sexta-feira, 12 de outubro de 2012

28vo DOMINGO DO T.C.-B- (14-10-12)



1a leitura Sb 7,7-1

Os estudiosos afirmam que este trecho è uma releitura da oração de Salomão (1Rs 3,6-13; Sb 9,1-11) “Orei (...); supliquei, e veio a mim o espírito da sabedoria”. O rei è consciente que prudência e sabedoria não lhe pertencem. Ele manifesta atitude de humildade, aceitação da verdade de si mesmo, e de Deus Senhor da prudência e da sabedoria.
È a maneira correta de estar na presencia de Deus, pois, faz o homem receptivo do dom que Deus outorga a todo ser humano sincero e autentico consigo mesmo. Tal vez surpreenda de que o rei peça estes dons, pois, em virtude do cargo já deveria os ter e, portanto, os  exercer em forma costumeira e certa.
Não è assim, pois, ele participa da comum condição dos seres humanos. Portanto, a meta e as condições para alcançar o que pede e conseguir resultados satisfatórios são os de todos. O que è do rei è patrimônio de todos.
“Amei-a,  mas que a saúde e a beleza, e quis possuí-la mais que luz, pois o esplendor que ela irradia não se apaga”. A inteligencia do rei ficou deslumbrada e o coração cheio de vida em abundancia, atè desejar viver en funçao dela, como si fosse propriedade do próprio ser profundo. Tornou-se algo tao envolvente e gratificante da ser preferida sobre todas as coisas.
Assim, “Preferi a Sabedoria aos cetros e tronos (...) a ela não igualei nenhuma pedra preciosa, pois, ao seu lado (...)”. È o bem maior, não há outro que o supere. Para governar o rei precisa poder e de dinheiro. Afirmar que prefere a Sabedoria a eles è surpreendente, e passa a ideia de tão grande seja o dom dela.
Ela è o que pediu Salomão em Gabaom quando, apavorado de ter que governar sendo tao jovem, Deus lhe apareceu em sonho prometendo-lhe dar o que pedisse. O normal para um rei era pedir poder, dinheiro e vitória sobre os inimigos. Mas Salomão pediu “dá ao teu servo um coração que saiba escutar” (1Rs 3,9), para discernir o bem do mal.
Deus parabenizou Salomão por ter pedido corretamente. A continuação não só lhe deu sabedoria - pela qual ficou famoso na história -, mas também dinheiro, o esplendor do reino e a vitória sobre os inimigos. Tal vez se refira a isso as palavras “Todos os bens me vieram com ela, pois uma riqueza incalculável está em suas mãos”.
A sabedoria não è simplesmente amplitude da instrução, mas a agudeza a capacidade de discernir, pois tudo è sujeito a ambiguidade, ou seja, è mistura de certo e de errado. Portanto, discernir corretamente è manifestação da sabedoria, poi ela oferece critérios para isso.
A primeira atitude de o sábio è escutar, com todo o coração, com toda a alma e todo o ser, e perceber da melhor maneira possível a profundidade da colocação, a inquietude, o desejo e a meta, no pleno respeito do que è apresentado.
Mesmo que a colocação seja muito diferente e longe do próprio mondo e filosofia de vida, o analise serena e detalhada sem nenhuma forma de preconceito ou de presunção de ter que necessariamente responder, ajuda compreender a diversidade e a complexidade do existente, e admitir, se for o caso, a incapacidade e impossibilidade de responder. Haverá simplesmente a humildade de propor caminhos de busqueda.
Contudo, haverá condição também de discernir  elementos que conformam os valores e os desvaleres com respeito a finalidade e meta da existência. No caso especifico são constituídos e oferecidos pela revelaçao de Deus, através de sua Palavra, do evento de Jesus Cristo, e a vida de cada ser humano que, pela misteriosa presença da força e dinâmica transcendente, aponta a realização da justiça, dos valores éticos que constroem o direito e a fraternidade universal.
Portanto a sabedoria è ligada à profundidade da vida e ao sentido da existência, e orienta para o futuro bem sucedido. Ela tem como referencia central a pessoa de Jesus Cristo, pois ele è o centro de toda a criação, a qual a mesma è atraída, como deixa perceber a segunda leitura.

