segunda-feira, 7 de novembro de 2011

33o DOMINGO DO T.C.-A-(13-11-11)

“Uma mulher forte (...) vale muito mais do que as jóias”. A fortaleza é característica própria da pessoa que enfrenta os desafios, dificuldades e provações. Sabe viver em toda circunstância, particularmente as adversas, com coragem e determinação, sustentada pelos valores que constituem o patrimônio da própria cultura humana, religiosa e social.

Ela consegue desenvolver suas atividades de maneira bem sucedidas “Procura lã e linho, e com habilidade trabalha as suas mãos”. É atenta e generosa para com as pessoas carentes “Abre suas mãos ao necessitado e estende suas mãos aos pobres”,pois, não esgota no âmbito familiar sua preocupação, sensibilidade e afeto.

O texto descreve uma mulher bem identificada consigo mesma, com sua missão de mãe e de esposa, com suas atividades e com o ambiente. Portanto, “ela vale mais do que as jóias”, é a companheira perfeita do marido que, nestas condições, “confia nela plenamente e não terá falta de recursos”. É a descrição de um quadro ideal e, de fato, o autor se pergunta “quem a encontrará?”...

Contudo, o eixo desta condição ideal está no temor do Senhor, enfaticamente motivo de louvor “a mulher que teme ao Senhor, essa sim, merece o louvor”. Até o que é próprio da feminilidade, o encanto e a beleza, é relativizado em função do temor ao Senhor, para o desenvolvimento bem sucedido. Não que sejam desvalorizadas, mas são integradas dentro do quadro do correto relacionamento com o Senhor.

Com efeito, o temor do Senhor - atitude reverencial e amorosa de quem pretende não desagradar até nos detalhes - confere o juízo, bom senso e cria as condições para elaborar o estilo de vida e as atitudes convenientes que o texto descreve.

Assim,ser autenticamente si mesma em sintonia com os valores nos quais acredita, cresce a identidade com o Senhor, presta atenção aos necessitados, aos carentes, tornando mais lúcida e consciente a caridade para com eles. Este testemunho, apreciado e valorizado, é colocado como exemplo de imitar “essa merece louvor! Proclamem o êxito de suas mãos, e na praça louvem-na as suas obras!”.

Evidentemente, hoje, a realidade e a condição da mulher têm bem outras características. Não há paralelismo com os do então. Contudo, permanece essencial e valido assumir como referencia central o temor do Senhor.

Na complexidade e nos desafios da vivencia pessoal e familiar , o temor do Senhor, à luz do estilo de vida de Jesus e do significado de sua morte e ressurreição, é o pano de fundo para discernir o certo do errado, o que é preciso assumir ou deixar para uma existência bem sucedida.

É a maneira para não desanimar nas dificuldades por um lado, e não ficar parado o acomodado ma mesmice, que produz tédio e tira o sabor da existência. Pelo contrario é estimulo e pano de fundo para a criatividade, para a coragem de ultrapassar limites convencionais, para a luta sustentada pela certeza de encontrar novas respostas e enxergar novos caminhos de satisfação.

É vivenciar a condição de filho da luz, à qual faz referencia Paulo na segunda leitura.

2da leitura 1Ts 5,1-6

Paulo distingue dois mundos contrapostos, o das trevas e o da luz. Ao mundo da luz pertencem os membros da comunidade “Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia”, por cuidarem e cultivarem o correto relacionamento com o Senhor, o temor de Deus, fonte e principio de toda sabedoria.

O ensino de Jesus e a pratica de vida correspondente, em sintonia com o estilo de vida, a filosofia e a missão dele, à luz do evento da morte e ressurreição, passam a certeza deles participarem do mesmo destino e de aguardarem com confiança e certeza o retorno por Ele prometido, antes de sua saída ao céu.

Portanto “Quanto ao tempo e à hora, meus irmãos, não há por que vos escrever. Vós mesmos sabeis perfeitamente que o dia do Senhor virá como ladrão de noite”. A vinda do Senhor ressuscitado é certa e acontecerá quando menos esperam, será uma surpresa “então e repente sobrevirá a destruição, como as dores de parto sobre a mulher grávida”. Momento, também, de pavor “E não poderão escapar”.

Destruição, pavor, evento apocalíptico descrito nos textos bíblicos com imagens terrificantes. Os cristãos da comunidade, e com eles Paulo, esperavam acontecesse no tempo bastante próximo.

(Entre parêntesis. Hoje, dois mil anos depois, como entender estas palavras? É o que o tempo de Advento indica como meta, destino, da historia da humanidade. Muitas perguntas ficam no ar, embora o a teologia específica sobre este assunto - a escatologia - procura respostas plausíveis à luz do mistério pascal).

Contudo, se Paulo falou disso significa que ele teve percepção, intuição e certeza do acontecimento como realidade que vai acontecer, como momento determinante e definitivo da vida pessoal e da história da humanidade. É a ele que estamos orientados e destinados.

