terça-feira, 13 de dezembro de 2011

4o DOMINGO DO ADVENTO-B-(18-12-11)

1ª leitura dois Sm 7,1-5.8b-12.14a.16

Depois de ter se estabelecido em Jerusalém, construído o palácio real, Davi se propôs construir uma casa - Templo – para Deus e colocar nela a arca da Aliança, sinal da presença de Deus. Teria construído o Templo de maneira que o palácio real ficasse à direita do mesmo, pois, estar à direita de Deus é afirmar a dignidade de Filho. O pensamento dele era sincero e reto, sem segundas intenções, pois o profeta Natã aprovou o projeto.
Construir a casa tem sentido de estabilidade e, sobretudo, de permanência perene. É colocar um elemento que permanecerá por muito tempo. Portanto, construir uma casa a Deus pode ser expressão da vontade de pretender por parte de Deus permanência e estabilidade, aspectos estes que não competem ao rei e a nenhum ser humano.
Eis, então, o questionamento de Deus “Porventura és tu que me construirás uma casa para eu habitar?” e lembra a Davi tudo o que fez a favor dele “Fui eu que te tirei do pastoreio (...). Estive contigo em toda parte (...)” e anuncia o que realizará futuramente, concluindo “Eu o Senhor te anuncia que te fará uma casa” mais exatamente que estabelecerá uma descendência no decorrer dos séculos “suscitarei, depois de ti, um filho teu (...) e teu trono será firme para sempre”, como firme é a casa que queres construir.
Com esta atitude Deus quer lembrar a Davi que toda iniciativa procede dele, que não pode ser colocada em segundo plano, menos ainda ocultada, ainda quando a boa vontade e a correta atitude do rei podem levar a pensar o contrário. Deus não pretende mortificar a iniciativa e criatividade, mas ser suporte dela. Pelo contrário, a atividade e criatividade, desenvolvida em determinadas condições e para fins corretos, podem ser consideradas manifestação da iniciativa do Senhor. Portanto, recebem aprovação e sustento de grande importância.
Mais ainda. O relacionamento entre Deus e o rei se tornará tão forte e íntimo que o descendente prometido será para Deus como um filho “Eu serei para ele um pai e ele para mim um filho”. Há um abismo entre o projeto de Davi de construir o templo do Senhor, e o casamento que o Senhor estabelecerá para sempre com a descendência do rei.
A aliança, a união, a familiaridade será permanente. Diz o Senhor “Tua casa e teu reino serão estáveis para sempre diante de mim, e teu trono será firme para sempre”. Portanto, a oposição instável x firme; transitório x perene; oferece a percepção da segurança e da eternidade que coloca a pessoa no limiar do mistério da existência, no qual encontrar o sentido da existência e o motivo para se comprometer nas exigências da aliança, desafiando o aleatório, o passageiro da condição humana, sobretudo da morte como inevitável limite e toda existência.
A importância desta mensagem ultrapassa a circunstância do evento. Há uma ligação entre o passageiro e o eterno, entre o presente e o futuro. Com outras palavras, há caminho e condições para ultrapassar o provisório, o contingente e se firmar no último e definitivo que constitui o motivo e o sentido do Advento.
A famosa frase de santo Agostinho “Senhor tu nos criaste para ti e nosso coração está inquieto até descansar em ti” aponta que só na comunhão e amizade com o Senhor, no ser para ele um filho e nele ser reconhecido como pai, está a serenidade, a felicidade plena de cada pessoa.
A descendência à qual o texto alude é o Senhor Jesus, constituído como referência imprescindível para a estabilidade do reino de Deus.
A segunda leitura mostra como participar desta realidade.

