segunda-feira, 22 de outubro de 2012

30mo DOMINGO DO T.O.-B-(28-10-12)



 1ª leitura Jr 31,7-9

“Tornei-me um pai para Israel, e Efraim è o meu primogênito”.  Não estranharia se o coração de Deus explodisse de alegria, pois reencontrou sua paternidade para com o povo eleito, e este último sua relação de primogenitura para com o seu Deus.

Depois do afastamento e do exílio por ter renegado a aliança, abandonado o caminho do Senhor para seguir outros caminhos propostos pelos deuses estrangeiros  contrários a tradição do povo, eis o retorno. O tempo do exílio e do afastamento foi de grande sofrimento por parte do povo que não encontrou o que esperava, ficou perdido, desiludido, defraudado, como órfão e sem esperança.

Ter desconfiado da promessa e do caminho do Senhor, ou simplesmente ter sido enganado por propostas mais sedutoras, porque fáceis e compreensíveis ao próprio raciocínio  e controle humano, lançou o povo no fracasso.

Esta lastimável condição por um lado moveu no Senhor  a compaixão e a misericórdia  a favor do resto do povo -“ o resto de Israel” - que lembrando-se  da tradição e da promessa  implora: “ Salva, Senhor, teu povo, o resto de Israel”.

E o Senhor responde positivamente. “Eis que eu os trarei do país do norte e os reunirei desde as extremidades da terra”. Para o Senhor não ha demarcação ou confins, pois, ele è atento a toda pessoa que o honra, mesmo more muito longe do centro de Israel. Com eles quer formar o novo povo renovando e transformando todos, inclusive os que eram considerados como excluídos porque pecadores o impuros “entre eles há cegos e aleijados, mulheres grávidas e parturientes”.

“São uma multidão os que retornam”. Não è difícil imaginar a alegria de Deus, depois da dispersão e amargura do afastamento do povo, que participa a todos indistintamente “Exultai de alegria por Jacó, aclamai a primeira das nações; tocai cantai e dizei: ‘Salva, Senhor, teu povo, o resto de Israel”.

O Senhor proclama o novo povo como o “ primeiro das nações”, para que seja referência e modelo para outros, assim que se sintam motivados e atraídos em imitá-lo, entrando na aliança e assumindo pra valer a lei o caminho correspondente. È convite a conversão universal.

Com isso para todos há esperança, seja qual for a lastimável condição em que se encontrem, é só dirigir o olhar e o coração a nova realidade que esta surgindo, pela graça e fidelidade do Senhor a sua promessa. Os desanimados, desesperados, os que têm na frente deles um futuro sombrio sem esperança, podem encontrar a luz, um sentido para a própria existência, e, com eles, a felicidade e a exultação no Senhor pela sua surpreendente e inesperada misericórdia.

“Eles chegarão entre lá grimas e eu os receberei entre preces”. Contraste entre dor e louvor. Será o momento da transformação e renovação, experiência de salvação e motivo de revigoramento do sentido da vida, destinada a realização plena e alegria sem fim.

Perante as repetidas infidelidades do povo O Senhor não desistirá de se tornar “pai para Israel” e fazer de Efraim “o meu primogênito”, com o envio do seu Filho para desenvolver a função de sumo sacerdote a favor do povo e da humanidade toda, como mostra a segunda leitura.

2da leitura Hb 5,1-6

O trecho apresenta a figura do sumo-sacerdote “tirado do meio dos homens e instituído em favor dos homens nas coisas que se referem a Deus”. Trata-se de um homem cuja virtude e característica è “ter compaixão dos que estão na ignorância e no erro, porque ele mesmo está cercado de fraqueza”.

Notável o fato que não lhe è exigida a perfeição do conhecimento e da conduta, mas só o necessário para perceber a ignorância, o desconhecimento da Lei por parte dos outros - do povo - e a consciência dos próprios erros e imperfeições.

Estes limites não são tomados em consideração para humilhar, deprimir, desvalorizar e considerar como indigna a sua pessoa, mas para sustentar e valorizar a compaixão, virtude pela qual sabe sintonizar e compreender os erros e a fraquezas dos outros. Assim um aspecto negativo e limitativo se torna um elemento positivo a favor do povo.

A humildade dele o torna apto para desenvolver sua principal missão “Por isso, deve oferecer sacrifícios tanto pelo pecado do povo, quanto pelos seus próprios”. Trata-se do sacrifício de expiação pelo qual a vida sacrificada do animal se torna meio de perdão e justificação dele e dos pecadores –do povo em geral- perante de Deus.

A condição de sumo-sacerdote è atribuído por Deus com um chamado específico, como foi para Aarão. Ninguém pode se apropriar o direito de constituir se mesmo ou outros a tal ofício “ Ninguém deve atribuir-se esta honra, senão o que foi chamado por Deus, como Aarão”. Este exercício è próprio e específico de Deus por meio do culto presidido pelo sumo-sacerdote no dia -único no ano - do perdão dos pecados, no qual, sacrificadas as vítimas, com o sangue delas derramado sobre o altar e aspergido  o povo, ungiam-se as placas de ouro no sacrário do templo.

