terça-feira, 16 de outubro de 2012

29no DOMINGO DO T.C.-B- (21-10-12)


1ª leitura Is 53,10-11

O trecho é tomado do quarto cântico do Servo Sofredor - na liturgia o cântico todo é lido na Sexta feira Santa - e relata a paixão e os sofrimentos do Servo. “O Senhor quis macerá-lo com sofrimento”. No primeiro momento, impressiona a vontade do Senhor de querer macerá-lo. É uma atitude cruel e bem longe de todo sentimento de humanidade. Não combina com o que se espera de Deus.
Também  a motivação deixa perplexo: “Oferecendo sua vida em expiação (...) fará cumprir com êxito a vontade do Senhor”. Expiar é próprio de quem paga a dívida do outro e, se isso é legal pela generosidade e gratuidade escolhida livremente, por que, nesse caso, deve ser por meio de maceração pelos sofrimetos? Era preciso tudo isso? Não havia outra forma, outro caminho menos cruel?
O servo carreguerá sobre si as culpas dos homens, que são incontáveis. A culpa deles é a indiferença, distração, desinteresse, desvalorização, desprezo ou rejeição com respeito ao que o Servo estava indicando como caminho de Deus para atualizar a salvaçao no presente e assim implantar as condiçoes para eles descubrirem o tesouro do Reino de Deus, com antecipação do último dia, quando Deus o instruirá de forma completa e definitiva.
Com outras palavras a atitude deles manifesta o triunfo do pecado, pois, antes de ser o comportamento errado porque contrário aos mandamentos e às leis do Senhor, é se deixar levar pela desconfiança e o que foi citado acima. O pecado é de ordem teológica, contra Deus - “Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei” (Sl 50,6) - antes de ético.
Este pecado teológico é tão dramático nas suas consequências porque os homens acham ser engano e desvio seguir as indicações do Servo, pois, para eles, isso conduziria a renegar a Deus mesmo. No entendimento deles, seria professar ateismo. O Servo está agindo, aos olhos deles, como ímpio que pretende atribuir a si próprio as características do Messias.
Portanto, é merecedor do repúdio na sua máxima expressão “macerá-lo com sofrimentos”. Rejeitado daquela forma, mostra a magnitude e gravidade do pecado que cai sobre as costas do Servo. Ele mesmo não sendo pecador, pelo contrário é justo, carrega sobre si mesmo toda a violência do pecado. Ele assume a condição de pecador, merecedor do castigo. Neste sentido, ele representa perante o Senhor, todos os pecadores ha humanidade e assume o castigo que eles merecem.
Com isso, ele está expiando com o sofrimento a culpa deles de não confiar em Deus, que na pessoa do Servo estava oferecendo o caminho da salvação. Ele expia pelo fato que não abriu mão a vontade dos que o estavam macerando, pois tinha a certeza do caminho da verdade dele pelo que diz respeito à salvação. Prefere morrer que trair o Caminho, porque é Verdade e Vida para aqueles mesmos que o estavam massacrando.
Desta forma “Meu Servo, o justo, fará justos inúmeros homens, carregando sobre si suas culpas”. Não cedendo ao pecado, esvaziou o poder e a força do mesmo. O pecado masacrou até a morte o corpo dele, mas nao dobrou a ele, sua pessoa, pois se manteve íntegro e justo.
Assim que a vitória dele sobre o pecado, em virtude da representação, é a vitória da humanidade que nele está redimida, resgatada e justificada perante o Senhor. Mesmo que eles não acreditassem no Servo, ele  - o Servo – pela representação, os tornou justos. O mesmo sangue do repudio é o que justifica os que o repudiam. Ninguém, nenhuma reflexão ou projeto humano,nem de longe, podia pensar algo semelhante. Só um amor que supera toda imaginação e expectativa podia agir desta maneira.
Pela força e virtude desse amor, o Servo “terá descendência duradoura, e fará cumprir com êxito a vontade do Senhor”, ou seja, a salvação de todos aqueles que, com gratidão e convicção, aceitar o dom do reperesentante.
Pelo Servo em quanto tal “Por esta vida de sofrimento, alcançarà luz e uma ciência perfeita”. Vale repetir que não se trata do sofimento pelo sofrimento, mas do amor que sustentou a coragem e a determinação de sofrer como sofreu, de aceitar a representação para a salvação dos desconfiados nele, até o ponto de agir como agiram.
A segunda leitura retoma o mesmo evento.