2da leitura Hb 4,12-13

 “A palavra de Deus è viva, eficaz”. De imediato o pensamento vai ao texto escrito, pois, ele è lido como palavra de Deus em toda celebração. Contudo, o texto è só o veiculo, o meio, para transmitir e informar com respeito do que è classificado como vida.
A vida se desenvolve em eventos dinâmicos que continuamente lutam  atè o extremo - agonia - com o seu contrario: a morte. Eventos que investem a pessoa toda. Entao, “a palavra de Deus viva” è a pessoa.  Mas a pessoa è vida e participa de algo maior, da qual procede: o mistério. Assim “a palavra de Deus viva” è, também, mistério. E sendo Deus amor, ela è o mistério de amor que misteriosamente sae dele mesmo e gera a vida de cada pessoa, das criaturas e de todo o que existe.
“A palavra de Deus è viva” porque amor. Este misterioso amor se fez evento na passoa de Jesus de Nazarè, pois “a Palavra de fez carne”(Jo 1,14) e por sua vez se tornou Cristo com sua morte e resurreiçao. Vida que triunfou sobre a morte e a desmanchou. Portanto, não è só “viva”, mas também “eficaz”, pois, por um lado derruba o maior inimigo, a morte, e pelo outro oferece vida em abundancia, a participação plena na vida de Deus. Ponto central è que a Palavra de Deus viva e eficaz, personificada em Jesus Cristo, abrange todo homem. Com efeito, Jesus Cristo representa no seu ponto final por ser criadas imagem e semelhança de Deus.
Assim, Jesus Cristo oferece a toda pessoa as condições para entrar - de forma livre e consciente - no processo pelo qual se desvela, com mais clareza e profundidade, o que é se tornar cada vez mais semelhante a Deus, por ter sido constituído como tal pela representação e mediação operada por Jesus Cristo mesmo.
Este processo se manifestara pela ética em sintonia com a lei aperfeiçoada por Cristo e a pratica das Ben aventurança que o mesmo indicou estilo de vida de quem descobre os valores do Reino de Deus e vive deles na alegria e plenitude da vida sem fim.
O processo è constante purificação e crescimento na semelhança, pois, è entrar na espiral em continua expansão e aprofundamento, ao mesmo tempo na transcendência e imanência, que envolve a afeta a pessoa toda.
Dai que a Palavra de Deus viva, eficaz desenvolve sua missão de “espada de dois gumes” que penetrando ate no mais profundo e insondável do ser “penetra até dividir alma e espírito, articulações e medulas” julga, corta , purifica e confere nova vida aos”pensamentos e as intenções do coração”.
Com sua descida do céu na realidade humana Jesus Cristo se tornou tão intimo e solidário a cada ser humano que “não ha criatura que possa ocultar-se diante dela”, pois - vale repetir- é palavra viva e eficaz do amor na sua manifestação mais alta e radical imprimida no DNA de cada ser humano.
Pode sim, a pessoa manter indiferença, distração, desinteresse, desvalorização, desprezo ou rejeição, com outras palavras, pecar contra Deus “Foi contra vos, só contra vos, que eu pequei” (Sl 50,6). Contudo, “è a ela - a palavra -que devemos prestar contas” para que esta vida na terra seja bem sucedida, em abundância, como antecipo e penhor da ressurreição. Pois, è já participar da salvação que se manifestará plenamente com a vinda de Jesus Cristo no fim dos tempos.
A insatisfação de não ter alcançado a salvação e a inquietude de encontrar uma resposta de como chegar a ela,  move o jovem a encontrar Jesus, como relata o evangelho

