1a leitura Sb 7,7-1
Os estudiosos afirmam que este trecho è uma releitura da oração
de Salomão (1Rs 3,6-13; Sb 9,1-11) “Orei
(...); supliquei, e veio a mim o espírito da sabedoria”. O rei è consciente
que prudência e sabedoria não lhe pertencem. Ele manifesta atitude de
humildade, aceitação da verdade de si mesmo, e de Deus Senhor da prudência e da
sabedoria.
È a maneira correta de estar na presencia de Deus, pois, faz
o homem receptivo do dom que Deus outorga a todo ser humano sincero e autentico
consigo mesmo. Tal vez surpreenda de que o rei peça estes dons, pois, em
virtude do cargo já deveria os ter e, portanto, os exercer em forma costumeira e certa.
Não è assim, pois, ele participa da comum condição dos seres
humanos. Portanto, a meta e as condições para alcançar o que pede e conseguir resultados
satisfatórios são os de todos. O que è do rei è patrimônio de todos.
“Amei-a, mas que a saúde e a beleza, e quis possuí-la
mais que luz, pois o esplendor que ela irradia não se apaga”. A
inteligencia do rei ficou deslumbrada e o coração cheio de vida em abundancia,
atè desejar viver en funçao dela, como si fosse propriedade do próprio ser
profundo. Tornou-se algo tao envolvente e gratificante da ser preferida sobre
todas as coisas.
Assim, “Preferi a
Sabedoria aos cetros e tronos (...) a ela não igualei nenhuma pedra preciosa,
pois, ao seu lado (...)”. È o bem maior, não há outro que o supere. Para
governar o rei precisa poder e de dinheiro. Afirmar que prefere a Sabedoria a
eles è surpreendente, e passa a ideia de tão grande seja o dom dela.
Ela è o que pediu Salomão em Gabaom quando, apavorado de ter
que governar sendo tao jovem, Deus lhe apareceu em sonho prometendo-lhe dar o
que pedisse. O normal para um rei era pedir poder, dinheiro e vitória sobre os
inimigos. Mas Salomão pediu “dá ao teu
servo um coração que saiba escutar” (1Rs 3,9), para discernir o bem do mal.
Deus parabenizou Salomão por ter pedido corretamente. A
continuação não só lhe deu sabedoria - pela qual ficou famoso na história -,
mas também dinheiro, o esplendor do reino e a vitória sobre os inimigos. Tal
vez se refira a isso as palavras “Todos
os bens me vieram com ela, pois uma riqueza incalculável está em suas mãos”.
A sabedoria não è simplesmente amplitude da instrução, mas a
agudeza a capacidade de discernir, pois tudo è sujeito a ambiguidade, ou seja,
è mistura de certo e de errado. Portanto, discernir corretamente è manifestação
da sabedoria, poi ela oferece critérios para isso.
A primeira atitude de o sábio è escutar, com todo o coração,
com toda a alma e todo o ser, e perceber da melhor maneira possível a
profundidade da colocação, a inquietude, o desejo e a meta, no pleno respeito
do que è apresentado.
Mesmo que a colocação seja muito diferente e longe do próprio
mondo e filosofia de vida, o analise serena e detalhada sem nenhuma forma de
preconceito ou de presunção de ter que necessariamente responder, ajuda
compreender a diversidade e a complexidade do existente, e admitir, se for o
caso, a incapacidade e impossibilidade de responder. Haverá simplesmente a
humildade de propor caminhos de busqueda.
Contudo, haverá condição também de discernir elementos que conformam os valores e os desvaleres
com respeito a finalidade e meta da existência. No caso especifico são constituídos
e oferecidos pela revelaçao de Deus, através de sua Palavra, do evento de Jesus
Cristo, e a vida de cada ser humano que, pela misteriosa presença da força e dinâmica
transcendente, aponta a realização da justiça, dos valores éticos que constroem
o direito e a fraternidade universal.
Portanto a sabedoria è ligada à profundidade da vida e ao
sentido da existência, e orienta para o futuro bem sucedido. Ela tem como
referencia central a pessoa de Jesus Cristo, pois ele è o centro de toda a criação,
a qual a mesma è atraída, como deixa perceber a segunda leitura.