2da leitura Rm 16,25-27

Considerando o grande mistério no qual está mergulhado e envolvido. Paulo se dirige ao “único Deus, o sábio” o louvor e a glória, extensiva até o fim dos tempos, nos séculos. O mistério “mantido em sigilo desde sempre” se refere a uma realidade não só envolvida no silêncio, como o embrulho envolve o conteúdo, mas o silêncio é a fonte da qual emana o mistério mesmo.
Portanto, o silêncio é parte constitutiva do mesmo. Mergulhar no mistério, inevitavelmente é entrar no silêncio, pois, é mantido,sustentado e alimentado do mesmo. A sabedoria de Deus brota do silêncio que acompanha os séculos. Ela não o elimina nem o desmancha, pelo contrário o exige.
Por outro lado, sendo que Deus “tem o poder de vos confirmar na fidelidade ao meu evangelho” como pode levar a cumprimento esta tarefa se o destinatário não se aproxima no limiar do silêncio, se tornando ele mesmo “silêncio”? Com efeito, todos sabem que o silêncio é o ponto de partida para a eficaz escuta. Eis, então, brotar dele a palavra humana de Paulo que anuncia “à pregação de Jesus cristo, de acordo com a revelação do mistério (...) levado ao conhecimento”, conforme a determinação de Deus.
O “meu evangelho” de Paulo se refere ao anúncio da morte e ressurreição de Jesus. Ele experimentou como esta boa notícia se tornou boa realidade nele, e percebeu que, objetivamente, os efeitos deste mesmo evento são passados a toda pessoa e a criação.
A percepção da transformação, renovação e regeneração, deste evento se dá de forma misteriosa, não acessível ao raciocínio e a qualquer forma de percepção humana, mas só pela fé, pelo voto de confiança.
Com efeito, o evento Pascal mergulha a todos no amor de Deus. É este mesmo amor praticado por Jesus na sua atividade evangelizadora e selado com sua morte e ressurreição que confere a cada pessoa a transformação e a condição de nova criatura, embora não perceba nada disso do ponto de vista humano.
Este conteúdo da missão deve ser “levado ao conhecimento de todas as nações, para trazê-los à obediência da fé”. A obediência da fé é o passo necessário para que o objetivo da salvação operada por Cristo e oferecida como presente se torna subjetiva, ou seja, percebida como realidade da própria pessoa, em virtude da consciência da transformação e regeneração suscitada por ela. Um exemplo. O que adianta ter notícia que foi assinado a favor da pessoa um cheque de um milhão, se ele não pega e não acredita na informação. Assim a obediência da fé é isso mesmo, que devemos exercitar em cada Missa.
Com efeito, após a consagração, o celebrante anuncia que os efeitos da morte e ressurreição acabam de ser oferecidos para todos “Eis...” como “... o mistério da fé”. Com isso destaca o acontecer do amor de Deus a favor dos presentes, da humanidade, e da criação, de forma misteriosa.
A eficácia em cada pessoa do evento que acaba de acontecer depende do voto de confiança, baseado no pressuposto que a pessoa de Jesus representa as pessoas de todos os tempos e de todos os lugares perante o Pai. Portanto, o que aconteceu nele, acontece em todos aqueles que confiadamente se deixam envolver pela atualização dos efeitos ma Missa.
Aceitar o presente, é aceitar o dom pelo qual o Pai nos acolhe como justos, e portanto restabelece a comunhão e a aliança perdidas. Isso é propriamente a “obediência da fé”. A resposta da assembleia “ Anunciamos (...). Proclamamos (...). Vem (...)” brota da consciência, esclarecida pelo voto de confiança, da transformação que acaba de acontecer.
O mistério se realizou e se manifestou, embora permaneça misterioso, “conforme determinação de Deus eterno” para acontecer o “hoje”(Lc 4,21) da salvação, cuja manifestação plena e definitiva acontecerá com a vinda do Ressuscitado no fim dos tempos.
Jesus é o evento, cuja entrada no mundo é descrita no evangelho.