É realidade ligada à pessoa de Jesus e ao evento pascal. Modalidade e tempo poderão ser repensados e reformulados, mas a meta e o evento fazem parte do patrimônio da fé transmitido pela morte e ressurreição de Jesus e a vinda, em Pentecostes, do Espírito Santo.

Em contraposição Paulo explicita aos cristãos “Mas vós, meus irmãos, não estamos nas trevas (...). Não somos da noite nem das trevas...”, assim de ficar surpreendidos da vinda do Senhor. A vida com Cristo e em Cristo é como estar na luz, é participar da certeza da vinda e conformar a ela própria vida no dia- a dia-.

Conseqüentemente “... não durmamos, como os outros, mas sejamos vigilantes e sóbrios”. Trata- se da alerta de não voltar ao estilo de vida de antes, como quem ignora esta verdade e leva uma conduta que não condiz, se deixando levar por todo excesso. O convite à sobriedade é usar dos bens necessários com equilíbrio e correta moderação. Assim, ter as condições físicas, psicológica e morais de aguardar a vinda iminente do Senhor com a atitude vigilante, própria de quem está já participando da alegria da proximidade da chegada .

Não é uma espera passiva, de braços cruzados, mas ativa, como ensina o evangelho

Evangelho Mt 25,14-30

A parábola mostra o homem que antes de viajar “entregou seus bens” e os distribuí, em quantidade diferentes a três dos seus servos. Estes últimos são conscientes das expectativas do patrão, “ Senhor, sei que és um homem severo pois, colhes onde não plantaste e ceifas onde não semeaste”.

Por que esta severidade arrogante e surpreendente e, até, injusta sob o perfil dos critérios humanos? Que mensagem queria passar? Parece-me que queria ser como uma enérgica sacudida para eles não se acomodarem, para tomarem a sério, pelo temor reverencial, a entrega do dom. Ao mesmo tempo é uma alerta de que o dom deverá ser trabalhado com determinação e inteligência, pois, se lhes pedirá conta.

Os primeiros dois responderam positivamente, e apresentaram o fruto recebendo a aprovação, o elogio e mais confiança na administração dos bens do Senhor e o convite “Vem participar da minha alegria”.

A atenção vai para o terceiro, que justifica sua atitude “Senhor, sei que és um homem severo (...). Por isso, fiquei com medo e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence”. Ele motiva ser o medo, pela severidade do Senhor, o empecilho pelo qual preferiu enterrar o dom. Mas o Senhor aponta ele ser “Servo mau e preguiçoso”. Não tinha vontade de trabalhar o dom recebido e a preguiça falou mais alto.

O Senhor teria se conformado com que simplesmente tivesse depositado o dinheiro no banco “devias ter depositado meu dinheiro no banco, para que, ao voltar, eu recebesse com juros o que me pertence”. Algo tão simples e de pouco empenho. Mas nem isso. Preferiu ocultar sua ma vontade atrás do medo pela severidade do patrão.

Tal vez se tivesse admitido e reconhecido o próprio erro e não disfarçá-lo atrás do medo pela severidade do patrão, teria conseguido o perdão e outra chance de se redimir. A falta de sinceridade manifestou a vontade de permanece na atitude errada e fechou toda alternativa de redenção. Tornou-se “servo inútil

Não tendo trabalhado o dom acabou perdendo o dom mesmo “Tirai dele o talento...”. É uma advertência e uma indicação de grande importância para permanecer no caminho da salvação e para chegar à meta. É preciso trabalhar o dom, no sentido que deve ser passado a outros. Pois, a transmissão do dom enriquece o destinatário, no caso que o acolha e se deixe tocar por ele. Ao mesmo tempo enriquece, também, o transmissor se ele opera na gratuidade e no desinteresse, sem segundas intenções. Isso permite que o transmissor cresça mesmo que o destinatário fique fechado o indiferente.

Pois a gratuidade e a liberdade de amar do transmissor fazem dele a testemunha da verdade pela dinâmica de oferecer o dom com toda convicção e generosidade. O crescimento é, ao mesmo tempo, entrar na alegria do Senhor.

“... e dai-o àquele que tem dez! Porque a todo aquele que tem será dado mais, e será em abundancia, mas aquele que não tem, até o que tem lhe será tirado”. É uma sentencia muito dura, chocante. Parece que não há misericórdia e compaixão para com a fraqueza deste servidor negligente, tal vez pelo motivo indicado acima, pela ambigüidade, pela hipocrisia dele. Com efeito, Jesus tem palavras duríssimas contra os hipócritas. Não vê para eles espaço de salvação.

A severidade do patrão “Quanto a este servo inútil, jogai-o lá fora, na escuridão. Aí haverá choro e ranger de dentes!” alerta sobre o resultado final e as conseqüências. Uma realidade que faz estremecer...

Nenhum comentário:

Postar um comentário