2da leitura Hb
4,12-13
“A palavra de Deus è viva, eficaz”. De imediato o pensamento vai ao
texto escrito, pois, ele è lido como palavra de Deus em toda celebração. Contudo,
o texto è só o veiculo, o meio, para transmitir e informar com respeito do que
è classificado como vida.
A vida se desenvolve em eventos dinâmicos que continuamente
lutam atè o extremo - agonia - com o seu
contrario: a morte. Eventos que investem a pessoa toda. Entao, “a palavra de Deus viva” è a
pessoa. Mas a pessoa è vida e participa
de algo maior, da qual procede: o mistério. Assim “a palavra de Deus viva” è, também, mistério. E sendo Deus amor, ela
è o mistério de amor que misteriosamente sae dele mesmo e gera a vida de cada
pessoa, das criaturas e de todo o que existe.
“A palavra de Deus è
viva” porque amor. Este misterioso amor se fez evento na passoa de Jesus de
Nazarè, pois “a Palavra de fez carne”(Jo
1,14) e por sua vez se tornou Cristo com sua morte e resurreiçao. Vida que
triunfou sobre a morte e a desmanchou. Portanto, não è só “viva”, mas também “eficaz”, pois,
por um lado derruba o maior inimigo, a morte, e pelo outro oferece vida em
abundancia, a participação plena na vida de Deus. Ponto central è que a Palavra
de Deus viva e eficaz, personificada em Jesus Cristo, abrange todo homem. Com
efeito, Jesus Cristo representa no seu ponto final por ser criadas imagem e
semelhança de Deus.
Assim, Jesus Cristo oferece a toda pessoa as condições para
entrar - de forma livre e consciente - no processo pelo qual se desvela, com
mais clareza e profundidade, o que é se tornar cada vez mais semelhante a Deus,
por ter sido constituído como tal pela representação e mediação operada por Jesus
Cristo mesmo.
Este processo se manifestara pela ética em sintonia com a
lei aperfeiçoada por Cristo e a pratica das Ben aventurança que o mesmo indicou
estilo de vida de quem descobre os valores do Reino de Deus e vive deles na
alegria e plenitude da vida sem fim.
O processo è constante purificação e crescimento na
semelhança, pois, è entrar na espiral em continua expansão e aprofundamento, ao
mesmo tempo na transcendência e imanência, que envolve a afeta a pessoa toda.
Dai que a Palavra de Deus viva, eficaz desenvolve sua missão
de “espada de dois gumes” que
penetrando ate no mais profundo e insondável do ser “penetra até dividir alma e espírito, articulações e medulas” julga,
corta , purifica e confere nova vida aos”pensamentos
e as intenções do coração”.
Com sua descida do céu na realidade humana Jesus Cristo se
tornou tão intimo e solidário a cada ser humano que “não ha criatura que possa ocultar-se diante dela”, pois - vale
repetir- é palavra viva e eficaz do amor na sua manifestação mais alta e
radical imprimida no DNA de cada ser humano.
Pode sim, a pessoa manter indiferença, distração,
desinteresse, desvalorização, desprezo ou rejeição, com outras palavras, pecar
contra Deus “Foi contra vos, só contra vos,
que eu pequei” (Sl 50,6). Contudo, “è
a ela - a palavra -que devemos
prestar contas” para que esta vida na terra seja bem sucedida, em abundância,
como antecipo e penhor da ressurreição. Pois, è já participar da salvação que
se manifestará plenamente com a vinda de Jesus Cristo no fim dos tempos.
A insatisfação de não ter alcançado a salvação e a
inquietude de encontrar uma resposta de como chegar a ela, move o jovem a encontrar Jesus, como relata o
evangelho
Evangelho Mc 10,17-30
O texto è muito conhecido como o do jovem rico. “Veio alguém correndo, ajoelhou-se diante dele -Jesus – e perguntou (...)”. Devia
estar muito angustiado e sofrendo interiormente, com pressa e determinação de receber
uma resposta resolutiva que achava só Jesus pudesse dar.