Evangelho Lc 1,26-38

O texto é muito conhecido e comentado, sobretudo, pela figura de Maria, a maneira de se colocar no evento da anunciação e sua disponibilidade em colaborar positivamente ao convite da maternidade. Nela é representada toda pessoa que pela “obediência da fé” é convidada fazer de si mesma o lugar da salvação como representante da humanidade toda, e conscientemente responde positivamente.
Gosto de frisar que cada pessoa é a maneira humana de Deus ser no mundo. Portanto, na medida em que alcança se tornar gradativamente cada vez mais semelhante a Deus, não é só a vitória individual dela, mas dos sete bilhões das pessoas no mundo. É correto pensar cada um de nós como humanidade em miniatura.
Tudo começa com o anúncio desconcertante e inacreditável “O Senhor está contigo”. Esta presença, dom de Deus, é motivo de alegria. Contudo, a percepção da realidade tão inesperada e surpreendente, deixa a Maria, como se lhe faltasse o chão debaixo os pés, meio abalada. Ela é confortada pela palavra do anjo “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus”. Tudo é resgatado equilibrado pelo dom gratuito - a graça - de Deus.
Esta específica condição se atualiza em cada cristão consciente dos efeitos da morte e ressurreição de Cristo - a graça- nele. Ela, a graça, estabelece a presença do Senhor na profundidade do ser, cuja realidade enche a pessoa de alegria e confere consistência e firmeza no relacionamento com Deus.
Só então brota e compreende-se a missão “Eis que conceberás e darás a luz um filho (...) e o seu reino não terá fim”. A missão consiste em assumir o projeto de Deus a favor da humanidade. Sendo que Maria e nós somos miniaturas da humanidade, a salvação da humanidade é simultaneamente a nossa. Trata-se de assumir o que Deus determina conveniente e possível para cada pessoa. No caso de Maria a concepção do corpo de Jesus, no nosso a concepção no coração.
Missão impossível pelas simples condições humanas, daí a pergunta de Maria: “Como acontecerá isso?”. A resposta coloca em jogo o Espírito Santo e a vontade do Pai “O Espírito virá sobre ti (...) porque para deus nada é impossível”.
Então se fecha o círculo. Se Maria, assim como cada um de nós, acolhe no profundo do ser a presença do Senhor; se acredita em seu coração de ser agraciada pelo Senhor, a perplexidade é vencida pela certeza de que Deus não a deixará sozinha, pelo contrário, a acompanhará pela ação do Espírito Santo, em cada circunstância imprevista e sofrida que seja motivo pelo qual foi envolvida e associada ao desenho da salvação.
Maria se percebe sob o olhar e na presença de Deus. Não há registro das perguntas de caráter pessoal, familiar e social que normalmente surgem no interior da pessoa em situações como esta. Normalmente ao acontecer de eventos que mudam radicalmente a os projetos e os ritmos da vida ordinária, surgem muitas perguntas sobre as repercussões e consequências a todos os níveis que comporta.
Seria interessante saber as respostas de Maria, mas não há registro delas. Assim, podemos pensar que as possíveis respostas às perguntas acima indicadas são como englobadas, e em certos sentidos elaborados, por se perceber como “a serva do Senhor”.
O anúncio e a manifestação do projeto de Deus. Evidencia o pedido do serviço pelo qual só com a total dedicação e confiança no Senhor, e o reflexo nela mesmo, poderia ser desenvolvido convenientemente. Portanto, “Eis a serva”.
O “Eis” revela que Maria alcançou esta consciência. Ela se foi formando pelo diálogo com o anjo. No se manifestar Deus cria nela a percepção pela qual se coloca no singular relacionamento com o Senhor, no caso específico, na condição de serva. Posicionamento que deve tê-la fascinada, maravilhada e envolvida ao ponto tal de assumir sem reserva, incondicionalmente.
A Palavra e o Espírito Santo transformaram Maria de mulher comum em serva do Senhor. Para dar a luz o “Filho do Altíssimo” devia primeiro ser dada a luz como serva. É o mesmo que acontece com os grandes personagens da história de Israel. É à base de toda autêntica vocação.
Portanto, “faça-se em mim segundo a tua palavra!” é conclusão coerente com todo o processo: transformada pela Palavra e pelo Espírito - as duas mãos de Deus -, oferecerá a própria carne à Palavra e tudo de si mesma ao filho que nascerá dela.
A experiência dela é o que deveria ser, a de cada cristão. Com uma diferença: Ela concebeu o Verbo na carne, os cristãos no próprio coração.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

3o DOMINGO DO ADVENTO-B-(11-12-11)