2da leitura Hb 4,14-16

Para o povo de Israel o sumo sacerdote desenvolvia, entre outras, uma função indispensável e imprescindível no dia do perdão dos pecados. Era o dia de penitência e jejum de todo o povo. Era o único dia do ano em que, com uma liturgia especifica, só ele (o sumo sacerdote) entrava, não sem temor, na presença de Deus, no tabernáculo - a parte mais sagrada do templo - onde Deus apoiava seus pés e era considerado como o umbigo do mundo, que ligava céu e terra.
No tempo de Jesus, o tabernáculo já não continha a Arca da Aliança, destruída séculos atrás com a profanação do Templo. Em lugar dela, havia umas placas de ouro que o sumo sacerdote ungia com o polegar molhado no sangue dos animais sacrificados. Com este gesto, eram perdoados os pecados do povo.
Com a morte de Jesus, na sua pessoa se unem sacerdote e vítima. Ele oferece si mesmo a Deus e o sangue não é mais os dos aminais, mas dele. Com isso, ele entrou, não no santuário do templo de Jerusalém, mas no santuário do Céu. Portanto, o autor da carta afirma “Temos um sumo sacerdote, que entrou no cèu, Jesus, o Filho de Deus”.
O Filho de Deus, pela encarnação e o batismo no Jordão, se tornou um de nós, solidário com a humanidade pecadora, no sentido que se colocou no mesmo nível dos pecadores, mesmo não tendo pecado nenhum. Nesta condição, foi “capaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo como nós...”.
Entendeu na própria pele a amplitude e a consistência da fraqueza humana, pois, sofreu conosco o que ela traz consigo em sentido de limite, de carência, de insatisfação, de inquietude, de ânsia, de vazio, de pobreza, de desconforto, de cansaço, de desconcerto, de feridas, etc.
“... com exceçao do pecado”, pois, ele não se tornou pecado. Não foi força e motivo para duvidar do certo e da verdade do que estava atuando. Não se tornou motivo de depressão, de desânimo, de desilusão nem de se sentir defraudado e, portanto, de desconfiar de que o Pai teria cumprido a promessa de instaurar o reino. Foi para frente e ponto. Talvez não soubesse da ressurreição - e nisso encontramos Jesus muito perto de nossa experiência e sentimento humanos -  mas com certeza não duvidou da fidelidade da promessa do Pai!
 Portanto, eis a exortação “Aproximemo-nos então, com toda confiança, do trono da graça (...)”. Aproximar-se com confiança é abrir o coração e a mente ao dom dos efeitos da morte e ressurreição, pelo qual “Deus nos ressuscitou com Cristo e nos fez sentar nos céus, em virtude de nossa união com Jesus Cristo” (Ef 2,6), pois já estamos lá com Cristo, em Deus.
“(...) para conseguirmos misericórdia e alcançarmos a graça de um auxílio no momento oportuno”. Pela fraqueza – constitutiva de cada ser humano – nao faltarão momentos de prova e tentação, até chegar ao ponto de estar muito próximo de “chutar o balde”. Pois por esta aproximação confiante, não faltará neste momento a intervenção misericordiosa - o auxílio oportuno – para não cair no pecado.
Será o momento da autêntica conversão, uma reviravolta, como a indicada pelo evangelho.

Evangelho Mc 10,35-45

“ Tiago e João (...) foram a Jesus e lhe disseram (...)Deixa-nos sentar a tua direita e o outro a tua esquerda, quando estiveres na tua glória!”. Evidentemente, estavam pensando no fututo deles a partir da instalação do reino de Deus e da glória de Jesus como rei e Messias. Parece-me que Jesus fica surpreendido ao ponto que reage serenamente: “Vós não sabeis o que pedis”, constatando que eles estavam totalmente ‘fora da onda’.
Jesus e os discípulos estão em duas sintonias bem diferentes. São dois mundos completamente opostos. É impressionante a solidão de Jesus, assim como a paciência e a tenácia em os instruir e fazer entender  o conteúdo, o caminho e o trágico desfecho da missão dele.
Assim, ele coloca duas perguntas com respeito ao próprio batismo e ao cálice que deve beber, as quais os dois apóstolos respondem positivamente sem ter a menor noção do que a realmente Jesus está aludindo, pois, está se referindo a sua morte na cruz; “glóoria” bem diferente daquela que esperavam.
A conclusão de Jesus é responder que, com certeza, também eles passarão pelo martírio, pois ele o enfrentará chegando a Jerusalém, mas foge da sua competência responder positivamente ao pedido deles, pois, sentar a direita e a esquerda dele no Reino “É para aqueles a quem foi reservado”.
Com outras palavras Jesus se refere àqueles que, entendendo e se identificando com a sua pessoa e missão, serão como outros ‘Jesus’ ao longo da história. Não será questão de poder, de prestígio, de honra humana, mas de sintonia e fidelidade à missão que determinará estar sentado ou não ao seu lado.
Os outros dez discipulos ouviram o pedido de Tiago e João e se indignaram, pois participavam das mesmas espectativas. Pode-se imaginar o alvoroço entre eles... Pois, Jesus aproveita do momento para instruir os doze, especificando que o que eles pensam e esperam os levaria a ser como chefes das nações que as oprimem e os grandes as tiranizam. De nada adiantaria a missão dele.
Ordena uma nova visão e filosofia de vida “Mas, entre vós, não deve ser assim: quem quiser ser grande, seja vosso servo; e quem quiser ser primeiro, seja o escravo de todos”. Com certeza devem ter ficados desnorteados e incrédulos, pois deu uma reviravolta de cento e oitenta graus no entendimento deles.
Pois, ser ‘grande’ e ‘primeiro’ é a meta e ambição de todos, já que uma vida bem sucedida é medida nestes critérios. A maneira para chegar é exatamente o contrario daquela que Jesus indica e propõe aos doze. Portanto, Jesus procura imediatamente em que sentido é preciso assumir a indicaçao dele “ Porque o Filho do Homem nao veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida como resgate para muitos”.
Assim, se tornar servo ou escravo do outro, não é se expôr a arbitrariedade e abuso, que normalmente o patrão exercitava sobre o servidor ou escavo, mas as condições  e a prática de vida que o tornaria livre e regenerado de todo o que o oprime e faz dele um ser desumano, vazio, injusto, dominador, tirano, etc., enfim, um ser humano infeliz.
Para este objetivo ser atingido vale até “dar a vida” como Jesus mostrará com sua chegada em Jerusalém. Ser primeiro e grande se manifestará com o evento da ressurreição, que já está misteriosa e eficazmente presente na prática do amor, pela qual se entrega ao resgate do ou

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