“(...) Bom Mestre, que
devo fazer para ganhar a vida eterna?”.Trata-se de ganhar o premio como
fruto de fazer o que ainda não lhe era
permitido saber, mas que certeza o “ Bom
Mestre” vai lhe indicar. Chama a atenção que antes de entrar no assunto
Jesus especifique “Porque me chamas de
bom? Só Deus é bom, e mais ninguém”.
Será que não tinha consciência disso por ser ele mesmo Deus?
O quis destacar simplesmente que a
nascente da bondade está em Deus, independentemente de sua especifica condição?
O que toda bondade procede como dom de Deus?
Os mandamentos procedem da bondade de Deus. Portanto, Jesus
lhe pergunta se os pratica recebendo resposta positiva “Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude”. Um
rico eticamente correto, mas no profundo insatisfeito consigo mesmo. A ética
associada à riqueza deixa a pessoa incompleta, permanentemente carente de algo
pelo qual se sente urgida de se dirigir ao mestre para resolver.
“Jesus olhou para ele
com amor”. Sabia que a riqueza era obstáculo para conseguir o que a
ética sustentava e estimulava no mundo
interior do rico. Jesus não bate de frente com a riqueza, pois discursar não
adiantaria.
Prefere o caminho do acolhimento pleno e incondicionado, que
manifesta, também, o pleno e
incondicionado olhar “ para ele com amor”, esperando abater a barreira erguida pela
riqueza, antes de apresentar a proposta. Assim, o rico, receptivo da atitude de
Jesus para com ele e sustentado pela confiança no Bom Mestre, deveria
compreender o alcance da desconcertante proposta, e com coragem se tornar
discípulo dele “vem e segue-me!”
“ Mas(...), ficou
abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico”. Ele tinha
pedido a Jesus o que devia fazer para ganhar a vida eterna, e a resposta é
deixar tudo o que tem. Sentiu-se faltar o chão debaixo dos pés, também por ser opinião comum considerar a riqueza
como favor e benção de Deus. Com certeza não esperava de jeito nenhum uma saída
deste tipo.
Também Jesus deve ter ficado desiludido. A especial atenção dele merecia adesão confiante. Os discípulos
ficaram admirados e desconcertados à explicação de Jesus com respeito a
impossibilidade do rico entrar no reino dos céus “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um rico
entrar no Reino de Deus!”.
Não é difícil
imaginar o alvoroço interior deles, procurar um sentido ao seguimento de
Jesus motivado pela esperança de participar do reino, o sentimento de se sentir
defraudados. Desta situação interior a pergunta “Então, quem pode ser salvo?”.
“Jesus olhou para
eles”, parece-me que os fixou como
fez como o rico, querendo passar o que tinham percebido do relacionamento dele
como mesmo. È também para transmitir a firmeza do próprio ser e da verdade da
afirmação que “Para os homens isso é impossível,
mas não para Deus. Para Deus tudo é possível”.
Evidentemente “tudo é
possível” não é arbitrariedade, ma consequência da fidelidade de Deus à
promessa, mai ainda ao amor que a sustenta. Trata-se do mesmo amor, que então
como hoje, se torna misericórdia na pessoa de Jesus a favor de cada pessoa e da
humanidade. A passagem do impossível ao possível será experiência de quem segue
Jesus ate o fim, incluindo o escândalo da cruz.
A confiança e a perseverança terão sua recompensa
surpreendente. É a resposta de Jesus aos
apóstolos “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”, entrando assim na nova sabedoria
que substitui aquela simplesmente humana.
A recompensa terá a ver com esta realidade - hoje -, assim
como o mundo futuro. Pois a vida eterna que já experimentarão aqui “com perseguições” será revelada em toda
sua grandiosidade “no mundo futuro”
quando a gloria de Deus preencher toda a realidade humana e a criação assim que Deus será “tudo em todos”(1Cor 15,28). Ai será a
manifesta a Sabedoria que Salomão enxergou (primeira leitura)
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