1a leitura Is 61,1-2a.10-11

O profeta é preenchido pelo Espírito de Deus. “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu”. A presença do Espírito é uma unção de consagração, pela qual a pessoa (ou tambèm um objeto) é separada e destinada para uma finalidade especifica. É unção interior,cujo sinal exterior é a unção com óleo.
Quem está atrás das palavas e da ação do profeta é Deus mesmo. Assim, Deus separa o profeta para a missão específica. Pois, “enviou-me para dar a boa-nova aos humildes, curar as feridas da alma, pregar a redenção para os cativos e a liberdade para os que estão presos; para proclamar o tempo de graça do Senhor”.
A missão do profeta será proclamar um tempo de graça, momento oportuno para experimentar o dom gratuito da presença do Senhor e sua força regenaradora e transformadora. Com outras palavas, o acontecer da salvação.
Deus é atento e participa dos sofrimentos das pessoas. Faz parte Dele ser compassivo, sejam quais forem a causa e o tipo de sofrimento: humilhação, isolamento e desprezo, dependências, cárcere. Perante Dele está um ser humano diminuído na sua dignidade de ser criado a Sua imagem e semelhança. É uma condição desumana.
Ele criou a pessoa para a vida plena, colocou nela a marca - a imagem - de sua presença, para que no decorrer da existência se torne gradativamente sempre mais semelhante a Ele, na prática do que Ele é, na prática do Amor.
Assim, o sentimento de compaixão se torna ação misericordiosa, própria de quem se inclina de coração sincero sobre a lastimável condição da pessoa, para levantá-la, erguê-la à vida nova. A glória de Deus é o homem vivente, dizia Santo Irineu. E o agir de Deus é para que tenha vida em abundância.
O profeta ajusta-se plenamente à proposta , porque é o primeiro beneficiado por ele. De fato, isso é motivo de exultação: “Exulto de alegria no Senhor e minh’alma regozija-se em meu Deus” pelo que está experimentando. Por outro lado, não poderia exercitar, nem passar para outros algo que não faz parte dele, ou pelo menos, que não experimentou porque não estava envolvido.
Expressão de grande alegria e manifestação de profundos sentimentos ( semelhantes aos de Nossa Senhora, no hino de agradecimeto dela): “Ele me vestiu com a veste da salvação, envolveu-me (…) adornou-me (…)”. Tais sentimentos manifestam o impulso missionário e o motivo da dedicação a causa de Deus em quem está realmente tocado pela graça Dele. Com efeito, o dom recebido produz fruto de uma existência bem sucedida, quando é passado a outros. Cada qual é como a artéria que, deixando passar o sangue, mantém vivo e sadio o corpo e ela mesma.
“Assim como a terra (…), assim, Deus fará germinar a justiça e a sua glória diante de todas as nações”. Justiça e glória caminham juntos, mais ainda, são as duas faces da mesma moeda: a salvação. É justiça de Deus tirar o homen da triste condição na qual se encontra, muitas vezes, por causa dos próprios pecados, pela atitude magnânima e gratuita de Deus.
É manifestação da glória de Deus a alegria, a abundância de vida do homem, por ter se reencontrado e por contribuir com a construção de uma sociedade em sintonia com o direito e a justiça. E, também, por conservar e respeitar a criação, jardim que Deus lhe confiou.
Tudo isso pede constante e alegre dedicação em colaborar com a obra de Deus. E vigiar para não se deixar levar por forças contrárias. É o que indica a segunda leitura.

