,mergulhando, com renovada fé, no grande presente de Amor através da Palavra e os Sacramentos,especialmente da Missa.
Esta atitude de perseverança, de confiança, habilitará repetir em nossa vida e na sociedade a vivencias das Bem aventuranças.

Evangelho (Mt 5,1-12ª)

É o famoso texto das bem-aventuranças. Como soaria o texto substituindo o termo bem-aventurado por parabéns? Pois, disso mesmo se trata. Jesus ensina aos discípulos o que merece ser parabenizado “ Jesus começou a ensiná-los” Mas, parabéns de que? Por serem pobres, aflitos, mansos, por promover a paz num mundo hostil... Por serem perseguidos, caluniados etc.? Quem se atreveria falar isso a uma pessoa nessa situação? Parabenizamos todo o contrário... Como entender isso?
Estamos no pleno paradoxo do Evangelho: a verdade se manifesta no seu contrário. Jesus fala para aqueles que assumiram para valer a causa dele, a missão dele “...por causa de mim" Eles assumiram a causa como resposta de amor ao grande amor do qual falamos na 2da leitura. Trata-se de pessoas profundamente tocadas e transformadas por este amor. Em virtude disso, o viver delas é Cristo, é se tornar, com humildade, testemunhas da continuação da presença de Cristo na história e nas circunstâncias concretas do dia-a-dia.
Nesse sentido Jesus está passando para eles o que é, e será, a experiência Dele no desenvolvimento da missão. Assim, o discípulo experimentará todo o que Ele experimentou como homem, como pessoa, como Filho do Pai. Experimentará o que é ser homem, o que é ser pessoa e o que é ser filho de Deus- filho no Filho, como tocamos na 2da leitura-. Dai os parabéns.
Assim, o texto pode ser entendido como a peneira que discerne até que ponto o cristão é realmente discípulos de Jesus. É evidenciado, assim, o grau de percepção e da vivencia “do grande presente de amor que o Pai nos deu” (2da leitura),assim como a consistência, ou menos, da realidade de filhos de Deus.
O texto deve ser assumido como um todo. Não dá para pensar uma bem - aventurança desligada da outra. Não dá, por exemplo, ter fome e sede de justiça e ter um coração com segundos fins, um coração impuro...
Assim, o entusiasmo por uma bem - aventurança e a frieza para com a outra, a prática significativa de uma e a prática insignificante da outra, determinam concretamente o espaço da conversão no processo de recepção do grande presente de amor e da identificação em Cristo.
Tudo isso nos diz que o processo de santificação é inesgotável. Acompanha-nos a vida toda e constitui a experiência da profunda alegria nessa vida, mesmo passando pelas dificuldades e provações que o texto aponta:”Alegrai-vos e exultai” se refere aqui e agora porque, misteriosamente, esse tipo de sofrimento tem e si mesmo essa verdade.
É se alegrar interiormente pelo sentido de plenitude e satisfação de quem experimenta o acontecido como oportunidade de crescimento, de integração, de identificação com o que é ser pessoa bem sucedida e,na transparência, enxergar a presença que faz dela e de Cristo uma realidade só,mantendo as devidas diferenças.
Cabe destacar que não é pela observância, cumprimento, das bem-aventuranças que ganhamos ou merecemos o céu. É o contrario. O cumprimento delas manifesta que já o céu está em nós, pela vivencia de filhos de Deus.

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