Aquela figura de sumo-sacerdote era prefiguração de Cristo, que com o sacrifício na cruz se tornou ao mesmo tempo vítima e sacerdote. Não ofereceu o sangue dos animais, mas o seu próprio, ofereceu não as vítimas do sacrifício, mas a sua pessoa na entrega de si mesmo. Não entrou no sacrário do templo, pelo contrário o desmanchou - sinal disso o véu do templo que se rasgou totalmente ; mas, entrou no sacrário do céu, a direita de Deus Pai.

Este evento vale retroativamente, até Adão, e para todas as gerações futuras, até vinda D’Ele, mas o efeito è atualizado ao longo dos séculos na Eucaristia. Portando, não deverá ser repetido anualmente como o era para o sumo-sacerdote antes deles no dia do perdão dos pecados, mas è o especifico de cada celebração, seja quando for.

Aos olhos do Pai e do Espírito este evento confere a Jesus a condição de sumo-sacerdote. Pois, “Deste modo, também Cristo não se atribuiu a si mesmo a honra de ser sumo-sacerdote (...)”, pois ele se entregou por amor não em virtude do que lhe foi encarregado cumprir contra sua vontade e por obediência. Não se atribuiu outra missão senão ser fiel ao amor pela humanidade em sintonia com a vontade do Pai e a dinâmica do Espírito.

Foi por esse amor que foi gerado a nova vida, com o seu corpo martirizado, pela ressurreição, como Jesus Cristo. “Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei” se refere não e encarnação, mas a ressurreição. A ressurreição è geração a nova vida, pois por ele e nela objetivamente toda a humanidade foi e continua ser regenerada. Este “hoje” è a ação eterna e permanente de Deus na história até o fim dos tempos, atravésda ação da Igreja.

Com isso Jesus Cristo assume as características da misteriosa e singular figura de Melquisedec “Tu és sacerdote para sempre, na ordem de Melquisedec”. Esta pessoa, sacerdote de Deus e rei da paz que se apresenta a Abraão e o abençoa em nome de Deus, è um sujeito sem Pai nem mãe nem descendência, mas única e exclusivamente relacionado com o Deus Altíssimo.

Tal vez, algo disso deve ter sido percebido pelo cego mendigo do evangelho, considerando a atitude dele para com Jesus e os obstáculos do povo.

Evangelho Mc 10, 46-52

Jesus está “junto com seus discípulos e uma grande multidão” saindo de Jericó. Eles constituem barreira e obstáculo para o cego mendigo chegar perto do Senhor. As palavras que dirigem ao mesmo, após Jesus ordenar que o chamassem, “Coragem, levanta-te, Jesus te chama” manifestam a carência de coragem e de fé deles.

Estão simplesmente projetando a condição deles sobre o cego, pois, “Muitos o repreendiam para que se calasse”. O cego não precisava de coragem nem de ser chamado por Jesus. Coragem tinha de sobra até desafiar a repreensão deles, e ele mesmo estava chamando Jesus com gritos insistentes “Mas ele gritava mais ainda: ‘Filho de Davi, tem piedade de mim!’”.

Quando Jesus abriu espaço, o cego se levantou “jogou o manto, deu um pulo e foi até Jesus”. Determinação firme e rápida que manifesta a confiança de encontrar em Jesus resposta positiva ao pedido “Mestre, que eu veja!”.

Como e por quais caminhos chegou aquilo que Jesus reconhecerá como fé, não è dito, somente o relato registra esta condição. Com certeza direta o indiretamente ouviu falar dele como Messias e o que foi passado para ele tocou profundamente e transformou o seu mundo interior, pois faltava sò se colocar na frente, na presença de Jesus.

Chegado o momento, com todo empenho e força não deixou cair a oportunidade, pois manifestou a sua confiança no Messias - o filho de Davi - e suplicou “tem piedade de mim!”. Estas são palavras própria do filho que dirige ao pai, voltando para casa depois de se afastar dele, para ser acolhido  de novo, como integrante da família da qual se tinha afastado, com o amor que só o pai sabe oferecer.

A pergunta de Jesus “O que queres que eu te faça?” pode ser entendida como retórica, pois, Jesus  sabia bem o que o cego lhe pediria. Mas è também a oportunidade de evidenciar como a transformação do mundo interior do cego - que pelo entendimento de então está ligado a sua condição de pecador - aponta a certeza de se perceber purificado, transformado e regenerado pela palavra e o ensinamento de Jesus, ao ponto de considerar que a esta libertação está associada a cura da cegueira “Mestre que eu veja!”.

Manifesta-se a realidade da conversão, daí a necessidade de estar na frente de Jesus e a determinação de chegar a ele contra toda oposição e obstáculo, para que ele coloque como o selo definitivo do que aconteceu nele. Paradoxalmente nada disso aconteceu naqueles de rodeavam Jesus e estavam perto dele...

 No cego não se trata simplesmente de acreditar no poder de cura, pela cura que o Senhor manifesta com seus milagres, mas de algo mai profundo e radical do poder e da verdade da palavra e do ensino dele. È o que Jesus confirmou com a resposta “Vai, a tua fé te curou”, fé não tanto na sua pessoa quanto no poder eficaz de sua palavra.

“No mesmo instante, ele recuperou a vista e seguia Jesus pelo caminho”. Entendida a verdade não dá para deixá-la, portanto, se mantém no mesmo caminho do Senhor. Não está mais “sentado a beira do caminho”, mas tendo-o enxergado entra nele para ficar e caminhar nele conduza aonde o conduzir, pois, è o caminho da verdade.





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