2da leitura 1Ts 5,16-24

“Aquele que vos chamou é fiel; ele mesmo realizarà isso”. Paulo, baseado na própria experiência, passa aos cristãos a convicção da fidelidade de Deus e a certeza de que vai cumprir o que prometeu. Mais ainda, afirma que Deus mesmo age nele. Não estão sozinhos, podem contar com a familiaridade e a comunhão com Ele.
Portanto, sustentado por esta certeza, Paulo exorta “Afastai-vos de toda espécie de maldade!”. A sedução de outras propostas, a necessidade dos bens materiais, o fascínio de dominar mundos ocultos, o medo de ficar sozinho e isolado do convivio social e dos afetos das pessoas queridas, as provações e as dificuldades do dia-a-dia, dentre outros aspectos, são tentações para desviar do caminho do Senhor.
É preciso tomar atitude: assumir o que ajuda e afastar o que atrapalha. Positivamente aconselha “Estai sempre alegres! Rezai sem cessar. Dai graças em todas as circustâncias, porque essa é, a vosso respeito, a vontade de Deus em Jesus Cristo”. A comunhão e a familiaridade com Deus leva consigo o estado de ânimo caracterizado pela alegria. Com outras palavras, pela serendidade interior, pela satisfação… É alegria que brota naturalmente, espontaneamente, não devida ou forçada por circustâncias ou vontade alheia.
Ela é acompanhada pela oração, pela ação de graças em todas circustâncias, em virtude da consciência de que “Deus dispõe todas as coisas para o bem dos que o amam” (Rm 8,28). Portanto não há circustância, mesmo que adversa, que não seja sustentada pela vontade de Deus, sempre orientada – a vontade Dele – para o bem de si mesmo ou dos outros. Vale lembrar que querer o bem dos outros é querer o próprio bem.
Paulo acrescenta ter cuidados de “Não apagueis o espírito! Não desprezeis as profecias…” no momento em que vai se afastando da vivência com o Senhor Deus, prevelece o disinteresse pela presença do espírito no profundo do próprio ser, e a desconfiança da profecia, daqueles que falam e argumentam a partir do ensino e da experiência da Palavra de Deus. Então, se abre a porta a todo tipo de maldade.
Nestes momentos de crise é importante a vigilância. Ela deve ser praticada com discernimento “…mas examinai tudo e guardai o que for bom” . É preciso distinguir o que è bom em sentido de ajuda, crescimento e aprofundamento dos objetivos da evengelização.
A evangelização é algo dinâmico, exige coragem e criatividade pelas circustâncias históricas em contínua evolução. Saber interpretar os “sinais dos tempos” na realidade em contínua mudança, significa discernir, à luz da Palavra do Senhor, e determinar a prática pastoral correspondente. É não apagar o espírito e vivenciar a profecia.
Aí está a ação de Deus para que “o próprio Deus da paz vos santifique totalmente, e que tudo aquilo que sois – espírito , alma, corpo – seja conservado sem mancha alguma para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo!”. A atenção está voltada para a vinda do Senhor, esperada como próxima. Assim, os que pertencem a Ele por se terem “conservados sem mancha”, participam plenamente da glória de Deus.
É João Batista quem anuncia e prepara o caminho da vinda do Senhor.