Evangelho Mc 10,17-30

O texto è muito conhecido como o do jovem rico. “Veio alguém correndo, ajoelhou-se diante dele -Jesus – e perguntou (...)”. Devia estar muito angustiado e sofrendo interiormente, com pressa e determinação de receber uma resposta resolutiva que achava só Jesus pudesse dar.
“(...) Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?”.Trata-se de ganhar o premio como fruto de fazer  o que ainda não lhe era permitido saber, mas que certeza o “ Bom Mestre” vai lhe indicar. Chama a atenção que antes de entrar no assunto Jesus especifique “Porque me chamas de bom? Só Deus é bom, e mais ninguém”.
Será que não tinha consciência disso por ser ele mesmo Deus? O quis destacar  simplesmente que a nascente da bondade está em Deus, independentemente de sua especifica condição? O que toda bondade procede como dom de Deus?
Os mandamentos procedem da bondade de Deus. Portanto, Jesus lhe pergunta se os pratica recebendo resposta positiva “Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude”. Um rico eticamente correto, mas no profundo insatisfeito consigo mesmo. A ética associada à riqueza deixa a pessoa incompleta, permanentemente carente de algo pelo qual se sente urgida de se dirigir ao mestre para resolver.
“Jesus olhou para ele com amor”. Sabia que a riqueza era obstáculo para conseguir o que a ética  sustentava e estimulava no mundo interior do rico. Jesus não bate de frente com a riqueza, pois discursar não adiantaria.
Prefere o caminho do acolhimento pleno e incondicionado, que manifesta,  também, o pleno e incondicionado  olhar “ para ele com amor”,  esperando abater a barreira erguida pela riqueza, antes de apresentar a proposta. Assim, o rico, receptivo da atitude de Jesus para com ele e sustentado pela confiança no Bom Mestre, deveria compreender o alcance da desconcertante proposta, e com coragem se tornar discípulo dele “vem e segue-me!”
“ Mas(...), ficou abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico”. Ele tinha pedido a Jesus o que devia fazer para ganhar a vida eterna, e a resposta é deixar tudo o que tem. Sentiu-se faltar o chão debaixo dos pés, também  por ser opinião comum considerar a riqueza como favor e benção de Deus. Com certeza não esperava de jeito nenhum uma saída deste tipo.
Também Jesus deve ter ficado desiludido. A especial atenção dele merecia adesão confiante. Os discípulos ficaram admirados e desconcertados à explicação de Jesus com respeito a impossibilidade do rico entrar no reino dos céus “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um rico entrar no Reino de Deus!”.
Não é difícil  imaginar o alvoroço interior deles, procurar um sentido ao seguimento de Jesus motivado pela esperança de participar do reino, o sentimento de se sentir defraudados. Desta situação interior a pergunta “Então, quem pode ser salvo?”.
“Jesus olhou para eles”,  parece-me que os fixou como fez como o rico, querendo passar o que tinham percebido do relacionamento dele como mesmo. È também para transmitir a firmeza do próprio ser e da verdade da afirmação que “Para os homens isso é impossível, mas não para Deus. Para Deus tudo é possível”.
Evidentemente “tudo é possível” não é arbitrariedade, ma consequência da fidelidade de Deus à promessa, mai ainda ao amor que a sustenta. Trata-se do mesmo amor, que então como hoje, se torna misericórdia na pessoa de Jesus a favor de cada pessoa e da humanidade. A passagem do impossível ao possível será experiência de quem segue Jesus ate o fim, incluindo o escândalo da cruz.
A confiança e a perseverança terão sua recompensa surpreendente. É a resposta de Jesus  aos apóstolos  “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”, entrando assim na nova sabedoria que substitui aquela simplesmente humana.
A recompensa terá a ver com esta realidade - hoje -, assim como o mundo futuro. Pois a vida eterna que já experimentarão aqui “com perseguições” será revelada em toda sua grandiosidade “no mundo futuro” quando a gloria de Deus preencher toda a realidade  humana e a criação assim que Deus será “tudo em todos”(1Cor 15,28). Ai será a manifesta a Sabedoria que Salomão enxergou (primeira leitura)




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