Evangelho Jo 1,6-8.19-28

João “ veio como testemunha, para dar testemunho da Luz”. Eis, sintetizada, a missão dele. A Luz è necessária “ para que todos chegassem a fé” e João traz o testemunho dessa luz, pois, foi enviado por Deus e tem consciência da missão que lhe foi confiada. Luz que ilumina o novo caminho da aliança que o Messias irà implantar e será motivo de renovada confiança, para assim reconstruir a sociedade e a dignidade da pessoa nos moldes da justiça e do direito.
À interpelação João responde: “Eu sou a voz que grita no deserto: “ Aplainai o caminho do Senhor-conforme disse o profeta Isaias”.O evangelista faz referência ao texto da primeira leitura e do evangelho do domingo passado.( Portanto, è preciso retomar o comentário para entender o sentido da afirmção).
O inciso referido ao profeta Isaías, melhor o livro da consolação do segundo Isaías, coloca em evidência a ligaçao da missão dele com a do profeta, a atualização do novo êxodo e da nova aliança. Parece- me querer preanunciar o começo de uma etapa radicalmente nova.
Contudo, João se posiciona de maneira certa e verdadeira perante a pergunta dos interlocutores “ Quem és tu?”. A resposta não encaixa em nehuma categoria de pessoas que poderiam justificar a atividadeque està desenvolvendo. Ele quebra, põe fora todos os esquemas, ao ponto de motivar o questiona mento “ Por que então andas batizando, se nao és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?”.
Notável que jà desde o início há descontinuidade com a tradição. O efeito é o desconcerto e a perplexidade. Ao mesmo tempo é como amostra do que Jesus realizará em todos os níveis.Com isso, fica afirmada a absoluta libertade de Deus em confiar a missão da forma que achar mais oportuna, sem estar amarrado à determinações e experiências anteriores. A criatividade e a novidade faz parte do específico da ação de Deus.
João se apresenta em função da missão que lhe foi confiada. Não se preocupa a qual categoria de pessoas pertence, mas com o que deve desenvolver. “Eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele que vós não conheceis, e que vem depois de mim” Obriga os ouvintes a fixar a atenção sobre uma presença no meio deles desconhecida, que continuará a missão iniciada por ele.
A atenção se torna inda mais viva e desafiadora pelo que a continuação acrescenta “ Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias” . Se já é respeitado e tomado em consideração, mesmo com dúvidas e peplexidade ,pelo que está pregando e realizando, o que será a experiência com aquele do qual afirma ser tão superior a ele?
A intervenção de João objetiva suscitar a maior atenção possível. Aquela atenção que não deve ser simples curiosidade, mas, entender que o desconhecido já presente- o Messias- na sua autorevelação se manifestará de maneira tão surpreendente e inesperada que rompe todos os cânones e expectaivas, muito mais do que João està mostrando.
Esta revelação é a luz que o povo precisa,e que por certos aspectos será luz para o mesmo João , considerando que não os outros, mas ele mesmo ficará surpreendido até enviar desde o cárcere no qual está preso os seus discípulos para perguntar a Jesus se é ele ou não o que tinha que vir (Mt 11.3).
O tempo do Advento reproduz a mesma coisa, olhando o futuro da vinda do Messias, esta vez como Ressuscitado no fim dos tempos. Assim, o que vai chegar não é coisa de pouca conta e previsível. Pelo contrario, precisa de grande atenção, para pereceber a presença dele e entender os critérios da sua sabedoria e da missão como realidade última e definitiva da ação de Deus a favor de tudo e de todos.
Será uma atenção que dexará a todos surpeendidos e deconcertados, inclusive os mais preparados, como foi o caso de João. Talvez seja o repropor em nível universal a experiência de morte e ressureição que caracretizou este evento de faz dois mil anos.
O evidente fracasso humano, em termos de rejeição do estilo de vida, da filosofia de Jesus e conseginte perda dos bens materiais, do poder, das honras e até da propria vida, será simultaneamente percebido como participação ao inedito e surpreendente gloria de Deus, pela qual haverá experiencia do que significa Deus ser “tudo em todos” (1Cor 15,28).

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

2do DOMINGO DO ADVENTO -B-(04-12-11)

1ª leitura Is 40,1-5.9-11

O texto é o começo do livro da consolação “Consolai o meu povo, consolai-o, diz o vosso Deus” , pois, está para terminar o exílio e a escravidão em terra estrangeira de Babilônia, na qual o povo foi deportado.

Foi entendimento comum que a causa da escravidão e da deportação foi o pecado, o desvio da Aliança. “Falai ao coração de Jerusalém (...) sua servidão acabou e a expiação de suas cul pas foi cumprida”. Falar ao coração e consolar manifesta atitude de preocupação, de carinho e interesse do Senhor para com o seu povo.

A expiação das culpas tem o sabor não da vingança ou do “olho por olho e dentes por dentes”, mas da pedagogia da correção. Com efeito, “Recebeu das mãos do Senhor, o dobro por todos os seus pecados” pode ser entendido como a necessária disposição de firmeza e de severidade para desmotivar e desanimar todo intento de voltar ao pecado, à transgressão da aliança. Portanto, é uma manifestação da preocupação do carinho de Deus para com o seu povo, como um pai de família preocupado para que o filho não volte aos erros anteriores.

O Senhor pede que o povo se disponha convenientemente ao evento “Preparai no deserto o caminho do Senhor, aplainai na solidão a estrada de nosso deus. Nivelem-se (...) rebaixem-se (...) endireite-se (...) alisem-se (...)”. É como um novo êxodo rumo à terra prometida, só que esta vez não é desconhecida, mas a terra que Deus lhes confiou e Jerusalém como capital.

Mas voltar a ela para reconstruir a nação, para se reorganizar nos termos da Aliança, supõe a mesma atitude, o mesmo esforço, a mesma purificação de então. Assim, o deserto e a solidão são formidáveis lugar, condição de purificação e de encontro com o Senhor. Portanto “a glória do Senhor então se manifestará... como renovação da Aliança,como identidade com a vontade do Senhor, no sentido de pertencer ao Senhor e de ter o Senhor Deus como próprio pai e rei.

“... e todos os homens verão juntamente o que a boca do Senhor falou” manifestação do acontecer do reino de Deus, na pratica di direito e da justiça. Trata-se de criar as condições para realizar a fraternidade e a solidariedade, sobretudo, para com os mais pobres e necessitados, por implantar a harmonia e a paz não só entre os integrantes do povo, mas com os estrangeiros, com todos os povos da terra.

O sonho de Deus de então é também o de hoje. Cada Advento é voltar ao mesmo propósito, é reassumir o mesmo compromisso, é creditar que merece todo esforço e investimento das próprias capacidades para dar um passo na frente, apesar das dificuldades e forças contrárias dentro e fora da Igreja.

Então haverá condição para anunciar “Eis o vosso Deus, eis que o Senhor vem com poder (...) eis à sua frente a vitória”, a presença, o poder, a vitória que transparece na vida do povo por acolher e praticar a Aliança.

Assim, a Lei, a normativa da Aliança, é a maneira de Deus pastorear o seu povo. “Como um pastor, ele- Deus- apascenta o rebanho, reúne (...) carrega-os (...) tange as ovelhas mães” Ela , corretamente entendida e desenvolvida, é expressão d vivencia legal da Aliança com Deus.

Não é a Lei que segura a Aliança. É o contrário. O envolvimento no temor de Deus, no desejo de agradar a ele com amorosa e positiva aceitação de sua inspiração e guia é que sustenta e motiva a Lei. Cumprir a lei pela lei, na mera observância da letra, leva ao desvio da Aliança.

Infelizmente é o que acontecerá. E Deus estabelecerá a nova e eterna Aliança na pessoa de Jesus, pano de fundo da segunda leitura.

2da leitura 2Pd 3,8-14

O dia do Senhor, o retono do Ressuscitado está demorando. Este dia é apresentado como um evento no qual “os céus acabarão (...) os elementos, devorados pelas chamas (...) a terra será consumida com tudo o que nela se fez”. Viver nesta expectativa próxima, até iminente, significa redesenhar o sentido da existência, reformular projetos e programas de vida, aguardando com certa preocupação a chegada do evento que vai mexer radicalmente tudo e todos.

A demora cria sérios problemas e perguntas às quais os apóstolos não podem se substrair. Eis, então, que Pedro enfrenta o desafio e argumenta “O dia do Senhor chegará como um ladrão”, pois, é a promessa do Ressuscitado e o sentido da ressurreição do Senhor. É certo que tudo e todos serão tocados pelo evento.

Com efeito, a ressurreição de Jesus é manifestação de que Deus em Jesus, como representante da humanidade e da criação, tomou conta da mesma e a destinou à glória dele com a vida do Ressuscitado. Será um evento transformador e renovador em todos os aspectos.

O que está falhando é o quando. Particularmente, hoje, não é só isso, mas também a modalidade da vinda e as consequências em termos apocalípticos. Tomando ao pé da letra a descrição pavorosa da vinda, se acostuma ligar os eventos assustadores da natureza, o perigo atômico, os gravíssimos problemas sociais a sinais premonitórios do fim. Mas será isso mesmo?

O que nos esperamos, de acordo com sua promessa, são novos céus e uma nova terra...”. Não aponta a outro céu e outra terra, mas este céu e esta terra transformados, pelo triunfo da justiça “...onde habitará a justiça” . Tudo o que não responde à justiça “tudo se vai desintegrar (...) quando os céus em chamas vão derreter e os elementos, consumidos pelo fogo, se fundirão”.

Sobre o corpo massacrado e morto de Jesus, em virtude de sua entrega de amor para o triunfo da justiça, o Espírito Santo - o fogo de Amor - liberou Jesus da morte, o renovou e transformou... Portanto, o que aconteceu nele, acontecerá para toda a humanidade. Não entendo porque haveria um processo diferente.

Parece-me que mais que acontecimentos naturais apocalípticos - a natureza tem suas leis e seu destino- o evento ultimo e definitivo, com a vinda do Ressuscitado, será a investida do Espírito Santo, cujos efeitos serão como o fogo descrito, que purifica e transforma tudo e todo.

Purificação e transformação que já fazem parte do dia-a-dia do cristão consciente em nível do conhecimento “Uma coisa vós não podeis desconhecer, caríssimos: para o Senhor um dia é como mil anos e mil anos como um dia. O senhor não tarda (...). Ele está usando de paciência (...) quer que todos venham a converter-se. O dia chegará(...)”. E em nível de prática de vida coerente “esforçai-vos para que ele vos encontre numa vida pura e sem mancha e em paz”.

Este processo tem em João Batista uma referencia muito significativa, como o Evangelho indica.

Evangelho Mc 1,1-8

“Inicio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus”. Não se trata simplesmente do inicio cronológico, com respeito à atividade e missão de Jesus. Mas, também, do inicio do processo pelo qual a boa noticia de Jesus se torna boa realidade na vida da pessoa e da comunidade.

“Eis que envio o meu mensageiro à tua frente, para preparar o teu caminho”. João Batista desenvolve a missão e chama o povo ao deserto, tradicionalmente lugar do encontro com Deus e de conversão, e incentiva enfaticamente “Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas!” .

Na proximidade da chegada do messias prega “um batismo de conversão para o perdão dos pecados”. Pecados por desrespeitar a Lei e afastar da Aliança. A conversão esperada consiste em voltar ao respeito da Lei, exigência da Aliança. Pois, com a chegada do Messias haverá o juízo: para os cumpridores a salvação, a participação no Reino e para os outros o fogo eterno. Ninguém poderá escapara nem com a morte, pois a ressurreição dos mortos é exatamente para que o juízo os alcance.

Trata-se fundamentalmente da conversão ética, sem dúvida muito importante, mas não determinante, pelo que Jesus fará acontecer. A retidão para com a Justiça não é dispensável, pois, “A sabedoria não entra numa alma que planeja o mal nem mora no corpo devedor ao pecado” (Sb 1,4).

É o primeiro passo. O mesmo João enxerga que muito mais há de vir “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu”. Sabe que o agir dele é circunstanciado e abrange um horizonte limitado, propedêutico a algo maior. Não percebe a magnitude, em termos de renovação e transformação, do que vai acontecer com a pregação de Jesus. Prova está que do cárcere “enviou seus discípulos para lhe perguntarem ‘És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro? ’” (Mt 11,3).

Percebe a ínfima pequenez dele “Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias”. Contudo, não é motivo para ficar com um pé atrás o acanhado perante os poderosos. Pelo contrario, está bem determinado em desenvolver a missão que lhe compete, ao ponto de desafiar o rei com as consequências que sabemos.

Mas percebe também a distancia entre a missão dele e a do Messias. “Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo”. Com certeza João Batista não tinha ideia do que poderia significar o batismo “com o Espírito Santo”, pois ele acontecerá com a morte e ressurreição de Jesus.

Pois, Jesus disse “ Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! Devo receber um batismo, e como estou ansioso até que isto se cumpra!”(Lc 12,49). É o fogo do Espírito Santo. É o batismo, mergulho, ma morte e ressurreição.

Com Jesus continua o processo de conversão, de purificação e de transformação com o fogo do Espírito, por meio da Palavra e de sua ação sacramental, que investe o os que acreditam nele e terá seu ponto final na vinda do Ressuscitado, como evento último e definitivo,motivo próprio do Advento e da esperança de todos os tempos.

Importante é tomar consciência que estamos neste processo, que participamos plena e ativamente dele por assumir o estilo de vida, a pratica e a missão de Jesus e, para com ele mergulhar no evento final, para que Deus seja tudo em todos.